quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Grande Roubo do Trem

Nome Original:The great train robbery
Diretor:Edwin S.Porter
Ano:1903
País: Brasil
Elenco: A.C. Abadie, Broncho Billy Anderson e Justus D. Barnes
Sem Prêmios
O Grande Roubo do Trem (1903) on IMDb


Embalados pela ideologia do Destino Manifesto após terem destruído toda a sua população indígena, na demonstração do talvez primeiro genocídio moderno, e movidos pelo desejo de dominar as terras em direção ao far-west os americanos puderam comemorar a consecução de seu plano: ligar o atlântico ao o pacífico pelas vias ferroviárias dos trens.

A primeira vez que alguém resolveu retratar os percalços do processo civilizador em cinema foi em 1903 com o filme “O grande roubo do trem”. Que fique bem claro que a tônica implícita no filme e, no próprio título, não faz concessões aos tratamentos idealizados de uma sociedade perfeita e boa. Daí a escolha deste filme. Um marco no cinema americano que literalmente fez escola e que não traz em si o germe da ilusão de sua hipocrisia.

O grande assalto de trem tem características importantes para a história do cinema. Basta citar que foi um dos primeiros exemplos do realismo, foi o primeiro a ser gravado em ambientes externos –uma dado curioso é que embora seja considerado o filme fundador do gênero de (far)oeste foi rodado na costa leste(New Jersey) e na movimentação de câmeras entre outras. É importante ressaltar para os detratores de plantão que isso foi conquistado após 8 anos - só 8 anos - depois da invenção do cinematógrafo pelos franceses Lumieré.

Se parece ser uma grande verdade que o cinema pode ser uma projeção do que será o mundo de amanhã, basta citar alguns clássicos como "Metrópolis", "Tempos Modernos", "Laranja Mecânica" entre outros, é também verdade que um filme com 113 de vida mostra melhor o passado do que qualquer livro de história.O grande assalto de trem é um filme de faroeste que foi produzido no tempo do faroeste. Apesar de, para os padrões de hoje, se tratar de um curta metragem, cujas técnicas narrativas foram todas assimiladas por diversos diretores e teorias, temos de tomar a produção Edwin S.Porter tentando entendê-la com a consciência de um século atrás.

Para os seus meros 12 minutos de filmagem o enredo não é nada grandioso, o filme começa com dois ladrões rendendo um guarda ferroviário e ordenando-o que dê uma falsa mensagem ao maquinista para que pare o trem na estação. Assim,sorrateiramente os bandidos entram no trem e roubam o cofre que estava sob a proteção de um guarda. Em seguida vão em direção ao trem onde depois de lutarem com alguns homens forçam o maquinista a pará-lo e desacoplar o vagão de passageiros. Após um arrastão nos passageiros os ladrões fogem e comemoram sua vitória. Enquanto isso o guarda ferroviário é encontrado e a polícia é avisada. Depois de serem descobertos começa uma perseguição a cavalo com a morte de todos os ladrões no tiroteio final.Válido dizer que as cores que aparecem no filme foram pintadas diretamente no filme.

Quando assisti fiquei fascinado com as atuações hiperbólicas e super caricaturais para não dizer caricaturesca, mas ao mesmo tempo, fiquei surpreso em ver que em grande medida os atores de um século atrás dão um banho de interpretação nos atores atuais. Outro fato que me chamou a atenção foi a troca de ator para boneco na cena em que um ladrão e um guarda brigam em cima do teto do trem.Depois de espancar o guarda por uma fração de segundo o ator virá um boneco e é atirado para o chão violentamente.

Pensando pra escrever sobre esse filme fiquei algo angustiado porque me fez relativizar o grau de violência a que estamos expostos. Quero dizer que cada sociedade suporta e até tolera um certo grau de violência,não é portanto uma característica nova,o fato de ela ser abordado no cinema é que o torna relativamente diferente. Penso que para época deve ter sido extremamente pesada a cena do arremesso do guarda pra fora do trem,tanto quanto à muita gente pode ter parecido descabida a violência em um filme de ação dos dias de hoje.

De tudo que foi dito,o fundamental é que o filme ainda consegue envolver o público em suas cenas finais.Consta que o filme está protegido por direitos autorais pela Livraria do Senado dos Estados Unidos,embora possa ser encontrado facilmente na internet,o plano fundamental do filme se dá quando o líder dos bandidos,na cena final,vira-se para o público com uma calibre 38 e.......










Isso! Ele dispara na platéia. Antológica essa cena foi homenageada em os Bons Companheiros (The goodfellas) de Martim Scorsese e em o Gagster Americano de Ridley Scott.Ah,claro podemos lembrar da última passagem de Tropa de Elite em que o André da um tiro de doze no baiano apontando,no entanto, a arma para o público.

-Na cara não,chefe!!!!

-Vai estragar o velório!!!!

O filme é tão biscoito fino que a biblioteca do congresso norte americano guarda os originais classificando-os como obra de importância histórica.


Fernando Moreira dos Santos
Sessões

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