quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Fruitvale Station - A Última Parada





Nome Original: Fruitvale Station
Ano: 2013
Diretor: Ryan Coogler
País: EUA
Elenco: Michael B. Jordan, Melonie Diaz e Octavia Spencer.
Prêmios: Un Certain Regard – Avenir Prize no Festival de Cannes, Gotham Awards de Lançamento e Diretor Novato, Melhor Filme da Audiência e do Juri no Festival de Sundance.
Fruitvale Station: A Última Parada (2013) on IMDb


Um neguinho morto na estação do metrô. Um pobre a menos no mundo. Um policial cumprindo suas ordens. Um a menos para politicas sociais, mas infelizmente ele tinha um filho, que será amparado pelo Governo. Um drogado e traficante a menos para viciar a população. Ainda bem que contamos mais um número. A vida dele pouco me importava. Vinte e poucos anos e já tinha uma ficha criminal tão grande. O que seria? Um mendigo ou pedinte ou drogado ou morador de rua ou tudo isso junto. Pra que serve esse tipo de gente? Porque o mundo se comove com pessoas (se é que podemos chamar assim) que não dão nada em troca. Um peso morto, um faminto que teremos que alimentar. Teríamos. E ainda negro. Com uma família negra. Com sangre negro. Com vida negra. Negra como a cinza gerada pelo fogo do inferno onde todos estarão um dia. Alvejá-lo no metro é pouco. Deveria ir a pé, sem tocar em ninguém. Sem viver com ninguém, a não se de sua aldeia. Sua morte precoce era uma certeza. E a certeza que tenho é que essa porra tá toda errada, caralho. Não veja o trailer. Veja a cena real:




Ver a cena real é maravilhoso, infelizmente. Ela é que dá toda uma tensão ao filme e dá base ao que a ficção tenta mostrar. Endeusar ou martirizar é um erro, mas é de um impacto tão absurdo ver as pessoas velando a estação um ano após a morte de Oscar Grant III aos 22 anos de idade no retorno do réveillon de 2008 na semana que foi demitido que é impossível não ficar tocado. Era um dia em que pensava em recomeçar a vida de forma honesta. Era um dia que iria trabalhar para cuidar de sua filha e esposa. Era um dia que queria comemorar a chegada do novo ano e que fosse diferente. Era. Oscar virou um mártir. O diretor Ryan Coogler, estreante e com o potencial da história chamou atenção em Sundance. É um filme independente com cara de independente, talvez por isso despertou tanta atenção. Claro que a atuação de Michael B. Jordan dá todo o aval ao personagem. Num país com falta de heróis reais, Oscar estará num altar eternamente (até o próximo neguinho morrer). 


Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sessões Promoção - Gloria - Promoção Encerrada

PROMOÇÃO ENCERRADA!

O cinema latino-americano é um dos mais ricos do planeta. Claro que junto ao brasileiro, o argentino, uruguaio e o chileno dão corpo a um estilo próprio de histórias sofridas de povos que amam a vida. Mas o cinema chileno vem se destacando na última década vencendo diversos prêmios de festivais gabaritados.

Aí entra "Glória" de Sebastián Lelio, filme chileno vencedor de 3 prêmios no Festival de Berlim de 2013 - Prêmio do Juri Ecumênico, Prize of the Guild of German Art House Cinemas e Melhor Atriz para Paulina García, que vive a personagem do nome do filme. 

Veja o trailer:


Excelente o trailer, não? Ficou com vontade de ver nos cinemas? Para concorrer é fácil. Os dois primeiros a responderem levarão um par de ingressos para ver "Glória" nos cinemas. 

PERGUNTA: Qual o melhor filme chileno que você já viu? Porque?

Então corra e não perca a chance de ver mais esse grande filme nos cinemas. O filme estreia no circuito nessa sexta (31/01/2014). Essa é mais uma promoção com a parceria da Imovision, sempre trazendo o melhor do cinema mundial para nosso país.


