terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sessões entrevista Woody Allen

Sessões traduziu e adaptou uma entrevista de nosso homenageado do mês – Woody Allen. A entrevista foi cedida a Scott Tobias no site A.V. Club em agosto de 2008, quando da estreia de “Vicky Cristina Barcelona”. Woody fala sobre o ofício do cineasta, elogia Penélope, Johansson e Bardem, contraria a filosofia do “recordar é viver” e alfineta a crítica. Com vocês Mr. Woody Allen!



É difícil mensurar o impacto de Woody Allen na comédia e cultura norte-americana, pois sua obra é vasta e ainda está em curso. Sua filmografia como roteirista, diretor e ,frequentemente, ator principal compreende mais de 40 filmes. O primeiro – Desde “Um Assaltante Bem Trapalhão” de 1969 ou, como por alguns considerado, “O que Há Tigresa?” de 1966, Allen tem sido o porta-estandarte da sagacidade judaica de Nova Yorque, um cronista persistente e perspicaz das relações humanas. Recebeu merecidas 21 indicações ao Oscar e ganhou quatro: Roteiro, Direção e Melhor Filme por “Noivo Neurótico Noiva Nervosa” e Melhor Roteiro por “Hannah e Suas Irmãs”. Outros destaques de sua longa carreira incluem “Bananas”, “O Dorminhoco”, “ Manhattan” , “ A Rosa Púrpura do Cairo” , “Crimes e Pecados”, “Maridos e Esposas”, “ Poucas e Boas” e "Match Point" – Em quatro décadas de carreira, Allen detém a inacreditável marca de um filme por ano. Tudo isto, sem contar seus discos de comédia, os seus textos para a The New Yorker e outras publicações, sua banda de jazz e suas aparições como ator em trabalhos de outras pessoas.

The A.V. Club: Como Barcelona interfere na história? Seria diferente em outra cidade, como Roma ou Madrid?

Woody Allen: Não interfere. Este filme poderia acontecer em Madrid, Roma, Veneza ou Paris. No entanto, há muitas cidades em que não poderia ter sido feito, pois foi necessário o colorido, o exótico de uma cidade cosmopolita com grande profundidade cultural e enorme potencial visual. Há uma série de cidades na Europa assim. Não teria sido fácil fazê-lo em Londres, embora seja uma grande cidade, ela tem um sentimento menos exótico e um pouco mais seco. Mas Barcelona é uma entre outras tantas que poderiam ser filmadas. Eles me ligaram e disseram: "Você faria um filme em Barcelona se financiar?" E eu disse: "Claro." Mas se alguém de Roma me chamasse e dissesse: "Você faria um filme em Roma?" Eu poderia facilmente ter feito o mesmo filme em Roma. Porém, digo o mesmo filme sem Penélope e Javier. É evidente que posso estar subestimando – tenho certeza de que estou – o simples e enorme impacto das personalidades de Penélope e Javier e como eles trabalham no filme, faz com que não possa haver dois italianos ou franceses que se comparem ou que pudessem se entregar como eles se entregaram. Logo, esse é um fator.

AVC: O filme “Barcelona” de Whit Stillman influenciou você? Ambos os filmes têm o mesmo pano de fundo e contrastam noções de americanos e europeus sobre amor.

WA: Não, não há relação entre os filmes. Quando ele saiu, há anos atrás, eu assisti e gostei, mas não há relação... Entre várias notas que tenho em casa, idéias em pedaços de papel, vinha “mexendo” em uma idéia que eu poderia fazer em Barcelona. Vim (a Barcelona) com duas garotas de férias. E então, Penélope Cruz ligou e disse que ouviu que eu estava fazendo um filme sobre Barcelona e que ela gostaria de estar nele. Depois que nos conhecemos, comecei a pensar: "Como eu poderia acomodar Penélope? O que ela sugere como um personagem?" E isso me levou a sua personagem. Assim, a coisa foi formada de modo completamente diferente.

AVC: Isso acontece muitas vezes? Saber quem você quer no filme e começar a escrever para ele?

WA: Não acontece mais com frequência. Anos atrás, quando eu estava em todos os meus filmes, eu sempre soube que ia ser eu e Diane Keaton, eu e Mia Farrow, ou eu e mais alguém, e podia fazer isso. Mas nos últimos anos, não houve ninguém com quem eu tenha trabalhado tão firme. Scarlett Johansson e eu fizemos alguns filmes, isso ajuda a saber de antemão que Scarlett vai ser a garota, ou quem quer que seja. Ajuda saber qual ator ou atriz fará parte do elenco, porque se pode evitar falhas de atuação e direção e explorar pontos fortes.

(…)

AVC: É um filme romântico, mas seria aceitável classificá-lo com um retrato pessimista do amor? Uma mulher deseja estabilidade e a outra deseja paixão, no entanto ambas parecem estar a procura de problemas de tipos diferentes.

WA: Eu diria que o filme é completamente triste. A aparência não é triste. Você está vendo uma cidade bonita e ouvindo músicas maravilhosas, vendo belas mulheres e um cara encantador. Portanto, esperamos que você divirta-se, há algumas risadas e em alguns momentos interessantes de virada. Mas quando tudo acaba e você reflete, você acha que Javier e Penélope não podem viver um com o outro, mas não podem viver um sem o outro e por isso são torturados pelo seu relacionamento. E Scarlett Johansson sabe o que não quer, mas não sabe o que quer e, provavelmente, nunca saberá. Acho que ela passa pela vida e não importa qual seja a relação, pensa: "Isso vai me dar uma sensação de realização." Depois cansa com o tempo, pois há um mal-estar dentro dela, há uma ansiedade interna que ela mais cedo ou mais tarde atribui a cada relacionamento Ela acredita que o defeito está no relacionamento, quando na verdade está nela. E nunca vai encontrar exatamente o que está procurando. E Rebecca Hall adoraria ter algum tipo de relacionamento exótico com Bardem, mas no final, ela está tão assustada que lida com ele sem jeito. Ela provavelmente vai ser alguma versão do casamento de Patricia Clarkson e seu marido. Talvez não idênticos, mas seu marido, provavelmente, com passar dos anos será o cara que joga golfe e e compra um barco. Eles terão um casamento estável e funcional que não será o pior do mundo, mas nunca será grandioso em nada. Portanto, sinto que é um quadro muito pessimista e triste.

