quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Melhor Filme Nacional da Década de 10

Não, não existia cinema brasileiro em 1902. Mas a primeira década completa após o blackout político que eliminou a nossa arte da tela grande (e de todo o andar dessa nação) pode ser considerada a evolução da retomada dada nos anos 90. De 2001 a 2010 tivemos a aridez da doçura do brilho opaco dos diamantes do fundo da terra esmeralda banhada pela luz do sol eclipsado. Uma verdadeira miscelânia tomou conta dos produtores, diretores, atores e do público que teve a oportunidade de ver que nosso cinema é mais do que um movimento temático, é uma Torre de Babel cinematográfica.

Os componentes do Sessões elegeram os melhores filmes da década de 10 pelo já tradicional método onde os filmes que tiveram mais de um voto estão elencados abaixo. Caso queira ver a votação completa, clique no link. Pretendemos com essa lista a despretenção de termos aqui um pequeno mural do que houve de melhor dentro da década desse que é um dos cinemas mais importantes do globo. Veja e nos diga o que achou, o que faltou ou o que está a mais. O Sessões está aberto para todas opiniões. Os filmes estão em ordem de maior votação:

Amarelo Manga (2002) - Claudio Assis
O Cheiro do Ralo (2006) - Heitor Dhalia
Bicho de Sete Cabeças (2001) - Laís Bodanzky
Abril Despedaçado (2001) - Walter Salles
Carandiru (2003) - Hector Babenco
Cidade de Deus (2002) - Fernando Meirelles e Kátia Lund
Estômago (2007) - Marcos Jorge
Lavoura Arcaica (2001) - Luiz Fernando Carvalho
Madame Satã (2002) - Karim Aïnouz
Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010) - José Padilha
A Concepção (2005) - José Eduardo Belmonte
À Deriva (2009) - Heitor Dhalia
Baixio das Bestas (2006) - Claudio Assis
Casa de Areia (2005) - Andrucha Waddington
Cidade Baixa (2005) - Sérgio Machado
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) - Marcelo Gomes
Contra Todos (2004) - Roberto Moreira
Domésticas: O Filme (2001) - Fernando Meirelles e Nando Olival
Feliz Natal (2008) - Selton Mello
Linha de Passe (2008) - Walter Salles e Daniela Thomas
Lisbela e o Prisioneiro (2003) - Guel Arraes
Mutum (2007) - Sandra Kogut
O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006) - Cao Hamburguer
O Contador de Histórias (2009) - Luiz Villaça
O Invasor (2002) - Beto Brant
Olga (2004) - Jayme Monjardim
Quanto Vale ou é Por Quilo? (2005) - Sérgio Bianchi
Tropa de Elite (2007) - José Padilha

Cinema Brasileiro: Ame-o e Respeite-o!

Equipe Sessões

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Artista

Nome Original: The Artist
Diretor: Michel Hazanavicius
Ano: 2011
País: França/ Bélgica
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Malcolm McDowell.
Prêmios: Globo de Ouro de Melhor Filme - Musical ou Comédia, Melhor Ator (Musical ou Comédia) para Jean Dujardin e Melhor Trilha Sonora, Oscar de Melhor Filme, Ator, Diretor, Trilha Sonora e Figurino.
O Artista (2011) on IMDb
Aviso importante: Filme altamente recomendável. Não se preocupe! Nada do descrito neste post trará detalhes sobre a história do filme. Por esta mesma razão também foi dispensado o trailler.

Uma gracinha! É destes filmes que fazem homenagem ao cinema, que mostram bastidores com toda a poesia que vale uma tarde. Uma fina sacada. Uma homenagem a grandes clássicos do cinema mudo e falado. Torna o passado revisitado mais inédito que o presente e o futuro anunciado. Um filme de grande produção, mas que mostra que dentro de uma cultura de excessos, ser simples pode ser prodigioso.



