sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sessões Dupla: A Pele que Habito e Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Nome Original: La Piel que Habito A Pele que Habito (2011) on IMDb / Män som hatar kvinnor Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (2009) on IMDb
Diretor: Pedro Almodóvar / Niels Arden Oplev
Ano: 2011 / 2009
País: Espanha / Suécia, Dinamarca, Alemanha e Noruega
Elenco: Antonio Banderas e Elena Anaya / Michael Nyqvist e Noomi Rapace
Prêmios: Sem Prêmios / Bafta de Melhor Filme de Língua Não Inglesa



Dentro de um calabouço de entranhas e neurônios estou após ver um filme que corre por veias que me lembro de ter passado, como um déjà vu, mas que insistem em dizer ser um caminho nunca antes visitado. Por "A Pele que Habito" entrei no cinema, vivi em angustias, pensamentos, intrigas, devaneios, desilusões, risos e tensão e assim que a luz ligou ouve-se: “É uma comédia, porra” com uma voz à la Peréio. Uma constatação obvia porra, ao sair dos filmes de Almodóvar. Há uma linha muito tênue entre o non sense, a comédia, o dramalhão e o suspense. Não, não é só uma comédia. É isso e muito mais, como sempre o é. Será que eu já não vi tudo isso só que estava em outra fantasia? Almodóvar pode ter trocado a pele de tudo e ter me enganado. E não quero descobrir, prefiro entrar no seu mundo e sentir cada poro dessa pele exalando o almadovarismo em cada frame.

uando não menos, vejo o nome “Os Homens que não amavam as mulheres”. Não há título mais provável para um filme do espanhol. Imagine as situações possíveis: a temática sexual, as cores quentes numa casa de campo em Olviedo, um homem forte, tatuado com um dragão nas costas, matador de mulheres inflamado por abusos de uma madrasta impiedosa na infância que age no ímpeto de vingar a sua honra perdida com um cabo de vassoura. Não há nenhum absurdo (não existem absurdos em filmes de Almodóvar) num enredo desses. Mas “Os Homens...” vem lá da fria Suécia e o diretor é o desconhecido (aos nossos olhos) Niels Arden Oplev. Não lotou cinemas no mundo todo por conta da estirpe do realizador, mas sim por conta do best-seller Millenium ser uma febre no mundo todo.

A mente humana é capaz das maiores atrocidades. Seja por motivações irracionais, políticas, sociais ou debilmentais, a História nos mostra que o ser humano é o responsável pela degradação da humanidade. Vingança, ira, desforra, punição, excitação, castigo, represália, pena, dó, insanidade, pesar. Não importa o sentimento, a reação tem efeito imensurável. Uma vida recheada de improváveis acontecimentos vai mudando a visão e a razão de vida de qualquer pessoa. Seja um médico renomado ou uma família com negócios bem sucedidos, todos, mais ou menos abastados, podem ser acometidos por um surto, por um minuto de fúria e virarem as pessoas mais cruéis, um futuro discípulo do tinhoso que agem apenas em razão própria de um sentimento irreal mas que é muito vivo.

Se o jornalista comunista Blomkvist é obrigado a sair de cena por conta de falsa acusação, mas logo é contratado para investigar o sumiço há 36 anos de Harriet Vanger, integrante de uma família tradicional, bem sucedida e rígida. Uma hacker punk com ares de autismo, perturbada por abusos seguidos, se junta a essa busca, encontra pistas em lugares mais incomuns com ligações cada vez mais intensas. O suspense de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” está não apenas nas investigações das pistas, mas no comportamento constantemente dúbio das pessoas que estão na tela. Há muito mais do que um não amar pelas mulheres: a consciência é política até a última instância. Isso move o mundo, por mais obscuro que isso seja.


Como um corpo feito à mão, pedaço a pedaço, “A Pele que Habito” é uma colagem selecionada com os melhores fragmentos extraídos da excelente filmografia do diretor espanhol, do tema, passando pela indecisão de um gênero e pelo excelente retorno de Banderas-Almodóvar. Se “Abraços Partidos” foi uma quebra de estilo, uma mudança no perfil do diretor, agora estamos diante de um retorno retumbante a uma “nova” fase: o cinema do início da carreira com a fama e conhecimento técnico adquiridos ao longo do tempo. A fixação do cientista-médico pela paciente Vera é recheado de absurdismos tão eloquentes que caberiam em qualquer esquina. Depois de dedicar-se a uma mulher e filha suicidas, a vida ficou amarga e os motivos vão aos poucos se evidenciando diante da tela. Não estamos presos na história desde o começo, com aquele calor das cores e ternura, mas frame a frame vamos nos intrigando, entrando nas histórias, nas idas e vindas e na mente ora do Richard ora por Vera. E como retratar tão bem as visões masculinas e femininas. Apenas um ser assexuado ou hermafrodita o poderia fazer com conhecimento de causa. Almodóvar é hermafrodita mental, com a sutileza e a força em medidas exatas como em formula mágica. Consegue prender a qualquer gênero sem tomar parte e sem se esquecer de sua obrigação social, política. Almodóvar se reinventa e cada vez melhora. Gênio.