AVC: A relação entre Bardem, Johansson e Cruz é a menos convencional do filme e também é de longe a mais bem sucedida. Poderia um relacionamento como esse ser duradouro, ou é apenas uma química temporária?

WA: Eu não acho que relacionamentos durem. O que é emocionante neles é a volatilidade. É como Penélope diz a Javier no filme, "Você gosta das minhas oscilações de humor, das minhas incoerências." O que é atraente para ele é que ela é imprevisível, tem enorme capacidade artística e sexualidade, é também capaz de outras paixões que são realmente impossíveis de conviver, e a química entre eles nunca funcionará. Ele sempre sentirá que ela é a melhor mulher que já conheceu quando em estado saudável, embora ela pouco fique saudável. Ela sempre será atraída fortemente pela personalidade carismática dele, no entanto ela é muito volátil, tem o parafuso solto. Isto é triste.

AVC: Como você mencionou antes, você ocasionalmente têm atrizes como Scarlett Johansson ou Diane Keaton, aparecendo em seus filmes, mas a sua “fila está sempre andando” e está sempre trabalhando com pessoas novas. Torna-se difícil prever como será a química?

WA: Eu às vezes sou surpreendido. Eu costumo arrumar pessoas que conheço e que são boas. Quando eu estava contratando Javier, eu não o tinha visto no filme dos Irmãos Coen [Onde os Fracos Não Tem Vez], pois ainda não havia estreado quando filmei este. Mas o vi em filmes espanhóis e eu sabia que era maravilhoso. Vi Penélope em trabalhos de [Pedro] Almodóvar, sabia que era maravilhosa. E de Scarlett, eu era um fã. Então, não fico surpreso com o fato de trabalharem tão bem uns com os outros. De vez em quando você recebe uma surpresa, e, geralmente, não é uma surpresa agradável. Normalmente, é contratar pessoas que acha maravilhosas, e são, porém você misturou os ingredientes errados, e diz: "Pô, esse cara era tão grande em todas as suas outras atuações. O que aconteceu aqui?" Ou alguma mulher maravilhosa que simplesmente não aparece através de você.

AVC: O que se faz quando não dá certo como você esperava?

WA: Bem, se é grave, eu demito a pessoa, pois há um investimento de milhões de dólares, dinheiro de pessoas, não quero que a coisa seja um desastre. Mas você tenta de tudo até chegar a este ponto. Este é o seu último recurso, e, finalmente, resignar-se ao fato de que você não conseguirá que cem por cento saia como foi escrito: "Essa pessoa vai me dar sessenta por cento, e aquela outra vai me dar sessenta por cento, e ainda ficará decente e ‘assistível’, não espero obter uma química eletrizante." Mas se não é nada do esperado. Oh! Deus, isto é grave, não estou conseguindo nada e isto é vergonhoso. Então, puxo o plugue.

AVC: Se virar para ter sessenta por cento é saber que o filme não é tudo o que deveria ser?

WA: Sim, mas frequentemente culpo a mim mesmo e de vez em quando atuação. No entanto, noventa e cinco por cento do tempo, quando algo sai errado é porque o roteiro não era realmente tão bom quanto eu pensava. Se escrevo um bom roteiro, será difícil arruiná-lo. Se escrevo um roteiro ruim, descubro que há problemas, quase sempre o problema dos filmes é o roteiro. De vez em quando é a interpretação, mas noventa por cento do tempo é o roteiro. De vez em quando é a direção também, mas é raro eu dizer: "Oh Deus, eu dirigi mal." Porque é mais fácil de dirigir. Se algo está mal dirigido e for refilmado no dia seguinte, será melhor organizado, funcionará melhor. Você tem muitas possibilidades. Pode se editar de maneira que funcione. Mas não há nenhum ajuste para pontos fracos no roteiro.

AVC: Você realmente não percebe os pontos fracos até estar filmando e conferindo as filmagens?

WA: Sim, normalmente, você começa a perceber nas filmagens. Pode ser mais tarde, depois de montá-lo, você diz: "Oh, uh-oh! Ninguém se compadece com o problema desse cara, eles o odeiam. Eu não contei com isso, pensei que estaria ‘no esquema’." E então há muito trabalho a fazer, começar a editar e depois regravar. Você começa a lutar para que algo sobreviva.

AVC: É comum dizer que diretores fazem três filmes diferentes: um no roteiro, um no set, e um na edição. Acredita que é verdade, ou você possui controle suficiente do processo para geralmente chegar bem próximo do que imaginou?

