segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Disconnect


Nome Original: Disconnect
Ano: 2012
Diretor: Henry Alex Rubin
País: EUA.
Elenco: Jason Bateman, Hope Davis, Frank Grillo, Michael Nyqvist, Paula Patton, Alexander Skarsgard.
Sem Prêmios.
Disconnect (2012) on IMDb


O mundo da internet é uma vasta floresta de pecados e conhecimento. Uma ferramenta complexa, aliás, é mais do uma ferramenta. É um organismo vivo, uma mutação ambulante, uma vida sem sentimentos, mas que pode ferir mais do que apenas sentimentos. A invenção de uma rede mundial serviria para achatar o mundo, diminuir distâncias, mas que por vezes faz exatamente o contrário, escondendo o realmente importa do ser humano: o ser ou melhor, o humano. Em perfis falsos somos um super-herói, nos expomos como salvador da pátria e vivemos como reis abastados. Depende apenas de quem você quer ser naquele dia. O melhor mesmo seria, plagiando de forma moderna a MTV, desligar o computador e ler um livro. E não me venha com livros online.

A verdade é que não vou me atentar a descrever para vocês detalhes de cada uma das 3 histórias que correm em paralelo em “Disconnect”, mas sim em abordar os temas amplos e como esse filme anda junto com outros tantos abordando essa nova geração informatizada. Podemos lembrar da maravilhosa montagem da trilogia do Iñarritu.  Impossível ver e não nos remeter a “Crash – No Limite”, por sua diversidade de personagens. E quando o assunto é bullying ou sua vingança, vimos uma grande quantidade de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, “Elefante” e “As Vantagens de Ser Invisível”. E não dá para não lembrar do novíssimo “Depois de Lúcia”. Mas a verdade é que “Disconnect” é tão bom ou melhor que todos esses filmes e não apenas por seu final impactante. Aliás, é um dos melhores do ano, indubitavelmente, mesmo com o apelo melodramático em quase todo o filme. Um elenco afinado e sem grande estrelas de Hollywood, que mostram que um ótimo roteiro pode transformar meros estreantes e coadjuvante em possíveis estrelas.

Quanto mais modernas as relações interpessoais, menos pessoais elas ficam. Menos humanas elas ficam. Menos humanos nos tornamos. Desligue-se da internet e vá ver o filme. Mas saia com segurança, pois alguém pode invadir a sua conta bancária.

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A Religiosa




Nome Original: La Religieuse
Ano: 2013
Diretor: Guillaume Nicloux
País: França, Alemanha e Bélgica.
Elenco: Pauline Etienne, Isabelle Huppert, Louise Bourgoin e Martina Gedeck.
Sem Prêmios.
A Religiosa (2013) on IMDb


A liberdade é um direito sempre buscado, mas poucas vezes encontrado. Muitos se sentem livres, apesar da enclausura natural da vida. Casa, família, casamento, cachorros ou a religião te prendem por algum motivo. Cuidar, manter, pensar e até orar. Desde que começamos a estudar a espécie humana em sociedade percebemos algum culto a seres superiores. Os humanos evoluíram, as dúvidas cresceram e restaram poucas religiões dominantes no globo terrestre. Respeito todas, mas a religião é mais uma forma de restrição à liberdade. Que os padres casem e que as madres tirem o véu. Ser livre é o ópio da sociedade e quando todos forem livres, buscaremos nossos casulos.

A Igreja sempre foi acometida com problemas de comportamento de seus clérigos. Pedofilia, homossexualidade, casamento, relações sexuais e enriquecimento são as acusações mais comuns. O medo do pecado já não causa mais tanto medo, mas a vida de Suzanne sempre foi pautada na busca pela liberdade. A benção do ofício de servidão a Deus não havia caído na jovem que vivia num convento por conta da dificuldade financeira dos pais. Essa não vocação sempre causou problemas para a pequena que sempre se apoiou na bondade da Madre Superior. Um acontecimento mudou tudo. A morte da Madre causou uma revolução com a subida da nova responsável pelo convento. Métodos retrógrados e punitivos voltaram e causaram a ira de Susanne que foi severamente punida. Cuspida, pisada, humilhada. Nada disso tirou a coragem e o ímpeto libertador da jovem, que conseguiu ser transferida. Um novo mundo? Uma nova realidade? Apenas um mundo diferente.


A verdadeira mensagem que sobra de “A Religiosa” é que a liberdade deve ser mesmo uma droga. Viciante. Causa dependência. Mas a verdadeira abstinência é da luta pela liberdade, pois chegando lá, sempre quereremos mais. Mas o que realmente fica é que a estreante Pauline Étienne dá um show e que a ambientação no Século XVIII está ótima. Talvez 30 minutos a menos teríamos um filme grandioso, mas ficamos apenas com um relato de coisas que sabemos, ouvimos e estamos crentes que são reais.  Mérito também para o diretor Guillaume Nicloux que tinha um assunto para chocar o mundo com cenas fortes de estupro e torturas, mas preferiu a serenidade de deixar muito disso apenas na nossa imaginação.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sessões Promoção Relâmpago: Foxfire - Encerrada

PROMOÇÃO ENCERRADA

Promoção relâmpago!

