segunda-feira, 29 de abril de 2013

Gosto de Cereja



Nome Original: Ta'm e guilass
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1997
País: Irã e França
Elenco: Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi e Mir Hossein Noori.
Prêmios: Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Gosto de Cereja (1997) on IMDb


Não há certezas
Não há ideias
Não há verdades
Só dúvidas.

Não há vida
Água
Comida
Há morte.

Busca a liberdade
Libertar da vida
Viver para morrer
Apenas num segundo

Um suspiro
Um ombro amigo
Uma esperança
Uma fuga para Badii

Não há mais quais
Ondes
ou comos
Só há porquês.
Mas, porque?


Não sei se “Gosto de Cereja” é uma obra-prima cinematográfica, mas é uma obra-contrutora. Ver a busca de Badii tão de perto, é uma eterna e angustiante dúvida sobre os reais motivos pelo qual buscará pelo suicídio. A história do cinema está lotado de filmes com esse tema, mas poucos nos envolvem tanto. Talvez a câmera sempre perto, por vezes dentro outras vezes fora do carro do suicida, nos faça querer dizer algo. Kiarostami faz da aridez de Teerã um agravante ao incomodo causado pela situação. Eu ajudaria Badii. Seja com uma palavra de consolo, de resistência ou apenas jogando as 2 pedras e depois as 20 pás de terra sobre seu corpo já convalescido. O final é um verdadeiro choque. Vemos os atores, o diretor e as câmeras que nos fazem repensar que tudo era um filme e nos força a distanciar do que vimos pelos 90 minutos anteriores. Esse distanciamento é capaz de fazer com que saibamos que apesar da história, há vida por traz das câmeras.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 23 de abril de 2013

Therese D.

Nome Original: Thérèse Desqueyroux
Diretor Claude Miller
Ano: 2012
País: França
Elenco: Audrey Tatou, Giles Lellouche, Anaïs Demoustier, Stanley Weber e Catherine Arditi.
Sem Prêmios.
Therese D (2012) on IMDb


Passamos pela infância com sonhos e projetos. Uma casa, um casamento, um carro, liberdade. Quando atingimos a maturidade, a vida perde cor, as vontades são contidas, a vida é condicionada. Ao marido, ao filho, ao dinheiro. Os sonhos ficaram apenas para o período compreendido entre a meia noite e seis da manhã. A vida não pode mais ser vivida por um ideal, uma ideologia, um foco. Tudo mudou. O seu olhar mudou (ou vai mudar). Suas forças concentram-se num processo sanguessuga e quase irreversível. Sua pele muda, seu corpo definha, as ideias são podadas. Fazer o que tem vontade? Utopia. O fundo do poço parece apenas um alvo de pedrinhas quando crianças. Quando crescemos sabemos que estamos mais perto do que imaginamos. Seria vergonha de ser feliz? Não, essa busca é absolutamente justa, mas injusto é pensar que chegará lá. Tudo é possível, exceto sorrir. Mas nos erros acertamos. Nas infelicidades crescemos. Na adversidade agimos. No desespero pensamos. Somos condicionados a buscar sempre o inexistente. Thérèse Desqueyroux sofreu e morreu muitas vezes, mas o que realmente pode ficar é o seu leve e quase imperceptível sorriso. Uma beleza triste de se ver. Mais real que a irrealidade da vida.


Vitor Stefano
Sessões
 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Meu Pé de Laranja Lima


Nome Original: Meu Pé de Laranja Lima
Diretor Marcos Bernstein
Ano: 2013
País: Brasil
Elenco: João Guilherme Ávila, José de Abreu e Caco Ciocler.
Sem Prêmios.
Meu Pé de Laranja Lima (2012) on IMDb

A primeira vista a vida de Zezé é um mar de problemas. À segunda também. O menino de 8 anos vive com seus irmãos e seu enérgico, alcoólatra e violento pai numa pequena cidade no interior de Minas Gerais. Mas Zezé é o pequeno diabo, como se auto intitula. O diabo no seu corpo faz com que o menino de olhar angelical faça arruaças, brigas e zonas que até Deus duvida. Mas não é nada disso, Zezé é apenas uma criança levada. Sua esperança está acabando, suas forças cessando e sua imaginação fértil é a única saída para aquele fim de mundo. Sua história mudará mesmo quando, como um passarinho, puder voar sem olhar para trás. Seu pé de laranja lima é seu melhor amigo. É a sua consciência. É seu confidente. Como numa horta, Zezé precisa ser regado, cuidado e colhido com carinho para se transformar fazer a melhor laranjada do mundo. Esse papel fica a cargo de Portuga: um vizinho que de carrancudo passa a melhor amigo. Seu corpo flagelado e seu coração em frangalhos não são capazes de apagar uma alma linda e bela. A história de Zezé é fabulosa e precisa ser ouvida.



