quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um Lugar ao Sol


Nome Original: Um Lugar ao Sol
Diretor: Gabriel Mascaro
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco: Coberturistas
Prêmios: Menção Especial no BAFICI – Buenos Aires Independent Film Festival, Melhor Documentário pelo Juri no FIDOCS – Festival Internacional de Documentales de Santiago (Chile) e Prêmio do Juri no Festival de Film Etnografico do Rio de Janeiro.
Um Lugar ao Sol (2009) on IMDb


Os documentários costumam ser feitos de fatos reais, entrevistas e imagens de arquivo. Mas cada vez mais documentários ficcionais tomam espaço do gênero no Brasil. Roteiros complexos, leituras, reinterpretações da realidade já fazem parte da realidade dos documentários. O Brasil é grande construtor desse tipo de cinema que cada vez mais ganha espaço nos lançamentos dos cinemas. Só nos lançamentos, pois não evolui em público. “Um Lugar ao Sol” é mais um deles. Lendo a sinopse parecia mais um filme com várias entrevistas de pessoas moradoras de coberturas e suas impressões dessa realidade. Mas o que se ouve é muito mais do que isso.

Um roteiro inventivo, polêmico e audaz. Sem dúvida o roteirista consegue seu objetivo ao escrever tantas intempestividades sobre a vida por atores que, propositalmente, interpretam mal para dar ares de veracidade ao documentário do diretor Gabriel Mascaro. Passado em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, ouvimos loucuras, devaneios e frases preconceituosas sobre o povo brasileiro. Sem tomar partido, sem forçar ou instigar o declarante diz com uma naturalidade ímpar, digna de Raul Cortez, os atores dizem que estão perto de Deus, que estão seguros, que estão por cima da sociedade. Sim, estão por cima. Isso é exatamente o que eu queria que fosse: uma ficção. A verdade é saber que todo o dito é verdade e que os depoentes não são atores de alto gabarito, são seres humanos normais. Normais não, superiores, segundo eles mesmos.

Quando vemos figuras aparentemente comuns falando sobre segurança, altivez, isolamento ou glamour temos um choque. Morar numa cobertura deve ser altamente contaminador. A ignorância, soberba e disparidades ditas por aqueles seres extraterrestres dão a impressão que eles moram numa capsula de ouro imbutido no Paraíso e conduzido pelo Altíssimo, que obviamente, os olha mais de perto. O mérito maior do documentário é fazer o recorte de uma burguesia elitista com ares de novos ricos e que alcançaram o jubilo eterno. O depoimento mais coerente, posso estar absolutamente errado e me arrepender do dito, é do único “famoso” que falou com a equipe, que é o dono de casas de divertimento masculino, Oscar Maroni. Também é possível compreender o último jovem a aparecer na película que parece ser maduro e esclarecido sobre a realidade da vida. Se você não acredita e vai rogar que sou esquerdista, veja o trailer para você ter apenas uma noção do que digo.


O restante dos entrevistados dão impressão que voltamos à mitologia e os que vivem em coberturas são semi-deuses. Quando a senhora, na foto acima com seu gato de estimação de pelúcia e com seu engomado filho, levanta-se e sai de cena incomodada com a intromissão alheia é o que dá vontade e fazer. Levantar e sair do cinema e deixá-los falando sozinho. A premissa de “Um Lugar ao Sol” é ótima. Se a principio queria mostrar uma outra classe social (visto que documentários em sua maioria mostram a pobreza e miséria), entendemos que os alto padrão da nossa sociedade é um reflexo de toda a disparidade existente entre um gênio e um deficiente mental. Óbvio que nem todos moradores de cobertura são ignorantes sociais como os que vemos, mas é triste saber que pessoas tão acéfalas existem numa burguesia dominante como desse país chamado Brasil.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Mary & Max - Uma Amizade Diferente

Nome Original: Mary and Max
Diretor: Adam Elliot
Ano: 2009
País: Austrália
Elenco: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman e Eric Bana
Prêmios: Melhor Filme no Annecy International Animated Film Festival, Melhor Animação no Asia Pacific Screen Awards, Melhor Direção no Australian Directors Guild, Urso de Prata (Menção Honrosa - Generation 14plus) no Festival de Berlin e Grande Prêmio do Ottawa International Animation Festival.
Mary e Max: Uma Amizade Diferente (2009) on IMDb


Cada vez mais os traços animados me encantam mais. Cada vez mais o que antes só era visível aos olhos de uma criança, hoje é possível viajar histórias que nem adultos sabem entender. Com “Mary e Max” só consigo escrever cartas aos dois amigos.

