quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Melhor Animação

“A animação oferece uma mídia de entretenimento em nível de história e visual que pode dar prazer e informação para as pessoas de todas as idades em todo o mundo” (Walt Disney).

O cinema de animação só cresce, quase sempre com apelo infantil ele consegue atingir através das formas e da linguagem, todas as pessoas, independente de cultura, classe, cor ou credo. Seja através de computação gráfica, desenhos à mão, 3D, massinha, stop motion ou claymation, os filmes de animação são, em geral, os que mais dão trabalhos a serem desenvolvidos.

Por todo o mundo vemos ótimas animações sendo feitas e reconhecidas. Temos estúdios enormes em 3 ícones da animação cinematográfica: Estados Unidos, Japão e França. O Brasil, infelizmente, não conseguiu ainda atingir um nível de excelência nesse gênero. As animações estão num momento de glória, onde a sua utilização passou a ser não apenas para crianças e sim para todas as idades.

E para comemorar esse Dia Internacional da Animação, o Sessões elegeu 14 animações para serem votadas e comentadas. A eleição se deu através da escolha dos seis membros do blog onde os que tiveram 2 votos ou mais estão nessa lista. Para saber a votação individual, clique aqui.

Confira a lista dos Melhores Animações, em ordem alfabética.





















Agora vote! E o que achou da lista? Faltou alguma animação?



Confira a votação completa,clicando aqui.

Equipe do Sessões

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Coração Louco

Título Original: Crazy Heart
Direção: Scott Cooper
Ano: 2009
País: EUA
Elenco: Jeff Bridges , Robert Duvall, Colin Farrell, Maggie Gyllenhaal
Prêmios: Oscar e Globo de Ouro 2010 de melhor ator para Jeff Bridges, Oscar 2010 e Globo de Ouro de melhor canção original "Weary Kind" (Ryan Bingham; T-Bone Burnett).

Coração Louco (2009) on IMDb


Antes de mais nada é necessário dizer que Coração Louco é um ótimo filme, um dos melhores do ano passado, e que Jeff Bridges mandou muito bem como o músico decadente e bêbado Bad Blake. Melhor ainda a trilha sonora, que é música country americana da melhor qualidade.

Não por acaso Bridges levou o prêmio máximo da academia de cinema americana como melhor ator e que a produção levou também o Oscar de melhor canção original

Assim como em O Lutador (Darren Aronofsky), Coração Louco conta a história de um sujeito decadente, que vive das sobras do que um dia foi uma carreira de sucesso. Histórias semelhantes, porém nada clichês.

Nesta produção, Bad Blake é um talentoso músico que não tem mais as glórias de outrora. Vive dentro de sua picape velha percorrendo enormes distancias para tocar em espeluncas. Seu minúsculo e fiel público é composto por figuras tão sofridas e tão bêbadas quanto ele.

Blake percebe que algo mudou quando conhece Jean (Maggie Gyllenhaal), repórter de um pequeno jornal local de Santa Fé. Ele se apaixona pelo seu jeito meigo e seus lindos olhos azuis. Ela também embarca na paixão quase instantânea.

Ao mesmo tempo, Blake retoma uma antiga parceria profissional com Tommy Sweet (Colin Farrell), este sim um grande ídolo da música country. Os dois planejam produzir um disco juntos e aparentemente a vida de Blake parece que vai melhorar.

Ainda que tudo conspire para sua volta por cima, o problema é que Blake não consegue tirar o pé da jaca. Talento, amor, amigos não são suficientes para colocar o doidão na linha.

Blake vai para sua casa e decide tratar seu problema de alcoolismo. O final é emocionante. Vale cada acorde, cada garrafa, cada cigarro, cada vômito.


Carlos Nascimento
Sessões

Vênus

Nome original: Venus
Diretor: Roger Michell
Ano: 2006
País: Reino Unido
Elenco: Peter O’Toole, Leslie Phillips e Jodie Whittaker
Prêmios: Humanitas Prize de Melhor Filme - empatado com 'Escritores da Liberdade' de Richard LaGravenese e Melhor Ator Coadjuvante no British Independent Film Award (Leslie Phillips).
Venus (2006) on IMDb


“Devo igualar-te a um dia de verão?
Mais afável e belo é o teu semblante:
O vento esfolha Maio ainda em botão,
Dura o termo estival um breve instante.
Muitas vezes a luz do céu calcina,
Mas o áureo tom também perde a clareza:
De seu belo a beleza enfim declina,
Ao léu ou pelas leis da Natureza.
Só teu verão eterno não se acaba
Nem a posse de tua formosura;
De impor-te a sombra da Morte não se gaba
Pois que esta estrofe eterna ao Tempo dura.
Enquanto houver viventes nesta lida,
Há de viver meu verso e te dar vida.”
(Soneto 18 de William Shakespeare - 1564-1616)

Este vídeo acima é o momento mais sublime de todo o filme. É impossível não vê-lo mais de uma vez. É incansável, assim como o filme. ‘Vênus’ é um filme singelo e atemporal. O complexo de Lolita pode ser um dos maiores clichês da história, inclusive do cinema. Pode, mas aqui não é o que acontece. Vemos um relacionamento simples, apaixonado, impossível entre duas pessoas que não representam em nenhum momento a beleza e a sensualidade que o mito de Vênus sempre nos passou. A nossa Vênus, não nasceu numa concha como o mito, nasceu nas ruas, no lixão, na sociedade capitalista, onde a beleza está apenas nos olhos de quem a vê.

