quarta-feira, 29 de junho de 2016

Califórnia


Nome Original: Califórnia
Ano: 2015
Diretor: Marina Person
 País: Brasil
Elenco: Clara Gallo, Caio Blat, Paulo Miklos, Caio Horowicz e Virginia Cavendish.
Prêmios: Melhor Ator Coajudvante (Caio Horowicz) no Festival Internacional do Rio de Janeiro, Melhor Ator (Caio Blat) no Festival SESC e Melhor Filme Brasileiro na Mostra Internacional de São Paulo.
Califórnia (2015) on IMDb


Estela quer a Califórnia da música de Lulu Santos. Acabar o colegial e partir. Morar com seu tio Carlos - seu herói – um quase adulto aos 30 e poucos anos, independente, vive de música e largou tudo para viver esse sonho. Um sonho para qualquer jovem. Ela almeja a liberdade do rígido pai, cabelo ao vento, surfistas, musica boa, praia. Mas um balde d’água gelado faz com que a esperada viagem seja prorrogada por conta da vinda do tio para o Brasil, cercado de dúvidas e perguntas do motivo do retorno. Mas Estela continua vivendo como uma jovem qualquer. Rebeldia moderada com os pais, conchavos e delações com as amigas e as paixões platônicas que surgem a cada dia. O que vou ouvir de novo hoje? Joy Division? David Bowie?  É, a vida parece tão complexa, mas são apenas jovens...

A ambientação é ponto altíssimo no filme. Locações, roupas, maquiagem, objetos foram devidamente escolhidos para nos levar à década perdida. As atuações dos veteranos são bem intensas e poderosas, mas o destaque vai para Caio Blat, fazendo o tio Carlos, numa personificação a la Cazuza onde vai emagrecendo muito para dar a veracidade e impacto. O elenco jovem é muito bom, alguns derrapam em estereótipos rasos, mas os atores principais (Clara Gallo e Caio Horowicz) são bem bons e tem grande potencial. O filme é uma beleza, mas ele só fica completo pelo uso fabuloso de uma trilha sonora escolhida a dedo. Só os melhores da década de 80 - nacional e internacional.

A estreia de Marina Person em ficção (ela dirigiu o excelente documentário “Person”, sobre o cineasta e pai Luís Sergio Person) é quase um espelho de sua juventude. Da sua e de quem viveu essa fase da vida nos anos 80 aqui no Brasil, cheia de incertezas na política, cheio de novas influências vindas do mundo e cheia das dúvidas que apenas os jovens sabem viver.  Fica difícil não compará-lo ao filme da diretora Laís Bodanzky – “As Melhores Coisas do Mundo”, onde retrata os jovens da atualidade de forma certeira. Marina faz de seu “Califórnia” esse retrato, porém de outra década. De forma leve e divertida, aborda todos os problemas da época e da era juvenil, sem deixar de lado assuntos duros e polêmicos como a AIDS, que ainda era tratada com muito preconceito e desconhecimento. Marina dá um tiro certo e com certeza o Luis Sergio estaria orgulhoso desse belo filme que sua cria fez.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 1 de junho de 2016

The Hunting Ground



Nome Original: The Hunting Ground
Ano: 2015
Diretor: Kirby Dick
País: EUA
Elenco: Andrea Pino e Annie Clark.
Sem Prêmios

Uma denuncia seríssima escancarando instituições milenares que em nome de seu nome, de seu status, de sua reputação e das doações milionárias preferem o silêncio e não levar a fundo uma epidemia que ocorre em suas dependências. Estupros e abusos sexuais ocorridos nos campus das universidades mais renomadas dos Estados Unidos e em suas fraternidades são gritos que ouvimos durante todo o documentário, onde duríssimos e tristes depoimentos nos mostram a barbárie dos infratores e nos indignamos com a impunidade e falta de firmeza das faculdades para com o ocorrido.

As universidades norte-americanas vivem basicamente de doações de ex-alunos, da comunidade e de verbas de televisão (quando tem times esportivos de qualidade). Qualquer escândalo pode fazer esse faturamento ir para o ralo e por esse motivo o assunto é abordado com tanta precaução e deixado de lado. Mas mulheres como Annie e Andrea, que sofreram abusos e levaram à frente o ocorrido para os conselhos e administração das universidades, mas sem sucesso, não se limitaram a ouvir o não. Ao ver seus abusadores livres e soltos, com possíveis novas vítimas correndo risco. O álcool é quase sempre a principal arma para facilitar o abuso. Um absurdo. Lamentável.

O documentário é clássico, com depoimentos, levantamento de dados estatísticos e inserções de chamadas de televisão sobre o assunto, mas é um documentário obrigatório pela urgência da sua denúncia e de sua gravidade. Apesar de estar apenas retratando universidades renomadas como MIT, Notre Dame, Harvard, Berkeley é uma epidemia mundial como vimos aqui no Brasil com o caso dos 33 homens e a menina no Rio de Janeiro e vê-lo mostra a necessidade de denunciar e não se calar diante do absurdo.

Lady Gaga compôs e canta a música 'Til it Happens to You e fez uma apresentação memorável e emocionante no ultimo Óscar. Veja, se indigne e saiba que você não está só.

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