segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Stanley Kubrick: Imagens de uma Vida

Nome Original Stanley Kubrick: A Life in Pictures
Diretores: Jan Harlan
Ano: 2001
País: EUA
Narrado por Tom Cruise.
Sem Prêmios.
Stanley Kubrick: A Life in Pictures (2001) on IMDb

A carreira de um dos maiores gênios da direção cinematográfica de todos os tempos está impresso nesse apanhado de depoimentos, revelações, imagens inéditas e trechos das produções feitas por este louco, amável e perfeccionista: Stanley Kubrick. Sim, ele tinha várias facetas. Talvez todas elas nos sonhos mais loucos que ele conseguiu fotografar em película.

A fotografia foi a escola e no cinema a consagração. Por falar em escola, Stanley não era um bom aluno, não fazia os deveres de casa. Mas isso nunca foi um problema aos seus pais, que sempre acreditaram no potêncial do menino. Mas como bom enxadrista marcou seu território e seu cheque-mate foi o início com seus curta-metragens.

Uma filmografia completa, que viaja por todos os gêneros e com uma qualidade espetacular e beirando a perfeição (como ele mesmo fez questão de fazer, refazer e refazer). Sua esposa, disse que uma das maiores reclamações de seu conjugê foi não ter podido fazer mais filmes, por conta de sua conhecida morosidade, porém ao invés de ser um diretor comum com 27 filmes, é um gênio com no mínimo oito obras-primas. Um gênio não se faz apenas com dom. É necessário também persistência, perseverança e teimosia.

Ver todos os detalhes das maravilhosas produções kubrickianas nesse documentário só nos faz ter mais paixão pela 7ª arte. Ouvir e ver gênios como Woody Allen, Steven Spielberg e Martin Scorsese dizerem Stanley é o maior, portanto, é o maior. Quem sou eu para assinar embaixo, mas...


                                                              
Vitor Stefano
Sessões

Você também acha? Então assine embaixo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dossiê Stanley Kubrick

Contarei uma breve história em um prólogo, oito capítulos e um epílogo.

Prólogo

Uma história de Medo e Desejo. Um personagem complexo, misterioso, recluso. Mas há quem diga que foi um amor, um gentleman, apaixonado pela vida, pela família e pelo que fazia. Teve uma época em que A Morte Passou Perto, após receber um Grande Golpe, como o soco de um boxeador ou mesmo um coice de um cavalo. Mas o líquido vermelho que saiu de seu corpo apenas o encorajou, engrandeceu. Foi uma Glória Feita de Sangue, suor e lágrimas. Como o gladiador Spartacus, surgiu no alto e jamais foi esquecido. Estamos falando de um certo Napoleão.

 Capítulo 1- Lolita

Desejo é uma das marcas de sua vida. Como resistir a um ser tão inocente, mascarada de fêmea. Não há como ver a maldade instalada naquele ser tão gracioso, perverso. Não há como fazer mal. Ele a toca e só sente prazer e amor. Já ela, nunca fez escândalo, nunca gritou, sempre o amou. ‘Não me esqueça’ ela dizia. E há como? Quer apenas estar perto, tê-la, amá-la, mesmo que isso lhe cause a morte, como uma bomba atômica implodida.

 
Capítulo 2 - Dr. Fantástico

Não, a morte não chegou, mas Napoleão esteve ainda mais perto daquela bomba. Sim, perdeu o medo e aprendeu a amar a tal bomba. Mesmo com a iminente explosão e aniquilamento do mundo todo, conseguiu rir, naquela sala redonda, vendo tantos rostos aluscinados. Ele viu o absurdo do relacionamento entre dois lados que eram idênticos e brigavam pelo poder. Explodiu! Viu que o planeta do alto do cogumelo, era ainda mais belo.


Capítulo 3 - 2001: Uma Odisséia no Espaço

No futuro, no espaço. O vácuo é o som do silêncio, a lentidão dos movimentos. No vácuo há vida. Há vida fora da Terra. Vê-se estrelas, planetas, sóis - imaginários - que contam a história da espécie humana, desde a pré-história. É o alvorecer de um novo modo de ver o mundo. O grande Napoleão deixou a barba crescer, viu a dança da Via Lactea ao som da valsa de Strauss no espaço sideral e impressionado ficou, e nos deixou com tanto vazio e tanta beleza.


