segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sessões Promoção: Medianeras

PROMOÇÃO ENCERRADA!


Medianeras?

Mas que raios é Medianeras?
















































Quer ver Medianeras, seja lá o que isso for? As três respostas mais criativas levam um ingresso cada do filme “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual”. Veja o trailer e então solte sua mediana criatividade, comente esse post e medie essa dúvida.


Não se esqueça de identificar-se com e-mail e nome para entrarmos em contato com os vencedores. A criatividade será mediada pelos membros do Sessões.

Lembrando que é preciso correr, pois são válidos somente os comentários postados até as 17 horas da sexta-feira, dia 02/09/2011, data da estréia oficial do filme “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual” no Brasil.

Os vencedores serão comunicados por e-mail e deverão fornecer endereço para receberem seus ingressos (ingressos válidos de segunda a quinta-feira, exceto feriados. Aceito em todas as salas onde o filme estiver em exibição em território brasileiro, exceto Cinemark Iguatemi, Circuito Araújo e Grupo Estação. Promoção não cumulativa. Sujeito a lotação das salas e a venda do mesmo é proibida).

Não perca a chance e leve o seu ingresso com um comentário acima da média.

PS:

Após análise mediana de nossos mediocres mediadores, seguem os eleitos como os melhores entre os comentários:

Alexandre Caetano
Fábio do @cinemacombr
Luiz Félix Krüger Neto

Aos vencedores, parabéns e nosso muito obrigado aos participantes... E depois de nosso post de Medianeras, comentem...

Equipe Sessões.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Helter Skelter

Nome Original: Helter Skelter
Ano: 2004
Direção: John Gray
País: EUA
Elenco: Jeremy Davies, Clea DuVall, Allison Smith.
Sem Prêmios
Helter Skelter (2004) on IMDb

Matar ou morrer. Viver para acordar, sobreviver e morrer. Se não há uma ideologia, um identidade, uma verdade ou uma crença - não estou falando de religião - de nada adianta acordar todos os dias pensando apenas na hora de voltar para a cama. Acreditar num mundo particular e disseminá-lo aos seus iguais à sua volta é um potencial cataclisma. Tudo isso partir de Helter Skelter é uma ideologia um tanto quanto criativa. Os Beatles mudaram o mundo com sua música revolucionária, mas jamais pensaram que a palavra revolução seria tão dúbia, apesar de conclamar a baderna e a anarquia na letra da música. Do mal ou do bem, cada um com a sua (e não vou julgar), mas que a loucura é sua verdade, isso era. Charles Manson marcou seu nome na história e sempre será lembrado pelas barbáries cometidas. Mas a história precisa desses nomes, e ele é um dos mais célebres, que criou seu mundo e fez dele uma realidade nada virtual.


Contar a história de um assassino na televisão parece coisa do Datena, mas “Helter Skelter” chocou por onde foi exibido. Criado para a televisão, o filme mostra a história de Charles Manson e sua seita que dá nome ao filme. E contar uma série de histórias que chocaram todo um país por sua frieza e caráter impiedoso. A história de Charles inicia com sua filosofia hippie e sua ‘família’, sempre em busca do estrelato pela música, que nunca aconteceu. Aos olhos de  Linda Kasabian é que vemos a evolução dos fatos. Ela com sua filha de colo, revoltada a vida, busca uma nova ‘família’ e vê no carismático Manson um ‘pai’. Charles foi um mágico ou um hipnotizador, pois conseguiu arrebanhar um grupo enorme para agir conforme sua música.

Como Jesus, buscou sempre manter seus pupilos ao seu lado, ensinando, pregando, dividindo tudo, porém, ao seu modo. Quando a frustração por conta da música o abala, os assassinatos em série começam a ser feitos. Certamente o assassinato mais famoso da trupe é a da linda Sharn Tate, grávida de 9 meses, esposa de Roman Polanski (essa história podemos ver de forma documental em “Roman Polanski: Wanted and Desired”). E quem com um pouco só de serenidade (não estou pedindo discernimento) vê, participa e ri? Não é o caso de Linda. Porém a história da Família Manson iria muito mais longe, muito mais longe do que deveria. Inteligente, insano e frio são caracteristicas do bi(tri)polar Charles Manson, mas apenas definí-lo assim, é cru demais. O julgamento é intenso e vemos a falta de alma de um ser tão iluminado em busca de respostas.


Ver a história de um assassino de forma ficcional é duro, mas ver aquilo e saber que não passa de uma interpretação da verdade nos deixa impactados de forma hercúlea. A s atuações são boas, a montagem bem interessante, mas não é um filme maravilhoso. Talvez a temática não nos deixe embarcar de vez. Ainda bem que os assassinos dos anos 2000 são mais fáceis de serem capturados do que o dos anos 60. Manson até hoje está preso e seus admiradores ainda são muitos. Há um site em que é possível saber notícias e ver fotos atualizadas desse senhor. Chamá-lo de louco seria muita bondade da minha pessoa, melhor chamá-lo de senhor para não ter o blog bloqueado. Vale a pena ver pela história e para conhecer um dos casos mais bárbaros que essa espécie já viu.

Site para informações de Manson:
http://www.mansondirect.com/ .

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Bela da Tarde

Nome Original: Belle de Jour
Ano: 1967
Direção: Luis Buñuel
Países: França e Itália
Elenco: Jean Sorel, Michel Piccoli, Catherine Deneuve e Geneviéve Page
Prêmios: Leão de Ouro e Pasinetti de Melhor Filme no Festival de Veneza, Bodil de Melhor Filme Europeu e Melhor Filme segundo o Sindicato de Críticos de Cinema da França.
A Bela da Tarde (1967) on IMDb



A última postagem foi Salò. Agora Belle de Jour. O pessoal deve pensar: O que está se passando com quem escreve neste blog? Estão querendo fazer uma ode ao Marquês de Sade e à perversão, ou estão obcecados por transtornos sexuais que ordinários seres humanos apresentam? Nem uma coisa, nem outra. Aliás ver Catherine Deneuve sendo açoitada e violentada tinha que sair da mente de Buñuel, afinal de contas é uma imagem surreal que não me ocorreria em um primeiro instante. Bem, aliás comparar o que me ocorreria com o que ocorreria a Luis Buñuel é no mínimo um pretenso sacrilégio. Um nada a ver sem tamanho.

Comparações impraticáveis à parte, o filme mais famoso de um dos cineastas mais cultuados, citados e copiados de todos os tempos é um convite à imaginação. Não aprecio muito escrever sobre o blá-blá-blá técnico, visto que não sei muito desta conversa. Mas, neste caso muito só não é percebido por quem estiver desconectado mesmo! Me encanto com os planos e com o cuidado com as cenas. Não sei se por uma viagem ou por um excesso de reparo, vejo até os figurantes muito bem posicionados e vivos durante suas passagens. Ver aquelas pessoas compondo a paisagem de um outono europeu é no mínimo confortante.

O clima de "Belle de Jour" é transmitido por subtextos. Aliás, todos os personagens transbordam uma subjetividade muito próxima da real, embora o filme seja muitas vezes somente tachado por seus aspectos surrealistas, mas isto é um mal da síntese, enfim... Não são muitos os filmes em que só de olhar as expressões e a entonação que uma ou outra personagem dá a fala que pode se imaginar um mundo de pensamentos lógicos e/ou ilógicos. É um caminho arriscado, que só dá bons resultados se a direção for muito sagaz. Não precisa nem escrever que esta sagacidade é alcançada por Buñuel, mas agora que já escrevi, não vou deletar. Está feito!

