domingo, 30 de outubro de 2011

Meu País

Nome Original: Meu País
Diretor: André Ristum
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Débora Falabela, Anita Caprioli e Paulo José
Prêmios: Melhor Montagem, Trilha Sonora, Ator (Rodrigo Santoro), Diretor e o Filme do Júri Popular no Festival de Brasília
Meu País (2011) on IMDb

No meu país quero respeito.
No meu país tenho ladrões.
No meu país lota de gente de bom coração.
No meu país cuido dos dependentes.
No meu país transformo locais lindos que de tanto olhar nem vejo mais sua beleza.
O meu país é cheio de maravilhas invisíveis e horrores anunciados aos quatro cantos


A condição dos deficientes no Brasil é absolutamente preocupante. Seja físico ou mental, não há estrutura suficiente para cuidarmos nem dos que tem totais condições de viver sozinhos, quanto mais de quem é dependente e especial. A família é o pilar dessas pessoas que são esquecidas pelos Governos. E quando a ela não apoia, não ajuda, não faz, não há salvação. Mas há pessoas boas que podem mudar tudo. Na vida delas e de quem quer que seja. A salvação do mundo está dentro de nós mesmos.

Após a morte de Armando, seus filhos se vêem obrigados a pensar juntos sobre o futuro. Deles, da empresa, da herança e dos problemas. Marcos é o filho pródigo que vive na Itália e voltou com sua esposa para esses trâmites que não deveriam demorar mais que uma semana. O que encontrou foi um pai morto , uma empresa à beira da falência e o irmão, Tiago, viciado em poquêr. O caos na Terra para Marcos estava naquela quase esquecida São Paulo. Mas como diria o filosofo, nada está tão ruim que não possa piorar. Mas há males que são a salvação.

A descoberta de uma meia-irmã internada numa clinica de cuidados para deficientes. Manuela tem deficiencia intelectual. Seus 26 anos de vida são apenas 6 dentro daquele cérebro. Marcos não tem como ficar por aqui e Tiago só quer saber de não saber de Manuela nenhuma. A salvação daquela menina poderia não existir. Só a convivência por mais tempo é capaz de traduzir o que o sentimento diz.


Uma história clássica com o vilão, herói e o climax. “Meu País” encanta pela beleza das imagens e pela história. Mas (sempre há um mas), a decolagem demora para acontecer - se é que realmente acontece. A construção dos personagens, principalmente o de Tiago, vivido por Cauã Reymond, por vezes beira o pastelão como vilão, rebelde e viciado. Já Santoro só precisava de um aureola para ser o verdadeiro Jesus Cristo na cidade grande. O destaque vem para Debora Falabela que no papel mais dificil do filme consegue fazer uma Manuela dramática, especial e por muitas vezes consegue deixar-nos com um sorriso no rosto. Nem é necessário citar Paulo José que mesmo apenas 5 minutos em tela consegue ter a melhor atuação do filme. Um elenco maravilhoso e que gosto muito de todos os atores, porém os que mais esperava não surpreenderam.

André Ristun passou da crítica para a direção e nos trouxe um filme que tem músculos enormes mas não tem a força que aparenta. Consegue em momentos de aparencia magia levar ao chão e de verdadeiras banalidades numa perfeição visual. Cenas com menos silêncios e com uma atuação menos estereotipada dos atores poderiamos ter um filme memorável. Esperava mais, talvez por isso um pouco decepcionado. Mas deve ser visto por todos pois o olhar é absolutamente individual... Espero que muitas pessoas amem porque eu queria ter amado. Mas a cena final dificilmente será esquecida pela singeleza de alguém muito especial...

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Outubro

Nome Original: Oktyabr
Diretor: Sergei Eisenstein, Grigori Aleksandrov
Ano: 1927
País: Rússia
Elenco: Vladimir Popov, Vasili Nikandrov, Boris Livanov, Eduard Tisse, Layaschenko,Chibisov, Mikholyev, Nikolai Podvoisky, Smelsky
Sem prêmios
Outubro (1928) on IMDb


Depois do post Girassóis da Rússia, o Sessões mergulha ainda mais e retorna ao início do século passado no intuito de pincelar o que para muitos é pura inspiração – A Revolução Russa e Sergei Eisenstein. E se para os lados do calendário gregoriano contamos o mês de outubro. Nada mais pontual que rememorar um dos maiores feitos do cineasta – Outubro, filme realizado em comemoração aos 10 anos do fim da Revolução que culminou na experiência inédita da tentativa de implantar o socialismo científico proposto por Karl Marx em suas teorias sobre o capital.