Capítulo 4 - Laranja Mecânica

Tudo não passou e uma lavagem cerebral. O que foi visto sobre o futuro, foi apenas um sonho. Voltou-se à normalidade, Napoleão acordou na Leiteria Korova, um copo de leite na mão, uma laranja na outra. Uma sensação de raiva surgiu por saber que tudo que viveu com a bomba, no espaço e com a bela Lolita era mentira. Foi o fim da paz de Napoleão. Cresceu um senso de humor doentio, perverso. E a violência foi o modo de extravasar a decepção. Nascia alí um novo Napoleão. Até ser capturado, e receber nova lavagem. Queriam que ele fosse libertário como a música de Ludwig.


Capítulo 5 - Barry Lyndon

Agora no passado, Napoleão se sentia em casa. Estar no século 18, depois de passar pelo espaço sideral, voltado à pré-história, era um alívio ao bom senhor. Agora com um comportamento exemplar a fim de progredir na sociedade da época. Por longas e lindas três horas, iluminado à luz de velas vê não mais a maravilha do espaço, mas agora a beleza das pinturas, telas em movimento, com roupas lindas, maquiagem perfeita e comportamento exemplar. Mas ao fim das três horas, as velas já derreteram e não há mais nada que o ilumine.

Capítulo 6 - O Iluminado

Acordado, Napoleão não sabe mais no que pensar. Não quer mais nada. Ele quer mesmo é ficar em paz, isolado, sem novas experiências. Vai a um hotel isolado pela neve, frio e fantasmas. Reconhece que há vida após a morte, porém a morte parece próxima até demais. Barulhos estranhos, passos, um maldito triciclo passando pelo chão e pelos tapetes. Mas ele não vê mais nada, não sabe de mais nada. Age de modo idiossincrático. Parece viver um filme de terror. A morte está mais perto. Mas, agora, ele está condicionado a matar.


Capítulo 7 - Nascido para Matar

Após uma reclusão cansativa, ele estava pronto para liderar uma guerra contra quem fosse, até contra um Vietnã bem preparado. Não uma guerra comum, era uma bem sangrenta, sem motivos, onde toda a ira que se acumulou com as decepções da vida poderiam fazer. A crueldade é sofrida. A guerra é um fenômeno natural. A guerra é linda. Napoleão é a natureza da tragédia, está preparado para matar, ser morto, se matar. Feche bem os olhos, ele vai virar uma lenda.

 Capítulo 8 - De Olhos Bem Fechados


Não importava todos os infortúnios que Napoleão já havia passado, ainda faltava um último. Um problema de relacionamento. Após todas as barreiras, aprendeu que o ser humano é agridoce, cheio de manias, rituais. Aquela máscara que viu em Lolita e pensou saber reconhecer, não adiantou. As máscaras são individuais e atrás de cada uma está uma nova descoberta, um novo amor. Um desespero novo. A lealdade é um sonho que se vive com compromisso. A sexualidade é um dom de quem prefere ficar de olhos bem fechados. Tente descansar ao som de Ligeti.


Epílogo

É melhor fechar os olhos para sempre, aliás, já virei uma lenda. O nome do nosso personagem, na verdade, é Stanley Kubrick, um robô, como visto em A.I.. 


Vitor Stefano
Sessões

P.S.: Inspirado livremente em Lars von Trier (forma) e conscientemente no gênio Stanley Kubrick (conteúdo), conhecedor e admirador de Napoleão Bonaparte.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Melhor Filme da Década de 90

Com o fim da União Soviética termina a Guerra Fria. Os Estados Unidos ficam no topo sem serem incomodados por ninguém. Com o fim da guerra, morreu junto a utopia, da perfeição política - o socialismo padece. Mas as guerras não terminaram. E a Guerra do Golfo, Congo e da Bósnia? Genocídio em Ruanda e o Massacre de Columbine - o mundo cão no dia a dia. E o que dizer da ovelha Dolly? A morte de ídolos como Madre Teresa de Calcutá, Freddie Mercury, Ayrton Senna, Kurt Cobain e Princesa Diana. Sem esquecer-se do Impeachment do presidente Collor, com a ida dos caras pintadas às ruas. Na música vimos da cena grunge até o boom do axé, passando pela febre da dance música, britpop, pop teen e fake punk, sem esquecer o manguebeat. Mais fácil que isso, é controlar tudo pelo Tamagochi de 1990 a 1999.