Certo. Vou parar de citar aspectos mais técnicos ou de execução, os mais infiltrados que se ocupem desta parte. Vou às questões da vida em sociedade a que estamos condenados. Por exemplo, quem não já ouviu alguém dizer em uma conversa qualquer:
“A fulana é quietinha, não é? São as quietinhas as mais perigosas.”
Talvez esteja no imaginário de muita gente que com exceção sacerdotes, seja estranho que alguém aparente calma, tranquilidade e correção o tempo todo. Que alguém, sobretudo a mulher, consiga ser uma esposa perfeita para padrões culturais do século XVIII, sem ter uma saída, uma válvula de escape pervertida - um fetiche sado masoquista, escatológico ou no mínimo um adultério. Sem contar o desejo depravado que um comportamento tido como exemplar pode suscitar. Pode ser que os nossos sentidos fiquem abalados com a distância delicada que pode existir entre o dito bom e o dito mau – o sagrado e o profano.



Outros pontos escancarados nas entrelinhas deste clássico são: O quão anormal pode ser a superficial normalidade? Quanto os assumidos sórdidos são parecidos com os que ainda mantêm uma respeitabilidade dentro das instituições sociais? Como fugir da hipocrisia que certas esferas impõem? Quais os custos pessoais que o cumprimento de ritos sociais podem acarretar? Será que as pessoas se reconhecem quando olham para dentro de si, ou tem medo das imagens e dos bichos que podem descobrir? E eu ficaria até amanhã interpelando sobre, mas quem leu até aqui, espera que este texto acabe. Então, chegou o momento esperado. Fim. Não! Espere um pouco que tem o comecinho do filme no vídeo aí embaixo.


Agora sim. FIM.

Leandro Antonio
Sessões

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Salò ou os 120 Dias de Sodoma

Nome Original: Salò o le Centoventi Giornate di Sodoma
Diretor: Pier Paolo Pasolini
Ano: 1975
País: Itália
Elenco: Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto P. Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Boratto, Elsa De Giorgi, Hélène Surgère, Sonia Saviange, Giuliana Melis, Faridah Malik, Sergio Fascetti, Antonio Orlando
Sem prêmios
Saló ou 120 Dias de Sodoma (1975) on IMDb



Importante não perder os créditos iniciais deste filme, pois neles há uma bibliografia básica que abarca nomes que vão de Roland Barthes a Simone de Beauvoir. Não sei se é um susto para o expectador, que pensa: “Como eu sou ignorante!” ou “Nossa! Biscoito fino!” ou “Já vi que não vou entender nada!” ou “Excelente! Agora já me situei no tema!” ou “Vários sabores.” ou... Talvez seja uma justificativa intelectual e ética de Pasolini para fundamentar os retalhos que compõe o filme ou a intenção de trazer à sua obra características mais científicas e intelectuais. Eu, recolhido à minha gigantesca insignificância, digo que é um segundo dos créditos em que as mãos são enfiadas nos pés. Elencar bibliografia, se não em uma monografia, em uma proposta de curso ou em trabalhos de natureza acadêmica e rigorosa soa pedante e desestimulante. Mas, fato é que isto não deve ter passado despercebido para muitos, que como eu, prestam atenção aos créditos. É isso, só um parênteses.

Apesar de muitas ressalvas, Salò me agrada. Podem chamar-me estranho. Mas, eu tento me explicar. O que agrada nesta obra de Pasolini é a proposta, o nítido experimentalismo, os recortes ilógicos acerca dos temas do fascismo, da libertinagem, da tortura. A proposta me agrada sim, mas certamente as cenas estão muitíssimo aquém do que eu chamaria de agradável. Afinal, com exceção de poucos seres humanos, não há quem ache um trabalho aproveitável ver o povo comendo bosta, porra para todo lado, um lambe-lambe qualquer coisa, tortura imbecil, etc, etc e sem nenhuma cena de banho para dar um tempinho para respirar.



Sem desconsiderar a banda que concebe que este é um filme dos mais absolutos e também sem desprezar a banda que o acha uma das merdas mais mal cagadas pelo cinema mundial, vejo este trabalho como um grande experimento. Não entendo o filme com a grandiosidade que o nome de Pasolini inspira e nem com grande importância, contribuição ou denúncia para o que quer que seja. No entanto, o aspecto estético do filme é inusitado, embora deflagre uma produção barata. E mais que estéticas e soluções técnicas, é interessante o reconhecimento que o expectador pode conseguir com os jovens prisioneiros ou com os sádicos. Estes reflexos são capazes de revelar ideias de personalidade e/ou de auto-imagem que de tão distantes ou assustadoras para o que a moral impele, podem fazer muito marmanjo mijar na calças.

Embora creia que o filme não seja nem grandioso e nem medíocre, é um trabalho que deve ser visto pelos interessados em cinema e arte em geral. Não é um filme para quem busca uma história ou delírios visuais surpreendentes. É um filme que pode trazer referências para o fazer artístico em outros temas e outras situações. Aliás, é redundante mencionar que toda a obra do cineasta é de grande valor e deve ser compreendida como referência.

Ah! Dica! Veja o filme sozinha ou sozinho, e ainda se certifique de que não será surpreendida ou surpreendido assistindo a estas imagens pelos menos elucubrados de sua família. Pega mal, entende? Falo por experiência. Podem pensar que você está compartilhando com tudo aquilo que está na tela, ou ainda pior, que é adepto de certas práticas de interação social. Isto pode deixar qualquer, marido, mãe ou uma tia encostada preocupadíssimos. Então, cautela! Certifique-se de não há mais ninguém na casa e se alguém chegar – tecle no controle discretamente e mantenha um estado de coluna, postura e respiração normais.

Leandro Antonio
Sessões

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Escritor Fantasma

Nome Original: The Ghost Writer
Diretor: Roman Polanski
Ano: 2010
País: França, Alemanha e Reino Unido
Elenco: Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams e Kim Catrall
Prêmios: Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, Melhor Ator (Gregor), Trilha, Diretor, Filme, Design de Produção e Roteiro no Festival do Cinema Europeu, entre outros.
O Escritor Fantasma (2010) on IMDb


Não vivemos da realidade exalada do dia a dia e de nossas memórias. Conhecer todo o íntimo passado é uma tarefa nada fácil e escrevê-la é ainda mais complexa. Saber exatamente tudo a nosso respeito é uma tarefa complexa, reviver o passado alheio é uma saga. E se escrever a história de um ex-primeiro ministro inglês envolvido com crimes de guerra e que está com sua reputação em crise, foragido no EUA, invariavelmente rumará a tornar-se torna um caso de polícia. Já o é, pois o predecessor McAra morreu subitamente de causas não naturais. Agora um novo ghost writer tem essa missão quase impossível. Não sabemos e nem saberemos seu nome, mas do que importa se ele é apenas um fantasma em busca das mentiras mais soturnas.

Adam Lang vive envolto em uma redoma de complicações políticas, problemas pessoais e mistérios criminais, mas nada disso tira de seu rosto, onipresente e confiante, o sorriso falso que todos políticos compram numa loja que só eles tem acesso. Estuprar seu passado para um mero desconhecido que substitui seu braço direito, que morreu há pouco de causas pouco aceitáveis, faz com que Lang oscile de temperamento, verdades e certezas. Encalacrado de pessoas de confiança, tem em Amélia Bly, secretária, sua válvula de escape - seja profissional ou sexual. Sua mulher, Ruth,  vê todo o circo de camarote enquanto há um mero estranho escrevendo as suas memórias. Quem diria, Ruth. A politizada de começo de namoro, a estrela ofuscada pelos caminhos obscuros que trilhou seu marido. Quem diria.