Quantas vezes o espectador se depara com um filme que dizia tudo sem falar nada. Daqueles de diálogos quase desnecessários todo tempo. E por muitas vezes, a decepção de “ele não precisava falar” tudo já estava ali. Aí vem, aquele sentimento de que parece que o idealizador da “coisa” acredita que o público não entende nada, que as intenções precisam ser esfregadas na cara e se fazerem engolir. Deixando os significados e reações previsíveis, o máximo de comentários que provoca não renderia material para nenhum blog de cinema existir.

Além da maldição da didática. Existe mais uma que também incomoda o fluxo da saliva, que é a impressão de estragaram todo o trabalho e desperdiçaram cada tostão colocado no filme, por que resolveram investir na produção e esqueceram que estavam realizando um filme e não um jogo de vídeo-game.

Ver o fime “O Artista” faz pensar de o quanto este tipo de poética enxuta faz falta no cinema e na vida. Às vezes parece que os profissionais das artes estão mais preocupados em florear o rabo do peru do que entreter, emocionar, provocar reflexões, permitir sonhar.



O Artista não esfrega nada na sua cara. O Artista consegue a sofisticação de ser simples, porque a emoção não explicada o é. E é isto o que muitos públicos buscam quando acomodam suas colunas nos sofás ou nas salas de cinema - o entretenimento pela via aberta, universal e simplória da emoção.

São muitas vezes cenas delicadas, sorrisos da mocinha e conflitos existenciais e amorosos do herói que fazem grandes filmes, mesmo no século 21. As tecnologias mudaram, as sensações nada mudaram. Todos os que olham, estão olhando aquele personagem e esperando só um gesto, um olhar, uma identificação. Estas sutis e mínimas sacadas que fazem algumas cenas serem memoráveis, inesquecíveis, antológicas...

Leandro Antonio
Sessões

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sessões Promoção: A Separação

PROMOÇÃO ENCERRADA


As ganhadoras dos ingressos foram Margarita Hernandez e Odete Machado.


Amanhã, 23/02, o Sessões estará entregando 3 ingressos para os 3 primeiros leitores que aparecerem na frente do Cine Unibanco Augusta entre 13h30 e 13h55 (a sessão começa às 14h) e disserem que viram o post da promoção aqui no blog. Simples assim. Estaremos com a camiseta do blog para que fique fácil de identificar.
Sessões e Imovision mais uma vez oferecem ingressos para aos leitores deste blog mais uma vez. Agora o filme da vez é "A Separação". Um dos grandes favoritos ao Oscar 2012 de melhor filme estrangeiro e vencedor do Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira.


Divulgaremos aqui os nomes dos presenteados.

Equipe Sessões

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Nome Original: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
Diretor: William Joyce, Brandon Oldenburg
Ano: 2011
País: EUA.
Elenco: Philippe Petit
Prêmios: Cinequest Film Fest: Melhor Curta de Animação; Palm Springs International ShortFest: Favorito do Público
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011) on IMDb



Tempestades passam. Vamos ao que realmente interessa, fazendo o que puder. Não se absolva. Já que doar palavras pode colorir a vida. Hoje fez bem juntar Mr. Lessmore e Madre Teresa de Calcutá.



O MELHOR DE VOCÊ
Madre Teresa de Calcutá

Dê sempre o melhor
E o melhor virá...

Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.

O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor de você assim mesmo.

E veja você que, no final das contas...
É entre você e Deus...

Nunca foi entre você e eles!


Se tiver estante, ou, livros amontoados em algum canto, vá até eles e releia, doe para alguém, retome aquele livro que há alguns anos foi impossível de ler. Se tem filhos, sobrinhos ou qualquer pequeno a sua volta conte histórias para ele.


Leandro Antonio
Sessões

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Se a sua vida fosse um filme?