Equipe Sessões

P.S.: Camila e Gustavo, entrem em contato para que enviemos os ingressos para vocês verem esse grande filme.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Transeunte

Nome Original: Transeunte
Ano: 2010
Diretor: Eryk Rocha
País: Brasil
Elenco: Fernando Bezerra.
Prêmios: Premio Troféu da cidade de Gramado e Prêmio dos estudantes de cinema do Festival de Gramado, Melhor filme pelo júri Jovem - Panorama internacional de salvador, Menção honrosa para Fernando Bezerra, Premio Abraccine de Melhor longa metragem brasileiro de 2011. Premio APCA – Melhor Ator (Fernando Bezerra ) e Premio melhor ópera prima no festival internacional de Guadalajara.


Erik Rocha me chamou atenção no documentário “Rocha que Voa”, onde retrata a vida do pai numa mistura de cenas resgatadas, a lembrança de Cuba e devaneios dos pensamentos do dito melhor cineasta brasileiro de todos os tempos. E durante todo o filme há nuances de poesia filmada o que me causou encantamento. O documentarista arriscou em seu primeiro filme de ficção, usando dessa beleza retumbante de sensibilidade impar ao acompanhar de perto a vida de Expedito. Comparar com o pai é impossível, não pela qualidade, mas sim pela dificuldade de comparar épocas tão distintas. Erik começa a trilhar um rumo interessante, sempre à sombra do pai, mas com brilho próprio.


Vemos por quase todos os frames Expedito. Ele não sai de nossa tela. Por vezes a tela quase o engole, ou entramos em um de seus poros na pele já judiada pela idade. Pouco sabemos do velho senhor, a não ser que é viúvo, mora sozinho e no Rio de Janeiro. Nem seu nome sabemos, pois ele se apresenta apenas aos 22 minutos do filme, onde a primeira palavra é dita. Quem está lendo e chegou até aqui, já imagina que o filme é monótono, chato, lento e sem razão. Calma, leia mais. Expedito tem em seu rádio o grande amigo. Ouve músicas, notícias e o seu Flamengo jogar. Vivemos a vida inteira para saber viver na solidão da idade. Expedito está em adaptação. Não há amigos, não há filhos, não há mais ninguém. Caminha pela cidade sem rumo definido, para num bar, vai ao Maracanã, pelo centro histórico, mas não há abertura para criar um vínculo com outras pessoas. O retorno para casa é a única certeza. Expedito quer se abrir, mas para que? A idade já está nele. A vida já passou. Agora é viver para morrer.


Mas, porque não se abrir. Fernando Bezerra vive Expedito numa atuação sublime. Seu olhar diz tudo o que não fala. Há momentos em que seus gestos me lembram o personagem de outro documentário, “Santiago” de João Moreira Salles. Não a personalidade do mordomo, mas sim aqueles gestos belos, em câmera lenta. Há em “Transeunte” um tom documental claro, onde um único personagem é retratado, mas Expedito é o retrato de milhares de idosos que chegam a um ponto da vida em que olham em seu redor e nada veem. Ao ser apenas mais um numa cidade cosmopolita, torna-se parte do cenário, parte importante, e quando não mais estiver, fará falta. Erik arrisca e acerta. Claro que é um filme para poucos, difícil, por partes monótono mesmo, mas qual vida não é monótona? A beleza do branco e preto e a câmera junto ao personagem nos dão a impressão de que Expedito é nosso avô. Por isso quem ainda tiver um, fique mais perto e não deixe que ele seja tão só.



Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sessões Promoção - Alabama Monroe - PROMOÇÃO ENCERRADA

PROMOÇÃO ENCERRADA! 