Polanski conseguiu extrair o fino de “O Fantasma”, livro de Robert Harris. Livremente inspirado em Tony Blair, o personagem de Adam Lang tem reviravoltas, fugas e polêmicas - um político típico. O escritor, a cada descoberta se vê ameaçado e amedrontado pelas verdades encobertas. Mas a verdade é de quem? A politica é um meio sujo. Todos vivemos num meio sujo. Nossas memórias estão sujas. Limpá-las daria trabalho demais para um vida só. É como tentar limpar uma casa no meio do deserto de areia.

Excelente roteiro e direção. As locações nos dão impressão de isolamento - uma clara menção à prisão domiciliar em que Polanski dirigiu o filme. A cor cinza predimona na fotografia, causando um angustiante suspense. McGregor e Brosnan foram as escolhas perfeitas. Enquanto lia o livro podia imaginá-los atuando, escrevendo uma autobiografia de verdades mentirosas. Verdade esta que está nos pequenos detalhes. O elenco ‘não famoso’ cai como uma luva no pandemônio que tem uma solução surpreendente, apesar de não precisarmos saber exatamente o que ocorreu. E não posso deixar de lembrar de Alexandre Desplat que é um ás quando o assunto é trilha sonora. Polanski continua em alta performance.

Não há verdade pura, apenas mentiras mal guardadas. A política é o centro do mundo da mentira. E se você está lendo isso, deve ser porque estou morto, assim como o escritor, Lang e todos os outros. Nossos rastros sempre ficarão em detalhes invisíveis a olho nu. Morremos para não conhecer a verdade que escondemos.



Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Filmes de Pais

Com alguns dias de atraso por conta da nossa trecentésima postagem...

Uma pequena homenagem aos pais estampado nesses 4 filmes indicados. São filmes que tem pais como centro das atenções do filme. Uma pequena homenagem da 7ª arte aos patronos das famílias, principalmente ao Carlão, o único pai sessônico.

Mil Anos de Oração

Yilan (Feihong Yu) e Sr. Chi (Steve O.)

Estados Unidos e China se encontram nesse belo filme. É o encontro do Sr. Chi e de sua filha Yilan. Ela vive na America e após um final de casamento vê seu pai preocupado ir ao novo mundo para cuidar de sua cria. Apesar da boa intenção, a harmonia não existe. Yilan vive uma fase difícil e seu pai com um pensamento muito tradicional apenas piorar o relacionamento e a sua liberdade. Aos poucos e forçando seu inglês ruim, o Sr. Chi começa a se relacionar com os vizinhos, contando suas histórias e após muitos conselhos, começa a ouvir e conversar com sua pequena. Essa aproximação é dura, complexa, mas mostra como, apesar da distância, o amor paterno nunca morrerá. Lindo filme com uma atuação memorável de Steve O na pele de Sr. Chi. Uma vez pai, sempre pai.

Desafio no Bronx
Lorenzo (Robert De Niro) e Calogero (Francis Capra)
Filmes sobre gangues sempre agradam pais, mas “Desafio no Bronx” é uma lição sobre como cuidar e educar um filho. O bairro do Bronx nos anos 70 era dominado pela comunidade italiana, mas já havia uma mutação para ser o bairro negro que é conhecido hoje. E nesse painel é que o pequeno Calogero vive. Seu pai, Lorenzo, é motorista de ônibus e uma espécie de protetor do menino - uma laranja boa no meio da cesta de frutas. Mas é muito difícil segurar Calogero, que vê no gangster Sonny um ideal de vida. Só com muitas lições, personalidade e carinho do pai para conseguir seguir uma vida baseado nos princípios éticos. Robert De Niro dirige e atua nesse conto sobre a educação de um filho para a vida na sociedade moderna.


Person


Luis Sérgio e Marina Person
Documentário sobre a vida e carreira de um dos maiores nomes da história do cinema nacional vem carregado de depoimentos, imagens de seus principais filmes e histórias de família. Mas ele toma forma de diário quando sabemos que a diretora do filme é a filha de Luis Sérgio Person é Marina Person. L.S. Person faleceu aos 39 anos, deixou filmes históricos como “São Paulo S/A” e “O Caso dos Irmãos Naves”, além da mulher e duas filhas pequenas. Aos olhos de Marina temos um retrato terno e carinhoso de um pai que pouco conheceu em vida, mas com ajuda de videos, fotos e amigos passa a conhecê-lo nas suas intimidades. Lindo retrato de Marina, abrindo sua intimidade em um documentário de um gênio do nosso cinema.

As Invasões Bárbaras



Um filme de despedida. Rémy viveu uma vida cheia de amores e ideologias, porém uma doença terminal o faz ver o fim cada vez mais próximo. Seu filho vai de Londres para o Canadá para organizar uma despedida honrosa, apesar das rusgas não solucionadas entre os dois. Mas com a proximidade da morte, a sensibilidade é aflorada em busca de um fim ideal. Opiniões e certezas sobre antiamericanismo, Holocausto e drogas permanecem no ideal revolucionário de Rémy. Amigos, antigos amores e alunos são convocados para um último adeus não convencional. Mas nenhuma despedida é mais emocionante que a dos filhos. Um filme excelente, cheio de referências ideológicas e que ensina e emociona a todos.

Lembranças desmemoriadas: "O Poderoso Chefão", "O Paizão", "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas", "Procurando Nemo", "A Procura da Felicidade", "Uma Babá Quase Perfeita" e "Minhas Mães e Meu Pai". Quais outros filmes com pais memoráveis tem por aí? Comente!

Parte desta matéria foi veiculada na Revista City Penha, edição 51, de agosto de 2011

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 14 de agosto de 2011

Lavoura Arcaica


Nome: Lavoura Arcaica
Diretor: Luiz Fernando Carvalho
Ano: 2001
País: Brasil
Elenco: Selton Mello, Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Caio Blat
Prêmios: Melhor Atriz (Juliana) e Fotografia no Grande Prêmio BR de Cinema, Melhor Contribuição Artistica no Festival de Montreal, Melhor Filme, Ator (Selton), Atriz Coadjuvante (Juliana), Ator Coadjuvante (Leonardo) no Festival de Brasília, Prêmio do Público na Mostra, Melhor Filme, Diretor, Fotografia e Trilha Sonora no Festival de Cartagena, Prêmio Especial do Juri, Melhor Ator (Selton), Fotografia e Trilha no Festival de Havana, Melhor Filme pelo Juri Internacional no Festival de Guadalajara e Prêmio ADF de Fotografia, Público, Kodak e Menção Honrosa a Luiz F. Carvalho no Festival Buenos Aires de Cinema Independente.
Lavoura Arcaica (2001) on IMDb

Tempo, a lavoura, meu tempo, o ser, nosso tempo
Assumi junto aos meus companheiros do Sessões a tarefa de realizar a 300ª postagem do blog a que se destina este artigo. Com essa postagem encerra-se um ciclo enquanto outro se abre. Passamos sutilmente de um grupo de pessoas interessadas em cinema que tinham a intenção de manter um blog como distração cotidiana para um conjunto de caras que estão envolvidos direta ou indiretamente com cinema e arte. Essa transformação é bem singela mas tem alguma relevância. Ela se manifesta na constância do material produzido pelo blog, no grupo de seguidores que acompanham nosso trabalho e principalmente, na liberdade que conquistamos para falar de cinema, mesmo que informalmente. Passamos de uma fase de completo amadorismo para uma outra de amadorismo relativo. Essas circunstâncias revelam as possibilidades que estão a nosso alcance e os desafios que a nossa crítica haverá de enfrentar.