WA: O filme é, quase sempre, para mim, algo orgânico que cresce o tempo todo. Sento-me em casa e escrevo, estou isolado em quatro paredes e não sei o que está acontecendo. Acabo de escrevê-lo e ele está aparecendo na minha cabeça de forma idealizada, onde todos os momentos de trabalho e cada coisinha são perfeitos, porque está na minha cabeça. Então você sai e começa a fazer pré-produção e descobre que não conseguirá Javier Bardem ou Brad Pitt ou quem você queria. Aí terá que conseguir alguém. Você não realizará aquela cena, porque foi orçada em um milhão de dólares. Não conseguirá a locação, porque não vão deixar ninguém filmar nesse lugar. Então, chega o momento em que se está realmente pronto para rolar a câmera. Você fez cinquenta transições em seu roteiro original. Você distribui o script passa as falas e começa a mudar, porque não soa tão bem. Você pensa em novas piadas que parecem melhores... A coisa muda o tempo todo enquanto está sendo feita. Aí ao editar, constantemente descarta material, procurando modos inteligentes de reunir a melhor parte do material com a segunda melhor parte do material para que não se perceba que se hesitou entre duas intenções, ou seis intenções, ou algo assim. Isto continua e o trabalho só cresce. Quando acaba também matura de maneira positiva, surge algo que vale a pena assistir, ou você enterrou a si próprio.

AVC: No passado você disse que quando todo o processo termina, você está farto daquele filme. Você não olha para trás. Isso está correto?

WA: Quando o filme acaba, não há muito o que discutir. Quando o negócio está editado, montado e com as cores corrigidas e você terminou ... No meu caso, eu nunca li nada sobre isso, eu nunca penso nisso. Vicky Cristina Barcelona ainda não estreou, e eu já estou terminando de filmar e editar um filme com Larry David, Evan Rachel Wood e Patricia Clarkson, e trabalhando em outro filme. Então, só sigo em frente e não olho para trás. Eu dou muito duro no filme quando estou trabalhando nele, mas quando termina, basta para mim. Por exemplo, “Um Assaltante Bem Trapalhão”, meu primeiro filme, eu terminei, fiz o melhor que pude, e eu não penso a estrutura dele há mais ou menos trinta e cinco anos. Eu o fiz em 1965. Não observo a estrutura dele desde o dia que o coloquei para fora e isso foi o fim. Essa é a maneira como ele está comigo. Não adianta olhar para trás, porque não há nada que se possa realmente fazer para melhorar o filme. Você pode apenas irritar-se e desejar ter feito algo melhor. Eu só ponho o filme para fora e sigo em frente, e como eu digo, estou alguns filmes à frente de um que esteja prestes a surgir.

AVC: Não seria um prazer de olhar para eles, como um velho álbum de fotos ou coisa do tipo, somente para se entender onde se estava em um determinado momento?

WA: Este é um prazer que eu não me concedo, porque assim você entra em um auto-envolvimento nostálgico. Não acredito que isto possa ser bom para mim. Não gosto muito de recordar. Minhas paredes não têm fotos minhas e de atores com quem estive, ou coisas do tipo. Se você estivesse na minha casa, em Nova Yorque, não saberia que eu trabalho com cinema. Parece uma casa comum, como a de um advogado ou algo assim. Tento manter essa disciplina. Apenas trabalho. Há tantas armadilhas em que se pode entrar, e olhar para trás é certamente uma delas.


AVC: No final dos anos 80 e início dos 90, você fez uma série de filmes – “Crimes e Pecados”, “Maridos e Esposas”, “Desconstruindo Harry” particularmente – eram depressivos e foram entendidos como alusões pessoais. Você sentia algo, ou seus filmes foram mal interpretados?

WA: Não, meus filmes são mal interpretados o tempo todo. Eu não me importo com isso. Todos os filmes são mal interpretados. Mas não há maldade ou estupidez nas pessoas que interpretam mal. Você sabe o que faz, mas alguém vê e quer falar ou escrever sobre isso e assim interpreta mal. Mas esses não são mais depressivos do que “Vicky Cristina Barcelona” e certamente não mais depressivos “O Sonho de Cassandra” ou “Match Point” e todos os que estou fazendo agora são bastante depressivos. Ao contrário do que as possam pensar, não são um reflexo do que está acontecendo na minha vida. As pessoas pensam que o que sinto na minha vida privada no momento reflete na maneira de fazer filmes, mas todos que fazem filmes, ou qualquer tipo de arte criativa, dirão-lhe que não é assim. Ás vezes, quando estou me sentindo mais feliz e tudo está indo bem na vida, minha vida amorosa está maravilhosa e minha saúde está maravilhosa, faço a coisa de forma mais sombria e deprimente. E outras vezes, quando as coisas não estão indo bem para mim e estou tendo uma dificuldade pessoal, eu posso estar fazendo as minhas comédias ilárias. Não estava em um estado particularmente feliz psicologiamente ou da vida quando eu fiz “Um Assaltante Bem Trapalhão”, e “Bananas”. Não era um bom momento em minha vida. Não há nenhum reflexo da vida pessoal e eu já ouvi isso de outros artistas. O povo tende a pensar que o produto é um reflexo do seu sentimento pessoal naquele momento, quando na verdade não é. É apenas a questão de quais ideias surgiram e como elas são inspiradoras. Não tendo nenhuma relação com seu estado pessoal.

(...)

Para conferir o original desta entrevista em inglês acesse o site do A. V. Club .

