sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Heleno


Nome Original: Heleno
Diretor: José Henrique Fonseca
Ano: 2011
País: Brasil
Elenco: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Aline Moraes.
Prêmios: Melhor Ator nos Festivais de Havana e Lima.
Heleno (2011) on IMDb


Uma mistura de bebida, éter, autoestima e um pouco de rebeldia podem ser a medida para classificar a vida e morte de Heleno. Um gênio, um incompreendido, um inconsequente? Não é possível descrever a partir do momento em que uma profusão de sentimentos, de loucuras, do absurdo que foi o fenômeno Heleno de Freitas. Mais do que um jogador, mais do que um craque, um pop star, galã, advogado, bon vivant, celebridade nas características mais atuais impossíveis. Um kamikaze em forma de estrela solitária. Um rebelde com causa definida: honra. Nos anos 40 não havia páreo para este que foi o melhor, e ele sabia, e fazia questão de reafirmar. Jogava sozinho, jogava por amor. Isso não existe mais. Não existe e não existirá outro Heleno. 

De ídolo incontestável a companheiro detestável, de gênio a não vencedor, de galã a definhado, de inesquecível para “quem é esse mesmo?”. Como uma vida desregrada pode ser tão penosa a um atleta e até hoje muitos não aproveitam o dom dado para brilhar em campos que tantos querem estrelar. 


 Numa conturbada montagem e direção, podemos dizer que por vezes perdemos o foco ou nos perdemos na cronologia tão curta dos 39 anos que Heleno viveu. Mesmo quem conhece um pouco a história do cinebiografado se perde em alguns momentos, onde estamos refém de referências, legendas ou pela ótima maquiagem feita em Rodrigo. Ficamos inebriados com a beleza das imagens, maquiagem e pela lindíssima fotografia em preto e branco. Ficamos extasiados com Rodrigo Santoro na tela, um galã, um vilão de si mesmo, que faz lembrar que quando é exigido vemos o máximo na tela grande, além de ter um elenco fabuloso ao seu redor. Ficamos entristecidos por não sabermos de verdade quem foi Heleno de Freitas: um louco, um gênio, um perturbado, um louco, um doente. A vida de Heleno foi única, mas únicos foram os momentos em que estava no gramado, onde tudo podia, onde tudo fazia, onde tudo era do jeito que Heleno queria. Heleno, um gênio incompreendido, um louco apaixonado, um perdedor da vida.





 A vida e morte de uma estrela que jamais deixará de brilhar.

Vitor Stefano
Sessões Brasil

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Sindicato de Ladrões

Nome Original: On the Waterfront
Diretor: Elia Kazan
Ano: 1954
País: Estados Unidos
Elenco: Marlon Brando, Lee J. Cobb, Eva Marie Saint, Rod Steiger, Karl Malden e outros.
Prêmios:
Oscar: Melhor Fotografia, Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Atriz Coadjuvante (Eva Marie Saint), Melhor Edição, Melhor Roteiro;
Academia Britânica de Cinema e Televisão: Melhor Ator Estrangeiro (Marlon Brando);
Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Marlon Brando);
Festival Internacional de Veneza: Leão de Prata de Melhor Direção
Globo de Ouro: Melhor Filme – Drama, Melhor Direção, Melhor Ator em um Drama (Marlon Brando), Melhor Fotografia.
Sindicato de Ladrões (1954) on IMDb


Além dos prêmios descritos acima, Sindicato de Ladrões recebeu ainda outros menos famosos. Claro que se trata de um feito, a mim pelo menos constata que crítica e público nos idos da década de 1950 já começavam a apreender de formas distintas as funções e os caminhos que a sétima arte poderia tomar. Quero lembrar mais uma vez que se trata de um filme hollywoodiano e apesar disso, revela que algumas maneiras de filmar vinham cambaleando na terra dos atores que pretendiam negar a lei da gravidade.


O que dizer das grandes proezas do filme e da atualidade que ele estampa? Um sindicato de corruptos. Não sei se isto ainda existe nos dias de século XXI. Será que líderes sindicais ainda pensam em levar proveito próprio usurpando do nome de um coletivo? Será que delatores ainda são perseguidos e mortos porque não aderiram aos preceitos da organização? Será que obediência e medo ainda são fatores de coesão social? Será!? Claro que não, o século novo ficou doce e tem gosto de maçã.