Para marcar essa postagem histórica está em pauta um filme muito especial que tornou-se uma obsessão para mim. A insegurança, o mal estar, que tive para construir esse texto expressa a paixão que tenho por esse filme. Inicialmente desejava, ao mesmo tempo, constituir um texto completamente referencial e embasado no vasto material produzido sobre a obra e produzir um comentário com traços acadêmicos. Por um lado, pensava em proporcionar uma leitura sobre como esse filme dialoga com seu tempo, por outro, atender a necessidade que criei de sistematizar a obra de Raduan Nassar, alvo das minhas preocupações acadêmicas na Universidade de São Paulo. Acontece que cheguei a conclusão que essa neurose pela totalidade deveria ser deixada de lado e que poderia concentrar minha atenção na possibilidade do texto livre, abandonando qualquer pretensão de rigor acadêmico diante do texto.

Conheci Lavoura Arcaica em 2009 por indicação do sócio fundador Leandro Antonio. Já tinha ouvido falar do filme por alguém que falava de um amigo que havia decorado as falas do filme e ficava repetindo junto a trilha sonora do mesmo (outro obsessivo). Desde que assisti a essa produção pela primeira vez me tornei um verdadeiro obcecado pela produção do Raduan. Hoje, já li mais de uma vez todos os livros do autor, críticas de cinema, de literatura, etc. O filme transforma um texto poderoso em uma obra de cinema magistral. O que pretendo aqui é realizar uma pequena viagem sobre a formação simbólica do nosso imaginário através do tempo. E assim compomos um circuito de subjetividade que nos permite a cultura.

Ontem tive a oportunidade de assistir a uma peça maravilhosa de nome Donka - Uma Carta a Tchekhov no Sesc Santos. O espetáculo sinaliza como este autor percebe leveza nos temas mais sórdidos e complicados. E é impressionante quando uma obra de arte é capaz de nos fazer compreender sem grande esforço, ou fundamentação teórica, o espírito do tempo, a força da subjetividade e a mágica de estar vivo. Há uma leveza maravilhosa na vida, na natureza. Há uma doçura fundamental nos nossos olhos sobre o mundo. E é assim que podemos fazer do nosso tempo um campo de ternura e realizações. Ver arte no mundo, contemplar a beleza das coisas pode ser um exercício de existência.



Mas o que há de leve em Lavoura Arcaica? Provavelmente nada. O filme trata de como estamos universalmente presos à condição humana. Uma danação, um delírio, que subjaz a constituição do humano. O filme nos coloca a luta do personagem André para encontrar sua verdade e escancará-la pelo mundo. Acontece que na busca de André é possível ver a gana por uma reorientação moral, por uma suspensão dos valores que o esmaga. Aponta um início para o que pode ser a superação do peso de milênios de formulação púdica, irreal e infeliz, por uma leveza possível mesmo diante das "escrotas contradições" da nossa demasiada humanidade. 

Lavoura Arcaica é uma ilustre ironia a ser postada nesta data (dia dos pais). Essa tragédia é nada menos que o repúdio a lei ancestral simbolizada na figura do pai. Não é necessário arriscar o que vence na trama, se a tradição ou a liberdade. É preciso ver nessa obra a complicada enrascada em que entramos ao nascer e que desdobramentos ela pode ter.

O filme tem uma trama fiel ao livro. Alias, o próprio Raduan participou das pesquisas para a realização do filme (detalhes sobre esse trabalho poderão ser encontrados no documentário Que Teus Olhos Sejam Atendidos). Sob a égide do tempo a tradição e a liberdade se digladiam formulando a composição do sujeito. A trama é composta de simbolismos universais. A mesa de jantar é o palco dos sermões e onde está fixada a hierarquia funesta da família. O pai é aquele encarregado de transferir para as gerações futuras a lei ancestral do avô (maktub). A mãe é aquela encarregada pela ruptura, pelo descontrole através da erogenização da prole. Pedro, Rosa, Zuleica e Huda são o tronco firme e possível para a lei da lavoura. André, Ana e Lula são a demonização da educação arcaica.

O sentir de André corrompe toda fundação da ordem maior. É como se ele pudesse sentir que há algo muito errado na família. Ela é o palco absurdo da primeira vida do ser. A paixão de André por Ana é uma representação narcisista da busca eterna pelo ser perdido ao acessarmos o campo da cultura. O incesto pode representar a busca frustrada pela nossa essência para sempre perdida. "A impaciência também tem os seus direitos"! André poderá ser seu próprio deus, poderá ser deus. Domina a si mesmo com sua própria lei. É o simbolismo para a cura da sociedade medicalizada e morbidamente edificada sobre valores morais que negam o desejo humano.

Podemos então passar o resto de nossas vidas infelizes por não conquistarmos a identidade que queremos ou sucumbir a hybris, a desmedida, ou há algum espírito dionisíaco capaz de realizar a ruptura e dar continuidade ao movimento histórica da nossa vida, o movimento da história maior. Talvez aqui haja algum projeto de educação possível, um glorioso triunfo da transgressão humana sobre a irônica moralidade sádica e tediosa. Que efeitos são estes das nossas ambições?

Lavoura Arcaica é uma obra-prima sobre uma obra-prima. Livro e filme são impecáveis. Luiz Fernando Carvalho nos coloca no universo absoluto e absurdo da família. Com sons e cores e um amarelo barro o filme nos proporciona um delírio estético. Tudo nesse filme tem um sentido que pode ser percebido com os olhos, com os ouvidos e com a mente. Uma brilhante obra para abrir o cinema brasileiro no século XXI.

Mateus Moisés
Sessões

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Mulher do Lado

Nome Original: La Femme d'à Côté
Diretor: François Truffaut
Ano: 1981
Elenco: Gérard Depardieu, Fanny Ardant, Henri Garcin, Philippe Bouchard, Michèle Baumgartner, Véronique Silver
Sem prêmios
A Mulher do Lado (1981) on IMDb

A simplicidade do enredo de “A Mulher do Lado” é um tapa com luvas de pelica. Ilustra a complicada pergunta: O que faz um filme ser grandioso? Certamente, as respostas são múltiplas e pouco simples. Quando um mote simples, não muito original e por muitos considerado banal transforma-se em um clássico, um trabalho digno de ser comentado e admirado trinta anos depois de seu lançamento pode-se dizer que houve ali a tradução de algo que deixarão quaisquer palavras aquém de ilustrar.



Aos mais infiltrados o filme é uma aula de cinema. Parece que conseguiu-se ali revelar o melhor que cada intérprete, cada câmera, cada locação, cada ângulo. Não sou profundo entendedor, mas a mim parece perfeito. A condução da trama é inusitada, as sutilezas são todas percebidas, Fanny Ardant está bela, obscura e irresistível, Gérard Depardieu que deve ser um matemático... Vê, por isso que eu não gosto muito de falar de filmes que a mim soam como definitivos, parece um pouco de “babação-de-ovo" e é claro que ao mesmo tempo é obrigatório expor algumas ideias. Enfim, somos seres passionais. Se esta paixão nos tira ou nos acresce, vai se saber. Rasgar-se publicamente pode ser cafona e reprovável por muitos, mas alguns riscos são válidos.