De suspenses vivemos, pelas tensões respiramos, pelos sustos crescemos e só assim constituímos uma sociedade melhor. A cada dia vivemos lembrando e esquecendo coisas que nunca deveriam ter acontecido, mas só assim podemos crescer. A vida vista pelos olhos do cinema pode ser cruel, inventiva, ficcional, mas a vida real pode ser ainda pior. “A Pele Que Habito” já é um clássico. “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” é um embrião de uma trilogia que entrará na história. E ainda haverá a versão americana (sim, vi Daniel Craig no papel de Blomkvist) aos olhos de David Fincher. A premissa é excelente, a equipe é de primeira, a história é de suar frio. De qualque modo, ainda bem que os ianques não refilmaram nenhum filme do Almodóvar. E não importa se é espanhol ou nórdico, cinema bom tem no mundo tuodo! Vivam as mulheres! Vivam os pensadores! Viva a política! Viva Almodóvar! Viva o suspense que nos motiva a respirar! Viva a vida!


Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Foi Apenas um Sonho

Nome Original: Revolutionary Road
Diretor: Sam Mendes
Ano: 2008
País:EUA e Reino Unido
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet e Michael Shannon
Prêmios: Globo de Ouro de Melhor Atriz
Foi Apenas um Sonho (2008) on IMDb



Viver no mundo da lua é mais real do que as pessoas imaginam, apesar de vivermos sob a batuta da realidade nua e crua, sem pensamentos livres, sem ideais, sem vida livre. Mas sem ter sonhos uma mente é apenas um pulo no escuro vazio e sem chão, um labirinto espelhado sem saída, um lago sem água onde nadamos com monstros e baleias falantes. Viver num mundo de Oz onde a vida real não tem pauta é como viver apenas um sonho. Porém nem sempre sonhar é projetar um bom futuro. Vamos viver de sonhos, dos mais complexos, dos mais arquitetados, dos mais vivos, do sonho da vida livre e real.

Frank e April são um casal em crise em meados dos anos 50 nos Estados Unidos. Vemos que se amam, mas a monotonia os acometeu e o tédio vai desmoronando cada sentimento que foi construído no passado. Ele trabalha para sustentar a casa e ela, atriz frustrada, se dedica a ser dona-de-casa para cuidar bem da casa de seu marido. Uma vida comum, como de milhares de pessoas ao redor do mundo. Monótona, chata e vazia. Na tentativa de mudar de vida eles decidem mudar-se para Paris e iniciam uma busca por um sonho distante e nem tão querido assim.


A vida de conveniência, cheia de sorrisos falsos, jantares de aparência e beijos insinceros, são estuprados com a presença do filho da vizinha onde se inspira e pronuncia verdades inenarráveis sobre as conveniências da hipócrita sociedade. Paris existe num sonho distante, mas a realidade é a Revolutionary Road. A revolução não existe sem ideal, e ali não existem ideais, mas sim conformismo. O medo da fuga esconde toda a criatividade implícita no casal. Um casal que descobre a cada frame que o amor que os unia nunca existiu na verdade e não é nada fácil aceitar essa realidade. Por olhares diferentes vemos um morro desmoronar como se chovesse por dias seguidos. Uma miséria da humanidade sem espaço para o sucesso.

“Foi Apenas um Sonho” é um dos filmes mais impactantes dos últimos tempos. Vemos um casal que ficou conhecido, amadureceu e brilha juntos após um estouro catastrófico num pesadelo da indústria cinematográfica real. Com categoria e espantosa força o casal Di Caprio e Winslet brilham num céu de brigadeiro num drama com ares de Truffaut, mais próximo da realidade é impossível. É cru, nu, escalpela o mais utópico. Relacionamentos sempre terão espaço no cinema, seja por romances ou por dramas, sempre há o que explorar dessa difícil forma de viver junto a uma pessoa que não é você mesmo. Sam Mendes não é Truffaut, mas, com esse e com "Beleza Americana" é o melhor realizador sobre relacionamentos dessa geração - cada geração com o que merece. Não temos aqui “A Mulher do Lado”, mas temos uma pessoa ao nosso lado que conhecemos a cada segundo mais e cada vez mais não conhecemos a nós mesmos. Lindo filme sobre o vazio que pode acometer o mais puro dos animais que podem se relacionar. Apenas um sonho lindo, triste e emocionante.


Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Frases do cinema

Era 1927, a sétima arte presenciava suas primeiras palavras articuladas por lábios humanos. 'The Jazz Singer' (O cantor de Jazz) revolucionou a arte de fazer filmes, dali em diante o público queria o novo cinema - o cinema falado. De lá para cá também são muitas as frases que tornaram-se imortais, sonoras, inesquecíveis, clássicas, bordões, enfim. O tema do post é "Frases do cinema". Aí vão dez frases que considero memoráveis, fortes, clichês ou sei lá o que... são frases, não precisa explicar muito. Os comentários estão à disposição para você partilhar as suas citações também. Mãos à memória:

“Deus é minha testemunha, nunca passarei fome novamente!”
... E o Vento Levou



"Que a força esteja com você."
Star Wars




"OK, Sr. DeMille, eu estou pronta para o meu close-up."
Crepúsculo dos Deuses



"Eu amo o cheiro de napalm pela manhã."
Apocalipse Now



"Rosebud"
Cidadão Kane



“Eu vejo gente morta.”
O Sexto Sentido



“Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno porra!”
Cidade de Deus



“Você está falando comigo?”
Taxi Driver



"Abra a porta, Hal."
2001: Uma Odisséia no Espaço



"No hay banda."
Cidade dos Sonhos



Daria para fazer uma lista de centenas. Comentários a serviço disto. Mande aí, frases do cinema.