Querida Mary Daisy Dinkle,


Sua vida me fez ver com outros olhos o sofrimento de uma criança isolada do mundo. Não por você estar do outro lado do mundo (daqui do Brasil), mas por ser uma pequena pessoa que aprender tudo sozinha e com muita dificuldade. Com 8 anos, não se pode ter conhecimento para tudo. Sua mãe alcoolatra e seu pai trabalhador eram sua única conexão com o conhecimento e a noção de família, que não existia. Sofreu bulling, rejeitada, taxada de feia (nenhuma criança é feia) e infeliz. Você era muito novinha pra sofrer tanto. Seu mundo em cores modorrentas me fez pensar que Max, apesar de seus grandes problemas, é mesmo sua alma gêmea. Sua luz no fim do mundo, com os 18 anos de amizade por cartas. Você sobreviveu. Viveu, aprendeu e nasceu de novo por conta de uma amizade. Fazer amigos é difícil, cultivá-los é um trabalho diário, incessável e recompensador. Se parece mas não é amigo, nem perca seu tempo. Você já sabe como é.

Querido, Max Jerry Horovitz.


Você já nos seus 44 anos se deparou com um anjo chamado Mary. Sua vida, até então em branco e preto, floria com cores. Uma criança para você chamar de filha. Você cuidou dela, mesmo que de bem longe, como de uma filha. A amizade entre vocês passou por muitos entreveros, mas a empatia foi enorme. Taxem-no de maluco, doidão, pirado, louco. Deixem que o façam, você é mais são que a maioria dos seres humanos que vivem nesse planeta. Apesar de sua síndrome, fique calmo. Sua vida solitária é muito mais entretida do que daqueles cheio de sanguessugas a sua volta. Mary é única: amiga, companheira, pessoa. Você conseguiu salvar a vida de uma menina. Você nos Estados Unidos conseguiu encontrar do outro lado do mundo um amigo eterno. Só uma carta para conseguir me comunicar com você. Espero que leia, esteja aonde estiver.


Com melancolia nunca antes vista em desenhos, essa animação em stop-motion emociona e demonstra a verdadeira razão de existir uma amizade. Por vários anos cartas foram sua demonstração de afeto. A vida não tinha razão de ser sem elas, tornava-se cada vez mais sem graça e modorrenta e só ganhava luz quando o carteiro chegava. Trocas de experiências, gostos, chocolates, perdas e tristezas, aliviavam o peso do medo incorporado na vida dos dois. Uma animação sensacional, que em alguns momentos se torna cansativa por conta de sua narrativa única mas que encanta sem pedir licença.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Thor

Nome Original: Thor
Diretor: Kenneth Branagh
Ano: 2011
País: Reino Unido
Elenco: Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Natalie Portman, Rene Russo, Tom Hiddleston e Stellan Skarsgård
Sem Prêmios
Thor (2011) on IMDb


Surpreendente. Começo assim, pois normalmente eu abominaria filmes desse tipo. Então se você ainda não viu e veio na procura de uma crítica ferrenha e destrutiva sobre mais um filme de super-heróis, pode tirar seu cavalinho da chuva. Também não venha esperando palavras como sensacional, imperdível, ou obra-prima. Nem calça de veludo, nem bunda de fora. “Thor” é uma produção cativante, que envolve e diverte. Apesar de não ser fã ou conhecer profundamente os quadrinhos, na qual acredito que a adaptação cinematográfica fuja da essência, mas não deixa de ser interessante entretenimento.

