quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Asas do desejo


Nome original: Himmel über Berlin (alemão), Wings of Desire (inglês)
Diretor: Win Wenders
Ano: 1987
País: Alemanha, França
Elenco: Bruno Ganz, Solveig Dommartin, Otto Sander, Peter Falk
Prêmios: Melhor Diretor, no Festival de Cannes e no European Film Awards; Melhor ator coadjuvante para Curt Bois no European Film Awards; Independent Spirit Awards na categoria de Melhor Filme Estrangeiro; Prêmio do Público, na Mostra de Cinema de São Paulo.
Asas do Desejo (1987) on IMDb
Asas do Desejo (1987), do diretor alemão Win Wenders, não é um filme “fácil”, tem um ritmo bastante lento, não possui enredo linear, por isso pode não agradar a muita gente. Pessoalmente, considero um dos melhores longas que já assisti, é um clássico imperdível para os amantes do bom cinema.

Se existem anjos, nesta versão wenderiana, eles estão espalhados por todos os lados, nas ruas, bibliotecas, metrôs, em cima de prédios e monumentos, e sua relação com os mortais se dá de maneira muito bela, terna e afetuosa. Àqueles que possuem maiores angústias, eles apóiam suas mãos nos ombros tentando transmitir uma sensação de esperança. As crianças têm uma relação próxima e são as únicas que conseguem enxergá-los.

A narrativa é composta de pura poesia e sua belíssima fotografia compõe o clima de uma Berlin dos anos 80, pré-queda do muro e com referências explícitas às memórias da segunda guerra e dos efeitos provocados pelo nazismo e holocausto.

A história é contada sob o ponto de vista de anjos que vagam neste cenário urbano, frio e melancólico. Eles ouvem os pensamentos humanos e sua visão é monocromática. Por esta razão 80% do filme é apresentado em preto e branco. Todas as informações captadas pelos anjos em forma de poesia-prece, lamentações, conflitos, frustrações e desejos são reproduzidos numa seqüência aleatória, como um rádio trocando de estações.

A história tem duas partes distintas. Na primeira, não há diálogos e Daniel, um dos anjos, já mostra interesse em se transformar em humano, mesmo presenciando toda a tristeza e aflição terrena. Ele passa a ter mais certeza de sua decisão quando se apaixonar por Marion, uma trapezista de circo.

O filme muda de ritmo quando Daniel se transforma em homem. A fita passa a ter cor. Seus diálogos com Peter Falk, que aparece interpretando a si mesmo, são delirantes. O encontro com sua amada num bar punk é surreal e muito romântico. O modo infantil como Daniel se entrega a pequenos prazeres, como o de descobrir as cores, tomar um café, sentir dor, frio, sorrir, correr, proporcionaram a mim, na primeira vez que assisti ao filme, isso há mais de 15 anos, uma motivação de vida interior imensa.

Sempre que me lembro desta história e agora que a assisti novamente, ganho um fôlego de esperança, uma certeza de que a felicidade está na simplicidade, no amor entre as pessoas e em relações que não se resumem ao plano físico. Saio renovado, mais leve. Um sujeito melhorado.
Não se trata de acreditar ou não em anjos, nem de fazer crer que eles sejam assim como Wenders conta. Asas do desejo não tem vocação para conversão, não é religioso, nem místico. Mas é um filme sensível, espiritual e poético.

Tão Longe Tão Perto (Far Away So Close), de 1993, é a sequência de Asas do Desejo. Outra belíssima produção de Win Wenders. O grupo de rock U2 gravou um vídeo clip baseado neste filme. A música Stay é facilmente encontrada no site de vídeos Youtube (clique aqui). Recomendo uma conferida.

Outra curiosidade é que o filme Cidade dos Anjos, produzido nos anos 90, com Nicolas Cage e Meg Ryan, é uma refilmagem hollywoodiana de Asas do Desejo. Nesta produção, o roteiro é adaptado aos padrões americanos que transformou o clássico europeu numa comédia romântica água-com-açúcar. Veja o trailer de 'Asas do Desejo':


Carlos Nascimento
Sessões

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Qual a mais bela atriz do cinema?

Depois de grande trabalho de votação entre os membros do Sessões chegamos a 10 nomes que foram os mais citados e em melhores posições. Clique aqui para ver a votação de cada membro.