Leandro Antonio
Sessões

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Happy Feet


Nome Original: Happy Feet
Diretor: George Miller
Ano: 2006
País: Austrália e EUA
Elenco: Elijah Wood, Brittany Murphy e Hugh Jackman
Prêmios: Oscar e BAFTA de Melhor Filme de Animação, Globo de Ouro de Melhor Canção.
Happy Feet: O Pingüim (2006) on IMDb


Ser diferente numa sociedade tão rígida é um desafio para todos. O diferente tem que entender aonde está e os “normais” hão de compreender a diferença do outro. A deficiência não deveria ser um fator exclusivo. O bem comum só vem quando compreendemos que todo somos diferentes. Os estereótipos são criados por uma sociedade que vê na busca da perfeição um modelo de sentir-se parte dessa merda dita social. Eu não vivo por ser igual aos outros. Eu não quero ser como o meu vizinho. Eu não vou olhar as conquistas de outrem com inveja e meta. Eu quero ser eu mesmo, aonde estiver, como estiver e da forma que precisar.

O pequeno pingüim Mano mostra desde o nascimento que é diferente dos portentosos pingüins imperadores. Sua aparência já não é comum, mas quando ele vai tentar cantar, como todos seus “iguais”, a decepção é enorme. Todo pingüim deve ser afinado e ter uma música do coração para conquistar a sua amada. Mas o talento de Mano é outro: ele sapateia como ninguém. Como ninguém mesmo, o que era visto como uma grande deficiência. Seu pai é um espelho da comunidade dos imperadores, sempre o controlando para que ele fosse um pingüim comum. Sua mãe sempre defendendo e buscando ser compreensiva com a esquisitice. Gloria é a pingüim que ele quer impressionar mas sem cantar, nada feito. O sumiço dos peixes vem causando grandes problemas para os pingüins. Uma sociedade opressora com os catedráticos ranzinzas e julgamentos de valores. Lembra alguma que vocês conheçam? Mano terá que sair e buscar seu próprio rumo.



Com músicas, cantorias, lindas imagens, mergulhos impressionantes “Happy Feet” consegue prender pela trilha e pela qualidade da animação gráfica. O filme ganha força quando Mano encontra uma sociedade de outra raça de pingüins que não cantam, não é controlada e querem mesmo é curtir a vida, apesar dos problemas. Mano se sente realmente em casa por poder dançar e ser admirado por isso. Com um sotaque chicano, esses pingüins sofrem como os anteriores mas são destemidos, crêem na palavra dos outros. Apesar da veia cômica, há também o drama de Mano estar longe de casa, sem os pais e sem seu grande amor, Gloria. Mas Mano sabe que os Ets (seres humanos) estão por algum lugar causando todo mal e ele vai descobrir e salvar todos os pingüins do mundo.

Quem dera um pingüim dançarino pudesse comover todo o mundo em torno do problema com a poluição e pesca descoordenada. Quem dera um simples passo inusitado fosse responsável por mudarmos a consciência acerca de algum problema realmente sério. Em época de consumo de informações instantâneas, os 15 minutos do pequeno pingüim o levariam a alguns milhares de visitas no Youtube, aparição em alguns jornais televisivos e, caso fosse um sucesso muito expressivo, poderia virar mascote de alguma ONG sem vergonha que só come animais criados em cativeiro,que só comem verduras com sabor de agrotóxico e que lutam para poder fumar seu baseado sem ser importunada pelas autoridades. Um ‘pé feliz’ não conseguiria fazer nada disso. Conservação dos mares, problemas que uma sociedade opressora causa e aquela alfinetada na América em contrapartida da felicidade dos latinos são as grandes mensagens que o filme passa mas que são apagadas por conta de um final tão utópico. Isso faz de “Happy Feet” um filme para crianças inocentes e que não entendem o que dizem, apenas ficam encantados com uma ave dançarina e as imagens lindas que essas animações podem proporcionar. Um animal na jaula que não sabe o que realmente acontece na vida real, e quem criou esse filme ouviu muitos contos de fadas quando era criança.


Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A História das Coisas

Nome Original: The Story of Stuff
Diretor: Louis Fox
Ano: 2007
País: EUA
Elenco: Annie Leonard
Sem Prêmios
A História das Coisas (2007) on IMDb




Coisas, coisas, coisas. Entre ter, ganhar, comprar, querer e precisar há um enorme vale. Uns vales no qual já não vêem o rio passar, não se vê o gramado ou mesmo o outro lado da montanha. Só vemos coisas. Uma palavra curta utilizada para tudo, sem determinação de grau, gênero ou espécie. Através de simples atitudes conseguimos identificar essas coisas e absorvê-las como são. Coisas vêm e vão, mas a consciência do que realmente precisamos é que precisa vir e ficar. Mas são coisas da vida capitalista anti-utópica.

Desde os primórdios, passando pela evolução industrial, guerras, nazismo, socialismo, capitalismo, e agora, essa coisa, o poder sempre foi uma das únicas características pétreas. Ter e poder são basicamente sinônimos até os dias de hoje, apesar de ser absolutamente comum e politicamente correto dizer que não - bobagem. Muito se fala em capacidade de liderar naturalmente, mas diga-nos um líder que não quer ter mais que outros? São coisas da natureza humana.



O consumismo inveterado é um dos pilares da sociedade. Quem tem quer mais e quem não tem baba nos que tem e rala a vida toda para acumular coisas. Aliás, é do ser humano isso. Lembre-se em casos das enchentes de janeiro na cidade de São Paulo: os moradores de rua sempre vão às câmeras indignados por terem perdido tudo. Tudo = coisas. Assaltos existem para captar coisas dos outros. Estou diante de uma coisa que em poucos anos virará uma carcaça inútil, assim como eu.