Como de costume, Truffaut não subestima seu expectador. O coloca no seu nível. Nos julga inteligentes o suficiente para sermos simples, para lermos a vida e constatá-la diante dos olhos. Para enxergarmos que somos personagens também. Enquanto seres simples, passionais, emotivos, limitados, carregados de passado. François Truffaut nos imita e nós imitamos François Truffaut.

A princípio escolhi para postar o vídeo da cena final, uma das coisas mais nítidas que já assisti em qualquer cinema. Uma das melhores de todos os tempos. No entanto, o filme tem um clima de suspense e intenções muito claras de surpreender o expectador a cada momento. Logo, o trailler está de bom tamanho:


Há muito o que dizer, mas "A Mulher do Lado" se faz tão elementar que dizer qualquer palavra além daqueles minutos de película tem enormes chances de ser entendido como pedante e inválido. De toda forma, espero que o post sirva como uma indicação para ver e rever um dos últimos filmes dirigidos pelo mestre do amor - Monsieur Truffaut.

"Ni sans toi, ni avec toi"

Leandro Antonio
Sessões

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Última Noite

Nome Original: 25th Hour
Diretor: Spike Lee
Ano: 2002
País: EUA
Elenco: Edward Norton, Barry Pepper, Philip Seymour Hoffman, Rosario Dawson e Brian Cox.
Prêmios: Melhor Ator estrangeiro (E. Norton) no Festival de Sant Jordi, Melhor Trilha COFCA Award e Sierra Award
A Última Noite (2002) on IMDb


Ver o ponto zero das Torres Gêmeas impacta até o mais socialista-ortodoxo-militante-inveterado-terrorista existente. Ver o buraco que ficou na capital do mundo causa um vazio inquietante no peito. Através da janela do prédio ao lado de onde “viviam” o complexo World Trade Center vemos a reconstrução de vigas e concreto, sem sinal daquelas pessoas que faziam daquele centro uma alma viva. Apenas quem conhece Nova Iorque nas entranhas conseguiria mostrar essa imagem sem apelar e ao mesmo tempo, fazendo desse pano de fundo uma história dura, mas ao mesmo tempo, de compreensão da realidade. Que Woody Allen o que, estou falando mesmo de Spike Lee.

Em “A Última Noite” vemos mais do que o período que o título sugere. Temos na tela as últimas 24 horas da vida de Montgomery Brogan. Ao invés da morte é a prisão que será seu rumo. Serão 7 anos de reclusão por conta de tráfico de drogas. Para essa despedida da liberdade, marcou uma balada onde a mistura de amigos de infância, seus clientes, prostitutas, desconhecidos e sua paixão seria crucial para definir a consciência de como será viver esses anos distante do que mais clamava: liberdade. Mas quem o denunciou ainda era uma pergunta sem resposta. Jacob e Frank são seu porto seguro, apesar das diferenças e rumos que cada um tomou. Os amigos de longa data são as pessoas que mais confia nesse momento, mas no momento de vulnerabilidade, todos são suspeitos. Uma conversa com o espelho, Monty encarna a vida e diz tudo o que deve ser dito. Solta os cachorros em cima de todos, um grito de liberdade, um berro aos quatro cantos, uma sonata de vida aos vívidos. Nem o próprio se poupa, esse irlandês preconceituoso de merda. Confira, são 5 minutos de foda-ses e muita intensidade. Uma das melhores cenas do cinema moderno:





"Foda-se você, esta cidade e todo mundo.
Fodam-se os mendigos, fazendo caretas pelas minhas costas.
Fodam-se os limpadores de pára-brisas, melando meu vidro. Vão trabalhar!
Fodam-se os Siques e Paquistaneses, naqueles táxis decréptos, cheirando a curry por todos os toros, estragando o meu dia. Terroristas em treinamento. Dêem um tempo.
Fodam-se esses gays com seus peitos depilados e bíceps exagerados, chupando uns aos outros nos meus parques, balançando seus pintos no canal 35.
Fodam-se os coreanos com suas frutas caríssimas e suas tulipas e rosas embrulhadas em plástico. Dez anos no país e ainda 'não falam inglês'.
Fodam-se os russos de Brighton Beach, mafiosos safados, bebericando chá em copos de vidro com cubos de açúcar entre os dentes... Maquinando seus crimes. Voltem para a sua terra.
Fodam-se os hassídicos de chapéu preto, subindo e descendo a Rua 47 em suas capas cheias de caspa, vendendo brilhantes do apartheid Sul-Africano.
Fodam-se os corretores de Wall Street. Autopromovidos mestres do universo. Filhos da mãe presunçosos, maquinando novas maneiras de roubar trabalhadores honestos. Que prendam os safados da Enron para o resto da vida. Acham que Busch e Cheney não sabiam? Dá um tempo. Tyco. ImClone. Adelphia. WorldCom.
Fodam-se os porto-riquenhos, 20 por carro, abusando do serviço social. Suas demonstrações são as piores. Nem vou falar dos dominicanos, fazem os Porto-riquenhos parecerem ótimos.
Fodam-se os italianos de brilhantina no cabelo, seus ternos de náilon, suas medalhas de Santo Antônio, brandindo seus bastões Jason Giambi Louisville Slugger, tentando aparecer na Família Soprano.
Fodam-se as madames do Upper East Side e suas alcachofras de 50 dólares, com suas caras repuxadas,infiltradas e esticadas até ficarem brilhantes. Não enganam ninguém, queridas!
Fodam-se os negros dos bairros, eles nunca passam a bola , eles não jogam na defesa, dão cinco passos para cada armação, e depois querem culpar os brancos por tudo. A escravidão acabou há 137 anos. Façam o favor de progredir.
Fodam-se os tiras corruptos, com seus instrumentos de tortura e seus 41 tiros, escondidos atrás de um muro de silêncio. Vocês traem a nossa confiança.
Fodam-se os padres que abusam de crianças inocentes. Foda-se a igreja que os protege, levando-nos ao mal. E por falar nisso, Foda-se Jesus Cristo. Ele se safou bem, um dia na cruz, uma semana no inferno, e todas as aleluias dos anjos pela eternidade. Tente sete anos na droga da Otisville, Jesus.
Foda-se Osama Bin Ladem, Al Qaeda, e seus fundamentalistas retrógrados. Em nome de milhares de inocentes massacrados, eu rezo para que passe a eternidade com suas 72 prostitutas queimando em chamas de combustível de jato. Seus babacas de toalha na cabeça, podem beijar meu nobre traseiro irlandês.
Foda-se Jacob Elinsky. Choramingão frustrado. Foda-se Francis Xavier Slaughtery, meu melhor amigo, julgando-me enquanto deseja a minha namorada. Foda-se Naturelle Riviera. Confiei nela, e me apunhala pelas costas. Entregou-me. Safada.
Foda-se meu pai, com seu eterno remorso, paralisado naquele bar, bebericando club soda, vendendo uísque para bombeiros e torcendo para os Bronx Bombers.
Foda-se esta cidade e seus habitantes. Dos casebres de Astoria às coberturas de Park Avenue. Das casas populares do Bronx aos lofts do Soho. Dos guetos de Alphabet City as casas de tijolos de Park Slope e aos sobrados de Staten Island. Que um terremoto destrua tudo. Que o fogo se alastre e transforme tudo em cinzas e que as águas subam e arrase este buraco infestado de ratos
Não. Não. Foda-se você, Montgomery Brogan. Você tinha tudo e jogou fora, seu idiota." 
Foda-se. Intrigas, desconfiança e vingaça juntos não costumam dar bons resultados. Monty ouve as promessas de negócios futuros do bem-sucedidoFrank, confia ao bom Jacob o seu cachorro, confia na mulher que escolheu e vingou-se de quem o apunhalou
pelas costas. O tráfico acabou. O passado negro ficará preso no passado e a cadeia será uma redenção. Ao pai sobra levar o próprio filho por uma estrada que mais parece um corredor da morte. As culpas e desculpas afloram em cântaros numa despedida emocionada. O futuro, não sabemos o que acontecerá, mas não haverá rusgas quando a vida voltar ao normal.