Não sei se Sindicato de Ladrões me pegou em um momento de muita tristeza. Mas, despontou como um dos filmes mais tristes do mundo. Talvez, porque não consigo ver alteração na essência das relações de poder até o presente.

Contudo, além dos meus lamentos é necessário falar da direção do longa que é absolutamente absoluta. Elia Kazan demonstra influências do pai dos signos, Sergei Eisenstein com absoluta essência, ciência e competência. Logo na primeira cena, o clima do filme já está sabiamente constituído. E a última cena? Esta é para ver e rever em quantas vezes o tempo couber. Desta maneira, segue recomendação costumeira: Vejam o filme!

Marlon Brando? Magnificamente, contando trinta anos, Marlon Brando já é um profissional amadurecido. Brando está brandindo e bradando que novos meios de interpretação urdem no cinema. Há uma construção, uma dedicação, uma abnegação em nome de um trabalho artístico. Sua caracterização e transformação na composição do personagem são mais que impressionantes. Que me perdoe o insuperável padrinho, mas penso que Terry Malloy é a melhor aparição do ator.

O vídeo abaixo contém a cena mais examinada pelos iniciados no que se refere à atuação de Marlon Brando. Uma cena indócil, mas se não assistiu ao filme ainda, sugiro que não veja a cena antes, mas a escolha é sua:



Sindicato de Ladrões é uma obra-prima. Mediante isto, qualquer texto fica aquém do objeto que ele representa. Então, o que fica melhor expresso é o desejo e o esforço de apresentar e incentivar a busca por esta cultura do que uma análise das dimensões e possibilidades que o cinema propõe. Um exercício difícil, mas realizado com todo respeito. Comentários são muito bem vindos e podem fazer com que se melhore a qualidade dos posts.

Leandro Antonio
Sessões

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

À Beira do Caminho


Nome Original: À Beira do Caminho
Diretor: Breno Silveira
Ano: 2012
País: Brasil
Elenco: João Miguel, Vinícius Nascimento, Dira Paes, Ângelo Antônio, Ludmila Rosa e Denise Weinberg.
Prêmio: Melhor Filme, Melhor Ator (João Miguel), Melhor Ator Coadjuvante (Vinícius Nascimento), Melhor Roteiro, Melhor Filme no Juri Popular e Troféu Gilberto Freire (valorização da identidade nacional) no Cine PE.
À Beira do Caminho (2012) on IMDb

“Quando a saudade não cabe no peito ela transborda pelos olhos”.



Fugir. Não há como não, ao menos, pensar nisso quando estamos diante de um obstáculo. Fechar-se para o mundo quando o peso de um erro cai nas suas costas é algo natural dos seres humanos. A depressão está mais próximo do que todos nós imaginamos. A fragilidade de nossos sentimentos é mais pulsante do que podemos imaginar. Podemos ser alvejados por lágrimas ao ver um cão na rua, uma criança fazendo malabares, uma folha que voa, um pássaro sem casa, uma canção de Roberto, um filme melodramático. Quando feito no momento certo, com o tom correto, com os elementos encaixados estamos despidos e vulneráveis a ter nossos sentimentos mais enrustidos aflorados como um girassol para o sol. “À Beira do Caminho” pode ser piegas, clichê e até melodramático, mas consegue prender, faz sofrer e até chorar por sua capacidade de fisgar o espectador à tela grande com elementos básicos e simples: a amizade, a solidão e a fraternidade.


João é um caminhoneiro que, como muitos outros, roda o país solitariamente, onde suas únicas companhias são o seu caminhão e suas lembranças. Mas há algo mais que o perturba. Não se mistura, não vai atrás de mulheres fáceis, João prefere parar num boteco qualquer, tomar a sua cerveja e afogar as mágoas que o passado lhe atribuiu. Caronas são absolutamente comuns no interior, mas a presença de Duda, uma criança em busca de um pai na caçamba deste caminhão, nada agradou ao amargurado motorista. Mas mostrando um pouco de luz, ele concede em levar o menino à cidade mais próxima. Sem falar muito, João é abarrotado de perguntas e questionamentos de uma criança que só quer tentar entender esse mundo que tanto maltrata os corações. Entre caminhos áridos e solitários do sertão nordestino, temos flashes com dicas do que poderia causar tanto sofrer a João. Duda é o acaso, a salvação, um anjo na vida dele, sempre embalados pelas músicas de Roberto. 