Adaptar um best-seller para as telas do cinema é uma tarefa nada fácil, ainda mais quando se trata do livro mais vendido do país. Ainda mais quando é leitura obrigatória nos colégios. Ainda mais quando se trata de uma história tão comovente. Marcos Bernstein conseguiu adaptar a obra de José Mauro de Vasconcelos de 1968 de forma terna, lírica e dramática. Para quem leu é a chance de voltar ao passado e relembrar momentos que só a infância pode fazer. Quem não leu verá que Marcos Bernstein superou seu último filme, “O Outro Lado da Rua”, que teve como protagonista os dois melhores atores da história do Brasil, Fernanda Montenegro e Raul Cortez. Por ser uma história altamente conhecida, a chance de vermos um resultado médio era muito grande, principalmente por termos uma criança no papel principal. João Guilherme Ávila passa desconfiança na primeira cena, mas, com um grande apoio de José de Abreu, conquista e quando os letreiros sobem a plateia, aos prantos (leve o lenço), ovaciona o pequeno, o diretor, o elenco e o filme. “Meu Pé de Laranja Lima” tem a capacidade de tocar aos mais brutos de forma poética e lúdica sem ser melodramático. Vá ao cinema ver essa bela obra. Valorize o cinema nacional!

Vitor Stefano
Sessões Brasil

P.S.: Não deixe de participar da promoção para ganhar ingressos e um kit completo de Meu Pé de Laranja Lima. Clique aqui para concorrer!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sessões Promoção - Meu Pé de Laranja Lima - PROMOÇÃO ENCERRADA!

PROMOÇÃO ENCERRADA!!!


"A infância por si uma aventura inteira.
De um Brasil rural, da brincadeira de rua, do quintal, que em algum lugar ainda está.
O lugar mais gostoso e nunca de volta na adultenscência, os cheiros, os carinhos, a sujeira, o machucado.
A bola no chão da rua, a bolha nos dedos dos pés.
Um prazer gostoso de contar, inventar histórias, ao pé do Pé de Laranja Lima.
Bonito, simples, grande: para todas as idades."
Quer ganhar um kit do filme "Meu Pé de Laranja Lima" de Marcos Bernstjein, contendo um par de ingressos, cartão postal, sacola do filme, camiseta e uma edição especial do livro de José Mauro de Vasconcelos? O filme estréia em 19 de abril e essa promoção é uma parceria com a Imovision, distribuidora dessa bela obra.
É fácil! Responda a pergunta:

"Na sua opinião, quais os melhores filmes com criança ou com tema infância que você já viu? "

Você pode comentar aqui no post, na nossa fan page do Facebook ou no Twitter (se 140 caracteres forem suficientes para sua resposta).

As 5 respostas mais criativas levam os kits. Um comitê formado pelos fundadores do Sessões votará nas melhores. Não esqueça de manter os contatos para enviarmos o kit aos vencedores. Os escolhidos serão divulgados dia 22/04, segunda feira.

**FRASES ESCOLHIDAS (entre parenteses o local do comentário):

- NUBIA MENEZES (blog)
- CAMILA BORCA (blog)
- CARLÃO CAPUCCI (facebook)
- MARIA SOARES (facebook)
- MILENA SOARES (blog)

Parabéns aos vencedores desse belo kit! Aguardem que entraremos em  contato para maiores detalhes e endereços para enviarmos o prêmio!


Participe! Concorra! Divulgue!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Waldick, Sempre no Meu Coração

Nome Original: Waldick, Sempre no Meu Coração
Diretor : Patrícia Pillar
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco: Waldick Soriano
Prêmios:Melhor Filme – Juri Popular no FestNatal 2008.