Spike Lee nos mostra que sua filmografia pode ir além dos temas raciais e do Bronx. Em “A Última Noite” temos as grandes atuações e destaque para o protagonista, Edward Norton. Monty é um personagem que combina perfeitamente com o ator, que já protagonizou outros personagens marcantes como em “O Clube da Luta” e “A Outra História Americana”. Falar da exuberância da atuação de Phillip Seymour Hoffman é chover no molhado. Spike nos surpreende ao mostrar que há vida além do vazio. Seja da prisão, das Torres Gêmeas ou da amedrontada Nova Iorque. Em um club perto de você, haverá milhões de pessoas, mas a solidão prevalecerá enquanto vivermos sob o medo. A paz nunca mais existirá em sua plenitude.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Spielberg Curriculum


Seja verdade ou mentira, o mito do Spielberg Curriculum é no mínimo interessante. O que seria isso... São 206 filmes obrigatórios para quem quiser trabalhar com um dos maiores nomes disso que chamamos arte. Mas que grande bobagem, você deve estar pensando. Sim, pode ser que esse boato que rola nos corredores dos sets de Hollywood seja uma grande mentira (Edgar Wright, que trabalhou recentemente no roteiro de TimTim com Spielberg, desmentiu a lista), mas, hipoteticamente, você poderia trabalhar com Spielberg? Será que Michael Bay, J.J. Abrams e Jon Favreau viram toda a lista? Duvido muito. Acho que a lista de pessoas que já conseguiram ver os filmes elencados - apesar de serem todos conhecidos - seja mínima. Veja a lista e corra se você quiser trabalhar com um dos grandes dessa nova arte. No mínimo você verá o fino do cinema. Confira:

12 Homens e uma Sentença (Twelve Angry Men) - Sidney Lumet - 1957
2001: Uma Odisséia no Espaço (2001) - Stanley Kubrick - 1968
8 e Meio de Fellini (8 1/2) - Federico Fellini - 1963
A Árvore da Vida (Raintree County) - Edward Dmytryk - 1957
À Beira do Abismo (Big Sleep, The) - Michael Winner - 1946
A Bela da Tarde (Belle De Jour) - Luis Bunuel - 1967
A Conversação (Conversation, The) - Francis Ford Coppola - 1974
A Costela de Adão (Adam's Rib) - George Cukor - 1949
A Cruz da Minha Vida (Come Back Little Sheba) - Daniel Mann - 1952
A Face Oculta (One-Eyed Jacks) - Marlon Brando - 1961
A Felicidade Não se Compra (It's A Wonderful Life) - Frank Capra - 1946
A Força do Carinho (Tender Mercies) - Bruce Beresford - 1983
A General (General, The) - Buster Keaton - 1926
A Grande Ilusão (Grand Illusion) - Jean Renior - 1937
A Janela Indiscreta (Rear Window) - Alfred Hitchcock - 1954
A Luz é para Todos (Gentlemen's Agreement) - Elia Kazan - 1947
A Malvada (All About Eve) - Joseph Mankiewicz - 1950
À Meia Luz (Gaslight) - George Cukor - 1944
A Mocidade é Assim Mesmo (National Velvet) - Clarence Brown - 1944
A Mosca (Fly, The) - David Cronenberg - 1986
A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes To Washington) - Frank Capra - 1939
A Noviça Rebelde (Sound Of Music, The) - Robert Wise - 1965
A Ponte do Rio Kwai (Bridge On The River Kwai) - David Lean - 1957
A Primeira Noite de um Homem (Graduate, The) - Mike Nichols - 1967
A Tortura do Silêncio (I Confess) - Alfred Hitchcock - 1953
A Trama Parallax (View, The) - Alan Pakula - 1974
A Última Batalha de um Jogador (Bang The Drum Slowly) - John Hancock - 1973
A Última Missão (Last Detail, The) - Hal Ashby - 1973
A Última Sessão de Cinema (Last Picture Show, The) - Peter Bogdanovich - 1971
A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity) - Fred Zimmerman - 1953
Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night) - Frank Capra - 1934
Acossado (À bout de souffle) - Jean Luc Goddard - 1960
Adivinhe Quem Vem para Jantar (Guess Who's Coming To Dinner) - Stanley Kramer - 1967
Al Capone (Al Capone) - Richard Wilson - 1959
Amor, Sublime Amor (West Side Story) - Jerome Robbins - 1961
Apocalypse Now (Apocalypse Now) - Francis Ford Coppola - 1979
As Noites de Rose (Ramblin Rose) - Martha Coolidge - 1991
Assim Caminha a Humanidade (Giant) - George Stevens - 1956
Boêmio Encantador (Holiday) - George Cukor - 1938
Boneca de Carne (Baby Doll) - Elia Kazan - 1956
Bonequinha de Luxo (Breakfast At Tiffany's) - Blake Edwards - 1961
Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde) - Arthur Penn - 1967
Bullitt (Bullitt) - Peter Yate - 1968
Butch Cassidy (Butch Cassidy and The Sundance Kid) - George Roy Hill - 1969
Caçada Humana (Chase,The) - Arthur Penn - 1966
Cada um Vive como Quer (Five Easy Pieces) - Bob Rafelson - 1970
Caminhos Mal Traçados (Rain People, The) - Francis Ford Coppola - 1969
Caminhos Perigosos (Mean Streets) - Martin Scorsese - 1973
Cantando na Chuva (Singin' In the Rain) - Stanley Donen - 1952
Casablanca (Casablanca) - Michael Curtiz - 1942
Charada (Charade) - Stanley Donen - 1963
Chinatown (Chinatown) - Roman Polanski - 1974
Cidadão Kane (Citizen Kane) - Orson Welles - 1941
Círculo do Medo (Cape Fear) - J. Lee Thompson - 1962
Clamor do Sexo (Splendor In The Grass) - Elia Kazan - 1961
Como Conquistar as Mulheres (Alfie) - Lewis Gilbert - 1966
Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters Of The Third) - Steven Spielberg - 1977
Contrastes Humanos (Sullivan's Travels) - Preston Sturges - 1941
Corpos Ardentes (Body Heat) - Lawrence Kasdan - 1981
Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard) - Billy Wilder - 1950
De Repente, No Último Verão (Suddenly Last Summer) - Joseph Mankiewicz - 1959
Depois do Vendaval (Quiet Man, The) - John Ford - 1952
Desafio à Corrupção (Hustler, The) - Robert Rossen - 1961
Descalços no Parque (Barefoot In The Park) - Gene Saks - 1967
Desencanto (Brief Encounter) - David Lean - 1945
Doce Pássaro da Juventude (Sweet Bird of Youth) - Richard Brooks - 1962
Doutor Jivago (Doctor Zhivago) - David Lean - 1965
Duelo de Gigantes (Missouri Breaks, The) - Arthur Penn - 1976
E o Vento Levou (Gone With The Wind) - Victor Fleming - 1939
Era uma Vez na América (Lost In America) - Albert Brooks - 1984
Espantalho (Scarecrow) - Jerry Schatzberg - 1973
Espíritos Indômitos (Men, The) - Fred Zimmerman - 1950
Expresso para o Inferno (Runaway Train) - Andrey Konchalovskiy - 1985
Farrapo Humano (Lost Weekend, The) - Billy Wilder - 1945
Fugindo do Inferno (Great Escape, The) - John Sturges - 1963
Gente com a Gente (Ordinary People) - Robert Redford - 1980
Guerra nas Estrelas (Star Wars) - George Lucas - 1977
Inimigo Público (Public Enemy, The) - William Wellman - 1931
Interlúdio (Notorious) - Alfred Hitchcock - 1946
Intriga Internacional (North By Northwest) - Alfred Hitchcock - 1959
Jejum de Amor (His Girl Friday) - Howard Hawks - 1940
Julgamento em Nuremberg (Judgment At Nuremberg) - Stanley Kramer - 1961
Julio Cesar (Julius Caesar) - Joseph Mankiewicz - 1953
Justiça para Todos (And Justice For All) - Norman Jewison - 1979
Juventude Transviada (Rebel Without A Cause) - Nicholas Ray - 1955
Kramer vs. Kramer (Kramer Vs. Kramer) - Robert R. Benton - 1979
Laços Humanos (Tree Grows In Brooklyn, A) - Elia Kazan - 1945
Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette) - Vittorio de Sica - 1948
Laranja Mecânica (Clockwork Orange, A) - Stanley Kubrick - 1971
Laurence da Arábia (Lawrence Of Arabia) - David Lean - 1962
Levada da Breca (Bringing Up Baby) - Howard Hawks - 1938
Lolita (Lolita) - Stanley Kubrick - 1962
Lonelyhearts (Lonelyhearts) - Vincent J. Donahue - 1958
Longa Jornada Noite Adentro (Long Day's Journey Into Night) - Sidney Lumet - 1962
Love Story - Uma História de Amor (Love Story) - Arthur Hiller - 1970
M, o Vampiro de Dusseldorf (M) - Fritz Lang - 1931
Maratona da Morte (Marathon Man) - John Schlesinger - 1976
Marty (Marty) - Delbert Mann - 1955
Matar ou Morrer (High Noon) - Fred Zimmerman - 1952
Metrópolis (Metropolis) - Fritz Lang - 1927
Minha Bela Dama (My Fair Lady) - George Cukor - 1964
Mississipi em Chamas (Mississippi Burning) - Alan Parker - 1988
Motim a Bordo (Mutiny On The Bounty) - Frank Lloyd - 1935
Nasce uma Estrela (Star Is Born, A) - William Wellman - 1954
Nashville (Nashville) - Robert Altman - 1975
Natal Branco (White Christmas) - Michael Curtiz - 1954
No Calor da Noite (In the Heat Of The Night) - Norman Jewison - 1967
No Silêncio da Noite (In A Lonely Place) - Nicolas Ray - 1950
No Way To Treat A Lady (No Way To Treat A Lady) - Jack Smight - 1968
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall) - Woody Allen - 1977
Nos Tempos das Diligências (Stagecoach) - John Ford - 1939
Núpcias de Escândalo (Philadelphia Story) - Georqe Cukor - 1940
O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby) - Roman Polanski - 1968
O Boulevard do Crime (Les Enfants du Paradis) - Marcel Carné - 1945
O Caminhoneiro do Yang-Tsé (Sand Pebbles, The) - Robert Wise - 1966
O Campeão (Champ, The) - Franco Zeffirelli - 1979
O Dia em que a Terra Parou (Day The Earth stood Still, The) - Robert Wise - 1951
O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin) - Sergei Eisenstein - 1925
O Exorcista (Exorcist,The) - William Friedkin - 1973
O Franco Atirador (Deer Hunter, The) - Michael Cimino - 1978
O Grande Santini - O Dom da Fúria (Great Santini, The) - Lewis John Carlino - 1979
O Homem do Prego (Pawnbroker, The) - Sidney Lumet - 1964
O Homem Mosca (Safety Last!) - Fred C. Newmeyer - 1923
O Homem que Matou Facínora (Man Who Shot Liberty Vallance) - John Ford - 1962
O Imigrante (Immigrant, The) - Charlie Chaplin - 1917
O Indomado (Hud) - Martin Rift - 1963
O Mercador de Almas (Long Hot Summer, The) - Martin Ritt - 1958
O Pecado de Todos Nós (Reflections In A Golden Eye) - John Huston - 1967
O Poderoso Chefão (Godfather, The) - Francis Ford Coppola - 1972
O Poderoso Chefão II (Godfather II, The) - Francis Ford Coppola - 1974
O Poderoso Chefão III (Godfather III, The) - Francis Ford Coppola - 1990
O Reencontro (Big Chill, The) - Michael Grillo - 1983
O Regresso para Bountiful (Trip To Bountiful, A) - Peter Masterson - 1985
O Selvagem (Wild One, The) - Laszlo Benedek - 1953
O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet) - Ingmar Bergman - 1957
O Show Deve Continuar (All That Jazz) - Bob Fosse - 1979
O Sol é Para Todos (To Kill A Mockingbird) - Robert Mulligan - 1962
O Terceiro Homem (Third Man, The) - Carol Reed - 1949
O Veredito (Verdict, The) - Sidney Lumet - 1982
Operação França (French Connection, The) - William Friedkin - 1971
Operação França II (French Connection II, The) - John Frankenheimer - 1975
Os Canhões de Navarone (Guns Of Navaronne) - J. Lee Thompson - 1961
Os Desajustados (Misfits, The) - John Huston - 1961
Os Deuses Vencidos (Young Lions, The) - Edward Dmytryk - 1958
Os Embalos de Sábado a Noite (Saturday Night Fever) - John Badham - 1977
Os Incompreendidos (Les quatre cents coups) - Francios Truffaut - 1959
Os Melhores Anos de Nossas Vidas (Best Years Of Our Lives, The) - William Wyler - 1946
Os Pássaros (Birds, The) - Alfred Hitchcock - 1963
Os Sete Samurais (Shichinin no samurai) - Akira Kurosawa - 1954
Os Viciados (Panic in Needle Park, The) - Jerry Schatzberg - 1971
Pacto de Sangue (Double Indemnity) - Billy Wilder - 1944
Papillion (Papillion) - Franklin Schaffner - 1973
Patton - Rebelde ou Herói? (Patton) - Franklin Schaffner - 1970
Perdidos na Noite (Midnight Cowboy) - John Schlesinger - 1969
Pérfida (Little Foxes, The) - William Wyler - 1941
Perfume de Mulher (Scent Of A Woman) - Martin Brest - 1992
Psicose (Psycho) - Alfred Hitchcock - 1960
Quando a Mulher Erra (Stazione Termini) - Vittorio de Sica - 1953
Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot) - Billy Wilder - 1959
Quanto Vale um Homem (Soldier In The Rain) - Ralph Nelson - 1963
Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Who's Afraid Of Virginia Woolf?) - Mike Nichols - 1966
Rastros de Ódio (Searchers, The) - John Ford - 1956
Real Life (Real Life) - Albert Brooks - 1979
Rebeldia Indomável (Cool Hand Luke) - Stuart Rosenberg - 1967
Rede de Intrigas (Network) - Sidney Lumet - 1976
Réquiem para um Lutador (Requiem For A Heavyweight) - Ralph Nelson - 1962
Rio Vermelho (Red River) - Howard Hawks - 1948
Sayonara (Sayonara) - Joshua Logan - 1957
Scarface (Scarface) - Brian De Palma - 1983
Se Meu Apartamento Falasse (Apartment, The) - Billy Wilder - 1960
Serpico (Serpico) - Sidney Lumet - 1973
Sete Homens e um Destino (Magnificent Seven, The) - John Sturges - 1960
Signal 7 (Signal 7) - Rob Nilsson - 1986
Sindicato de Ladrões (On the Waterfront) - Elia Kazan - 1954
Sinfonia de Paris (American In Paris, An) - Vincent Minnelli - 1951
Sob o Domínio do Mal (Manchurian Candidate) - John Frankenheimer - 1962
Soberba (Magnificent Ambersons, The) - Orson Welles - 1942
Sorrisos de uma Noite de Amor (Sommarnattens leende) - Ingmar Bergman - 1955
Tarde Demais (Heiress, The) - William Wyler - 1949
Taxi Driver (Taxi Driver) - Martin Scorsese - 1976
Tempos Modernos (Modern Times) - Charlie Chaplin - 1936
Terra Bruta (Two Rode Together) - John Ford - 1961
The Fugitive Kind (Fugitive Kind, The) - Sidney Lumet - 1960
The Hunter (Hunter, The) - Buzz Kulik - 1980
The Miracle Of Morgan's Creek (Miracle Of Morgan's Creek, The) - Preston Sturges - 1944
The Teahouse Of The August Moon (Teahouse Of The August Moon, The) - Daniel Mann - 1956
Todos os Homens do Presidente (All The Presidents Men) - Alan Pakula - 1976
Tootsie (Tootsie) - Sidney Pollack - 1982
Touro Indomável (Raging Bull) - Martin Scorsese - 1980
Três Dias do Condor (Three Days Of The Condor) - Sidney Pollack - 1975
Ultimo Tango em Paris (Ultimo tango a Parigi) - Bernardo Bertolucci - 1972
Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark) - Terence Young - 1967
Um Convidado Bem Trapalhão (Party, The) - Blake Edwards - 1968
Um Corpo que Cai (Vertigo) - Alfred Hitchcock - 1958
Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon) - Sidney Lumet 1975
Um Estranho Casal (Odd Couple, The) - Gene Saks - 1968
Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest) - Milos Foreman - 1975
Um Romance Moderno (Modern Romance) - Albert Brooks - 1981
Um Rosto na Multidão (Face In The Crowd, A) - Elia Kazan - 1957
Uma Rua Chamada Pecado (Streetcar Named Desire, A) - Elia Kazan - 1951
Vício Maldito (Days Of Wine And Roses) - Blake Edwards - 1962
Vidas Amargas (East of Eden) - Elia Kazan - 1955
Vinhas da Ira (Grapes Of Wrath) - John Ford - 1940
Viva Zapata! (Viva Zapata!) - Elia Kazan - 1952
Wild River (Wild River) - Elia Kazan - 1994