Só posso chegar a uma conclusão: Breno Silveira sabe como contar uma história. O próprio Breno definiu muito bem o seu filme como singelo, mas que consegue captar a alma de quem vê, assim como quem ouve as musicas do Rei. Um filme em forma de música ou em forma de frase de para-choque de caminhão. Falar de João Miguel é ser redundante. É cada vez melhor, mais profundo, mais intenso. Dira Paes, Ludmila Rosa, Denise Weinberg e Ângelo Antônio tem participação muito pequena, mas bem fluida com a história. O grande destaque vai para o menino Vinicius Nascimento, que é absolutamente cativante. Crianças costumam ser o ponto franco de filmes por parecerem forçadas ou fora daquele ambiente, mas Vinícius como Duda está fantástico. Uma das melhores atuações mirins que já vi. Belo e singelo com o filme em si. A fotografia é outro ponto de destaque com as belas imagens do árido ao caos urbano, indo de encontro à composição do personagem João.


“Viver é desenhar sem borracha”.

“Carros, caminhões, poeira
Estrada, tudo, tudo, tudo
Se confunde em minha mente
Minha sombra me acompanha
E vê que eu
Estou morrendo lentamente...

Só você não vê que eu
Não posso mais
Ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira
Por você
Sentado à beira do caminho...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...”
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 19 de agosto de 2012

Sessões de Fotos

Com sua fotogenia, Marlon Brando inspirou este blog a criar álbuns fotográficos de seus homenageados. Sobram boas fotos, todas retiradas da internet.



















O que pensam sobre a estética preto e branco?

Leandro Antonio
Sessões

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Uma Rua Chamada Pecado

Nome Original: A Streetcar Named Desire
Diretor: Elia Kazan
Ano: 1951
País: Estados Unidos
Elenco: Vivien Leigh, Marlon Brando, Kim Hunter, Karl Malden
Prêmios: Oscar de Melhor Atriz (Vivien Leigh), Melhor Atriz Coadjuvante (Kim Hunter), Melhor Ator Coadjuvante (Karl Malden) e Melhor Direção de Arte. Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Kim Hunter). Prêmio do Júri e o prêmio de Melhor Atriz (Vivien Leigh), no Festival de Veneza.
Uma Rua Chamada Pecado (1951) on IMDb



Para ser melhor seduzido por este bonde que se chama desejo é necessário fazer o exercício de se imaginar em 1951, ano de lançamento deste filme escandaloso. Em toda década de 1950, os grandes musicais estavam bombando em Hollywood, o American Way of Life era exposto ao mundo via cinema, enquanto na Europa começavam movimentos cinematográficos em que os trabalhos de direção tornam-se muito mais notáveis, o tal de Rock' n Roll, a TV, a recém finda Guerra. Para ter um aperitivo bem substancial do que era o cinema daquela época, sugiro dar uma olhada e buscar os filmes elencados pelo amigo Armando do blog Listas de 10. Os filmes escolhidos por ele para ilustrar os anos 1950 revelam um, ao menos para mim, um panorama de crise das motivações para filmar. Quais histórias precisariam ser contadas? Será que o cinema ainda precisa contar histórias? Que mundo os projetores vão refletir? A crise se estabelece no sentido de que novidades estavam prestes a rebentar,mas isto dependia da morte do que parecia inerente, algo silenciosamente agonizava.Talvez estejamos falando aqui em uma época em que as maneiras de ver o mundo se modificavam. Penso ser possível ir fundo nas ideias da mudança daquela época através do que apresentava o cinema.

 Enfim, esta breve e tosca síntese histórica serve neste post apenas para alertar o escarcéu que representou "Uma Rua Chamada Pecado" no ano de seu lançamento. Um filme dos estúdios Warner que tem como temas e subtemas a família desintegrada, sexo pelo sexo, o trato da mulher pela sociedade, a miséria intelectual e material em que viviam muitos norte-americanos, as condições do trabalho nas cidades - um filme que muitas vezes beira o hiperrealismo. Evidentemente, o filme revela muito mais e, como de costume, minha pretensão não é negar o prazer da supresa e da experiência do cinema, a quem lê um post na internet, ou seja, vejam o filme. O vídeo abaixo não está legendado, mas registra o primeiro encontro entre os principais personagens. Um das cenas que entra para qualquer antologia de qualquer cinéfilo:

   

De certa maneira, sendo muito simples, o adjetivo que me vem à memória quando penso no filme é ousadia. Esta ousadia é pontuada pelas escolhas que o diretor Elia Kazan faz com relação ao elenco e condução das cenas.