Odin, pai de Thor e Loki, reina Asgard com muita tranquilidade e diplomacia. Próximo da aposentadoria, Thor é o herdeiro natural, por ser o primogênito e um grande guerreiro. Porém, sua arrogância trás à tona uma guerra que estava hibernando por muito tempo. Irado, Odin o envia para a Terra , juntamente com seu martelo, que só seria reavido caso ele aprendesse a lição. Para felicidade de Loki, sempre renegado, faz de tudo para manter o irmão bem longe e conseguir brilhar para que seu pai lhe dê mais valor. Até aí, nada demais. Se for bem feito, com bons efeitos, tem tudo para ser satisfatório. Mas a ida do Deus do Trovão à Terra faz toda a diferença.


Thor, em território humano, busca saber onde está e só pensa em voltar à Asgard. Mas a sapiência necessária para voltar vem com o tempo e aprendendo a lidar com as pessoas. Ser um gladiador é uma virtude, mas ser ponderado é outra que ele deveria aprender. Os tempos de Thor na Terra são hilários por seu desconhecimento de onde está, por ser totalmente ogro, e por causar calafrios em Jane ( e em todo o restante da platéia feminina do cinema). Jane Foster é a bela pesquisadora que o ajuda a entender onde está e a voltar para Asgard. Aquela coisa de paixão à primeira vista. Impossível ser diferente, pois a escolha de Natalie Portman (dispensa comentários) e do bonito e enorme Chris Hemsworth foi acertadíssima. Além de ter a oportunidade de ver o sempre ótimo Anthony Hopkins como Odin. O restante do elenco é apenas suporte. Apenas o irmão Loki fica devendo com uma atuação fraca do ator Tom Hiddleston.

De idas e vindas à Terra, destruindo inimigos, de trapaças e correções, “Thor” mostra que até nos céus é necessário diplomacia para reinar. Quem diria que até nas mitologias já nos ensinam como fazer para viver em paz no mundo real. O filme é um ótimo passatempo com mensagens, no mínimo, interessantes sobre arrogância, mentiras e política. E para quem não está nem aí para mensagens e gosta de se divertir, é agraciado com a beleza dos atores. Mulheres, vejam sem os maridos ou já avisem antes que não segurarão a baba quando o bonitão aparece sem camisa (ou já comecem vendo a foto abaixo). Aos amantes dos quadrinhos agora é aguardar o “Capitão América” que estréia em breve e o esperado “Os Vingadores” que virá em 2012.


Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Harvey

Nome Original: Harvey
Diretor: Peter McDonald
Ano: 2002
País: Austrália
Elenco: Nicholas Hope e Lisa Angove
Prêmios: Melhor Diretor de Curta no Asia-Pacific Film Festival e Melhor curta pelo Juri Estudantil do Palm Springs International ShortFest.
Harvey (2002) on IMDb


Contos de fadas costumam ser belos, lindos, com personagens sensacionais em busca de uma vida perfeita. A vida real não nos permite isso. Sofremos, perdemos e morremos. Mas fazemos de tudo para viver mais, ganhar mais e sorrir mais. Viver dividindo os problemas e as conquistas fica mais fácil a partir do momento que o suporte emocional de só saber que podemos confiar em alguem sem mesmo olhar para o lado, nos fortalece. A confiança em quem está junto a nós, aumenta nossa expectativa. Mas e quando não se tem nem a si próprio? O egoísmo em encontrar alguem que nos carregue pode causar danos irreversíveis, pode causar o fim.

Esse sensacional curta-metragem de ficção mostra bem como o egocentrismo dos seres humanos pode destruir quem nos rodeia. Um amor não correspondido, quando se é chantageado, morre, torna-se doença. De que adianta ter alguém, mas não ser ninguém? A idéia do diretor Peter McDonald onde vemos um ser com metade de um corpo aficcionado pela sua vizinha, com a idéia de que ela a sua outra metade. Estranho, assustador, angustiante e por vezes sonhador, “Harvey” mostra como o ser humano pode ser um monstro na busca pelo mais belo dos sentimentos. Viver é uma arte. Viver a dois, é uma obra de arte, assim como é “Harvey”.



Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dzi Croquettes



Nome Original: Dzi Croquettes
Diretor: Tatiana Issa e Raphael Alvarez
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco: Dzi Croquettes e depoimentos de Liza Minnelli, Ney Matogrosso, Pedro Cardoso, Gilberto Gil, Miéle, Elke Maravilha, entre outros.
Prêmios: Melhor Documentário (Voto Popular) e Montagem no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, ACIE de Melhor Filme, Melhor Documentário (Voto Popular) no London Brazilian Film Festival, Torino International Glbt Film Festival, Festival Mix Brasil Internacional, 14th Miami Film Festival, Melhor Documentário (Juri Oficial) no LABRFF, Melhor Documentário Juri Oficial e Popular no Festival do Rio, Melhor Documentário Graned Prêmio do Itamaraty e Voto Popular na 33ª Mostra Internacional de São Paulo e Melhor Edição no Festcine de Goiania.
Dzi Croquettes (2009) on IMDb


Uma grande família, diferente de todas que já vimos por aí. 13 pessoas geniais que mudaram toda uma geração com a suavidade de um elefante. Não há como citá-los sem que a palavra revolução seja dita. Seja sexual, política ou artística, Dzi Croquettes mudaram o conceito de liberdade. E, por mistérios que só ocorrem nesse país, estavam totalmente esquecidos, limados da história, jogados no calabouço dos trens que nunca mais voltaram. Mas como uma dádiva, voltam imortalizados por um documentário maravilhoso que faz relembrar (e apresentar ao mais novos, como eu) do sucesso, escândalo e “golpe” que aqueles homens masculinos vestidos com trajes mínimos ou como mulheres que formavam a família Dzi, com pai, mãe, filhos e tudo que se pode.

Logo de cara vemos o caos político que aqueles homens semi-nus causaram no Brasil da Ditadura. Os anos 70 foram os mais criativos e os mais perseguidos da história tupiniquim. Em todas as artes, mas na música, foi ainda mais. Mas o esquema de sensura fazia tudo ficar ainda mais gostoso. Quando os generais viram Dzi pensaram: aí tem algo contra o governo, só falta descobrir o que. Tudo era controlado mas ninguém os segurariam. Toda ação é uma atitude política. A política está em tudo que fazemos (ou deixamos de fazer). Mas eles fizeram, deixaram seu legado e mudaram a história das artes , abalando por aqui e em París, com sua ousadia estética, inovação de comunicação e inteligência dos números. Sartre dizia que o homem é, antes de tudo, livre. Essa máxima só se concretizou quando a avalanche dziquíca contagiou o mundo com a libertinagem que estava na alma de cada um deles. 13 gênios fizeram de sua atitude um novo estilo de vida. Os burgueses se corroeram. Os generais borraram suas calças. A sociedade, respirou por ver um final no fundo do túnel. Vejam o porque:


Depoimentos de Elke Maravilha, Ney Matogrosso, Paulo Cardoso, Gilberto Gil, Marília Pêra, Betty Faria, Miéle, Jorge Fernando, Cláudia Raia, Miguel Falabella e tantos outros (inclusive a figura onipresente de documentário musicais, Nelson Motta). Liza Minnelli dá todo um charme e mostra o quanto foram marcantes quando fala com emoção e carinho da época que conviveu com Lennie Dale e sua trupe. Também vemos os 5 dzis que ainda estão vivos: Claudio Tovar, Ciro Barcelos, Bayard Tonelli, Rogério de Poly e Benedito Lacerda. Depoimentos em forma de lembranças de porta-retrato de uma época que nunca mais viverão. Inspiração, espelho ou admiração, a revolução artistica - teatro e dança - e sexual que Dzi Croquettes causaram mostram o quão importantes eles são na história do nosso país.