Saber exatamente o que precisamos para viver é uma tarefa absolutamente complexa e chata. Chata porque em grande parte das vezes, o ter é a busca por um prazer – que por vezes dura minutos. Veja quantas crianças entram em lojas de brinquedos e após aquele choro ensurdecedor amolece o pai que compra o que a criança quer. Em poucos dias esse presente não servirá mais. Uma indústria, um governo, uma sociedade, um meio ambiente e um sistema condicionam as pessoas à acumulação de tudo: dinheiro, saúde, história, conhecimento... coisas. Status de bacana.

A aula dada por “A História das Coisas” através de um fluxograma animado, funciona exatamente para vermos que muito além do querer tem o precisar. Mas é preciso olhar em volta, ver quem está ao nosso redor e entender que tudo que temos poderia ser melhor aplicado. Ai vem um pensamento bobo desse tal de socialismo. Sonho meu... Cada coisa no seu lugar, mas invariavelmente esse lugar é o lixo em que vivemos e que nadamos nesse mar de coisas. Joguem tudo fora e vamos viver nus e do que encontrarmos nas ruas do que resta de fauna e flora nesse planeta.



Esse filme também é uma coisa inútil. Esse vídeo também pode ser. Mas acumular conhecimento nunca é demais. Esses versos acumulados no inicio desse texto não valem nada. Esse blog é inútil. Acumular conhecimento demais nos fará pensar em coisas demais? Vocês precisam de mais alguma coisa?! Deixa eu colocar meu Ipod, ver meu celular e admirar minha amada coleção de filmes...

Vitor Stefano
Sessões

Devaneios das caminhadas no Centro de São Paulo e mais coisas.



Centro de Almas

Andando pelas ruas sentimos aquele odor
Mais à frente a resposta para tanto fedor
Não é um animal, são restos
Restos mortais, inanimados, invisíveis
Percebemos apenas vultos e uma multidão
As calçadas estão repletas de mortos-vivos
Seres (des)humanos caminham sem uma resposta
Sem entender, sem saber o que fazer, mas sempre preocupados com suas coisas.
Apenas nos atentamos a desviar desses obstáculos que respiram.
Estão enterrados sob a terra, sentindo a chuva e respirando fumaça dos carros.
Há vida, mas não existem mais almas pelo centro.

Vitor Stefano

sábado, 26 de novembro de 2011

Sessões Promoção ENCERRADA: Se Não Nós, Quem?



Se você está pelas bandas de São Paulo e quer ver um filme alemão de graça. Mais uma promoção. Você terá a chance de ver o filme na segunda-28-de-novembro, na sessão das 17h15 no Reserva Cultural na Av. Paulista. A Imovision e o Sessões darão 5 ingressos para os leitores deste blog.

Simples assim! Basta chegar entre 16h45 e 17h05, ou seja, até 10 minutos antes dessa sessão e dizer para o blogueiro que você viu a promoção aqui. Pronto, convite na mão!

O blogueiro estará na porta do cinema vestindo uma camiseta do blog Sessões. A promoção acaba quando acabarem os ingressos ou o tempo estipulado neste post para distribuição.

Veja o trailler de "Se Não Nós, Quem?" e até segunda-feira, antes da sessão.



Boa semana!

Equipe Sessões

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sessões Promoção: O garoto da bicicleta - ENCERRADA com ÊXITO



A PROMOÇÃO FOI UM SUCESSO! DOS 3 INGRESSOS QUE TÍNHAMOS PARA PRESENTEAR SOMENTE 1 FOI DADO. Parabéns a Odete!


Se você está pelas bandas de São Paulo e quer ver o novo filme dos irmãos Dardenne de graça. Você terá esta chance amanhã-quinta-24-de-novembro, na sessão das 14h do Espaço Unibanco Augusta. A Imovision e o Sessões darão 3 ingressos para os leitores deste blog.

Simples assim! Basta chegar entre 13h30 e 13h50, ou seja, até 10 minutos antes dessa sessão e dizer para o blogueiro que você viu a promoção aqui. Pronto, convite na mão!

O blogueiro estará na porta do cinema vestindo uma camiseta do blog Sessões. A promoção acaba quando acabarem os ingressos.

Veja o trailler de "O garoto da bicicleta" e até quinta-feira.



Continue acessando, que em breve haverá mais promoções por aqui.

Equipe Sessões

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Não Me Abandone Jamais


Nome Original: Never Let Me Go
Diretor: Mark Romanek
Ano: 2010
País: Inglaterra e EUA
Elenco: Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley
Prêmios: Melhor Ator (Garfield) Coadjuvante no Saturn Award, Melhor Atriz (Mulligan) do British Independet Film Award, Melhor Ator (Garfield) no Evening Standard British Film Award, Melhor Trilha Sonora no SDFCS Award.
Não Me Abandone Jamais (2010) on IMDb


Dizem que nossa única certeza é a morte. E se soubéssemos que nossa única certeza é que vivemos como uma caixa de vedada de órgãos vitais que serão utilizados pelas suas matrizes na hora que precisarem. Não há uma data certa só há a certeza que não seremos felizes para sempre. Mas viver como um clone ou como um ser humano normal é a mesma coisa. Morreremos sem saber qual o verdadeiro sentido da vida, sem saber o sabor do elixir da vida ou sem ter a certeza do amor absoluto. Vivemos para descobrir decifrar às perguntas que não tem respostas, de respostas que apenas iludem o nosso viver. Vivemos para crer que somos pessoas abençoadas, com ou sem chip no braço, pois o controle de nossa vida, todos, exceto nós mesmos, tem.