Qualquer espectador que tenha registrada a imagem de Scarlet O'hara fica surpreso com a aparência fragilizada e o envelhecimento de Vivien Leigh, embora muitos afirmem que o papel de Blanche DuBois só lhe foi proposto por questões de bilheteria, sua adequação ao papel é evidente.

No que diz respeito a Brando, qualquer espectador sente estranhamento, atração, admiração, ou tudo isto junto misturado ou separado, pelo tipo de ator que inaugura na telas. Aliás, o que dizer do jovem Marlon Brando? Seu segundo filme já o coloca no panteão. Inexperiente, mas já é uma lenda da atuação, da fotogenia, da beleza masculina, da composição de tipos. Suas aparições como Stanley Kowalski são de fazer qualquer um rever o que significa masculinidade, além de criar uma relação de amor e ódio, desejo e repulsa, dor e gozo, pena e raiva. Uma completa ambiguidade que representa de certa maneira as transições a que me referi no início do texto. O mocinho norte-americano com seu sapateado e sorriso refrigerante começava a agonizar nas mãos de um homem bruto que após um dia de árduo trabalho não tinha pretextos para cantar e dançar.




Leandro Antonio
Sessões

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Menos que Nada


Nome Original: Menos que Nada
Diretor: Carlos Gerbase
Ano: 2012
País: Brasil
Elenco: Felipe Kannenberg, Branca Messina, Rosanne Mulholland, Maria Manoella, Carla Cassapo, Roberto Oliveira e Artur José Pinto.
Sem Prêmios.

Menos que nada (2012) on IMDb

A história de Dante é pacata, bem tranquila, por vezes até sem graça. Mas algo não está certo. O vemos depois de um tempo num hospital psiquiátrico aos cuidados de uma médica em residência que busca nele seu estudo de conclusão de curso. Vê que atrás da esquizofrenia de Dante pode haver algo maior, algo obscuro no passado dele. A partir daí, a Dra. Paula vai atrás de pessoas que tiveram alguma ligação com esse paciente sem melhoras. Vemos entrevistas com a ex-professora, com a namorada da infância, com uma arqueóloga e com seu pai. Entre as entrevistas temos revelações, idas e vindas, mentiras e um suspense é criado, tendo em vista que o personagem principal nada diz.


Rápido e objetivo: “Menos que Nada” é um filme de suspense psicológico, abordando um tema difícil e que normalmente cai em descredito pelos exageros ou pelas atuações forçadas. O ambiente de manicômio quando retratado, pode levar uma boa ideia a uma patetada. A esquizofrenia pode parecer tão irreal que o Didi Mocó pode parecer mais sério do que uma péssima retratação de uma doença mental. Não, isso não acontece aqui. A direção é correta, com poucos deslizes e com atores desconhecidos, mas que criam uma rapidamente uma empatia com a tela. Rosanne Mulholland é a única figura já conhecida dos filmes b “A Concepção” e “Falsa Loura”. Felipe Kannenberg, que interpreta Dante, consegue ir da sanidade ao irreconhecível com uma facilidade grande. Há derrapadas, mas quem é que nunca tropeçou? 
 
Ver o mundo em 360º como vemos os personagens em alguns momentos são indícios de que temos que sempre ver todos os lados das situações. A vida mais monótona pode ter sido, em algum momento, a mais ousada de todas. 


Num mundo cheio de inverdades, as mentiras para uns tem mais dor do que as falsidades de outros. Num mundo com muita infidelidade, há esperança no amor eterno. Num mundo de dramas humanos, o suspense pode ser mais cruel do que a verdade. Num mundo de cinemas lotados de super-heróis e matadores, vemos uma atitude ousada ao lançar o filme em diversas plataformas concomitantemente. A ousadia fala alto e chama a atenção, não apenas pela ação incomum, mas também pela grande qualidade da trama e com menção especial à excelente montagem. 

“Menos que Nada” é mais que muita coisa que chega às telas, escondido, quase transparente. Dia 20/07/2012 ele foi lançado diretamente no cinema, colocado à venda em DVD, transmitido pelo Canal Brasil e pode ser visto a qualquer hora, de graça, pela internet faz dele um case de sucesso e que pode mudar um pouco nosso pensamento de como fazer os filmes nacionais de poucos recursos terem alguma repercussão, chamar a atenção de um público encabrestado.  O cinema nacional precisa de ideias novas, pensamentos diferentes, de ousadia. 