Contextualizações e motivações a parte, ou não, para um tema revolucionário a de se optar por um formato revolucionário por pura coerência, os realizadores deste filme o fizeram com uma estrutura narrativa que não vê a (H)história como linear – Em 1927 isto era o crème de la crème e Eisenstein foi o mestre que mostrou que este feito era possível e inteligível. Outro aspecto não menos notável no filme é sua grandiosidade, as ruas da Rússia tomadas de gente enchem olhos, um trabalho primoroso e rigoroso, visto que além de contar uma história real nos moldes de ficção e simbolismos, ainda se conseguiu uma estética similar a dos documentários, o que traz um realismo que parece saltar da tela a qualquer momento.



Não é à toa que o cinema russo deste período inspira cineastas famosos do mundo até os dias de hoje. A Revolução do cinema também aconteceu pelas mãos trabalhadoras dos russos. Imperdível para qualquer um que pensa em apreciar a sétima arte.

Paz, pão, terra,
consciência e arte.

Leandro Antonio
Sessões

domingo, 23 de outubro de 2011

Os Girassóis da Rússia

Nome Original: I Girassoli
Diretor: Vittorio de Sica
Ano: 1970
País: Itália, França e União Soviética
Elenco: Sophia Loren e Marcello Mastroianni
Prêmio: David di Donatello de Melhor Atriz.
Os Girassóis da Rússia (1970) on IMDb


"Enquanto a ganância do poder sobrepor a importância do amor, a humanidade não terá paz”. Li essa frase outro dia num muro de uma cidade qualquer. A Guerra é um indústria, uma máquina, um organismo. Mas aonde está a greve, a rebelião ou o câncer para para-lo? Não conseguimos sobrepor nunca essa força pois a maioria não tem força, esperança ou mesmo vergonha na cara para protestar e lutar contra esse mal que faz tanto mal à essa coisa pouco importante que chamamos de sobrevivência. Abandonar tudo por um ideal que não é seu é exatamente o primeiro passo para a morte. A humanidade acabará num campo devastado onde a única lembrança será dos girrasóis que ali estiveram algum dia.

Vemos uma linda mulher em desespero ao não ver o nome do seu marido na listagem oficial do retorno da guerra. Pior do que não ver, é não ver também na lista de mortos. Aonde estaria Antonio? Giovanna sofre a dor da ausência desestruturada, inexistente. A vida na guerra não tem valor, apenas um número - o da identificação e o da quantidade dos soldados. “Ele está vivo” e viver da sua própria verdade é a verdadeira esperança. Guivanna não abandonará seu sonho, sua glória de ver que seu Antonio está vivo em algum lugar da gélida Russía. Parte em busca da sua esperança.


Por imagens lindíssimas, voltamos no tempo onde o lindo casal (Loren e Mastroianni) se conhece, apaixona-se, ama-se e cria o que deve salvar o mundo. O amor entre os dois italianos é exemplar sem ser piegas. É real, vivo, imperfeito. São detalhes que montam a essência da vida a dois, impossível não lembrar do omelete com 24 ovos para o desjejum do dia após as núpcias. Mas por vezes voltamos à realidade da atualidade. O flashback serve para lembrarmos sempre do início. Porque nem sempre o fim é feliz.