Leandro Antonio
Sessões

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Noivo Neurótico Noiva Nervosa

Nome Original: Annie Hall
Diretor: Woody Allen
Ano: 1977
País: Estados Unidos
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Carol Kane, Paul Simon, Shelley Duvall e outros.
Prêmios: Oscar - Melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Diane Keaton) e melhor roteiro original. Globo de Ouro - Melhor atriz - comédia/musical (Diane Keaton).
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977) on IMDb

O ínicio, o fim e o meio. Um dos casais mais originais e normais de Hollywood – Annie e Alvy. Ela, uma cantora da noite. Ele, um humorista judeu. São apresentados por um amigo em uma partida de tênis e dali em diante o amor é certo. Qualquer um menos inventivo poderia tornar a história de Annie Hall em mais uma comédia romântica onde o cenário é Nova Yorque. Wood Allen trabalhou dentro desta obviedade e construiu o que muitos apontam como a melhor filme sobre relacionamentos de todos os tempos, aliás ninguém consegue reduzi-lo a uma comédia romântica, acredito que isto se dá por uma das características mais aparentes e realistas do filme – É um filme de amor entre mulher e homem sem uma gota de romantismo. É um amor-mais-ou-menos, um amor cotidiano e daqueles que marcam, imperfeitos como a vida pede. É uma comédia romântica-pastelão-absurda-possível... Que é isso!? É! Não há como classificar o filme, mas para pontuá-lo e acabar com este assunto besta de ficar tentando encalacrar os filmes em um gênero, considerá-lo como uma comédia e nada mais que uma ótima comédia é considerado sensato.

Aliás, sensatez é uma característica faltante nesses dois protagonistas. Os dois combinam-se por serem complicados e sempre conseguir algum aprofundamento nas questões mais simples buscando enxergar o pior lado de cada coisa. Total auto-sabotagem! Será que analistas e 15 anos da análise de Alvy podem aproximar-se de explicações? Nããão!

Filme para ver, se ver, rir e refletir de novo, de novo e de novo.
Só um esclarecimento e já paro de escrever. Não deixe de ver este trechinho e pense no turbilhão de ideias que Alvy lança neste monólogo bem no comecinho do filme. Eles são o resumo da sua complexidade...hahahahahaha!


Âh! Deixa eu confessar que também não peguei as piadas de primeira. É masturbação intelectual e a prática vem com o tempo de prática.

Leandro Antonio
Sessões

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Melhor Documentário

A realidade aos olhos do expectador, sempre tem um toque de ficção. A vida não consegue viver sem que haja pensamentos, sonhos e devaneios oriundos da mente inconsequente de seres chamados de homo (nem sempre) sapiens.

O documentário nasceu para retratar a realidade, mas não se deixe ser enganado e pensar que a realidade nua e crua está exposta na tela. Sempre teremos uma visão parcial de quem está contando a história. A sua verdade nem sempre é a verdade do outro. Mas ainda bem que esse gênero deixou de ser apenas um documento reproduzido em película e passou a ser professor, historiador, psicólogo e até em muitas vezes, amante. Que o documentário esteja cada vez mais nas nossas vidas, pois é preciso viver o mundo real, mesmo que aos olhos de outras pessoas.

O Sessões elegeu 24 documentários, numa lista eclética e diversificada, onde cada um dos integrantes escolheu 4 filmes. Certamente uma vasta quantidade de produções de qualidade ficou de fora, porém é impossível agradar a todos. Então veja a lista completa, comente as escolhas e vote. E não deixe de participar da promoção (veja como participar abaixo) de aniversário. Vejam os documentários escolhidos:

A Marcha dos Pinguins (La Marche de l'empereur, 2005) - Luc Jacquet

A Pessoa é Para o Que Nasce (2004) - Roberto Berliner

A Revolução Não Será Televisionada ( The Revolution Will Not Be Televised, 2002) - Kim Bartley e Donnacha O'Briain

Buena Vista Social Club (1999) - Win Wenders

Bukowski - Born Into This (2003) - John Dullaghan

Cabra Marcado para Morrer (1985) - Eduardo Coutinho

Corações e Mentes (Hearts and Minds, 1974) - Peter Davis

Estamira (2004) - Marcos Prado

Fahrenheit 11/9 (Fahrenheit 9/11 - 2004) - Michael Moore

Koyaanisqatsi - Vida em Desequilibrio (Koyaanisqatsi, 1982) - Godfrey Reggio

Let it Be (1970) - Michael Lindsay-Hogg

Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje (2003) - Izabel Jaguaribe

Nascidos em Bordéis (Born Into Brothels, 2004) - Zana Briski e Ross Kauffman

O Cárcere e a Rua (2004) - Liliana Sulzback

O Homem Urso (Grizzly Man, 2005) - Werner Herzog

O Mundo Segundo a Monsanto (Le Monde Selon Monsanto, 2008) - Marie-Monique Robin

Novo Século Americano (The New American Century, 2007) - Massimo Mazzucco

Olympia (1938) - Leni Riefenstahl

Samba Riachão (2001) - Jorge Alfredo

Santiago (2007) - João Moreira Salles

Sicko - SOS Saúde (Sicko, 2007) - Michael Moore

The Corporation (2003) - Mark Achbar e Jennifer Abbott

Tiros em Columbine (Bowling for Columbine, 2002) - Michael Moore

Utopia e Barbárie (2009) - Silvio Tendler



Promoção!  (Encerrada)


Com dois anos de blog, o Sessões escolheu o tema de documentários para realizar essa promoção. A escolha do documentário foi natural, visto que o Brasil cresce vertiginosamente no gênero que vem ganhando cada vez mais importância na cinematografia mundial. Para saber como está a enquete, clique aqui. Então nesse clima de fim de ano, documentário e aniversário, estamos sorteando uma pólo do Sessões, como podem ver na foto abaixo (não se assustem com a beleza dos modelos e integrantes do Sessões, o importante é a pólo).

Equipe Sessões: Mateus, Leandro, Paulo (alto), Carlos, Fernando Moreira e Vitor (alto).