O ano de 1952 é inesquecível. A cura de todas as doenças foi finalmente descoberta através da criação de clones que doarão órgãos aos seres humanos no momento de necessidade. Uma espécie de solução de todos os problemas. Mas para que os clones fiquem controlados e dentro de uma vida saudável, mantendo os órgãos vitais em ótimas condições, há escolas que cuidam dos bebês-clones. A principal delas é Hailsham. Como um reformatório, as crianças acordam, estudam, alimentam-se, brincam e dormem dentro da escola. Não há qualquer tipo de contato com a vida real além dos muros da escola. Lá vivem diversas crianças com olhares angelicais, perfeitas, saudáveis e com rígida educação. Dentre elas acompanharemos a vida de Kathy, Ruth e Tommy. Os rumos mudam quando a professora revela o que realmente eles são. Como robôs, ouvem e aceitam sua situação.

Com o tempo, crescem como crianças normais e vão desenvolvendo. Sem muitas explicações, deixam Hailsham, vão à outra instituição onde vivem com jovens comuns e começam a ser instigados, conhecer novas experiências, questionados sobre os boatos que rondam a vida no reformatório. O sexo aflora, o carinho é esfacelado por atitudes, o sentimento deixa de ser pureza da resposta das crianças. O amorico de infância de Kathy por Tommy começa a ser destruído pelo romance que ele inicia com Ruth. Ciúmes, inveja, ódio começam a invadir seus sentimentos. Ela, como a mais estruturada e centrada dos três, opta por outro tipo de vida – de assistente. Ela acompanha os clones, como uma enfermeira, durante a preparação e recuperação das doações. Só quando encontra com Ruth na recuperação da segunda doação é que tudo vai ser colocado em pratos limpos, buscando o paradeiro de Tommy e correndo atrás do amor verdadeiro que poderia dar uma sobrevida aos apaixonados. Com boatos de vida real, amores de passados e esperança no futuro.
 

“Não me Abandone Jamais” é um filme lindo, triste sobre uma verdade inconveniente que sem muitas explicações sobre os porquês toca em assuntos muito pertinentes à existência humana. A nossa verdadeira missão na terra é viver para morrer, deixando um legado. Carey Mulligan e Keira Knightley estão ótimas como Kathy e Ruth. Elas deveriam ser o centro das atenções. Mas quem toma todo nosso pesar e dor é Andrew Garfield – conhecido por sua atuação em “A Rede Social”. Esse menino tem um talento enorme, tomara que o Homem Aranha não acabe com sua reputação. Aquele grito fora do carro, onde sentimos sua dor, talvez seja uma das cenas mais lindas do cinema dos últimos anos. O filme foi baseado no livro de Kasuo Ishiguro – que eu nem tenho idéia de quem seja e nem li nenhum livro dele. Esse livro foi eleito o melhor da década pela revista Time. Infelizmente o filme não chega nem perto dessa marca e não supera o outro filme baseado no livro de Ishiguro – “Vestígios do Dia”. Não, não é um filme ruim, apenas inconstante com imagens retiradas de obras de arte. Não nos envolve desde o começo e ganha certa força, mas ficamos com aquele gosto de faltou algo. Mas, pensando bem, a vida é assim. Mais do que uma ficção cientifica, uma ficção sobre o cerne da essência do ser humano – essa pequena e louca coisa que chamam amor.
 
Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dicas de Filmes Latinos


O cinema destrói fronteiras. Cada vez mais nossos hermanos colocam, junto ao nosso cinema, o cinema latino no mapa dos melhores do mundo. Vejamos algumas opções de filmes contemporâneos do México à Argentina para exaltar a força da América Latina. Veja também a nossa seleção dos melhores filmes latinos (ao menos até a época que fizemos a lista).

O Banheiro do Papa


Com esse nome muitos podem imaginar a história do mordomo do Vaticano e de sua relação com o trono papal. Mas não, a história pode ser ainda mais dura e resultar nesse filme uruguaio maravilhoso. Baseado na visita do Papa João Paulo II à pequena cidade de Melo na fronteira entre Brasil e Uruguai. Vemos a história de Beto, um trabalhador que vive de carregar contrabandos na divisa. A notícia da vinda do Papa chega à cidade como mudança da vida daquele povoado, uma mudança de vida. Mas nem tudo ocorre como se espera. Lindo filme sobre a superação do ser humano e com imagens inesquecíveis. O cinema uruguaio é pequeno, mas sempre certeiro.



O melhor filme de 2010. A parceria entre o diretor Juan José Campanella e o excelente Ricardo Darín já repetida em alguns filmes (como "O Filho da Noiva") chega nesse no auge. O oficial de justiça aposentado Benjamin agora se dedica a escrever um livro das experiências da época em que estava na ativa. Para recordar detalhes e casos remete à sua colega Irene. Mas relembrar os casos pode ser reavivá-los. Viver novamente o caso de assassinato de 30 anos atrás e relembrar a paixão secreta, pode ser perigoso, mas muito recompensador.

Amores Brutos


O crescimento do atual momento do cinema mexicano passa obrigatoriamente pelos diretores Cuarón, Del Toro e Iñarritu. Este último é o responsável pela melhor trilogia dos últimos tempos, iniciada com este filme ("21 Gramas" e "Babel" são as continuações). Com uma narrativa não linear, um acidente de carro une a vida de 3 pessoas numa sucessão de acontecimentos dramáticos. Um mendigo, um dono de cão de rinha e uma modelo têm as vidas alteradas completamente por conta de um simples acidente. Um filme forte, duro, visceral como é a vida.