Ian e Maurice são amigos de longa data e a chegada da sobrinha-neta de Ian mexe com tudo na vida deles. Ela vive um momento rebelde e que não tem valor pela vida, já Maurice, quer vida para se sentir vivo e vê em Jessie esse combustível. E o clima de paixão nasce naturalmente, sem julgamentos. Não há por que. É tão impossível que esse amor é real, sincero e verdadeiro, quase simbiótico, com rusgas, rugas, impotências e vontades inerentes às pessoas que procuram a paixão.

‘Vênus’ é coroada com a atuação irretocável de Peter O’Toole. Maurice é um personagem tão grandioso e memorável quanto seu Lawrence das Arábias. O toque shakespeariano aliado à sua grandiosa presença, mesmo num personagem tão decadente, dá um ar de arte ao filme, com clichês e problemas, porém toca a alma como poucos filmes sobre Lolitas fazem. Este não é só mais um filme. Temos aqui a personificação de Vênus dessa nossa vida real.

Vênus do espelho, 1650 de Diego Velázquez  (Espanha 1599-1660)
Óleo sobre tela,  122,5 x 177 cm
National Gallery, Londres.
Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sessões Entrevista Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro
Ele é um dos jornalistas mais importantes e influentes do Brasil. Já publicou diversos livros, é formado em História, Direito e Jornalismo, recebeu o título de monge budista leigo, corinthiano fanático e sempre demonstra fidelidade e carinho com sua Kombi. Recentemente foi protagonista de um episodio polêmico que valeu o seu emprego como apresentador na TV Cultura. Em uma entrevista com o político José Serra no programa ‘Roda Viva’, ao questioná-lo sobre o valor excessivo dos pedágios nas rodovias paulistas, Serra, então Governador do Estado de São Paulo, teria se irritado com a postura crítica de Heródoto e pedido a cabeça do profissional. Atualmente o jornalista apresenta o Jornal da CBN todas as manhãs. Heródoto já se aventurou pelo cinema, onde participou de dois filmes: Durval Discos e Ed Mort. Ao blog Sessões ele concedeu esta descontraída entrevista.


Sessões - Como você vê as leis de incentivo à cultura (principalmente ao cinema) aqui no Brasil? E o que acha do Cinema Brasileiro no geral?
Heródoto Barbeiro - As leis de incentivo a cultura não atendem convenientemente os produtores independentes e que não têm respaldo político ou de grandes empresas. O cinema brasileiro está evoluindo rapidamente e competindo em várias categorias com os filmes de outros países.

S - Qual o motivo de programas sobre cinema terem pouco espaço, principalmente na televisão aberta e no rádio?
Akira Kurosawa
HB – Creio que é porque faltam patrocinadores para os espaços apoiados publicitariamente, por isso os programas ou não existem, ou são pequenos boletins inseridos na programação. Além disso, há uma forte concorrência dos canais a cabo e dos inúmeros sites na internet.

S - Quais Filmes Marcaram sua Vida? Qual o estilo de filmes que te atraem?
HB – Gosto de filmes que tratam da essência do ser humano como O Carteiro e o Poeta (Michael Radford - 1994), A Estrada (Federico Fellini - 1954), Seara Vermelha (Alberto D’Aversa - 1964) e outros. Sou fã da obra do mestre Kurosawa.

S - Você já teve participações em dois filmes: Durval Discos (veja trailer abaixo) e Ed Mort. Tiveram outras? Como foram estas experiências e de que modo o jornalismo te aproximou ao cinema?
HB – Estas foram minhas únicas experiências, o cinema poderia explorar mais essa relação com o jornalismo brasileiro. Não sei por que não fazem.


S - Qual a sua opinião sobre jornalismo especializado em cinema? Você acompanha as críticas, baseia-se nelas para ver um filme?
HB – Acompanho alguns críticos e gosto de consultá-los antes de ver um filme. O jornalismo especializado poderia conquistar mais espaço nas velhas e novas mídias, mas para isso precisa de mais gente interessada em se envolver nessa especialidade.

S - O que pensa sobre a produção de conteúdo de informação e crítica gerada pelos blogs, twitter e afins? Há espaço no mundo corporativo/mercado de trabalho aos criadores desse tipo de conteúdo?
HB – Há um espaço imenso na nova mídia. O diferencial é a credibilidade que o autor acumula ao longo de sua carreira, o que faz algumas colunas na internet tenha grande audiência.