O filme está aí para ser visto a qualquer hora, qualquer momento na Internet - http://sundaytv.terra.com.br/Web/Videos/Filme/35977/Menos-Que-Nada.htm.

Vitor Stefano
Sessões Brasil

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Noel – Poeta da Vila

Nome original: Noel – Poeta da Vila
Diretor: Ricardo Van Steen
Ano: 2006
País: Brasil
Elenco: Rafael Raposo, Camila Pitanga, Lidiane Borges, Paulo César Peréio, Jonathan Haagensen.
Prêmios: Melhor Direção de Arte, Melhor Edição de Som e o Prêmio Especial "Orgulho de Ser Brasileiro" no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, Melhor Filme - Júri Popular, na Mostra de Tiradentes.
Noel - Poeta da Vila (2006) on IMDb


Ter um ícone nacional retratado na grande tela não é algo muito comum no cinema brasileiro. A falta de coragem ou de interesse pelos nomes que marcaram o país muito me encafifa. E mesmo os que já foram feitos, comumente eles não tem impacto ou apelo do público. O brasileiro prefere ver as histórias dos heróis dos outros ou daqueles interplanetários e imaginários do que das nossas raízes. Queremos mais, queremos nossos heróis, anti-heróis. Queremos o Brasil cuspido e escarrado na telona. Queremos nossos grandes nomes. Queremos outros Noels.



A casta Ceci encontrou seu Peri em Noel, como o guerreiro vermelho em pele de branco e fazendo coisas de negro. Mesmo muito debilitado pela tuberculose ele não media esforços para que o prazer de viver estivesse acima de tudo. O coito entre os apaixonados onde as máscaras protegem e distanciam é um marco no cinema – nunca antes vi uma cena de sexo tão plasticamente bela. Uma paixão que não resultou em casamento. Noel já estava casado, e não com a mãe de seu filho, mas com a vida boêmia. O seu verdadeiro filho é o samba que ainda hoje o consagra. Quem imagina que a vida nos anos 20 era pacata e monótona, não sabia o que era a noite carioca ao lado dos eternos Noel, Cartola, Mario Lago e Araci de Almeida. A nata do nosso maior patrimônio musical começou nos botequins, bordeis e casebres da antiga capital sob a batuta dos nossos eternos poetas. Noel, um grande nome, uma história marcante.


 A música do Brasil é um dos nossos maiores marcos no mundo, e com o poeta da vila, tudo fica mais belo quando os acordes saem como componente de uma música que é a cara desse país. A vida de Noel precisa ser vista, revista, precisamos mesmo é olhar para o espelho e vermos, abraçarmos o Brasil. Que tenham ambição de fazer mais filmes sobre nossos ícones. Malandro? Gênio? O que importa é que você agora sabe como nasce um samba.

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Caminho da Copa

Nome Original:A Caminho da Copa
Direção:Carolina Caffé e Florence Rodrigues
Ano de Lançamento:2012


Eu achei esse vídeo hoje de manhã no Le Monde Diplomatique Brasil e não conseguiria desligar o computador sem divulgar esse documentário no Sessões.
O documentário é dirigido por Carolina Caffé e Florence Rodrigues e mostra que por trás de toda a beleza e felicidade de sermos anfitriões da Copa de 2014 o modo pelo qual estamos construindo nossa Copa deixa muito a desejar.
Parece até coisa de brasileiro que consegue uma coisa e tem de estragar outras pra que a primeira dê certo. O vídeo me causou um mal estar enorme e posto pra saber a opinião de vocês. É bom notar que não se tem visto este vídeo no Youtube,muito menos nos meios de comunicação em massa o que não surpreende mas é sintomático de como as pautas atendem interesses outros,distantes da população mais pobre e,portanto,distantes do próprio Brasil.
Começamos mal. O vídeo é curto se puderem divulguem!



Fernando Moreira dos Santos
Sessões Brasil

http://www.polisdigital.com.br/
http://www.polis.org.br/

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Missão do Gerente de Recursos Humanos

Nome Original:  שליחותו של הממונה על משאבי אנוש
Diretor: Eran Riklis
Ano: 2010
País: Israel, Alemanha, França e Romênia
Elenco: Mark Ivanir, Noah Silver, Gila Almagor, Reymond Amsalem.
Prêmios: Melhor Diretor, Filme, Roteiro, Som e Atriz Coadjuvante (Rosina Kambus) do Prêmio da Academia Israelense e Prêmio da Audiência no Festival Internacional de Locarno.