A ditadura de Augusto Pinochet no Chile gerou ótimos filmes pro cinema daquele país. Mas você associará o nome de Tony Manero ao personagem de John Travolta em “Os Embalos de Sábado à Noite”. Raul é um serial killer, mas com uma característica muito peculiar: ele acredita ser o melhor cover de Tony, ele vive como Tony, ele é Tony Manero. Seja nas vestimentas, na busca pela vida que o personagem de Travolta tinha, pela dança. E tudo isso dentro do contexto da ditadura. Um filme complexo, por vezes louco, mas uma grande oportunidade de ver até onde a mente humana é capaz de chegar por conta de uma paranóia.

Parte desta matéria foi veiculada na Revista City Penha, na página 85 da edição 54 de novembro de 2011.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Discurso do Rei


Nome Original: The King’s Speech
Diretor: Tom Hooper
Ano: 2010
País: Reino Unido
Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Geoffrey Rush e Timothy Spall.
Prêmios: Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Colin Firth) e Roteiro Original, Bafta de Melhor Ator, Trilha Sonora (Alexandre Desplat), Roteiro, Ator Coadjuvante (Rush) e Atriz Coadjuvante (H.B. Carter), Globo de Ouro de Melhor Ator, Goya de Melhor Filme Europeu
O Discurso do Rei (2010) on IMDb

De realezas inquebráveis foram feitas as Histórias dos povos mais antigos. Chamem do que quiser, império, ditadura, feudalismo ou de catequese, a figura do chefe de Estado sempre foi de um mártir, um líder natural ou instituído por uma força “sobrenatural”. A família real mais conhecida em todo o mundo é a britânica que, atualmente, vive de casamentos com plebeus, escândalos mortais e de uma longevidade incomum de uma rainha que nada manda a não ser na aparente calma que uma realeza deve transmitir ao seu povo, ao menos em teoria e se o Primeiro Ministro permitir. Que os reis e rainhas sejam, na verdade, um resquício do passado no presente e que suas megalomanias sejam apenas lembranças de uma era de trevas na Terra. Que a democracia em sua plenitude seja a verdadeira marca dos tempos de hoje, tempos de paz.

Contar o período histórico em que o Rei George VI assumiu o trono, teríamos apenas mais um filme de guerra, das invasões, do crescimento de Hitler e a poderosa força de Churchill. A Segunda Grande Guerra estourou na mão de um improvável sucessor do sucessor. Como a fábula do patinho feio, Bertie precisará de muita força de vontade para superar toda a confusão causada pela abdicação do seu irmão Rei Eduardo VIII, das agruras da guerra e de seu pior inimigo desde que se lembra, sua gagueira.


Após diversas tentativas nos melhores médicos da Inglaterra de melhora do problema da fala, sua esposa Elizabeth o convence a visitar um terapeuta da fala, como ultimo recurso. Lionel Logue, um senhor, ator, que ama Shakespeare e que utiliza métodos pouco ortodoxos na sua terapia, ganha de quem vê a simpatia desde sua busca pela informalidade de tratamento, pelas suas tiradas com a pitada do característico humor inglês e por conseguir quebrar a realidade da realeza. Com idas e vindas, erros e acertos, Lionel e Bertie tornam-se mais do que criador e criatura, criam um vínculo de amizade graças aos caminhos que Sr. Logue tomou durante as sessões.



E assim como o Patinho feio, vemos desde o começo o conto do rei gago aparentemente entregue às traças, que ganha força confiança, força e triunfa para encher seu país de esperança numa luta que nunca esqueceremos – para a morte. A guerra foi a força que George VI conseguisse superar a sombra do seu pior inimigo. Hitler depois da gagueira foi barbada. Graças a um anjo da guarda chamado Lionel Logue, que conseguiu fazer de um intocável irreal, em um transeunte real.
Com cenas lindas, como um quadro pintado, “O Discurso do Rei” vai além das lindas locações que os ingleses costumam nos arrebatar em filmes de época, com um trio em performances memoráveis. A feia Bonham Carter conseguiu nos passar um humanismo e simplicidade para a sua Elisabeth Mãe, algo que não conhecíamos. Rush e Firth (que já merecia o Oscar por "Direito de Amar") estão impecáveis onde não importa se é baseado em uma história real ou se é um filme de ficção, ver o triunfo de um homem aparentemente abatido através da amizade é sempre um clássico que ficará na memória. Mais do que prêmios ou oscares, o que realmente fica é que uma amizade pode ser a salvação do mundo, através de uma voz.


Vitor Stefano
Sessões

domingo, 30 de outubro de 2011

Meu País

Nome Original: Meu País
Diretor: André Ristum
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Débora Falabela, Anita Caprioli e Paulo José
Prêmios: Melhor Montagem, Trilha Sonora, Ator (Rodrigo Santoro), Diretor e o Filme do Júri Popular no Festival de Brasília
Meu País (2011) on IMDb

No meu país quero respeito.
No meu país tenho ladrões.
No meu país lota de gente de bom coração.
No meu país cuido dos dependentes.
No meu país transformo locais lindos que de tanto olhar nem vejo mais sua beleza.
O meu país é cheio de maravilhas invisíveis e horrores anunciados aos quatro cantos


A condição dos deficientes no Brasil é absolutamente preocupante. Seja físico ou mental, não há estrutura suficiente para cuidarmos nem dos que tem totais condições de viver sozinhos, quanto mais de quem é dependente e especial. A família é o pilar dessas pessoas que são esquecidas pelos Governos. E quando a ela não apoia, não ajuda, não faz, não há salvação. Mas há pessoas boas que podem mudar tudo. Na vida delas e de quem quer que seja. A salvação do mundo está dentro de nós mesmos.