O nome é americano. O bluegrass que o personagem principal toca é americano. A mulher do filme parece saída do Miami Ink. Parece um filme independente americano. "Alabama Monroe" não é estadounidense. O drama dirigido por Felix van Groeningen surpreende por ter tantos elementos que levam a pensar em ser dos EUA, mas apenas as influências dos personagens é que chegam a isso. Veja o trailer e perceba, se não fosse a língua, que seria algum filme saído de Sundance.


Lindo o trailer, não. Imagine o filme. Até o poster é belíssimo. Aí você pergunta, de onde raios é esse filme?  Essa é uma boa pergunta.

Bom, mas não vou responder. Então para participar é fácil. O primeiro que responder nos comentários desse post de qual país é "Alabama Monroe", levará um par de ingressos para ver esse concorrente ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Corre! Rápido!

Não esqueça de se identificar para enviarmos o prêmio.

Essa é mais uma promo com a parceria da Imovision, que sempre vem para aumentar o nível do cinema que vemos por aí.

Equipe do Sessões

P.S.: O primeiro a responder foi Ana Praconi. Parabéns. Entraremos em contato para enviar o par de ingressos. Obrigado a todos pela participação.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sessões Dupla - Turnê e Magic Mike

Nome Original: Tournée / Magic Mike
Ano: 2010 / 2012
Diretor: Mathieu Amalric / Steven Soderbergh
País: França /EUA
Elenco: Mathieu Amalric, Miranda Colclasure, Dirty Martini e Suzanne Ramsey / Channing Tatum, Matthew McConaughey e Olivia Munn.
Prêmios: Melhor Diretor e FIPRESCI do Festival de Cannes / Melhor Ator Coadjuvante no Independent Spirit Award (Matthew).

Turnê (2010) on IMDb
Magic Mike (2012) on IMDb

Desde que vi “O Escafandro e a Borboleta” me interessei instantaneamente e intensamente por Mathieu Amalric. Como não se encantar pelo personagem e pelo ator detrás daquele personagem tão marcante. A partir daí consegui descobrir que ele é um dos maiores atores da atualidade e de sua geração. “Turnê” apareceu como um acaso na minha tela, interessou, instigou e prendeu como um chiclete. Além de ser o protagonista é o diretor desse filme que exalta e corrompe o novo burlesco, com aquelas performances de pin-ups pouco sensuais, uns loucos muito loucos, plateias cheias em uma terra desconhecida, com o drama do dono da trupe. A casa deles é o palco.

Em “Magic Mike” não é diferente. A casa deles é o palco, mas o tipo de show é absolutamente diferente. Esse é exclusivo para as mulheres. Corpos esculpidos, danças sensuais, atiçando a plateia ensandecida com o gingado e rebolar dos dançarinos. Claro que não é apenas o show, senão era mais fácil ir ao Clube das Mulheres. Temos todo um drama de drogas e um romance para balancear a trama. A loucura de uns pode complicar outros que tem o sonho de sair dessa vida. A vida “fácil” é cada vez mais difícil enquanto ainda paga suas contas, mas há perspectiva de futuro.



A comparação entre ambos é clara por terem sido lançados com pouco tempo de diferença aqui no Brasil, mas é claro que o público que buscam é diferente até pelo olhar mais complexo de “Turnê” e um pouco mais leve de “Magic Mike”. Ambos conseguem imprimir bom ritmo (sem o trocadilho) intercalando as apresentações com os dramas e/ou romances. Mas a graça de um é diferente da do outro.

“Magic Mike” tornou-se obrigatório para as mulheres por conta dos homens sarados e pelo bom romance criado, mas não deve ser descartado pelos homens. É, no mínimo, divertido e bom entretenimento. O destaque é certamente Channing Tatum que era dançarino e foi descoberto em um palco bem parecido com o que atua na pele de Magic Mike. “Turnê” não é indispensável aos homens. É mais profundo na melancolia das danças, da falta de perspectiva, dos problemas pessoais ultrapassando os limites possíveis. Vai além do estrelato do palco. Vai além do inferno astral. Vai além da vida.

Vitor Stefano
Sessões
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