S - Você é corintiano roxo. Que tal os documentários do Timão?
HB – O que mais me emocionou foi ‘23 anos em 7 Segundos’, gostei também do ‘FIEL’.

S - Sabemos que você é ligado em ioga e meditação. Qual o melhor filme de caráter místico-filosófico que você já viu? O que há de especial nele?
HB – Creio que foi o documentário 'O Segredo'.

S - Quando teremos um documentário sobre sua famosa Kombi?
HB – Minha Kombi é um veículo comum, não é um carro de coleção, mas há muitas Kombis antigas e históricas que merecem um documentário.

Equipe do Sessões

Mãos Talentosas - A História de Ben Carson


Título Original: Gifted Hands The Ben Carson Story
Diretor: Thomas Carter
Ano: 2009
País: EUA
Elenco: Cuba Gooding Jr., Kimberly Elise, Ele Bardha, Loren Bass, Lesley Bevan, Jesse Christian
Prêmios: Image Awards de Melhor Filme para TV, Melhor Ator (Cuba Gooding Jr.) e Melhor Atriz (Kimberly Elise) para Filme de TV; Movie Guide Awards de Programa de TV mais Inspirador e Melhor Atriz (Kimberly).
Mãos Milagrosas (2009) on IMDb

Filmes biográficos são muito difíceis de produzir. A grande maioria tem uma qualidade baixa e é muito comum encontrar uma figura caricata, artificial ou mesmo uma espécie de horário político do personagem retratado.

Não posso afirmar que "Mãos Talentosas" seja um primor de filme biográfico, penso até que ele tenha vários defeitos, principalmente no roteiro. Ocorre que o valor dele encontra-se na própria vida do personagem central.

A produção conta a incrível vida de Ben Carson, que era um menino negro, pobre, de mãe solteira, péssimo aluno e que, portanto, tinha tudo para dar errado. Contrariando todos os prognósticos, contando com o auxílio precioso de sua dedicada mãe, Carson encontrou a motivação e o amor pelo conhecimento e, com muito esforço, mudou completamente sua história de fracasso e tornou-se um dos cirurgiões neurológicos mais importantes do mundo.

O efeito provocador deste filme é motivacional, de auto-ajuda, ou alguma coisa do gênero, além de ser um drama absolutamente emocionante. Depois de assisti-lo, o espectador tem a sensação e o desejo de tornar-se um ser humano melhorado, com mais dedicação e amor às suas atividades.

Ótima atuação de Cuba Gooding Jr, mais conhecido em filmes de comédia, mas que provou ter talento e capacidade para encarnar tipos mais complexos.

Muito recomendado a estudantes e a pessoas que buscam alguma motivação para suas vidas.

Carlos Nascimento
Sessões

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro

Nome Original: Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro
Diretor: José Padilha
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Wagner Moura, Milhem Cortaz, Seu Jorge, Irandhir Santos, André Ramiro, André Mattos, Maria Ribeiro e Pedro Van Held.
Prêmios: Melhor Filme, Ator (Moura), Fotografia, Diretor, Edição, Roteiro Original, Ator Coadjuvante (Andre Mattos) no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, Melhor Diretor, Edição e Prêmio Especial do Juri no Festival de Havana.
Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro (2010) on IMDb


Quando escrevi o texto de Tropa de Elite não tinha a menor idéia do que seria da sequência, mas parece que adivinhei. Quem não leu, vale a pena ler e depois voltar aqui. Desde lá só continuo com uma certeza: pena que a vida não imita a arte.

O Capitão Nascimento cresceu, apareceu e amadureceu. Largou a farda preta do Bope e, agora de terno, vai para a Secretaria de Segurança do Rio. Não o vemos mais brilhando onipresente e venerando a sua própria intolerância. Agora temos um “inimigo” ao nível do Capitão - não bélico mas sim ideológico, cada um em seu extremo. Os direitos humanos, sempre contestados, estão representados na figura de Fraga. Além disso, ele é marido de sua ex-mulher. Fraga entra para a política, é a mudança, a esperança, a novidade: uma maçã boa no meio de tantas podres.

O relacionamento de Nascimento com o filho é praticamente nulo e ao longo do filme é estreitada em poucos momentos. Fraga faz o papel de pai do menino e isso acirra ainda mais os ânimos entre os dois. Porém sabemos que os extremos se atraem, e aqui não é diferente. Nos morros as mortes continuam, os ataques aos traficantes. Aos poucos vamos percebendo aos poucos que os traficantes são apenas a ponta do iceberg. Milícias, polícia militar, prefeitura, governo, União estão representados pelos rostos cobertos e com os pés descalços dos traficantes. Fazia tempo que um filme sobre política não aparecia em nosso cinema. Ainda bem reapareceu.