O grande mérito do documentário vai além de resgatar do ostracismo o grupo, mas sim em mesclar de forma suave depoimentos e a memória afetiva da diretora. Muito se falou sobre “Santiago” de João Moreira Salles mudar a abordagem e fazer um documentário sobre si próprio através de um personagem. Aqui não conseguimos atingir esse nível, mas há um toque disso pois vai ficando claro através de momentos que quem está ao lado da câmera esteve totalmente envolvido com Dzi Croquettes. Tatiana é filha do do cenógrafo do Dzi, Américo Issa. Como Mariana para Luis Sergio em “Person”, Tatiana homenageia o próprio pai relembrando momentos inesquecíveis em que ficava no teatro vendo tudo aquilo acontecer, in loco, com a alma. Uma alma abençoada com muita purpurina, simbolizando o que ela mesma diz no final.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quatro Casamentos e um Funeral

Nome Original: Four Weddings and a Funeral
Diretor: Mike Newell
Ano: 1994
País: Reino Unido
Elenco: Hugh Grant, Andie MacDowell, Kristin Scott Thomas e John Hanna.
Prêmios: Bafta de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante (Kristin) e Prêmio David Lean pela Direção, César de Melhor Filme Estrangeiro e Globo de Ouro de Melhor Ator - Comédia/Musical.
Quatro Casamentos E Um Funeral (1994) on IMDb

Um grande passo. Talvez não tanto quanto a chegada do homen na lua, mas sem dúvida, individualmente é. Muitos falam mal, mas é inveja dos que falam bem. Eu não sei porque ainda não cheguei lá mas já estou tão perto que consigo sentir a brisa quente e acolhedora desse ritual. A vida parece mais calma com alguém remando junto para o mesmo lado mesmo com toda a tormenta desse mar, que chamamos de vida. Perceba o quão inspirado ficamos, pode chamar de brega, meloso, chatinho ou até de careta, mas o casamento é um dos poucos rituais que ainda me emociona. Imagine-me no meu próprio.



Não estou aqui para falar de mim, mas sim de um filme que jamais havia visto, única e exclusivamente, por conta de minha antipatia por Hugh Grant. Nunca soube exatamente o que me repelia do inglês de olhos azuis, se é sua exalada arrogância, inveja por sua beleza de causar gritinhos das fãs (sim, isso há 15 anos atras) ou se suas atuações que realmente nunca me convenceram. Após ver esse sucesso de público tenho certeza que vi um filme adorável, com suas nuances densas e que representa muito bem uma série de homens que vêem na perpetuação da solteirice o único modo de continuar vivo.

Cheio de referências externas, com personagens totalmente excêntricos num grupo social onde acontecem casamentos como o vírus da gripe se propaga num ambiente fechado. por termos quatro casamentos ocorrendo durante todo o filme, o mais memorável dos momentos é exatamente o funeral de . É impossível ficar incólume diante do poema “Blues Fúnebres” de W.H. Auden proferidas por Matthew, vejam e leiam:


"Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.

Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.

É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante."

Todos choram. Aqui por tristeza.

Charles é o centro de todas as atenções, seja por sempre ser o padrinho, por sempre ter saído com a noiva e com o resto da festa ou pelo fato de finalmente estar apaixonado. Mas como em toda história, quando você quer alguém, invariavelmente esse alguém não pode/quer estar com você, como acontece na vida real. Como que se os deuses nos fizessem pagar nossos pecados em vida. E foi assim entre ele e Carrie. Aos poucos a vida segue mas a lembrança do amor não correspondido ainda persiste em martelar. Mas como estamos em uma comédia romântica, toca a música e tudo se acertará. Leve e marcante.



Merecem citação as atuações das belas Kristin Scott Thomas (do ótimo "Há Tanto Tempo Que te Amo") e Andie MacDowell. Dou meu braço a torcer e admito que Hugh Grant está ótimo como o solteirão na fuga do casamento. Mas minha antipatia ainda está lá, menor, mas está. Mike Newell tem em “Quatro Casamentos e um Funeral” seu auge, numa carreira vasto de filmes apenas corretos.