Giovanna consegue encontrar Antonio. Sua esperança estava certa, mas a verdade nem sempre é como esperado. Não há espaço para a perfeição no amor, mas também é quase impossível aceitar o erro. “Os Girassóis da Russia” é um marco na história do cinema por contar uma história, por nos ensinar sobre a vida de casal, por nunca esquecermos dos nossos juramentos mas que nos faz pensar em ver que por vezes a esperança cega a ilusão. Eles nunca podem ser quebrados. Eles são eternos laços apertados com nós que nunca conseguirão desatar. Mesmo que você abandone o barco, esse nó sempre estará preso à proa. De Sica faz um filme moderno e clássico e consegue extrair do casal mais belo do cinema italiano ótimas atuações com o impacto que um tema duro deve exalar, com uma trilha que acentua todos os sentimentos causados. Lindo, denso, triste... quem disse que seria fácil.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sessões Promoção: Meu País

Lançamento nacional em cartaz com mais uma promoção aqui no Sessões. Filme de André Ristum, com Paulo José, Rodrigo Santoro, Débora Falabela e Cauã Reymond.




Nós, Sessões e Imovison, vamos dar 2 kits contendo cada um:
  • 1 cd com a trilha sonora
  • 2 ingressos
  • 1 adesivo do filme

Legal? Também achamos! Para você levar um destes daí é preciso responder a pergunta:

O que há de seu no seu país?



As respostas mais inteligentes ou não, mais criativas ou não, mais irreverentes ou não, as mais cretinas, líricas, extravagantes, despojadas, esdruxúlas, tontas, enfim, as duas melhores respostas levarão um kit cada uma que será entregue por correio.



Atenção: O limite máximo de postagem para que as respostas sejam consideradas na seleção é domingo dia 23/10/2011. É rapidinho, mesmo. Com ou sem inspiração, acessem o site do filme e abusem do campo comentários para enviar suas respostas ouvir a trilha sonora em casa, na rua na chuva na fazenda e ir ao cinema acompanhado graças à sua sagacidade diante de uma pergunta.

Ah, não esqueça de identificar-se.


Site Oficial de Meu País


Equipe Sessões

domingo, 16 de outubro de 2011

Amor e Inocência



Nome Original: Becoming Jane
Diretor: Julian Jarrold
Ano: 2007
País: Reino Unido e Irlanda
Elenco: Anne Hathaway e James McAvoy
Prêmio: Melhor Filme Independente no People's Choice Award.
Amor e Inocência (2007) on IMDb


A união entre literatura e cinema sempre foi um casamento respeitoso. Para o escritor, ver na tela grande sua dedicação transformada em realidade pode ser o auge ou a decepção. Mas contar a história do escritor não é uma tarefa fácil, muito menos comum. Apenas os grandes escritores e que viveram de forma “ousada” é que são lembrados. Lembro-me de “Capote”. Em “Amor e Inocência” vemos parte da história da maior escritora inglesa de todos os tempos: Jane Austen. Conhecida pelos romances (que foram sucesso quando filmados) “Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade”, Jane é considerada um pilar na quebra de paradigmas literários e do feminismo e é retratada em “Amor e Inocência” com ares dos romances escritos por ela mesma.

Romances de época sempre são um atrativo às mulheres pelo figurino, histórias, sonhos, abnegação e o amor. Mas História é um prato cheio para todos os gêneros e idades. Vemos uma mulher inserida na sociedade rural de Hampshire à procura de seu lugar dentro da mesma. Sempre em busca de seus ideais de escritora, contesta as convenções impostas pelas aparências societárias, uma mulher diferente, a frente de seu tempo. Mulheres eram apenas preparadas para ser esposas de seus esforçados maridos, mas Austen não. Apesar de sempre escrever sobre amor, o seu com Tom Lefroy não teve o costumeiro final.


“Amor e Inocência” é um primor quando o assunto é figurino e locações. Somos transportados para uma Inglaterra que lemos em livros, com as sombras de fogs densos em campos verdes intermináveis, com carroças elegantes, chapéus formosos, roupas reais, verdadeiras pinturas em tela de que os olhos podem construir. Anne Hathaway é Jane com um sotaque que nem sempre nos leva ao britânico, mas sua caracterização é excelente e está linda como usualmente. Já James McAvoy está incrível como Tom Lefroy. Um filme água com açúcar. Mas uma água importada e um açúcar mascavo, pela beleza, pela leveza e por toda a história de uma grande mulher que vemos vivendo o que sempre escreveu.

Vitor Stefano
Sessões
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