Perdemos os bordões e o frescor de novidade do primeiro, mas Padilha faz um filme mais inteligente, menos intolerante, com atuações memoráveis de Irandhir Santos e Milher Cortaz, sem falar de Wagner Moura e um roteiro corretamente costurado. ‘Tropa 2’ é mais do que uma simples ficção. É uma ficção científica que extraí desejos e buscas do cérebro do público e revertendo isso em imagens no cinematógrafo. Padilha tem todos os méritos por ter encontrado o formato que arrebanhe público e crítica, fazendo um filme que vai contra o primeiro, com os mesmos personagens, problmas novos, novas ideologias. Como todo ser humano, o filme soube mudar o foco, sem perder o instinto do primeiro.

Logo no início tive duas sensações. “Estou vendo Carandiru 2”. Depois, estou vendo Hitler sob o olhar de Leni Riefenstahl. Ainda bem as sensações passaram com o decorrer do tempo. Com algumas qualidades de Babenco e Leni, Padilha impacta ainda mais do que no primeiro, provando que o Sistema é Foda. Tropa 2 é Foda. Que venha o 3, definitivo e mostrando que Capitão Nascimento morrerá sem conseguir corrigir tudo que está errado, mas que vai deixar milhões de seguidores e fãs, algo nunca antes visto na história desse país.


Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Do Começo ao Fim

Nome original: Do Começo ao Fim
Diretor: Aluizio Abranches
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco: João Gabriel Vasconcellos, Rafael Cardoso, Jean Pierre Noher, Fábio Assunção e Julia Lemmertz
Sem Prêmios
Do Começo ao Fim (2009) on IMDb


Falar sobre ‘Do começo ao fim’ é dificil. A sociedade atual tem base nos estereótipos criados por nossos ancestrais e dificilmente conseguirão se distanciar desses tão rapidamente. Tratar tabus no cinema sempre foram um dos melhores meios de comunicação para fazê-los de forma calma e sem chocar. Tentar quebrar dois tabus juntos foi o pecado de Aluizio Abranches. O tema da homossexualidade já é corriqueiro e ‘comum’ nos dias de hoje. O de incesto não, ao menos não para mim.

O amor entre dois irmãos é algo terno e uma busca por muitos pais que só os veem brigar e disputar espaço. Aqui, Francisco e Tomaz não tem nenhum tipo de disputa. São inseparáveis, como unha e carne. A infância vai se desenrolando, esse amor só cresce e a união só aumenta. Filhos de pais diferentes, os irmãos na infância, já tem discurso pronto e ensaiado como se fossem homossexuais antes mesmo de conhecer sua sexualidade. Isso preocupa o pai de Francisco, mas a mãe não vê problema e nada que eles façam será errado.


A grande sacada do filme viria na descoberta da sexualidade. Porém esse momento não existe. Um vácuo é criado e a vida adulta aparece na cena após sabermos da morte da mãe e a saída do pai de Tomaz de casa. Eles como num ensaio de sedução despem-se e libertam-se das roupas que encarceravam seus corpos do amor eterno que eles sempre viveram. Irmãos viram amantes, cenas repetidas mostram o carinho incestuoso num mundo que só existem os dois. Um Éden com dois Adão.

Corajoso, Abranches tenta furar um preconceito fazendo cinema de forma simples e objetivo, tentando o impossível, não julgar um estereótipo. O preconceito é celular ao ser humano e finjir que não existe poderia ser uma boa saída, mas aqui peca em alguns momentos. Valeu a tentativa de fazer um filme polêmico-poético. Aos simpatizantes uma dádiva, ao restante, difícil de ver e digerir.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sete Vidas

Nome original: Sete Vidas
Diretor: Marcelo Spomberg e Zé Mucinho
Ano: 2007
País: Brasil
Elenco: Ariel Moshe, Christiane Tricerri, Etty Fraser, Luisa Mell, Mairun Seva, Marcelo Mansfield, Prof. Jayro, Selton Mello
Prêmio: Melhor Filme no Júri Popular no Brazilian Film Festival of Miami e pelo Júri Oficial no FANTASPOA, Melhor Roteiro no Brazilian Film Festival of Miami, Prêmio CTAV no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, Melhor Roteiro no Jornada Internacional de Cinema da Bahia e Menção Honrosa - Ator no Primeiro Plano - Festival de Cinema de Juiz de Fora.


Que Selton Mello tem uma carreira longa como dublador não é novidade para ninguém. Já o ouvimos como Charlie Brown, Ralph Macchio em Karate Kid 2 e 3, Asnésio do desenho Duck Tales e o personagem Brandon Walsh nos Goonies. Mais recentemente deu voz a personagens das animações ‘A Nova Onda do Imperador’ e ‘Irmão Urso’, além do pitoresco aparelho doméstico que dá nome ao filme ‘Reflexões de um Liquidificador’. Essa longa jornada como dublador o capacitou a dublar o personagem central desse curta-metragem: um gato.