Após a morte de Armando, seus filhos se vêem obrigados a pensar juntos sobre o futuro. Deles, da empresa, da herança e dos problemas. Marcos é o filho pródigo que vive na Itália e voltou com sua esposa para esses trâmites que não deveriam demorar mais que uma semana. O que encontrou foi um pai morto , uma empresa à beira da falência e o irmão, Tiago, viciado em poquêr. O caos na Terra para Marcos estava naquela quase esquecida São Paulo. Mas como diria o filosofo, nada está tão ruim que não possa piorar. Mas há males que são a salvação.

A descoberta de uma meia-irmã internada numa clinica de cuidados para deficientes. Manuela tem deficiencia intelectual. Seus 26 anos de vida são apenas 6 dentro daquele cérebro. Marcos não tem como ficar por aqui e Tiago só quer saber de não saber de Manuela nenhuma. A salvação daquela menina poderia não existir. Só a convivência por mais tempo é capaz de traduzir o que o sentimento diz.


Uma história clássica com o vilão, herói e o climax. “Meu País” encanta pela beleza das imagens e pela história. Mas (sempre há um mas), a decolagem demora para acontecer - se é que realmente acontece. A construção dos personagens, principalmente o de Tiago, vivido por Cauã Reymond, por vezes beira o pastelão como vilão, rebelde e viciado. Já Santoro só precisava de um aureola para ser o verdadeiro Jesus Cristo na cidade grande. O destaque vem para Debora Falabela que no papel mais dificil do filme consegue fazer uma Manuela dramática, especial e por muitas vezes consegue deixar-nos com um sorriso no rosto. Nem é necessário citar Paulo José que mesmo apenas 5 minutos em tela consegue ter a melhor atuação do filme. Um elenco maravilhoso e que gosto muito de todos os atores, porém os que mais esperava não surpreenderam.

André Ristun passou da crítica para a direção e nos trouxe um filme que tem músculos enormes mas não tem a força que aparenta. Consegue em momentos de aparencia magia levar ao chão e de verdadeiras banalidades numa perfeição visual. Cenas com menos silêncios e com uma atuação menos estereotipada dos atores poderiamos ter um filme memorável. Esperava mais, talvez por isso um pouco decepcionado. Mas deve ser visto por todos pois o olhar é absolutamente individual... Espero que muitas pessoas amem porque eu queria ter amado. Mas a cena final dificilmente será esquecida pela singeleza de alguém muito especial...

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Outubro

Nome Original: Oktyabr
Diretor: Sergei Eisenstein, Grigori Aleksandrov
Ano: 1927
País: Rússia
Elenco: Vladimir Popov, Vasili Nikandrov, Boris Livanov, Eduard Tisse, Layaschenko,Chibisov, Mikholyev, Nikolai Podvoisky, Smelsky
Sem prêmios
Outubro (1928) on IMDb


Depois do post Girassóis da Rússia, o Sessões mergulha ainda mais e retorna ao início do século passado no intuito de pincelar o que para muitos é pura inspiração – A Revolução Russa e Sergei Eisenstein. E se para os lados do calendário gregoriano contamos o mês de outubro. Nada mais pontual que rememorar um dos maiores feitos do cineasta – Outubro, filme realizado em comemoração aos 10 anos do fim da Revolução que culminou na experiência inédita da tentativa de implantar o socialismo científico proposto por Karl Marx em suas teorias sobre o capital.

Contextualizações e motivações a parte, ou não, para um tema revolucionário a de se optar por um formato revolucionário por pura coerência, os realizadores deste filme o fizeram com uma estrutura narrativa que não vê a (H)história como linear – Em 1927 isto era o crème de la crème e Eisenstein foi o mestre que mostrou que este feito era possível e inteligível. Outro aspecto não menos notável no filme é sua grandiosidade, as ruas da Rússia tomadas de gente enchem olhos, um trabalho primoroso e rigoroso, visto que além de contar uma história real nos moldes de ficção e simbolismos, ainda se conseguiu uma estética similar a dos documentários, o que traz um realismo que parece saltar da tela a qualquer momento.



Não é à toa que o cinema russo deste período inspira cineastas famosos do mundo até os dias de hoje. A Revolução do cinema também aconteceu pelas mãos trabalhadoras dos russos. Imperdível para qualquer um que pensa em apreciar a sétima arte.

Paz, pão, terra,
consciência e arte.

Leandro Antonio
Sessões

domingo, 23 de outubro de 2011

Os Girassóis da Rússia

Nome Original: I Girassoli
Diretor: Vittorio de Sica
Ano: 1970
País: Itália, França e União Soviética
Elenco: Sophia Loren e Marcello Mastroianni
Prêmio: David di Donatello de Melhor Atriz.
Os Girassóis da Rússia (1970) on IMDb


"Enquanto a ganância do poder sobrepor a importância do amor, a humanidade não terá paz”. Li essa frase outro dia num muro de uma cidade qualquer. A Guerra é um indústria, uma máquina, um organismo. Mas aonde está a greve, a rebelião ou o câncer para para-lo? Não conseguimos sobrepor nunca essa força pois a maioria não tem força, esperança ou mesmo vergonha na cara para protestar e lutar contra esse mal que faz tanto mal à essa coisa pouco importante que chamamos de sobrevivência. Abandonar tudo por um ideal que não é seu é exatamente o primeiro passo para a morte. A humanidade acabará num campo devastado onde a única lembrança será dos girrasóis que ali estiveram algum dia.