A Missão do Gerente de Recursos Humanos (2010) on IMDb





Há diversos atrativos para ver “A Missão do Gerente de Recursos Humano”, mas que, sem dúvidas, começa pelo seu incomum, longo e original nome. Há filmes que criam uma empatia e uma vontade de ver só ao ler ou ouvir seu nome. Dá um comichão, uma revolução interna no cérebro que cria a vontade de ver.  Deu até vontade de fazer uma listagem com os nomes mais incomuns do cinema (a pensar). Mas voltando para os atrativos, há ainda a informação que o filme é do mesmo diretor do ótimo "Lemon Tree", Eran Riklis, de um cinema que não tem tanta exposição por aqui, mas que sabe conquistar. O israelense coloca questões mundiais dentro de um mundo a parte de tudo que vemos por aí, com a cara de qualquer cidade no mundo. A vida dentro de um país tão novo, tão odiado, tão protegido pode ser mais comum do que imaginamos através do cinema que se faz por lá. O cinema realmente quebra barreiras.

E tudo começa por conta da morte de Yulia Petrack. Estrangeira vinda do leste europeu que abandonou tudo, marido, pais e filho para viver em Jerusalém. Ela trabalhava na maior panificadora de Israel e foi mais uma falecida em ataques de homens-bombas. Por um erro do gerente noturno, não comunicou ao RH que havia desligado a empregada da empresa. Investigando a fundo, o Gerente de Recursos Humanos passa a ser alvo de reportagens por conta da falta de humanidade com a funcionária, que apesar se sentir em casa na cidade, não tinha nenhum parente consigo. Por obrigação legal a contratante é a responsável pela funcionária, ou melhor, pelo corpo dela. Aí começa uma aventura para levar Yulia para casa. 


Ao chegar ao seu destino, o Gerente de RH se depara com uma burocracia absurda, um país miserável, uma língua indiscernível, a dificuldade de fazer com que a sua família aceite o ocorrido. Tudo passa de trágico a cômico a partir do momento da chegada e que avistamos a cônsul israelense e com as tramoias que são necessárias para fazer com o corpo de Yulia chegue ao destino. Mas que destino? Numa corrida contra o improvável, vemos uma espécie de “Pequena Miss Sunshine” no inferno comunista, onde Kombi e tanque de Guerra foram utilizados para que o cortejo chegasse à casa de sua mãe. A vida do Gerente de RH que passa pela transformação forçada de indiferente a caridoso, deixa sua casa em crise, mas enche de esperanças a mente de sua filha, que vê o pai tendo uma atitude linda ao levar sua funcionária, terrivelmente morta ao seu berço. Entre idas e vindas, o que realmente importa é o que a pessoa fez em vida.

“A Missão do Gerente de Recursos Humanos”, só pelo nome, tem tudo para ser um filme didático sobre essa função corporativa que é cada vez mais atual num mundo tão competitivo, mas é um filme doce e leve, apesar de toda a temática densa e surreal, apesar do realismo. Ver pessoas sem nome, países não identificados, cultura nunca vista, estamos em território comum, vendo pessoas comuns, fazendo coisas que comumente vemos ao andar pelas ruas. O medo faz com que a vida seja menos vivida do que deveria, mas a vida de um Gerente de RH pode ser muito mais excitante do que deve ser. Um filme singelo, belo e capaz de fazer chorar e rir, só para deixar a vida mais leve.


Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Fogo brando

Para iniciar as honras ao mês Marlon Brando aqui no Sessões é pontual lembrar e revisitar o que já foi escrito sobre o ator e sua obra qui no Sessões. Aliás, o primeiro filme postado aqui em 2008 foi, não por acaso, O Poderoso Chefão.




Em 2009, rolou a eleição do mais belo ator do cinema e Brando figurou na lista com seus atributos testosterônicos.

Em 2010, avançado um de pouco tempo; Fernando Moreira dos Santos, ao cheirar gasolina pela manhã, escreve sobre Apocalipse Now.





Em agosto, mais Marlon Brando, mais Sessões e menos brandura.

Leandro Antonio
Sessões
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...