Imaginar que os escritores depois de mortos encarnam nos felinos é um tanto criativo, porém o curta não se restringe apenas a esse detalhe. A lenda diz que gatos tem sete vidas. Aqui no vemos que o gato faz parte de sete vidas de pessoas totalmente diferentes, porém todas tem algo em comum: pensam ser donos do gato e vivem suas vidas contando com a sua presença diariamente. Independentes que é, ele perambula por diversos locais sem donos e sem casa, mesmo tendo 7 de cada.

Além do belo bichano, a melhor participação é de Marcelo Mansfield na pele de um padre que dedica suas tardes a ouvir música com o gatinho. Não ouvimos em nenhum momento músicas sacras ou cristãs. Ouvimos uma batida, um rap que entoa: “Graças a Deus, eu sou Ateu”. Mansfield como padre é como Bush de Papa, sensacional. Outro destaque positivo é a presença de uma dona que gosta de ver gatos acasalando, uma verdadeira representante da ‘felinofilia’. Também temos a aparição modorrenta da defensora dos animais, Luisa Mell - mais sem sal impossível.

Vale a pena ver o gato com a voz do Selton Mello, num curta um pouco mais longo, mostrando que a vida de escritor/gato pode ser mais aventureira do que parece. Aliás, com sete vidas, certamente a vida passa mais rápido do que com uma só.


P.S.: Como perceberam, não se trata do filme homonimo de 2008, estrelado por Will Smith.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Escritores da Liberdade



Nome Original: Freedom Writers
Diretor: Richard LaGravenese
Ano: 2007
País: Estados Unidos da América
Elenco: Hilary Swank, Imelda Staunton, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Kristin Herrera, Mario Barrett, Hunter Parrish, Antonio García, Giovonnie Samuels
Prêmio: Humanitas Prize de Melhor Filme - empatado com 'Vênus' de Hanif Kureishi.
Escritores da Liberdade (2007) on IMDb



É na cena em que a professora G propõe a dinâmica da "linha vermelha" que se constrói a beleza a se extrair de Escritores da Liberdade. Mais do que no momento preciso e pleno em que se realiza o início da tranformação - quando a professora intervém em uma rixa entre latinos e afro-americanos relacionada com um desenho de deboche. Quando os alunos se dispõem face-a-face diante de suas mazelas comuns haverá a queda de seu orgulho, o surgimento de outro sentimento que aos poucos será moldado corroborando para a formação de um novo grupo engajado no bem comum. Na escola Wilson será realizado, então, um feito que ficará marcado nas vidas dos alunos e da comunidade local.

O filme, oportunamente, explorará a comoção através da possibilidade que se abre quando a dedicação toma conta da vida de alguém - no caso a professora Erin Gruwell. Eis o sucesso cinematográfico: bilheteria e crítica aprovam e o filme emplaca. O livro no qual a produção se baseia é um recorte dos diários dos alunos daquela High School, é um pedaço da vida de muitos alunos que viveram uma experiência absoluta e positiva. Entretanto, o filme se dirige elegantemente para uma abordagem digna dos padrões hoolywoodianos, sem densidade extremada. Então, será difícil através do filme certificar-se da dimesão socio-cultural ou mesmo antropológica daquela proposta, não será possível distinguir o feio do belo pois a maquiagem plástica de uma superprodução produz àquela sensação de bem-estar - identica a quando ouvimos àquela música no rádio com quatro acordes e palavras exaustivamente repetidas. Escritores da Liberdade é um belo bordão, contagia, entontece, desperta. E é ai que se encontra a chave para uma boa interpretação do filme: baseado em uma história real. A dimensão que o filme não traz poderá ser alcançada a mediada que nos aproximarmos da história que provou grande alvoroço nos E.U.A e nos seus desdrobramentos sociológicos e educacionais.



A escola em questão, em 1994, já é alvo de um programa do governo estadual que prevê a inclusão de jovens de origens etnicas diversas, estrangeiros. A quietude que a escola saboreava é invadida por um surto de violência e segregação capaz de causar descrétito total na diretoria e nas autoridades competentes. A professora G, em início de carreira, ficará com a sala 203 - a problemática - e então irá se deparar com a falibilidade do método tradicional: "qual o motivo desse aprendizado?", "por que os alunos deveriam respeitá-la?". Sob esse clima nebuloso de violência e violação a Srta. Gruwell precisará recorrer a um novo plano de ação.