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um Olhar do Paraíso

Nome Original: The Lovely Bones
Diretor: Peter Jackson
Ano: 2009
País: EUA, Reino Unido e Nova Zelândia
Elenco: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Stanley Tucci e Saoirse Ronan.
Prêmios: IFTA Award, DFWFCA Award, Broadcast Film Critics Association Awards, Saturn Award, Sierra Award, PFCS Award e Virtuoso Award de Melhor Atuação Jovem para Saoirse Ronan.
Um Olhar do Paraíso (2009) on IMDb


Para o céu olhamos à procura de algum sinal, de algo para mudar nosso olhar. Para ver e crer. Para sonhar, voar e viajar para onde quiser. Ao céu pedimos, suplicamos, pedimos tudo o que quisermos. Ele sempre está lá, mas por vezes, de tão automático, até nos esquecemos dele. Aí vem uma chuva pra reclamarmos, mas ele volta a ser o centro das atenções. Mas de lá é que um olhar nos é enviado, com ternura, paz e tranqüilidade. Cada um que creia na sua fé, mas culturalmente sabemos para onde devemos olhar quando a vida pede socorro. E num olhar de criança é que tudo se materializa, em sua pureza, felicidade, esperança. Todos os pequenos dão a alegria de viver, pois vemos que estivemos lá um dia, e essa caminhada serve para que deixemos de ser apenas um ser, para nos tornarmos humanos.


Quem? Quem? Quem consegue interromper uma vida? Quem? Muito mais de uma criança indefesa abençoada por uma auréola invisível e com asas que, como do beija-flor, não vemos de tão rápida que bate. E não apenas a vida, mas os sonhos, a castidade e a paz que vive dentro de um ser tão pequeno. A vida de uma criança é o maior valor pago num jogo da vida imaginário. Custa a vida de uma humanidade. Talvez, pelas maledicências feitas pelos seres (chamados) humanos, seja justo que todos paguemos com a insanidade de acabar com a vida de um semelhante. Que todos morramos quando uma criança vai para o céu, sozinha, para cuidar do que ficou aqui e que ainda chamamos de Terra.

Peter Jackson fez um filme sensível e tocante. Não espere uma superprodução (apesar dos efeitos especiais) como ele está acostumado a fazer (e muito bem). A história da pequena Susie e a busca de sua família na ânsia de achá-la ainda viva causa paúra mental, nos transporta para olharmos de cima, ao lado da pequena a angústia de sua família. Libertá-los do mal que sempre os acompanharão é sua missão. A vida segue e essa é a mensagem mais bela que “Um Olhar do Paraíso” passa. Devemos seguir, apesar da dor. Dificílimo, mas é assim que Susie nos ensina. Um elenco de primeira linha, com a quase-anônima Saoirse Ronan em ótima atuação no centro da história. Grandiosa atuação de Stanley Tucci como vizinho suspeito, causando ódio de tão convincente atuação. A família é composta pelos atores Mark Wahlberg, Rachel Weisz e Susan Sarandon, todos muito bem como coadjuvantes.


“Um Olhar do Paraíso” chega tranqüilo, calmo e belo. Torna-se uma complexa, com exageros emocionais, imagens doloridas, mas, apesar do sofrimento, há uma mensagem bela e de esperança. A vingança existe e só desiste de fazer parte de nossa vida apenas quando a nossa auto-piedade deixa de existir.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Geral

Nome Original: Geral
Diretor: Anna Azevedo
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Geraldinos.
Prêmios: Melhor Curta no Festival Internacional de Documentários do Irã - Cinema Verité e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Melhor Filme - Júri Popular da Panorama Carioca no Curta Cinema, Prêmio Destaque Feminino e Especial do Júri na Competição Internacional no Femina, Prêmio Especial do Júri no Festival do Rio, Melhor Edição no Vitória Cine Vídeo e Melhor Edição de Som e Filme no Cine PE.


Jaz aqui um ser alegre, destemido e que a todo custo fazia a alegria nacional. Geraldino do Maraca.

O fim se aproxima e com ele vão milhares de almas que ficarão apenas fisicamente em outro lugar. Não, o Maracanã não sumirá do mapa mas sua marca registrada já não existe mais. Geraldino é sinônimo de Maracanã. Antes um templo, agora, apenas mais um estádio, cheio de lugares numerados, organizados... burocráticos. A alegria, naturalidade e simpatia que a geral exalava carregava junto do mais feliz de todos. A felicidade se foi. O cimento voltou a ser mal ocupado, onde o cinza ficou ainda mais cinza. Os geraldinos estão órfãos. O Maracanã está morto.