Para participar da promoção é fácil: o melhor comentário sobre documentários nesse post até dia 09/01/2011 levará. Fácil assim. Não se esqueça da identificação. Lembrando que comentários dos editores e familiares do Sessões não serão levados em conta. Então inspire-se, participe e divulgue a promoção e continue fã do Sessões em 2011. Muito obrigado pelos acessos, comentários e participação. Boa sorte!!!

Obs.: E após análise dos membros sessonicos, elegemos que o melhor comentário foi de ederDBZ do que receberá uma polo do Sessões! Parabéns ao vencedor e obrigado a todos os participantes. Fiquem atentos que virão mais.

Equipe Sessões

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Crepúsculo dos Deuses


Nome Original: Sunset Boulevard
Diretor: Billy Wilder
Ano: 1950
País: Estados Unidos
Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson e outros.
Prêmios: Oscar – melhor direção de arte - preto e branco, melhor trilha sonora e melhor roteiro, indicado em outras oito categorias; Globo de Ouro – melhor filme - drama, melhor diretor, melhor atriz - drama (Gloria Swanson) e melhor trilha sonora.
Crepúsculo dos Deuses (1950) on IMDb

Gente! Depois de muito martelar meus neurônios em busca de um texto a altura da obra que é Sunset Boulevard, cheguei ao ponto de aceitar a minha insignificância e de ficar transcrevendo as falas de Joe Gilis no filme para ver se brotava algo menos óbvio do que falar que o filme mostra o lado amargo e sínico de Hollywood, o ostracismo, a ambição, o oportunismo, a loucura, a sordidez, o engraçado que é triste, a mistura de pena e raiva que as personagens inspiram e blá, blá, berebebebê-caixinha-de-fosfóro...

Os diálogos são ótimos e as frases contundentes, a atuação de Glória Swanson é inimitável, única! Os personagens se completam em uma trama muito inteligente. Todos estes elogios já foram feitos, todo o mundo já disse e nem o mais seboso dos cri-cris consegue encontrar uma, uminha falha neste filme, seja do ponto de vista técnico, seja do ponto de vista do entretenimento.

Pois bem, vamos a Joe Gilis e partes de sua narrativa imortal. Neste momento seu cadáver está boiando, o grande momento gigolô de quinta. Flashes, sirenes e trilha sonora feita para dar medo, incrível e lírico – o morto fala de si sem temer mais nada:

‘Estamos na Sunset Boulevard, Los Angeles, Califórrnia. São mais ou menos cinco da manhã. Este é o esquadrão de homicídios. Veio com detetives e jornalistas. Houve um assassinato em uma das mansões na altura do número 10.000. Com certeza lerão a respeito nos jornais, ou ouvirão falar no rádio e na televisão, pois uma das maiores atrizes dos velhos tempos está envolvida.
Mas antes de ouvirem um relato distorcido e exagerado, antes dos colunistas de Hollywood porem a mão nessa história, talvez queiram ouvir os fatos, toda a verdade. Se esse é o caso, vieram falar com a pessoa certa.
O corpo de um jovem foi encontrado na piscina de sua mansão com dois tiros nas costas e um no estômago. Ninguém especial. Só um roteirista com dois filmes de segunda no currículo.
Pobre coitado! Sempre quis ter uma piscina. E acabou conseguindo uma, só que a um preço um tanto alto.
Voltemos a seis meses atrás, ao dia em que tudo começou.’


Agora, fugindo dos funcionários da financeira, Joe chega ao número 10.086 da Sunset Blvd e...

‘Acabei na entrada de uma mansão mal conservada que parecia deserta. Logo à frente, avistei uma maravilha – uma grande garagem vazia. Que desperdício. Não havia lugar melhor para esconder um carro com uma placa visada. Mas havia um outro ocupante naquela garagem – um carro estrangeiro enorme. Devia beber 40 litros por quilômetro. A placa era de 1932. Deve ter sido quando os proprietários se mudaram. Eu não podia voltar para casa, já que estavam me procurando. Minha intenção era ficar com Artie Green (o carro) até pegar o ônibus para Ohio. Uma vez em Dayton, eu mandaria um cartão para meus credores dizendo onde encontrar a lata velha.
Que elefante branco, aquela casa. Era do tipo construído por excêntricos do cinema dos anos 20. Uma casa malcuidada tem aparência infeliz. E infeliz, essa casa era muito. Era como aquela de Grandes Esperanças, A Srta. Havisham em seu véu rasgado descontando a raiva do mundo por ter sido abandonada.’


Gillis, num segundo instante com Norma Desmond começa a ver que poderá tirar algum proveito das esdrúxulas circunstâncias. Pobre coitado!

‘Que delícia de situação. Uma mulher nervosa, Max, o macaco morto lá em cima e o vento tocando órgão de vez em quando. Gostei do jeito que lidei com a situação. Lancei o anzol e ela mordeu a isca. Meu carro estava seguro enquanto eu remendava o roteiro. E isso, sem falar no dinheiro.’

Crepúsculo dos Deuses contém tantas frases e diálogos memoráveis que qualquer pessoa com um pouco mais de sede deixaria este post mega-gigantesco somente fazendo citações, mas não farei isto. Não desta vez!


A narração de Joe Gillis no final também é algo digno de grandiosas academias, mas não vou transcrever aqui para não tirar o prazer de quem ainda não contemplou esta obra-prima de Billy Wilder, diga-se de passagem um dos maiores diretores de todos os tempos. Bem, eu avisei que qualquer frase que eu escrevesse soaria óbvio?

Devo fazer jus a importância e recomendar que vejam todos os extras do DVD. Os comentários são entusiastas, mas muito reais. É! O filme é demais mesmo. E mais uma sugestão é o texto de Claúdio Pucci que pode ser acessado no site da revista Alfa, um dos menos óbvios que encontrei. Só clicar no link.