São 10 de Elia Kazan, 8 de Sidney Lumet, 7 de Hitchcock e apenas 1 do próprio Spielberg. E o Sessões só comentou 10 (2,6%) desses. Vamos trabalhar para chegar lá! Quem sabe um dia o Spielberg queira nos contratar!

Mãos à obra! E você? Quantos já viu? Comente!

E quem sabe você pode ser um dia o iniciante, assim como Spielberg já foi.



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Segredo dos Seus Olhos

Nome Original: El Secreto de Sus Ojos
Diretor: Juan Jose Campanella
Ano: 2009
País: Argentina
Elenco: Ricardo Darín, Solledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino e Guillermo Francella
Prêmios: Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa, Goya de Melhor Atriz Revelação (Villamil) e Melhor Filme de Língua Espanhola fora da Espanha, Melhor Ator, Diretor, Música, Prêmio da Audiência e Prêmio Especial do Juri de Festival de Havana, Melhor Filme Estrangeiro no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, além de todos os prêmios argentinos.
O Segredo dos Seus Olhos (2009) on IMDb


As luzes voltam à vida, todos levantam e aplausos individuais tornam-se brados uníssonos contagiantes de alegria e empolgação aflorados por um sentimento de profunda alegria pelo estupendo espetáculo que acabara de terminar. A emoção está estampada nos olhos, a alegria no sorriso e a empolgação nos gritos uivantes que saem do meio da multidão. Aos poucos a euforia diminui, vai cessando o barulho e as pessoas não saem de seus lugares. Sentam-se e após alguns comentários embasbacados aquietam-se como se orassem num ritual religioso, uns de olhos fechados e outros com olhares perdidos. As luzes diminuem até o breu completo. Inicia-se uma nova sessão de “O Segredo dos Seus Olhos”.

Entre o passado e o presente há arestas pontiagudas que precisavam ser aparadas. Ferir-se por 25 anos, mas fingir que nada acontecia foi a vida que Benjamin escolheu. Agora, aposentado de seu trabalho com o servidor público, quer colocar suas memórias num romance policial, atordoado pelas suas memórias num caso ocorrido há muitos anos. Um assassinato brutal de uma bela moça, recém-casada. Uma paixão que jamais deixará seu marido em paz, enquanto a justiça não for feita. Uma injustiça que nunca abandonou Benjamin. Que nunca o deixará em paz. Tudo que o ronda é resquício de suas lembranças que só o libertarão quando seu romance tiver um final.


É  praticamente impossível falar desse filme, pois estou em estado de extase. Seja por um plano sequência de mais de 6 minutos onde vemos o suspeito ser capturado, um adeus na plataforma de trem, um julgamento empolgante, um elevador que não chega nunca ao seu destino, uma morte pela amizade ou por um gran finale, “O Segredo dos Seus Olhos ficará marcado, não apenas por imagens memoráveis, mas sim por sua principal mensagem: a paixão. Paixão pelo cinema, pela vida, pelo amor, pela justiça, por uma boa história. Por isso causa amor e envolvimento em quem o assiste.


É preciso ver de novo, de novo e de novo. Não basta, não canso de me encantar. Estamos diante de um filme perfeito. Não me venham com pedras, pois não estou insultando vossa inteligência ao colocá-lo num patamar que cabem apenas Wellers, Chaplins ou Kubricks. Abra sua mente, veja, sinta. Não há como não gostar de “O Segredo dos Seus Olhos”. Tecnicamente irretocável - não há um frame sobrando - roteiro costurado com seda pura, agrada amantes de filmes de arte e de blockbusters e com atuações que só não ficará na mente de quem não é capaz de ver. Se você ama “O Filho da Noiva”, saiba que Campanella se superou. Alcançou um nível não antes alcançado. E nem é necessário falar de Darín. E eu que pensei e cantei aos quatro cantos que “A Fita Branca” era o melhor filme do ano passado, “O Segredo dos Seus Olhos” é mais completo por ser um filme para todos.

A perfeição é invisível, apenas está nos olhos de quem a quer ver - mas sei que toda a plateia sairá empolgada, emocionada e esfuziante da sessão. E voltará pois quando vemos uma obra de arte pela primeira vez, precisamos revê-la para lembrarmos que somos simples mortais imperfeitos diante de tanta magnitude.







O segredo que vem dos seus olhos reluz a intensidade da paixão que te faz respirar.

Vitor Stefano
Sessões
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