Deitados embaixo de seus glamourosos tronos de mármore ao som de harpas e recebendo uvas na boca de mil ninfetas até os milionários sem gravata devem ter um filme predileto. Dentre os maiores marcos da cultura contemporânea esta o cinema e sua maravilhosa capacidade de transformar e criar vidas. Há quem se case ao som de trilhas sonoras de cinema, há quem coloque o nome de atores, atrizes e personagens em seus filhos. Cruzamos aqui o limite de uma linha tênue que separa o que se assiste e o que se vive onde o mais banal dos blockbusters ganha vida no universo imaginário do espectador. Não há como sair ileso de uma sala de cinema ou de uma sessão caseira, seja numa TV de plasma de 72 polegadas, seja num notebook com uma tela menor que um livro de bolso. É como tatuagem. Pode te dar muita coragem, pode te entristecer e pode fazê-lo passar na entrevista de emprego amanhã. E se você passar na entrevista amanhã talvez você pense em casar-se com sua namorada que enrola há 8 anos esperando melhores condições financeiras. Será que o filho de vocês irá se chamar Luke Skywalker?

Mas... E se realmente sua vida fosse um filme? Qual seria? Se nós estivéssemos cada qual em seu "Show de Truman"? A arte imita a vida ou a vida imita a arte? E se a arte for a vida? No ideário formativo do filósofo prussiano Friedrich Nietzsche a finalidade suprema da vida é a arte. Não há formação sem vida, não há vida sem arte. Imagine: se em um ano um sujeito assistir a dois filmes a cada mês terá visto 24 obras. Pelo menos uma dessas 24 películas o fizeram tornar-se uma pessoa diferente. E, será que se cada pessoa no mundo fosse escolher um filme diferente pra representar sua vida teríamos filmes suficientes? Na China com certeza haveria briga pela escolha. No Brasil, poderíamos passear desde as pornochanchadas até os documentários cabeçudos sobre política e música. As crianças poderiam agora viver em 3D. E com certeza haveriam espertalhões vendendo a ilusão de uma vida em 6D...
Se tudo fosse uma grande "Matrix" e cada um estivesse dentro de seu filme... É uma ótima metáfora para a própria projeção de si. Numa sociedade onde viver juntos é uma tarefa que tem sido árdua há milênios talvez pelo fato de cada pessoa viver um filme interior, uma verdade particular que só pode ser encontrada pelo seu portador. O que é autêntico em uma pessoa sugere sua visão de mundo, suas concepções e preferências, suas sensações, seu estar-no-mundo. Quem seria quem nessa história?

Será que as mulheres são mesmo filmes românticos ou isso é um estereótipo bobo que só sobrevive no filme das pessoas preconceituosas? Será que todos os capitalistas querem ser o "Cidadão Kane"? E os comunistas, vão fazer sua "Revolução dos Bixos" ou será como foi em "1984"? Há quem diga que "a verdade está la fora", mas com certeza depois de "Sete Anos no Tibet" qualquer humano reconheceria o valor do recolhimento interior. Algumas pessoas são tão autoritárias a ponto de promover um "Batismo de Sangue", mas como sabemos todo ditador um dia irá enfrentar "A Queda". Outras pessoas são doces como "Amelie Poulain", frenéticas como em "Embalos de Sábado À Noite", amargas como em "Whisky", corajosas como o "Indiana Jones no Templo da Perdição", nostálgicas como em "Meia-Noite em Paris", bucólicas como em "Os Idiotas", absolutas como em "Big Fish".

Dizem que de "Dr. Dolittle" e "Bicho de Sete Cabeças" todo mundo tem um pouco e que a sina da vida humana é escrever "O Livro de Eli", plantar uma "Árvore da Vida" e ter uma "Pequena Miss Sunshine". Mas ninguém sabe ao certo qualquer fórmula pra se viver a vida sem "Melancolia". Nem "O Mágico de Oz"...