Filme obrigatório para qualquer um que suspeita gostar de cinema. “As estrelas não têm idade, têm?”

Leandro Antonio
Sessões

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Woody e as Mulheres

Woody Allen e sua atual musa (Scarlett Johansson)
Woody Allen é reconhecido por seus filmes sobre relacionamentos. Talvez seja o diretor que melhor definiu e discutiu a relação homem e mulher. E para conhecer tão bem os problemas ele sempre esteve bem acompanhado em cena, na direção e em casa. O sucesso com as mulheres certamente não é resultado de seu porte atlético ou de seu biotipo atrativo. Como ele mesmo se descreve: "As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro)".

Uma vasta lista de atrizes competentes e/ou belas já atuaram sob a batuta de Allen. Certamente trabalhar num filme do diretor é uma ótima referência a ser colocada no currículo. Então veja grande lista de ótimas atrizes que trabalharam e se envolveram com Woody Allen em mais de um filme (e algumas além da ficção):

Allen e Louise Lasser, sua segunda esposa em "Bananas"
Louise Lasser (1939) - “O Que Há, Tigreza?” (1966), “Um Assaltante Bem Trapalhão” (1969), “Bananas” (1971) e “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar” (1972).


Allen e Margolin em "Um Assaltante..."
Janet Margolin (1943-1993) - "Um Assaltante Bem Trapalhão" (1969) e "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977)

Woody e Mia que viveram 12 anos juntos. Na foto acompanhados por Soon Yi.
Mia Farrow (1945) - "Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão" (1982), "Broadway Danny Rose" (1984), "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985), "Hanna e Suas Irmãs" (1986), "A Era do Rádio" (1987), "Crimes e Pecados" (1989), "Simplesmente Alice" (1990), "Neblina e Sombras" (1991) e "Maridos e Esposas" (1992),
 

Allen e Diane Keaton, que viveram longo romance
Diane Keaton (1946) - “O Dorminhoco” (1973), “A Última Noite de Boris Grushenko” (1975), “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Interiores” (1978), “Manhattan” (1979), “A Era do Rádio” (1987) e “Misterioso Assassinato em Manhattan” (1993).


Dianne Wiest em caracterização de "Um Misterioso..."
Dianne Wiest (1948) - "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985), "Hanna e Suas Irmãs" (1986), "A Era do Rádio" (1987) e "Um Misterioso Assassinato em Manhattan" (1993).

Julie Kavner - conhecida por ser a voz de Marge Simpson
Julie Kavner (1950) - "Hanna e Suas Irmãs" (1986), "A Era do Rádio" (1987), "Simplesmente Alice" (1990), "Neblina e Sombras" (1991) e "Desconstruindo Harry" (1997).

Anjelica em "Crimes..."
Anjelica Huston (1951) - "Crimes e Pecados" (1989) e "Um Misterioso Assassinato em Manhattan" (1993).

Judy Davis e Woody Allen
 Judy Davis (1955) - "A Era do Rádio" (1987), "Simplesmente Alice" (1990),  "Maridos e Esposas" (1992) e "Desconstruindo Harry" (1997).

Charlize Theron em "O Escorpião de Jade"
Charlize Theron (1975) - "Celebridades" (1998) e "O Escorpião de Jade" (2001)

Scarlett Johansson em "Match Point"
Scarlett Johansson (1984) - "Match Point - Ponto Final" (2005), "Scoop - O Grande Furo" (2006) e "Vicky Cristina Barcelona" (2008).

Woody sabe escolher a dedo com quem trabalha. Principalmente as mulheres. Grandes atrizes e belas mulheres fazem dele e de sua psicanálise sobre os relacionamentos humanos um trunfo de sua vasta filmografia. Desde 1997 está casado com Soon Yi num estranho caso, já que ela é filha adotada de Mia Farrow, antiga esposa de Allen. Só um gênio em mulheres conseguiria um feito assim.
Allen e Soon Yi

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Filmes de Natal

Chega o final do ano e o espírito natalino aflora em todos. E o cinema retrata essa época sempre com a mágica que envolve essa data. Mas os filmes que costumam passar na televisão sempre são os mesmos. Para finalizar o ano em grande estilo e com cinema de primeira linha, veja as dicas de filmes natalinos:


Leonardo Medeiros em "Feliz Natal"
 Feliz Natal – Selton Mello é reconhecido como um dos maiores atores da nova geração e neste filme ele faz sua estréia como diretor. E aqui, o Natal, sempre festivo e feliz não existe. Vemos a história de uma família complexa, com diversos problemas de relacionamento, mas como sempre, une-se na ceia natalina e tentam fingir que nada aconteceu. Mas nessa família é impossível. Um Natal triste, mas a realidade de muitas famílias espalhadas pelo mundo. Atuação magistral do ator Leonardo Medeiros e estréia de Selton na direção.

Penélope Cruz e Paul Walker em "Anjo de Vidro"

Anjo de Vidro (Noel) – Neste belo filme vemos sucessão de casos ocorridos durante a noite de Natal, onde 5 personagens tem suas vidas interligadas de forma improvável, provando do verdadeiro sabor do Natal. Um elenco maravilhoso, liderado por Susan Sarandon e Penélope Cruz, se integra a uma bela história de amor, perdão e autocompreensão na cidade de Nova Iorque. O espírito natalino está presente em todas as cenas e inspira luz nessa data tão linda.

