segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tempos Modernos

Nome Original: Modern Times
Diretor: Charles Chaplin
Ano: 1936
País: Estados Unidos
Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard
Sem Prêmios.
Tempos Modernos (1936) on IMDb

O personagem Carlitos resiste e nada diz mais uma vez! Todas as seqüências estão carregadas de significados! E o que dizer de um filme que não disse? E esta particularidade de não dizer (visto que recursos da época já permitiam) revela se não um artista fiel aos seus princípios.

Também fico mudo! Se eu produzisse algum som, plagiaria Chaplin e emitiria um idioma meu. Não há como expressar com a tão utilitária palavra o que os silêncios dos gestos deste operário, desempregado, desiludido e esperançoso personagem provocam nos que compartilham de sua arte, anseios e encucações. Carlitos é sentimento humano nos milímetros da grande película.

Vou apenas apertar parafusos, visto minha humana insignificância diante da automação que eu mesmo idealizei. Limito-me ao não-comentário e agradeço pela oportunidade de rever Tempos Modernos.

Permissão Sir Chaplin, pois o Sessões vai comentá-lo!

Leandro Antonio
Sessões

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Na Natureza Selvagem


Nome Original: Into The Wild.
Diretor: Sean Penn.
Ano: 2007.
País: Estados Unidos.
Elenco: Emile Hirsh, Marcia Gay Harden, Willian Hurt, Jena Malone, Vince Vaughn, Kristen Stewart.
Prêmios: 10 prêmios, entre eles: Globo de Ouro 2008 - Melhor Musica Original - Guaranteed de Eddie Vedder; Mostra Internacional de Cinema São Paulo 2007 - Melhor Filme de língua estrangeira - Prêmio da Audiência; e Palm Springs 2008 - Sean Penn - Melhor Diretor do Ano.
Na natureza selvagem (2007) on IMDb
“Sociedade, sua coisa maluca!
Espero que não esteja solitária sem mim...”

Christopher McCandless é Emile Hirsch é Alexander Supertramp!

Relógio, piscina, dinheiro, celular, carro. Coisas, coisas. Apenas coisas.

Para longe do materialismo, das relações sociais hipócritas e das obrigações impostas pela sociedade.
Para a profunda natureza, selvagem, magnânima em sua singela crueldade.

Para onde fora Chris? A atitude que tomou ao deixar tudo e partir em busca de aventuras e liberdade seria uma afirmação de idéias conscientes e seguras ou simplesmente uma tentativa rebelde de se afastar das contradições e obrigações da sociedade norte-americana?

Na Natureza Selvagem é um filme que mostra de forma gloriosa a história real de um jovem determinado a alcançar objetivos pouco comuns aos jovens de seu tempo e classe social.

Chris tinha um espírito livre, uma identidade grandiosa, era um gênio das ciências humanas e um esportista formidável. Buscava a essência das coisas, a leveza e a crueldade da vida. Tinha a magia da juventude na alma, no espírito e no olhar, e com determinação e disposição resolveu combater com suas próprias mãos a força negativa, ignorante e medrosa da sociedade que matinha ele, sua família e todos os outros sob a pena de seguir padrões, normas e regras as quais ele julgava rigorosamente como incompreensíveis e inadequadas.

O que seriamos sem conta bancária, sapatos, faculdade, aparências?
Ele quebrara todos os cartões, jogara todas as ‘coisas’ fora, ele estava no limiar, no seu momento. Já tinha cumprido sua tarefa para com a sociedade, já tinha sido o bom menino, agora partira em busca de seu interior verdadeiro, em busca de sua natureza.

Chris tinha rancor, tinha o amargor de viver num mundo materialista, um mundo que nega o corpo, que nega a essência das coisas, elevando, super estimando o valor do dinheiro, das posses.

Ele queria Ser. Vivera tantos anos no mundo do Ter que ficou indignado absurdamente a ponto de se tornar um extremista, e como todo extremista tinha ideais utópicos, sonhos impossíveis para si e para todos.

Partiu!

Canções de liberdade, imagens de liberdade. A beleza cinematográfica do filme sugere uma realidade que pode ser apreciada agora. Agora! Não depois...

Não é uma crítica à sociedade, mas sim uma crítica digna de respeito ao comportamento humano e à nossa história. A forma romântica como foi tratada a história não tira a grandeza da mensagem que o filme carrega, é como se algo dentro de cada imagem, cada palavra, cada nota de cada canção gritasse: ‘Pare, observe o que você anda fazendo, o que você é. Você acha que é feliz? Acha que faz as outras pessoas felizes? Olhe esta liberdade, olhe o que pode ser e não é. Será que estamos caminhando para o lugar certo? Será que estamos caminhando? Será que devemos caminhar?’.

Uma adaptação segura e sagaz do livro homônimo de Jon Krakauer, escrito em 1996, com atuações despretensiosas e cativantes, mas com um teor ideológico gigantesco calcado em valores que de certa forma são ingênuos, mas sinceros.

“Tais são os caminhos do mundo,
Você nunca sabe
Onde colocar sua fé
E como ela vai crescer...”.

Em busca de algumas verdades irrecusáveis, em busca de outras sensações, outros mundos, outras idéias.

Quanta coisa nos passa despercebida? Até quando deixaremos a vida passar por nós? Até quando nossos modelos e sonhos ficarão apenas nas mentes e nos papéis?
É o princípio, a magia, a juventude, o sangue nas veias e a imaturidade. Nos remete a uma saudade e uma ausência que são quebradas de forma corajosa e grandiosa.
Para aqueles que acreditam, aqueles que são, aqueles que sabem, que resistem, cada qual a sua maneira.

“Se amanhã esse chão que eu beijei for meu leito e perdão,
Vou saber que valeu delirar e morrer de paixão!”.

Esta é a sina de todos os românticos e guerreiros da liberdade, morrer pela causa, morrer pela esperança. Desta maneira, antiquada, inadequada e reta. Que sua loucura e sua insensatez sejam perdoadas, Alexander Supertramp.

Mateus Moisés
Sessões
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