Anna Azevedo conseguiu com esse curta mostrar exatamente os últimos momentos em que o futebol brasileiro ainda respirava momentos de felicidade real, espontaneidade e alegria. Sejam flamenguistas, pó-de-arroz, cruz-maltinos ou fogos, a geral tornou-se habitat do último resquício de alegria no futebol. O resto é organização desorganizada, violência, rivalidade bruta e futebol. Sim, o futebol está lá, mas sem o geraldino, a arte não existe mais. Uma visão de dentro e de fora, com ar melancólico e saudosista diante de um esporte que já foi orgulho nacional. O negócio matou o futebol, matou o geraldino.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Filmes de Casamento

Dia dos Namorados chegando e o estágio seguinte é um passo muito difícil, porém muito gratificante. O casamento é a união definitiva de casais de namorados que buscam um objetivo em comum. Óbvio que nem tudo são flores e os obstáculos sempre aparecerão, mas com muito amor e respeito tudo se torna contornável. Vejam filmes sobre casamentos, os que terminam com final feliz e os que nos revelam dramas inesperados.

O Filho da Noiva


O filme argentino dirigido por Juan José Campanella é uma história de amor sem fim. Tudo ruma ao fundo do poço para Rafael (o ótimo Ricardo Darín). Dono de restaurante, pai ausente, namorado em crise, filho rebelde e tem em Nino, seu pai, seu grande pilar. Nino é um apaixonado por Norma, sua mulher que sofre de Alzheimer. A falta de lembrança não diminui toda a paixão por sua mulher e o sonho de casar ainda persiste. A crise de Rafael é cada vez mais desesperadora, porém com o carinho de seu pai e com a reaproximação da mãe, faz pensar em tudo que está fazendo e dar novos rumos à sua vida. Filme emocionante, com um roteiro cativante. Os hermanos sabem fazer um grande cinema.

4 Casamentos e um Funeral


Um clássico quando o assunto é casamento. Charles (Hugh Grant) é o belo e charmoso solteirão inveterado. Mas no casamento de seus grandes amigos Angus e Laura há uma reviravolta em seus sentimentos mais profundos. A perna bamba e o coração disparado pela americana Carrie foi um sentimento até então inexistente. Infelizmente Carrie voltou ao Estados Unidos, porém seu amor por ela só cresceu, até vê-la num segundo casamento, agora acompanhada por um senhor escocês. Os sentimentos antes inexistentes explodiram e isso é só o começo dessa comédia romântica, com grandes cenas e inesquecível. Vale revê-la.

O Casamento de Rachel

Um casamento, uma família e um destino. Tudo parecia estar mil maravilhas para Rachel, mas a chegada de sua irmã Kym (Anne Hathaway), viciada em drogas, abala todas as aparentes estruturas. Os preparativos foram todos deixados para segundo plano, pois os conflitos familiares tomaram a frente da data mais importante da vida de Rachel. Mas as feridas não podiam ser deixadas abertas. Um filme duro, com grande intensidade, principalmente por conta da câmera na mão do diretor. A impressão de estarmos em uma “guerra” no meio de um casamento é assustador. Mas, como disse, nem tudo são flores. Veja o trailer desse lindo filme.


Depois do Casamento

Susanne Bier é uma diretora dinamarquesa conhecida por retratar bem os melodramas humanos. Em Depois do Casamento ela vai mais fundo. Jacob (o ótimo Mads Mikkelsen) é professor de inglês de um orfanato prestes a ser fechado na Índia. Uma verba oferecida por Jørgen, um milionário dinamarquês, para manter o mesmo aberto torna-se a grande virada na vida de Jacob. Apesar de não compactuar com a frieza e soberba é preciso fazer politicagem, participando dos eventos promovidos pelo milionário, inclusive o casamento de sua filha. Quando chega reconhece a esposa de Jørgen: sua namorada há 2 décadas e que teve um final dramático. E as surpresas apenas começam aí. Grande filme que nos deixa preso à cadeira e atônitos onde nem tudo é o que parece. Tenha um gostinho desse drama pelo trailer.


Parte desta matéria foi veiculada na Revista City Penha, edição 49, de junho de 2011 para embalar o Dia dos Namorados.

Quais outros filmes de casamento você sugere? Comente!
Sessões
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