Feliz Natal (Joyeux Noël) – Este ‘Feliz Natal’ apesar de ser durante a Primeira Guerra Mundial é uma belíssima construção de fato histórico ocorrido no Natal de 1914, onde no front de guerra tratou-se uma trégua natalina entre franceses, alemães e escoceses. A Guerra é capaz de destruir Estados e famílias, mas nessa noite só havia espaço para paz e esperança. Um maravilhoso filme onde no local mais controverso é encontrado o verdadeiro espírito do Natal, pena que só por uma noite. Veja cena marcante onde os combatentes cantam "I'm Dreaming of Home":


O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas) – No mundo de faz de contas sonhado por Tim Burton e dirigido por Henry Selick, Jack é o rei da Cidade do Halloween e está acostumado a assustar as pessoas no dia das Bruxas. Vagando pela floresta, encontra a Cidade do Natal e incomodado com tanta bondade e felicidade, reúne seus súditos para raptar o bom e velho Papai Noel, mesmo com a sua fiel namorada Sally sendo contra. Uma animação sensacional onde o Natal é mostrado de forma totalmente nova, mas o verdadeiro espírito está mais vivo do que nunca. Entenda o que é o Natal por "O Estranho Mundo de Jack":


Esta matéria foi veiculada na Revista City Penha, edição 44, de dezembro/janeiro de 2010.

Vitor Stefano
Sessões

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Sonho de Cassandra

Nome original: Cassandra’s Dream
Diretor: Woody Allen
Ano: 2007
País: Reino Unido, EUA e França
Elenco: Colin Farrell e Ewan McGregor.
Sem Prêmios.
O Sonho de Cassandra (2007) on IMDb


Família é família. Sangue é sangue. Até onde vai a ambição humana? Até onde o crime e o castigo estão ligados? Se desde o começo vemos e sentimos que a família é o mais importante e sempre deve estar na frente de tudo. Mas aos poucos percebemos que a verdade é que “Parente é Serpente”. Na busca por um sonho vale a pena infringir a própria lei? Woody Allen intriga nesse filme pequeno, com um sotaque inglês carregado, cheio de expectativas e bem envolvente.

Ian e Terry Blane são irmãos e inseparáveis. São carne e unha até nos problemas. Ambos são infelizes profissionalmente e vivem com constantes problemas financeiros. Ian trabalha com o pai no restaurante da família que definha e Terry é mecânico e sortudo viciado em jogos. Logo de início eles se esforçam para comprar um barco e por conta de uma aposta bem sucedida de Terry em corrida de cachorros, deram ao veleiro o mesmo nome do animal: O Sonho de Cassandra. Compraram lembrando-se do grande exemplo e norte da família, o tio Howard, bem sucedido cirurgião plástico com consultórios por todo o mundo. Mas, como ele mesmo diz, para atingir um nível de sucesso, algumas contravensões devem ser feitas.

Ian tem o sonho de sair do restaurante, integrar um projeto de hoteis na Califórnia e levar junto sua mulher atriz para trabalhar em Hollywood. Já Terry busca uma casa para viver ao lado de sua mulher, largar os vícios do jogo, whisky e remédios (deveria também pensar em largar o cigarro) e abrir uma loja de esportes. Howard ajudaria a conquistarem todos esses sonhos. Mas para tal, eles deveriam desaparecer, escafeder com um tipo que tinha motivos e cartas na manga para denunciá-lo. Assédio moral? Destruição da fé? Morte da natureza humana? O ser humano é degradante. É isso que eu posso dizer...



“O Sonho de Cassandra” é um bom filme baseado na grande atuação do incontrolável e sufocante Colin Farrell na pele de Terry. Aliás, os dois atores estão num pequeno hall de melhores da atual geração. Ewan tem algumas oscilações durante o filme, mas no geral casam muito bem na pele dos irmãos Blane. Woody faz um filme “menor”, porém o grande pecado é o desfecho: rápido, até certo ponto, esperado e sem clímax. Temos a impressão que foi feito às pressas, quase destruindo um bom trabalho feito durante todo o filme. Ainda assim, vale à pena pensar mais sobre até onde o ser humano chegaria por um sonho ou pela ganância. Aliás, num mundo desses é melhor viver no mundo dos sonhos, antes que eles virem pesadelos. Veleje nos Sonhos de Cassandra, mesmo que nem o conheça.

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um Quarto em Roma

Nome Original: Habitación en Roma
Diretor: Julio Medem
Ano: 2010
País: Espanha
Elenco: Elena Anaya, Natasha Yarovenko,Enrico Lo Verso e Najwa Nimri
Sem prêmios
Habitación en Roma (2010) on IMDb


Ao chegar ontem no Cine Unibanco da Augusta a fim de passar um tempinho e ver um filme que estivesse por começar, deparei-me com um belo cartaz de um filme que havia iniciado não havia cinco minutos. Entrei, ainda estavam passando os traillers, etc, etc, bla, ble, bli, blo, blu...

PARTE I – O interesse


Pois bem, o cartaz do filme é belississímo! Ilustra uma atmosfera de erotismo refinado com belas mulheres nuas em uma Itália que ainda transpira o Renascimento. Duas deusas em uma pintura de gênio. No cartaz também, chama a atenção dois nomes conhecidos e cultuados por cinéfilos Julio Medem ("Lucia e o Sexo") e Elena Anaya ("Lucia e o Sexo" e "Fale com Ela"). Nossa! Imperdível! Um delírio sensorial e uma ode a beleza!

PARTE II – Cai a ficha

Começa o filme. Duas mulheres. Uma, a espanhola Alba (Elena Anaya) é o estereótipo ocidental de como se veste e se comporta uma lésbica. Não, não é preconceito de minha parte, mas camisa xadrez, cabelinho Jonas Brothers e molejo de malandro no caminhar... Faz favor! O personagem quer um rótulo, sim!!! Pois bem, a outra, a russa Natasha ou Dasha ou Sasha (Natasha Yarovenko) personagem estonteantemente linda, alta e feminina, vestidinho bordado e romântico. Uma Grazi Massafera melhorada. Aliás, a semelhança das duas é impressionante.