Concordem ou discordem dos nomes finais, votem.
As fotos estão em ordem aleatória.

As mais belas do Sessões são:

Ana Paula Arósio - São Paulo (Brasil), 1975
Principais Filmes: O Coronel e o Lobisomen, Celeste & Estrela e Como Esquecer.


Catherine Zeta-Jones - Swansea (País de Gales), 1969
Principais Filmes: A Máscara do Zorro, Alta Fidelidade, Traffic, Os Queridinhos da América, Chicago, O Amor Custa Caro, O Terminal, A Lenda do Zorro e Sem Reservas.

Cybill Shepherd - Menphis (EUA), 1950
Principais Filmes: A Última Sessão de Cinema, Taxi Driver, O Retorno, O Céu se Enganou e A Última Palavra

Grace Kelly - Philadelphia (EUA), 1929-1982
Principais Filmes: Disque M para Matar, Janela Indiscreta, Ladrão de Casaca, O Cisne e Alta Sociedade.

Jennifer Connelly - Catskill Mountain (EUA), 1970
Principais Filmes: Era uma Vez na América, Labirinto - A Magia do Tempo, O Preço da Traição, Réquiem para um Sonho, Pollock, Uma Mente Brilhante, Pecados Íntimos, Diamante de Sangue, Casa da Areia e Névoa, Criação e Água Negra.

Letícia Sabatella - Belo Horizonte (Brasil), 1972
Principais Filmes: O Xangô de Baker Street, Durval Discos, Vestido de Noiva, Não Por Acaso, Romance e Chico Xavier.

Liv Tyler - Nova Iorque (EUA), 1977
Principais Filmes: Beleza Roubada, The Wonders - O Sonho não Acabou, Círculo de Paixões, Armageddon, Paixão Proibida, O Senhor dos Anéis, Reine Sobre Mim e Os Estranhos.

Natalie Portman - Jerusalem (Israel), 1981
Principais Filmes: O Profissional, Marte Ataca!, Star Wars, A Voz do Coração, Cold Mountain, Closer - Perto Demais, Free Zone, V de Vingança, Um Beijo Roubado, A Outra, Entre Irmãos, Cisne Negro e Thor.

Penélope Cruz - Madri (Espanha), 1974
Principais Filmes: Sedução, Carne Trêmula, Abra os Olhos, Don Juan, Tudo Sobre Minha Mãe, Profissão de Risco, Vanilla Sky, Não Se Mova, Anjo de Vidro, Sahara, Bandidas, Volver, Sonhando Acordado, Fatal, Vicky Cristina Barcelona, Abraços Partidos e Nine.

Salma Hayek - Coatzacoalcos (México), 1966
Principais Filmes: A Balada do Pistoleiro, Grande Hotel, Um Drink no Inferno, Dogma, Traffic, Frida, Era uma Vez no México, Bandidas, Pergunte ao Pó e Gente Grande.

Qual é a mais bela? Continue votando! Para saber como está a votação, clique aqui! Caso não concorde com nenhuma dessas, escreva no comentário e deixe sua opinião.





Equipe do Sessões

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dançando no Escuro



Nome original: Dancer In The Dark
Diretor: Lars Von Trier
Ano: 2000.
País: Dinamarca
Elenco: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Vladan Kostig, Cara Seymour
Premios: Palma de Ouro em Cannes e Goya
Dançando no Escuro (2000) on IMDb

Estamos diante de um musical.

Sempre fui encantado pelos musicais holywoodianos. Aliás, The Sound of Music está no meu Top5!

Tal como eu talvez, Trier e Björk também sejam admiradores desta época e deste modo de realizar filmes. Porém, a história do cinema já nos mostrou que esta forma de filmar, cantar e dançar hoje ocupa espaço maior na nostalgia de alguns do que propriamente nas telas. E, como a própria Selma (Björk) nos confessa em algum momento do filme: “Gosto dos musicais, por que nada de horrível acontece”. E creio que justamente por ser grande amante dos sapateados e balés americanos, que Lars Von Trier ousou dirigir e escrever um filme musical em que o trágico acontece e todos, todos sem exceção choram. O seu grande trunfo e contribuição é videar reflexão, comoção e abnegação em um gênero que até aqui, parecia não se permitir isso.

Apaguem as luzes! Desafio-os a dançar!

Leandro Antonio
Sessões
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