A maior tristeza desse mundo é chegar à velhice e perceber que aquele sentimento pelo qual buscou por todos os anos de sua vida não foi atingido. A felicidade não se mede, não se entende. O documentário, que segue a última turnê do cantor Waldick Soriano, desnuda, nos quase 60 minutos de filme, a alma de um eterno apaixonado. Muitas mulheres, muitas paixões, muita estrada, muitos porres. É uma melancólica incursão nas lembranças através das canções e poesias de um artista que atingiu o auge há muito tempo e que vive da lembrança dos saudosistas e dos amantes de musicas que tocam o coração. Brega, romântico ou cafona, tanto faz, Waldick canta apenas o que viveu, mas, infelizmente, não viveu a felicidade.

Bela estreia de Patrícia Pillar na direção, num documentário curto, sem pender para ninguém, sem dar explicações. Waldick é um personagem único e, por esse motivo, não precisa de maiores apresentações.


Minha Despedida (Waldick Soriano)

“Vou partir para distante
Vou viver pensando em ti
Vou morrendo de saudade
Ai quem me dera poder ficar aqui

Vem chorar aqui comigo
Eu quero chorar contigo
A dor da separação
Vou partir tu vais ficar
Vou sofrer pra suportar
Esta dor, esta paixão

Nem que a luz do céu se apague
Ainda ei de te encontrar
Algum dia em meu caminho
Já é hora da partida
Como é triste a despedida
Para quem parte sozinho”

Vitor Stefano
Sessões Brasil

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sessões Promoção Dupla - Therese D. e Vocês Ainda Não Viram Nada - PROMOÇÃO ENCERRADA

PROMOÇÃO ENCERRADA

Nós já fizemos diversas promoções, mas nessa vamos inovar. Uma delas é que o vencedor levará 2 pares de ingressos para dois lançamentos da Imovision nesse mês de abril. "Therese D." o último filme de Claude Miller e "Vocês Ainda não Viram Nada" do nonagenário Alain Resnais. Não deixa de ser uma grande festa do cinema francês.

Para levar é fácil:

Os 2 primeiros responderem nos comentários desse post o nome do filme/personagem dos 16 quadros que decoram a minha sala e a minha cozinha levam o prêmio. Não importa a ordem, importa os filmes.

*Não esqueça de colocar e-mail/facebook/twitter ou algo que valha para entrarmos em contato, caso você seja um dos vencedores.

Seguem as fotos de casa:





Como a qualidade não ficou muito boa, seguem os quadros:

















Uma pequena dica: 8 dos 16 já foram comentados no Sessões.

Corram! Participem! Assim que tivermos os 2 primeiros corretos, divulgaremos e entraremos em contato para enviar os premios!

Sessões Promoções.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

2 Coelhos



Nome Original: 2 Coelhos
Diretor : Afonso Poyart
Ano: 2012
País: Brasil
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Neco Villa Lobos, Thaíde e Robson Nunes.
Prêmios:  ABRFF de Melhor Ator Coadjuvante (Caco Ciovler), Melhor atriz (Alessandra Negrini) no Miami Brazilian Film Festival e Melhores Efeitos de Som no Cine Música Rio.
2 Coelhos (2012) on IMDb



Imagine grupos de criminosos, corrupção de políticos e gangues disputando a confiança dos corruptos. Junte a isso a morte acidental de uma criança e sua mãe. Temos também um romance mal resolvido. Imaginou? Não tem tudo para ser um daqueles filmes do Denzel Washington que todo mundo gosta? Pois não é. É “2 Coelhos”, anunciado e dito como o primeiro filme de ação do nosso país. A partir daqui, quem gosta dos cult torce o nariz e quem gosta dos filmes do "Domingo Maior" nas noites de domingo torce o nariz por ser nacional. Tolos! Vejam de tudo. Vejam cinema nacional, porra! “2 Coelhos” é muito bom!