Alba e Natasha ou Dasha ou Sasha conversando muito a vontade, bastante risonhas e com algum álcool no sangue denunciam o flerte que se tornará o enredo central do filme. E papinho, papinho vem, Alba lança sua cantada barata e de homem apressado, por que não dizer: “No seu hotel ou no meu?” A Grazi-Massafera-Melhorada faz-se de recatada e inexperiente no que tange as delícias do amor entre mulheres, mas... aceita. Hã, sei! Em uma das tomadas mais lindas do filme a câmera plana sobre as duas e conduz o expectador a sacada do que será o principal e quase único cenário da trama – O quarto.

Parte III – É isto mesmo ou vai acontecer alguma coisa depois?

No ninho inicia-se um velho ritual da moça virgem e amedrontada que nunca provou do seu próprio gosto, mas que está doida, doidinha para fazer gol contra. Boas músicas são tocadas e biquinhos bonitinhos são direcionados aos câmeras, que deviam estar delirando com o chic- porn-movie. Ao vivo, realmente deve ter sido melhor, pois até o mais hétero dos machos-machões deve ter se cansado de tanta nudez. Lembrando, que todo o filme se passa numa pernoite de um quarto em Roma. Capiche! Vamos em frente!

ParteIV – Finalmente alguma coisa depois aconteceu

Ai! Nunca senti algo assim antes! Será que estou amando? Sim, amo e sinto algo que nunca senti na vida. Nunca foi tão forte, o cupido me flechou!*
*Esclarecimento: Há muitas pinturas de cupidos gordinhos nas paredes do quarto, uma das personagens sempre olha para os cupidos e num delírio novelesco sente que eles estão apontando as flechas para ela ao som da música que seu coração apaixonado a fazia ouvir. Doçura!

Parte V – Como poderei viver... Como poderei viver... sem a sua, sem a sua, sem a sua companhia?

Amo, mas não posso viver o grande amor da minha vida. Por que existir é tão injusto? Oh! Não!

Parte VI – É preciso saber viver!

1.Não compre um livro pela capa nem porque se ouve muito falar do autor.

2.Uma boa trilha sonora utilizada de forma equivocada é o mesmo que uma má trilha sonora utilizada de forma equivocada.

3.Não ame a primeira vista. A vida é injusta e você pode não conseguir abandonar tudo para viver este amor.

4.Grandes atrizes mal dirigidas podem ter a mesma expressividade de uma alcachofra. Pobre Elena Anaya.

5.Grandes atrizes mal acompanhadas podem ter a mesma expressividade de uma alcachofra. Pobre Elena Anaya, arrumaram uma mulher linda para ela pegar, mas poderiam ter chamado uma atriz, não?

6.Te amo, espanhola! Te ãããããmu!


Parte VII – Recomendações

Para quem gosta ou deseja ver filmes com a temática do lesbianismo e preferem não ser enganados, sugiro a sutileza e foco de Persona (Ingmar Bergman). Sugiro também que cliquem no link e curtam no blog “Listas de 10” a seleção e os comentários das leitoras e leitores.

Leandro Antonio
Sessões

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lunar

Nome Original: Moon
Diretor: Duncan Jones
Ano: 2009
País: Reino Unido
Elenco: Sam Rockwell.
Prêmios: Bafta de Melhor Estréia de Diretor, Escritor e Produtor para Duncan Jones.
Lunar (2009) on IMDb


Sam Bell está lá no céu, só, enlouquecendo na loucura do vazio. Todos sonham em estar próximo às estrelas quando morrer, mas vivo, não é o sonho de nenhum ser humano. O astronauta está mais próximo de Deus, mas o Diabo também vive na lua, onde a solidão apurrinha os sãos e translucida a genialidade que beira a demência. Duncan Jones para criar esta absoluta obra só pode ter sofrido os efeitos colaterais de tudo o que David Bowie já usou na vida. Quem diria que um pai genial teria seu pequeno rebento um pequeno destruidor da mente humana?

GERTY é o único amigo, o único são e companheiro numa nave em um planeta distante e solitário. Os humanos só querem energia, petróleo, dinheiro. O que eles querem são os resíduos de vida humana. Sam nunca está só. Além do robô, ele costumeiramente vê sua família linda e feliz através de imagens caridosamente enviadas pelo Tio Sam. Mas a solidão é mais devastadora do que podemos esperar quando olhamos pela janela e só vemos um planeta distante e padecendo. A loucura toma conta da mente confusa. A vida é muito mais do que isso. Sam achava. Achava...



Até onde os humanos chegarão? Clones, bactérias superpoderosas, vidas em escala, controle de natalidade, mortes impensadas. Sam sofre muito e tudo por conta de seu Tio, que só enxerga os cifrões, a ganância e o lucro. Hoje não culpo mais só os estadunidenses no lance do Tio Sam, pois o mundo é todo igual. Se continuar assim, prefiro ser um clone do Sam na loucura de Duncan Jones, aclimatada na trilha de Clint Manssell. Aliás, cheios de Sams, Sam Rockwell dá show de interpretação como único protagonista. Esse é o tipo de ficção científica que me agrada, humanizada e reflexiva. Pra que tantos efeitos especiais se o ser humano é capaz de milhares de sentimentos e atitudes impactantes e definitivas em pouco mais de 90 minutos.

Vitor Stefano
Sessões
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