Muitos dos temas acima viraram filmes e conseguimos acompanhar a década através da tela grande. Finalmente o cinema nacional retomou um bom rumo, tivemos do reconhecimento do cinema independente da America, abertura do mercado nacional ao cinema europeu, além de uma década de consagração de novos criadores e atores. Nós do Sessões fizemos uma relação dos filmes e chegamos à um Panorama do Cinema da Década de 90. Chegamos a 30 filmes que tiveram no mínimo dois votos pelos membros do blog. Caso queira ver a votação individual, clique aqui. Muita coisa boa ficou de fora, mas não dá para agradar a todos.

Confira a lista dos Melhores Filmes da Década de 90, comente a lista e vote!















Visto os concorrentes, vote! Se não concorda ou acha que outro é o melhor filme da década, deixe seu comentário.


Confira a votação completa, clicando aqui.

Agradecemos o voto, comentário e a visita. Até mais.

Equipe do Sessões

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Começa o 21º Festival Internacional de Curtas de São Paulo

São Pedro colaborou e em noite bem agradável foi dada a largada à 21º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum. O público compareceu e lotou o teatro do SESC Vila Mariana, nesta quinta-feira (19/08), que teve a presença dos realizadores dos filmes, atores, produtores e autoridades. Para ver todas as fotos que nós do Sessões tiramos na Festa de Abertura, clique aqui.

A atriz Bárbara Paz apresentou a solenidade de abertura com muita graça

A apresentação da festa ficou por conta da bela atriz Bárbara Paz e após as solenidades de abertura foram apresentada cinco produções de diferentes países. Da Argentina, o engraçadíssimo Las Pelotas; do Brasil, o também cômico Recife Frio; da Nova Zelândia o tema é o bulling, no ótimo The Six Dollar Fifty Man (O Homem de Seis Dólares e Cinqüenta); do Canadá o surreal The Spine (A Coluna);. além da curtíssima animação Suhaksihum (Prova de Matemática), da Coréia do Sul.

Curta 'O Homem de Seis Dólares e Cinquenta' recebido com muitos aplausos
Para acompanhar o festival, que vai até o dia 27 de agosto, é bem fácil. As sessões são grátis e os ingressos ficam disponíveis para retirada uma hora antes de cada exibição.

Para confirir a programação completa, clique aqui.

As salas de exibição são as seguintes:

Cinemateca BNDES e Cine Petrobras, na Cinemateca - Largo Sen. Raul Cardoso, 207;
CineSesc - Rua Augusta, 2075;
MIS - Museu da Imagem e Som - Av. Europa, 158;
CCSP - Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000;
Espaço Unibanco Augusta - Rua Augusta, 1470;
Cine Olido - Av. São João, 473;
CinUSP - Rua do Anfiteatro, 181 Favo 4 - Colméia Cidade Universitária;
Cineclube Grajaú - Rua Oscar Barreto Filho, 252.

O 21° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo - Curta Kinoforum é um ponto de encontro entre a produção latino-americana e internacional, promovendo o intercâmbio de experiências culturais, econômicas e políticas relacionadas ao curta-metragem.

O evento oferece diversas expressões dos filmes em curta-metragem. Nelas se pode ver o mais inovador da produção mundial: retrospectivas, homenagens e curtas digitais feitos nas periferias das grandes cidades brasileiras, onde vemos diversas expressões de arte deste segmento. São mais de 400 curtas.

Apesar de não ser de caráter competitivo, o Festival Curta Kinoforum conta com a participação do público para selecionar seus curtas favoritos.

Para outras informações acessem o site http://www.kinoforum.org.br/curtas/2010/.
E não deixe de participar do seminário Curta e Mercado - http://www.kinoforum.org/curtaemercado/.

Aproveite e bom festival !

Equipe do Sessões

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma Noite em 67

Nome Original: Uma Noite em 67
Diretores: Renato Terra e Ricardo Calil
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo.
Sem Prêmios.
Uma Noite em 67 (2010) on IMDb


Um documentário. Simples, mas não apenas mais um. Segue o ritmo normal desse gênero, principalmente dessa leva atual sobre músicos, como Simonal e Loki, com imagens do passado e depoimentos do presente. Porém, não tão simples é o momento histórico, as personagens e as melodias criadas por aqueles que determinariam o futuro de nossa música até os dias de hoje. ‘Uma Noite em 67’ torna-se uma fonte necessárias de pesquisa aos conhecedores da MPB e de aprendizado para quem não sabe exatamente o que foi a Jovem Guarda, Tropicália ou a Bossa Nova na história do Brasil. Grande parte da nossa grande música esteve em 67 no palco do Teatro Paramount, na Av. Brigadeiro Luis Antônio. E não foi apenas mais uma noite. Foi a noite!