Em tempos de "Invasões Bárbaras" calculamos nosso futuro em cifras e passamos tempos e tempos sem saber o que é o autêntico prazer de viver. Nesse "teatro do absurdo" que é a vida em sociedade os papéis por vezes são lamentáveis, como na "Última Parada 174" ou em "11/9". Em missões e missões alguns tentam nos convencer de sua verdade, milhões vivem com pouco, alguns com muito, mas, eu sei, a felicidade do mundo não é proporcional a isso. No balanço das brisas mais bonitas o humano se inventa maravilhosamente. Se estivéssemos há 100 anos atrás a vida ainda não teria cores, nem som. Estaríamos prestes a entrar no primeiro conflito armado que envolveria quase todas nações do mundo. Nada mais seria o mesmo depois disso.

Num século vinte cheio de aberrações e maravilhas a vida passou a ser guiada pela beleza do cinema. As meninas vão ver o novo galã nas matinês do "Cinema Olímpia". Algo que talvez não aconteceria no "Cine Majestik" ou no "Cinema Paradiso". Isso era nos anos 1950? Nos anos 1960? Como é bom ver aquelas imagens de documentários com os rostos limpos da juventude pós-segunda guerra achando que o mundo é o paraíso e que os hippies salvarão o mundo. Se não houvessem as grandes guerras não haveria ONU. Mas será que a história tem mesmo essa relação de causa-efeito, ou será uma senhora cheia de meandros, absoluta, misteriosa e ininteligível como nos filmes de Fellini ou David Linch? Tudo mundo há de concordar que não dá pra viver eternamente num filme de Lars Von Trier. E será que os meninos de óculos de armação dura, camisa xadrex e tênis all star que assistem Akira Kurosawa nunca vão se misturar com os que calçam nike, usam correntes no pescoço e se divertem com "American Pie".

Nossa infância foi agraciada com as pérolas de Macaulay Culkin, com os musicais da Disney, com as bobagens de Lesley Nilsen, com as façanhas de "JCVD". Há um brilho a mais na arte que faz nossa vida. Desde os solteirões até as lideres de torcida, desde os assassinos em série até os personagens dos filmes bíblicos. Nos vespertinos vícios regados à Sessão da Tarde fomos persuadidos a ir "De Volta para O Futuro", mas naquela época ninguém sabia se seria um acadêmico estilo documentário, ou um lutador de boxe estilo Rocky.

Se a minha vida fosse um filme? Gostaria muito de ser um "Poderoso Chefão", mas como meu estilo é mais suave poderia ser um sujeito normal caminhando nas ruas de São Paulo como um personagem dos mil documentários sobre a cidade. Se não me mudasse do litoral poderia ser um sujeito como naqueles filmes de surf em Malibu. Um dia já sonhei em ser um "Sherlock Holmes" ou fazer parte de uma "sociedade do anel", mas o máximo que consegui foi ser uma adaptação de um enredo do Woody Allen. Bem que poderia ser genial como Spielberg ou George Lucas, mas ainda não chegou minha hora. Desespero-me quando penso que minha vida soa à "Lavoura Arcaica", mas lembro que minha vida é urbana e não estou apaixonado por minha irmã. Nas metáforas possíveis sonho com "Dois Perdidos Numa Noite Suja". Quando vou aos bares penso um pouco no Exterminador saindo de moto após dizer "hasta la vista, baby". E tenho um pouco de medo de me transformar num nostalgico sartreano como Rémy em "As Invasões Bárbaras".

Vivo pela beleza crua de "Asas do Desejo" e pela esperança digna dos "Doutores da Alegria". As vezes me sinto num filme de Almodôvar, louco, desvairado. Mas relaxo, é só um filme dentro de um filme dentro de um filme dentro de um filme dentro de um filme dentro de um filme. Será que há continuação depois dos créditos? Se for um curta-metragem que seja muito intenso. Se for um filme japonês que eu tenha muita paciência. Só não quero viver nunca mais uma vida sem cores e uma trilha sonora com muitos acordes menores. Se tiver que enfrentar a solidão serei bravo como nas obras de Shakespeare e doce como nos trechos de Chaplin.

E você? Se a sua vida fosse um filme?


Mateus Moisés
Sessões
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