A partir do reconhecimento das limitações do trabalho que visava praticar em sala, a professora irá procurar uma alternativa de aproximação com àqueles jovens: seu plano será esboçado diante da sua surpresa ao perceber que seus alunos nunca tinham ouvido falar sobre o Holocausto. Sua postura passará a uma tentativa mais diversa, sua pedagogia versará com o que podemos aproximar com o método Paulo Freire (o método Paulo Freire consiste no aprendizado baseado na ação e reflexão, considerando a práxis como ferramenta tranformadora). Sua aula de inglês irá flertar com a livre escrita dos estudantes em seus diários: evoca-se o espelho nas valorosas reflexões impressas nos títulos "Noite" de Elie Wiesel, "O Diário de Anne Frank" e "O Diário de Zlata". Seu programa será direcionado para o elemento fundamental do currículo: a tolerância. Ao perceberem a opressão em comum os alunos irão integrar-se de maneira gradual e formarão um conjunto com objetivos regulares. O empenho da professora supera o comum, faz desintegrar, inclusive, seu casamento, sua vida pessoal: será possível tamanha doação sem perder os trilhos da estrada que se escolhe na vida privada?

A ação de Erin terá longo alcance: conseguirá a resposta de várias cartas enviadas a Zlata Filipovic e a visita da mulher que abrigou a família Frank na Segunda Guerra Mundial, Miep Gies. Isso será possível por conta da mobilização da turma de alunos interessada em encontrar sentido para suas vidas e para seu aprendizado.

É uma proposta que reage ao determinismo e integra o sujeito em sua dimensão social. A professora G promove a criação de um espaço de crítica e desenvolvimento pessoal coerente com o contexto de seus alunos. Há uma dimensão antropologica a se observar e um "sonho" a ser realizado. Haverá problemas ao transpormos esse projeto em outras realidades, mas haverá consenso em dizer que essa esperança é o que balança os corações das minorias, nas palavras de Martin Luther King:

"Eu tenho um sonho em que meus quatro pequenos filhos vão um dia viver em uma nação onde elas não sejam julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!"

E Mano Brown:
"Queria que Deus ouvisse a minha voz e tranformasse aqui num mundo mágico de Oz..."

Serão esses, inspirados pelos Freedom Rides, os Escritores da Liberdade encarnados nesta produção. Uns que rompem com o sistema de reprodução das desigualdades e da segregação nos espaços públicos, nos espaços de educação. Uma alternativa a ser visualizada para encontrar o lugar da escola na falência das instutuições, na queda das tradições e nesta profunda modernidade líquida. Neste lapso será que nós poderemos fazer uma visita constante a um "museu da tolerância"? Encontrar em nosso passado ou em nosso futuro uma possibilidade plena de encontrar abrigo para nossas diferenças? Serão esses novos dias!



Mateus Moisés
Sessões

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Carta de Eduardo Escorel sobre Santiago

Carta sobre o documentário 'Santiago' gentilmente cedida por Eduardo Escorel para o Sessões. Esta carta foi enviada a Amir Labaki ler em antes de uma sessão do filme, quinze dias após sua estréia no Festival É Tudo Verdade, criado e dirigido por Labaki, que, entre outras coisas, dirigiu o curta: “Um intelectual no cinema – Eduardo Escorel”, em homenagem ao gênio que escreveu essa carta.

Segue carta abaixo:
"Amir,
[ para ser lido em tom afetuoso, articulando bem as palavras, sem dar a palavra ao João no final]

Há quinze dias, logo depois da projeção de SANTIAGO, sem a presença do João, na abertura do É TUDO VERDADE no Rio, escrevi a ele dizendo que na primeira ocasião oportuna responderia à mensagem dele, lida por você naquela noite. Não esperava que fosse ter essa oportunidade tão depressa. Agradeço, portanto, a você por propiciar esta réplica.

A montagem de SANTIAGO foi um raro tempo de felicidade. Éramos três gerações em harmonioso confronto e nos divertimos à grande, Lívia Serpa, João e eu. Se bem me lembro, João escreveu que eu tenho uma idéia “estranha” sobre montagem. Talvez ele até tenha razão.

O que sei com certeza é que meu aprendizado do que seja montar, até o momento, foi feito em 3 filmes: TERRA EM TRANSE (Glauber Rocha), CABRA MARCADO PARA MORRER (Eduardo Coutinho) e SANTIAGO. Ainda convalescendo do cinema direto, João parecia em dúvida, no início, quanto a fazer um filme narrado na primeira pessoa. Aos poucos, o material bruto foi revelando que a forma possível de ser organizado girava em torno de três personagens: Santiago, a casa da Gávea e o próprio João.

Admiro a coragem com que ele venceu resistências e aceitou essa fatalidade de forma radical. Ao vislumbrar que o filme era também sobre sua própria realização, creio que ele definiu o princípio que lhe deu ânimo para retomar a montagem e concluir o projeto. Lívia Serpa e eu nos limitamos a tentar entender o filme que ele queria fazer. Não foi difícil.

Recebam, João e você, o abraço amigo do Eduardo.