Tramas inteligentes, com ritmo dinâmico, desenvolvido e misturando linguagem cinematográfica com vídeo-game e animação, explosões mirabolantes, com locações fantásticas, explorando bem a diversidade de São Paulo. Isso tudo é “2 Coelhos”. Não pensem que é revolucionário, um marco na história do cinema, mas é um passo muito importante para que o cinema brasileiro consiga avançar em um gênero atolado de filmes hollywoodianos medíocres e que captam muito público. Vocês podem estar pensando que é apenas um monte de tiros e explosões, alimentados com palavrões e xingamentos típicos de um filão de filmes nacionais, mas aqui é tudo dosado com conta gotas, sem exageros. A competência da edição, das atuações, do roteiro é a chave para o sucesso. Uma trilha sonora marcante com 30 Seconds to Mars, Matanza e Lenine. O ponto auge é Radiohead com "Exit Music (For a Film)" numa cena em câmera lenta, cheia de ação, mas que causa arrepios na voz do Thom Yorke. Ouça:



Alessandra Negrini e Caco Ciocler você constantemente vê nas telas de tevê, com muito sucesso e sempre muito bem. Aqui estão também muito bem. O destaque dos atores vai para Fernando Alves Pinto que é uma figura carimbada do nosso cinema desde que surgiu no retumbante “Terra Estrangeira” e que estava sem muita visibilidade, mas está muito bem aqui. Sua cara não mudou muito desde o filme de Walter Salles e Daniela Thomas. Mas há de se destacar a coragem e competência do diretor, roteirista e produtor Afonso Poyart, conhecido por fazer comerciais e vídeo-clipes em sua estréia em longa-metragem. Um filme completo, cheio de influências, com uma pegada teen, mas com maturidade e um roteiro excelente.




Vitor Stefano
Sessões Brasil

segunda-feira, 1 de abril de 2013

As Aventuras de Pi

Nome Original: Life of Pi
Diretor : Ang Lee
Ano: 2012
País: EUA.
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain, Tabu e Gerárd Depardieu.
Prêmios: Oscar de Melhor Diretor, Fotografia, Efeitos Visuais e Trilha Sonora.
As Aventuras de Pi (2012) on IMDb


A fantasia toma conta do mundo, numa estória que depende de quem a conta. A tristeza torna-se brincadeira, os abismos existentes tornam-se rasos, o amor finito torna-se eterno. Numa vida feita de escolhas, viver num mundo irreal pode ser prejudicial a quem tem uma rotina tosca, estúpida e sem graça. Mas para quem viveu uma grande aventura dolorosa, inquietante e inesquecível, quase inenarrável, lembrar-se dela como uma fábula é a melhor forma para nunca deixar de acreditar que existe alguma coisa sobrenatural por aí. E seja lá o que isso for, é o que dá forças para seguir em frente, persistir e prosperar, nem que seja a própria força de vontade. O mundo é muito injusto para tentar esconder a verdade. Talvez fantasia-la seja uma boa saída.



A história de um menino indiano e que tem na infância quase que o hobby de conhecer religiões. Os pais, compreensivos, orientam a um pensamento mais científico, mas não o desencorajam. Morando num zoológico, o contato com os animais e seus misticismos colocaram o pequeno Piscine num mundo instintivo. Seu nome foi alvo de muitas brincadeiras nas escolas o que nos dias de hoje chamamos de bulling, por isso preferiu o diminutivo. Pi, 3,14, π. E foi com a matemática que conquistou respeito e o menino cresceu. Cresceu, sempre com a educação, supervisão e orientação dos pais. Muito respeito e carinho. Por problemas financeiros, os pais decidiram ir ao Canadá, levando junto seus animais, já que o zoológico não andava bem das pernas e lá poderiam render um bom valor para reiniciar uma vida em família. Aí começa a aventura.



Quem não viu o filme deve pensar que estou louco e perguntar: “Cadê o menino com o tigre num barco?”. Isso é apenas fruto de sua imaginação. “As Aventuras de Pi” vão além de um bote no meio do oceano, de um menino com cara de indiano e um belo tigre de bengala que todos sabem que foi feito com efeitos especiais, assim como o mar. Se você viu, sabe que no naufrágio do transatlântico é que começa uma história lúdica, brilhante, inesquecível e, porque não, louca. Ang Lee consegue com um elenco absolutamente desconhecido (exceto por Depardieu) fazer um dos filmes mais “perfeitos” tecnicamente. É absolutamente irreparável. E juntar técnica com um bom roteiro e boa direção de atores, gera um filme eterno, que jamais ficará datado. “As Aventuras de Pi” deve ser apreciado, visto, refletido e divulgado. A fantasia nunca deixará de existir.

Vitor Stefano
Sessões
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