segunda-feira, 25 de junho de 2012

Quanto Dura o Amor?


Nome Original: Quanto Dura o Amor?
Diretor: Roberto Moreira
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco:Maria Clara Spinelli, Silvia Lourenço, Paulinho Vilhena, Danni Carlos e Gustavo Machado.
Prêmios: Melhor Atriz (Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli) no Festival de Paulínia.
Quanto Dura o Amor? (2009) on IMDb


Uma pergunta que tem várias respostas e nenhuma definitiva. Perguntas que ficam no ar, questionando, martelando o cerebelo tentando equacionar o imensurável. A vida na cidade grande pode mudar a cada instante, a cada respiro. São Paulo são várias cidades dentro de uma mesma cidade, onde cada apartamento pode ser uma epopeia de sentimentos diversos explodindo em submundos desconhecidos e inexplorados. Quando um amor começa, quando um amor termina, quando o desespero bate de ter perdido quem ama, quanto durou esse amor? Perguntas sem respostas, mas de dúvidas que não deixam de bater qualquer ser humano que tenha um coração. Quem é mais sentimental que eu?

As histórias de Marina, Suzana e Jay se entrelaçam num espigão da Paulista onde o rumo de cada pulsa em paixão. Cada um ao seu estilo, mas todos com muita entrega, mas há o temor de se “jogar” ao desconhecido. Marina, atriz sem DRT, vem do interior e se apaixona pela cantora-poser Justine, que é casada. Já Suzana, que aluga o apartamento para a atriz, tenta seguir a vida comum sem o peso de uma transformação ocorrida em seu passado, deixando-se levar por uma nova paixão. Já o escritor Jay está obcecado pelo amor de sua vida, uma prostituta que apenas se interessa pelo seu dinheiro, que, por vezes, não tem. As obsessões são destruidores de sonhos e de desejos que se acumulam em sobre pisos de sentimentos indefinidos. Idas e vindas, decepções podem causar traumas insuperáveis e bloqueadores de um olhar para o futuro.

Roberto Moreira não me agradou em nada no seu primeiro longa, o premiado “Contra-Todos”. Talvez a crueza das imagens e a ausência dos filtros me bloqueiem a esse filme, que por vezes acontecem em “Quanto Dura o Amor?” me deixem um pouco mais confortável frente à tela, mas não mais identificado. Com diversas histórias intercalados em alta rotação, o filme tem outro personagem que rouba um pouco mais a atenção: a noite paulistana. Cheio de belas imagens, o centro capitalista da capital paulista está todo minuto aparecendo como protagonista, em imagens belas, cheias de luzes e histórias, seja numa manifestação na Avenida Paulista, na noite da Rua Augusta ou nos viadutos da região, nos vemos por perto a cada centímetro. Paulo Vilhena, Danni Carlos e Maria Clara Spinelli surpreendem em atuações corretas, amparados pela já nova-experiente Silvia Lourenço, de “Amor?”, “O Cheiro do Ralo” e de “Contra-Todos”. Um filme cheio de quase-clichês onde a desesperança reina, mas onde a esperança ainda sobrevive, mesmo que dentro de uma cidade caótica, vista num filme caótico.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cabra-Cega


Nome Original: Cabra-Cega
Diretor: Toni Venturi
Ano: 2005
País: Brasil
Elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc, Jonas Bloch e Michel Bercovitch.
Prêmios: Melhor Filme (Júri Popular), Melhor Diretor, Melhor Ator (Medeiros), Melhor Roteiro e Direção de Arte no Festival de Brasília, Melhor Filme (Júri Popular) no Festival de Campo Grande.
Cabra-Cega (2004) on IMDb



O medo causa claustrofobia. Toda ação gera uma reação e toda ditadura dita uma vida regrada e sem escapes. Um pé fora da linha inimiga é motivo para explosões, tiros, capturas, torturas e mortes. A ditadura nacional foi marcada por queima de arquivo, corpos e vestígios. Os sobreviventes calaram-se por anos, décadas até que pudessem respirar aliviados sem ter que olhar pelo olho mágico com atento a qualquer movimento brusco ou não calculado. A sociedade deixou de ter vida com o direitismo no poder e buscou em grupos de ataque esquerdistas a salvação – o futuro.


Tiago está recluso após ser perfurado em uma emboscada da polícia. Não tem condições de estar nas ações da rua de seu grupo de ação. Sua equipe está na ativa, mas mesmo muito debilitado, quer estar lá fora. Não suporta mais as paredes encurtando, fechando e não podendo mais sentir a brisa, a adrenalina ou o cheiro da pólvora. A casa do simpatizante é sua morada e Rosa é responsável por dar todo apoio necessário a Tiago, além de mantê-lo informado das ações no mundo controlado. Enlouquecer poderia ser rápido demais sem sua presença. Monstros e pesadelos surgem à medida que os dias passam, dúvidas sobre a causa passam a fugir de seu controle. Sair dali é mais do que uma busca, torna-se necessidade, empunhando armas e colocando a própria vida a disposição pela pátria.

Há uma quantidade boa de filmes sobre nossa ditadura, e quanto mais tempo passa, melhores vão ficando, pois as ideias amadurecem e a visão individual de quem viveu o período pode gerar relatos maravilhosos e totalmente diferentes. Leonardo Medeiros mostra-se competentíssimo na pele de Leonardo, mostrando ser um dos nossos melhores atores do cinema atual. O elenco de apoio deixa um pouco a desejar e o roteiro por vezes escorrega, mas o alvo inicial do filme é muito bem mostrado da angustia dos que não tinham como vive e sofriam a dor de quem estava nas ruas. A vida pode ser muito dolorida sem nunca ter sofrido um arranhão, pois ter a liberdade cerceada é o maior dos pecados. Melhor viver brincando de cabra-cega, para não ver a maldade do mundo e ser guiado pelos sentidos dos pés. 


Quem busca bons filmes sobre nossa ditadura, pode entrar no Listas de 10 que abordou ótimamente o tema.

Vitor Stefano
Sessões
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