Vemos uma linda mulher em desespero ao não ver o nome do seu marido na listagem oficial do retorno da guerra. Pior do que não ver, é não ver também na lista de mortos. Aonde estaria Antonio? Giovanna sofre a dor da ausência desestruturada, inexistente. A vida na guerra não tem valor, apenas um número - o da identificação e o da quantidade dos soldados. “Ele está vivo” e viver da sua própria verdade é a verdadeira esperança. Guivanna não abandonará seu sonho, sua glória de ver que seu Antonio está vivo em algum lugar da gélida Russía. Parte em busca da sua esperança.


Por imagens lindíssimas, voltamos no tempo onde o lindo casal (Loren e Mastroianni) se conhece, apaixona-se, ama-se e cria o que deve salvar o mundo. O amor entre os dois italianos é exemplar sem ser piegas. É real, vivo, imperfeito. São detalhes que montam a essência da vida a dois, impossível não lembrar do omelete com 24 ovos para o desjejum do dia após as núpcias. Mas por vezes voltamos à realidade da atualidade. O flashback serve para lembrarmos sempre do início. Porque nem sempre o fim é feliz.


Giovanna consegue encontrar Antonio. Sua esperança estava certa, mas a verdade nem sempre é como esperado. Não há espaço para a perfeição no amor, mas também é quase impossível aceitar o erro. “Os Girassóis da Russia” é um marco na história do cinema por contar uma história, por nos ensinar sobre a vida de casal, por nunca esquecermos dos nossos juramentos mas que nos faz pensar em ver que por vezes a esperança cega a ilusão. Eles nunca podem ser quebrados. Eles são eternos laços apertados com nós que nunca conseguirão desatar. Mesmo que você abandone o barco, esse nó sempre estará preso à proa. De Sica faz um filme moderno e clássico e consegue extrair do casal mais belo do cinema italiano ótimas atuações com o impacto que um tema duro deve exalar, com uma trilha que acentua todos os sentimentos causados. Lindo, denso, triste... quem disse que seria fácil.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sessões Promoção: Meu País

Lançamento nacional em cartaz com mais uma promoção aqui no Sessões. Filme de André Ristum, com Paulo José, Rodrigo Santoro, Débora Falabela e Cauã Reymond.




Nós, Sessões e Imovison, vamos dar 2 kits contendo cada um:
  • 1 cd com a trilha sonora
  • 2 ingressos
  • 1 adesivo do filme

Legal? Também achamos! Para você levar um destes daí é preciso responder a pergunta:

O que há de seu no seu país?



As respostas mais inteligentes ou não, mais criativas ou não, mais irreverentes ou não, as mais cretinas, líricas, extravagantes, despojadas, esdruxúlas, tontas, enfim, as duas melhores respostas levarão um kit cada uma que será entregue por correio.



Atenção: O limite máximo de postagem para que as respostas sejam consideradas na seleção é domingo dia 23/10/2011. É rapidinho, mesmo. Com ou sem inspiração, acessem o site do filme e abusem do campo comentários para enviar suas respostas ouvir a trilha sonora em casa, na rua na chuva na fazenda e ir ao cinema acompanhado graças à sua sagacidade diante de uma pergunta.

Ah, não esqueça de identificar-se.


Site Oficial de Meu País


Equipe Sessões

domingo, 16 de outubro de 2011

Amor e Inocência



Nome Original: Becoming Jane
Diretor: Julian Jarrold
Ano: 2007
País: Reino Unido e Irlanda
Elenco: Anne Hathaway e James McAvoy
Prêmio: Melhor Filme Independente no People's Choice Award.
Amor e Inocência (2007) on IMDb


A união entre literatura e cinema sempre foi um casamento respeitoso. Para o escritor, ver na tela grande sua dedicação transformada em realidade pode ser o auge ou a decepção. Mas contar a história do escritor não é uma tarefa fácil, muito menos comum. Apenas os grandes escritores e que viveram de forma “ousada” é que são lembrados. Lembro-me de “Capote”. Em “Amor e Inocência” vemos parte da história da maior escritora inglesa de todos os tempos: Jane Austen. Conhecida pelos romances (que foram sucesso quando filmados) “Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade”, Jane é considerada um pilar na quebra de paradigmas literários e do feminismo e é retratada em “Amor e Inocência” com ares dos romances escritos por ela mesma.

Romances de época sempre são um atrativo às mulheres pelo figurino, histórias, sonhos, abnegação e o amor. Mas História é um prato cheio para todos os gêneros e idades. Vemos uma mulher inserida na sociedade rural de Hampshire à procura de seu lugar dentro da mesma. Sempre em busca de seus ideais de escritora, contesta as convenções impostas pelas aparências societárias, uma mulher diferente, a frente de seu tempo. Mulheres eram apenas preparadas para ser esposas de seus esforçados maridos, mas Austen não. Apesar de sempre escrever sobre amor, o seu com Tom Lefroy não teve o costumeiro final.


“Amor e Inocência” é um primor quando o assunto é figurino e locações. Somos transportados para uma Inglaterra que lemos em livros, com as sombras de fogs densos em campos verdes intermináveis, com carroças elegantes, chapéus formosos, roupas reais, verdadeiras pinturas em tela de que os olhos podem construir. Anne Hathaway é Jane com um sotaque que nem sempre nos leva ao britânico, mas sua caracterização é excelente e está linda como usualmente. Já James McAvoy está incrível como Tom Lefroy. Um filme água com açúcar. Mas uma água importada e um açúcar mascavo, pela beleza, pela leveza e por toda a história de uma grande mulher que vemos vivendo o que sempre escreveu.

Vitor Stefano
Sessões
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...