São Francisco do Canindé, Sergipe
Abril, 2007
 [ reitero que a palavra não deve ser dada ao João]
Encontro entre João Moreira Salles e Amir Labaki
Eduardo, muito obrigado por mais uma vez colaborar conosco e por tornar essa carta pública através do Sessões.

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Filmes para o Dia das Crianças

Outubro sempre é o mês das crianças, mas não é por isso que você terá que assistir os mesmos filmes. Então veja dicas de algumas animações diferentes daqueles que você está acostumado a ver, agradando tanto as crianças e os adultos.

Ponyo - Uma Amizade Que Veio do Mar

Ponyo é uma peixinha dourada que estava à beira da morte. Não fosse o pequeno Sosuke. A poluição dos mares quase a matou, porém uma gotinha de sangue do menino faz Ponyo ter poderes e virar uma encantadora menininha. Essa mudança poderia ser trágica ao planeta, mas essa é a decisão da ex-peixinha, que agora quer salvar o mar da poluição. Uma animação maravilhosa com cenas de tirar o fôlego pela beleza. Uma lição sobre conservação dos mares e conscientização sobre poluição. Essa é a última animação do lendário diretor japonês Hayao Miyazaki lançada aqui no Brasil.

O gênio Hayao Miyazaki, pai de Chihiro e Ponyo

As Bicicletas de Belleville

Essa animação francesa é linda. Conta a história do menininho Champion, que é adotado pela avó Madame Souza. Ele é um menino muito triste, porém ganhar uma bicicleta mudou toda a sua vida. Crescendo, ele mantêve-se sobre a bicicleta, porém como profissional. Durante a tradicional competição Tour de France, Champion é sequestrado. Aí começa a aventura de Madame Souza e seu cão Bruno. No percurso eles recebem a ajuda das Trigêmeas de Belleville, cantoras de cabaret dos anos 30. Uma maravilha visual e auditiva. Uma animação adulta, mas que também divertirá muito as crianças.


Persépolis

A história de Marjane Satrapi de forma animada, é uma aula sobre costumes árabes. A história da Revolução Islâmica e a dificuldade de uma família progressista viver naquela época é apenas o pano de fundo para vermos uma linda animação em preto e branco. Adaptado dos quadrinhos com o mesmo nome, a vida, idas e vindas do Irã, conversas com Deus e pensamentos de Marjane encantam. É impossível não ser cativado pela figura e memórias da pequena e da adolescente Marji. Uma lição que não aprendemos na escola.

Marjane na infância e na adolescencia

A Viagem de Chihiro

Considerada por mim e por muitos a melhor animação de todos os tempos, o mais famoso e conhecido filme de Miyazaki é uma fábula, uma explosão de sentimentos. A história começa com a mudança de cidade da família Ogino que não empolga a filha, Chihiro, que não queria deixar as amigas e lembranças. Mas o novo lar não é numa cidade qualquer. Ela está repleta de labirintos, fábulas e novidades que dá asas à imaginação de todos que virem. Uma maravilha de filme que entretem, diverte e faz pensar sobre a vida e seus medos. Imperdível.


Feliz Dia das Crianças!

Esta matéria foi veiculada na Revista City Penha, edição 42, de Outubro de 2010.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quando o Tempo Cair

Nome original: Quando o Tempo Cair
Diretor: Selton Mello
Ano: 2006
País: Brasil
Elenco: Jorge Loredo, Alvaro Diniz e João Gabriel.
Prêmio: Marlin Azul para Jorge Loredo, por sua volta ao cinema após 28 anos, no 13º Vitória Cine Vídeo.



O tempo é cruel. Suas marcas irreparáveis, incalculáveis, imutáveis. Chega silencioso e antes que percebamos já sentimos seu peso, sua força estampada no corpo, nas marcas de expressão do rosto, nos pensamentos. Tudo é transformado a partir de uma chance, uma mudança. Ivan tem a esperança de sentir-se útil afasta os fantasmas da depressão, mas essa doença maldita afeta pessoas de todas as idades e dificilmente vai embora.

Ivan vê-se desafiado com a necessidade de sair de casa para sustentar filho e neto. A vida naquele pequeno apartamento é tão calma, quase mórbida. Ter um filho ‘amarrado’ à cama por conta de um trauma, uma tristeza imensa, uma doença, é revoltado a um pai que tudo quis dar à sua prole. Voltar ao mercado de trabalho após os 60 anos é uma tarefa quase impossível, resquícios da Revolução Industrial que busca quantidade e não qualidade. Os velhos são descartáveis, humilhados, peso aos olhos da sociedade e do Governo.

Muito do drama e da melancolia parece fazer parte do Selton Mello diretor. Aliás, muitos dizem que ele como ator tem muitos movimentos mecânicos, tiques e é perceptível que como diretor, a câmera trêmula, os closes longos, locais escuros além da dramaticidade, já fazem parte de seu arsenal. ‘Feliz Natal’ só veio reafirmar essas características, que parecem inerentes ao ator/diretor. Tocante, poético e reflexivo. É assim Selton Mello por trás das câmeras.