Chico dizia “roda mundo, roda-gigante, roda moinho, roda pião. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”. Caetano inspirou “caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro. Eu vou, porque não, porque não”. Gil insistia que “o rei da brincadeira, ê José!”. Roberto, futuro rei, fez sambar, pois “nasceu Maria no Carnaval e não lhe chamaram assim. Como tantas Marias de santas, marias de flor, seria Maria, Maria somente, Maria semente de samba e de amor”. Edu levou cantando “era um dia, era claro, quase meio. Era um canto falado, sem ponteio. Violência, viola, violeiro. Era morte redor. Mundo inteiro...”. Mas quem realmente marcou foi Sérgio que dizia que “Beto bate bola”, mas acho que ele é que não batia muito bem.

Vaias, aplausos, cantares, choros e raiva. Tudo fez parte daquele festival, estavam todos à flor da pele, com seus sentimentos aflorados, seja pela ditadura ou por nada. Lembrou-se da, hoje (e talvez naquela época), absurda manifestação e passeata contra a guitarra elétrica, liderada por Elis Regina e Gilberto Gil, a fim de proteger a música nacional contra a influência de “lixos” como Beatles e Rolling Stones que estouravam lá fora. Enquanto isso, os governos militares reinavam absolutos, talvez rindo com tamanho absurdo.


Estranho foi ver que nossos gênios musicais eram prolixos e faltava comunicabilidade à eles, e ao mesmo tempo, sabiamos que eles compunham e se expressavam no palco como verdadeiros poetas inspirados por uma das épocas mais complexas da história nacional. E não eram só os artistas que viviam esse momento. O público não sabia mais o que ouvir, o que era bom, o que era a favor da opressão ou da anarquia, eles nem sequer sabiam porque estavam lá. Só sabiam vaiar e aplaudir, tudo, descontroladamente, numa efervescência de sentimentos. Sérgio Ricardo tentou cantar seu ‘Beto Bom de Bola’ com repaginação de estilo. Tentou, pois o descontrole do público causou uma atitude rock ‘n roll no cantor, mesmo sem guitarra elétrica. Foi o começo do fim da carreira de Sérgio.


Hoje vemos e reverenciamos Gilberto Gil, Chico Buarque, e Caetano Veloso, que cantaram músicas que até hoje são inesquecíveis: “Domingo no Parque”, “Roda Viva” e “Alegria, Alegria”, respectivamente. Nas pitorescas entrevistas, o que viamos eram meninos, que só queriam mesmo cantar e fazer música. A parte revolucionária, que conhecemos, só fluiu com o tempo, já que lá eram apenas meninos de 20 e poucos anos. E hoje são senhores de 70 e poucos anos que não tem mais nada a dizer. Edu Lobo, esquecido na história foi o grande vencedor. Vejam Ponteio interpretado por Edu Lobo e Marilia Medalha, vencedor do grande III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record.


Entre Mutantes e lunáticos, “Uma Noite em 67” deixa no ar um sentimento de nostalgia. Cadê a verdadeira música brasileira? Estão todos mortos. Quero ouvir novas letras de novos compositores. Mas todos já padecem. Vamos velar a Musica Popular Brasileira e reverenciar os ídolos do passado, que mesmo vivos, parecem estar em outro plano.



Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Bem Amado

Nome Original: O Bem Amado
Diretores: Guel Arraes
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Marco Nanini, Matheus Natchergaele, Caio Blat, Maria Flor, Andrea Beltrão, Zezé Polessa, Drica Moraes, José Wilker, Tonico Pereira e Edmilson Barros.
Sem Prêmios.
O Bem Amado (2010) on IMDb

Meu povo e minha pova. Não, Odorico Paraguaçú não falava assim. Mas bem que poderia, ao lado de políticos direitistas de longa data como os PSDBistas, Malufistas, Colloristas ou até Sarneyistas - que vimos em ‘Maranhão 66’ de Glauber Rocha e que já vislumbrei ter sido aniquilado pelo Capitão Nascimento de Tropa de Elite. Em ‘O Bem Amado’ vemos uma eterna guerra entre direitistas e esquerdistas, socialistas e democratas... e quem é que sabe o que isso é de verdade nos dias de hoje. Todo exagero ideológico já perdeu força, caiu em desgraça e não goza mais de bons dias. Só vivem os centrais que nada sabem, nada crêem e nada fazem. Por isso ‘O Bem Amado’ vive apenas do sarcasmo e de uma crítica tardia, de uma época que a própria democracia e a falta da necessária reforma política já trataram de aniquilar.


A história baseia-se numa cidadela onde oposição e situação disputam o ‘trono’ da prefeitura quase à tapa, após a morte do prefeito por um matador profissional - Zeca Diabo. O vencedor é Odorico Paraguaçu, direitista de primeira linha. Caixa 2, óbvio. Desvio de verba, certamente. Construções “para” o povo, tacada certa. A construção na história é um cemitério, visto que os mortos de Sucupira não podiam dormir o sono eterno na cidade. Sempre acompanhado das fieis Cajazeiras, mulherengo de mão cheia (de dinheiro). Vladimir, o socialista e oposicionista, é o editor e dono do jornal da cidade “A Trombeta”, que faz a caveira do prefeito eleito, só com a intenção de colocar o povo contra Odorico. Isso jamais aconteceria na realidade, onde os veículos de comunicação são controlados pela situação e elite. O nível 0 de mortandade na cidade causa muitas situações bizarras, cômicas e dá o tom da narrativa.

Risos são causados por diversos momentos, principalmente por conta do grande talento do elenco, que tem muita experiência e qualidade. No meio de tantos vovôs, como Nanini, Beltrão, Polessa, Wilker, destaque ao melhor ator da atualidade de nosso cinema nacional, Caio Blat de ‘Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos’, como narrador dos fatos históricos, é o assistente do jornal comunista e que desenrola um romance com a filha de Odorico (Maria Flor) e Edmilson Barros, o bêbado que em todo momento que aparece, rouba a cena dos dinossauros.

Com elenco global, inspiração novelesca, personagens caricatos, ‘O Bem Amado’ não ficará marcado na história do cinema, o que a produção de Dias Gomes conseguiu na década de 70 na televisão. Guel Arraes segue sua carreira cinematográfica com filmes de televisão, sempre com perfeição técnica. Outras vezes funcionaram muito bem, como ‘O Auto da Compadecida’ e ‘Lisbela e o Prisioneiro’, agora, escorregou ao tentar ressuscitar um sucesso imutável. Ponto alto e inquestionável está na escolha da trilha sonora, caracteristica já vista em outras produções de Guel. Caetano Veloso, assim como em ‘Fale com Ela’, marca presença com sua poesia e voz, acompanhado de Mallu Magalhães, Zélia Duncan e a força do Carcará de Zé Ramalho, que você ouve abaixo. Quem busca riso fácil e diversão, 'O Bem Amado' cumpre seu papel, mas quem esperava mais, como na versão original, fique em casa e pense bem no seu voto.


Odorico não disse, mas bem que poderia: “Eu tenho aquilo roxo” (Collor, 1989). “No Brasil, o político é veado, corno ou ladrão. A mim, escolheram como ladrão” (Maluf). “Se está com desejo sexual, estupra, mas não mata” (Maluf). “Consultei um futurólogo e ele previu que o Brasil só terá outro presidente nordestino daqui a 1.900 anos. Então, acho que mereço ficar os seis anos” (Sarney). “Espero que não seja vôo de galinha, mas de pássaros” (Serra). E eu espero que vocês calem vossas bocas e sejam enterrados num cemitério de anões em Sucupira. E espero que o povo lute mais, vote melhor, cobre como deve, proteste quando for necessário e seja cidadão por todos os dias, não só durante as eleições. As frases são de direitistas catedráticos, assim como é de Odorico na película, porém os esquerdistas não ficam atrás não, pois já provaram de tão esquerdistas viram direitistas burgueses com apego ao poder, todos querem mesmo ser O Bem Amado. Aliás, tratando-se de política, quem fica para trás somos nós. Mas isso mudará. Ah, mudará!


Vitor Stefano
Sessões
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...