Quer levar um par de ingressos de  “ FOXFIRE - CONFISSÕES DE UMA GANGUE DE GAROTAS" de Laurent Cantet?


Para isso é fácil. O primeiro a acertar qual foi o filme do diretor Laurent Cantet que levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008?

Corra!

Não esqueça da identificação para enviarmos o par de ingressos.

******************

Parabens Fábio. Entre em contato com endereço para envio do prêmio.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Boca



Nome Original: Boca
Ano: 2010
Diretor: Flavio Frederico
País: Brasil.
Elenco: Daniel de Oliveira, Hermilia Guedes, Milhem Cortaz, Paulo César Peréio e Leandra Leal.
Prêmios: Calango do Festival Cine PE de Melhor Atriz (Hermília), Direção de Arte, Diretor e Trilha Sonora.
Boca do Lixo (2010) on IMDb




Sabe quando há boa expectativa sobre um filme e quando os créditos sobem você pensa: “Que merda!”. Foi o que aconteceu quando vi “Boca”. A temática sobre o centro de São Paulo da década de 50/60, a sua famosa Boca do Lixo e um elenco maravilhoso com atores do primeiro escalão como Daniel de Oliveira, Milhem Cortaz e Hermilia Guedes me faziam crer que estava em déficit com o cinema nacional por ainda não tê-lo visto. Bom, o cinema nacional me deve 2 horas de um bom filme após “Boca”.

Drogas, prostitutas, armas, roubos, mortes. A vida de Hiroíto sempre foi bem conturbada. Uma família desestruturada, um casamento muito jovem e o espírito empreendedor fizeram de um habitué frequentador e adorador dos bordéis, transformou Hiroito no dono da Boca do Lixo. Entre idas e vindas da prisão, o ladrão domina parte do centro da cidade por muito tempo, com seus bordéis, suas prostitutas e bocas de fumo. Numa época onde a polícia era totalmente corruptível (como se isso tivesse mudado), tudo era permitido numa zona delimitada que tinha um público cativo. Um negócio próspero. As amizades, as paixões e a sua astúcia fizeram do jovem um mito. E esse mito torna-se um monstro, sem limites, sem identidade, sem escrúpulos.


A parte técnica do filme de Flávio Frederico é seu auge. A ambientação de época e figurino está ótima e é o ponto alto de toda a película, que consegue criar um clima noir para o belo cento de São Paulo dos anos 50. Porém, a cronologia longa, a falta de conexão entre as fases e as cenas faz de “Boca” um filme vago, sem identidade com o espectador. Prostitutas, sexo, maconha, sexo, cocaína, prisão, sexo, qualquer outro tipo de droga e, por fim, sexo. Para um público tão preconceituoso com seu próprio cinema, “Boca” pode ser o típico filme que aumenta essa paúra de cinema nacional. O mito do Rei da Boca morreu após “Boca”. A podridão do centro da capital paulista contaminou o espírito do filme e deu a cria a um filme esquecível.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforo



Nome Original: Tulitikkutehtaan tyttö
Ano: 1990
Diretor: Aki Kaurismäki
País: Finlândia.
Elenco: Kati Outinen, Elina Salo e Esko Nikarri
Prêmios: Inerfilm Award e Menção Honrosa no Fórum do Novo Cinema no Festival de Berlim.






Um nome longo e estranho. O que vamos ver nos próximos minutos está claro pelo nome. Sim, uma garota, mas qual seu nome? Nunca saberemos. O gélido clima dos países nórdicos congelam também os sentimentos. É por lá que dizem ser a maior taxa de suicídio e não por menos. Quem aguentaria passar quase o ano todo abaixo do zero grau, sem ver os vizinhos, sem ver o sol, sem ter calor para se aquecer. E quando dentro de casa a tal garota é consumida e sugada pelos pais que só querem que ela trabalhe para sustenta-los. E convenhamos que o trabalho dentro de uma fábrica de caixas de fósforo não é dos mais animadores. Uma paixão poderia mudar tudo? Muda. Poderia ser para pior? Claro que pode, pois sofrimento pouco é bobagem. Ser um objeto no trabalho, um escravo dentro de casa e uma meretriz na sociedade não é fácil para ninguém. Há saída para isso? Nada que uma boa dose de veneno de rato não ajude. Nada que a frieza de Kaurismäki não possa nos forçar a pensar. Nada que o mundo real não nos prepare. A vida monótona cria bombas relógio dentro da própria mente. Cuidado que alguém vai pagar por isso.

Vitor Stefano
Sessões
 
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