Ponto alto e destaque para a atuação de Jorge Loredo, que estamos acostumados a ver como ‘Zé Bonitinho’ e que o diretor fez questão de incluí-lo no mundo cinematográfico novamente. Ivan de Jorge carrega em seu rosto cansaço, rugas e tristeza que acalenta e abrilhanta o curta. Dá vida mesmo quase morto. Um palhaço na vida real, a tristeza corrói a alma, mas nunca deixa a esperança morrer.


“Palhaço
Posso eu palhaço que sou...
Chorar?” (Myrian Benatti)

Chore.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Luz

Nome Original: Luz
Diretora: Bruna Capozzoli
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Plínio Soares, Rod Lombardi, André Grecco, Roberto Lacava e Bruno Gonçalves.
Sem Prêmios


Uma luz acendeu. Não era vela. Não era lâmpada. Vemos santos, o som orquestral e ao vivo cresce e preenche o peito de um sentimento que ainda não sabemos qual. Tiira o vazio das cores inexistentes e deixa tudo belo. A luz, no cinema, é o fim. Aqui, Luz é apenas o começo de uma linda poesia em formato cinematográfico, com temática polêmica e leve como uma pluma.

Filmes sobre problemas da Igreja já são roteiros comuns. Óbvio que cada um tem sua individualidade, seu toque, sua proposta. Lembro-me de ‘Má Educação’ de Almodóvar e ‘Dúvida’. Cada um no seu ritmo, na sua polêmica. Luz tinha tudo para ser apelativo, baixo, sujo. Mas nenhuma dessas características ousa chegar próximo desse curta-metragem. Direção brilhante de Bruna Capozzoli, com ângulos investigativos, zoom aluscinantes e câmera tremida no momento tenso - Maestria. Cortes, armas, padres presos, Vicente e Rafael. Tudo isso nos devaneios e desespero de Vicente. E o amor? O que é o amor? Porque tanta tolerância? O que é Deus?

E ‘Luz’ vem para trazer à tona um tema tão complexo quanto o homossexualidade na Igreja Católica. O curta é uma produção independente e que não buscou nenhum edital para leis de incentivo, por opção, para que não houvesse nenhuma mudança ou interferência na produção, que é da atriz Carol Hubner. O cinema deve ou não ter investimento público? Com certeza voltaremos à esse tema. E quem quiser investir no curta, entre no site oficial do curta e veja os modos de colaborar - http://www.luzofilme.com.br/. Merece.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Luzes da Cidade

Nome Original: City Lights
Diretor: Charles Chaplin
Ano: 1931
País: EUA
Elenco: Charles Chaplin, Virginia Cherrill, Florence Lee, Harry Myers, Al Ernest Garcia e Hank Mann
Sem prêmios
Luzes da Cidade (1931) on IMDb


Paris, ah Paris. A mais bela das cidades. Capital do Velho Mundo, moderna e charmosa, tecnológica e cultural. Quem conhece a Cidade Luz sabe que seus encantamentos vão além da linda Torre Eiffel e da imponência do Louvre. Em ‘Luzes da Cidade’ não temos a Cidade Luz, mas vemos as luzes que vemos são tão ou mais belas que da capital francesa.

O Vagabundo, personagem clássico de Chaplin, é a estrela de mais esse filme. Morador de rua, sem ter para onde ir, sem trabalho, sem nada. E nesse filme, ele é o personagem central, mas para ele, só existe a menina cega. O amor, nesse caso, é verdadeiramente cego. Numa época que já existia cinema falado, Carlitos apostou no cinema mudo e certamente acertou. As palavras não poderiam demonstrar melhor todo o sentimentalismo de um amor. Palavras têm o dom de encantar, mas também podem matar um amor.

Esse improvável amor entre o vagabundo e a vendedora de flores cega vai além do que os olhos não vêem. A felicidade não é construída apenas pelo apoio financeiro de um amigo alcoólatra e bipolar que o vagabundo faz para ajudar a pagar o aluguel e a cirurgia para cura da cegueira. Tudo vale para ganhar dinheiro, até levar pancadas num campeonato de boxe. O dinheiro, ou a falta dele, só une mais os apaixonados. Não há o que ver. O sentimento é maior do que apenas um sentido vivido. Os outros quatro afloram e apaixonam.

‘La Violetera’, composta pelo próprio Chaplin, coroa uma das cenas mais lindas do cinema. O final de ‘Luzes da Cidade’ é encantador, embebedando a cena de amor singelo, comovente e apaixonante. Não há como negar o sentimento que ele consegue criar em nossos corações. O toque diz mais que as palavras. Ouça e deixe tocar seu coração:


“Sim, agora eu posso ver”. As luzes vão além da escuridão dos olhos.



Vitor Stefano
Sessões
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