sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar

Nome Original: Gake no ue no Ponyo
Diretor: Hayao Miyazaki
Ano: 2008
País: Japão
Elenco: Yuria Nara, Hiroki Doi, Jôji Tokoro, Tûki Amani.
Prêmios: Asian Film Awards de Melhor Compositor (Joe Hisaishi), Prêmio de Melhor Animação e Melhor Música para Cinema da Academia Japonesa de Cinema. Miyazaki foi contemplado em Veneza pelo prêmio Fundação Mimmo Rotella e Menção Especial Future Film Festival Digital Award.
Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar (2008) on IMDb


Em torno da amizade e do amor tudo se transforma. Miyazaki, acostumado a fabular tudo que faz, não deixa o mar para trás. O mar já nos remete à segredos e mistérios e parece que o japonês consegue extrair lá do fundo (da alma, do pensamento ou do mar) as maiores fantasias à tona. E nem tudo é imaginação. Temos um tema muito sério abordado por todo o filme - a destruição, a ocupação e as transformações do mar pelos humanos, bem antes de Avatar (sim, o filme é de 2008 e só agora é lançado no Brasil).

Sosuke e Lisa, sua mãe, vivem na encosta do mar, numa casa-farol, à espera do retorno de seu pai, um dedicado marinheiro. Numa bela manhã, Ponyo, uma peixinha dourado é salva da morte pelo pequeno. A poluição dos humanos quase matou aquele ser vivo. Mas ela não é apenas um animal comum, ela tem poderes e a escolha por virar humano pode mudar toda a vida marítima e de todo mundo. E muda, mesmo contrariando seu pai - um ex-humano e defensor dos mares. Os poderes mágicos da pequena Ponyo são capazes de cenas maravilhosas, onde a imaginação tem asas e voa, para bem longe.



Durante toda a animação temos aflição de como a Lisa dirige seu carro. Sempre que ela entra nele, vemos que o perigo está muito próximo e a tensão só cresce. E para potencializar, por toda a película somos inebriados por um sentimentalismo criado pela linda trilha sonora, que é carregada de drama, beleza, força e leveza - lembra a força das músicas de ‘A Bela e a Fera’. Estamos dentro do mar, sentimos as bolinhas de ar sair por nossas narinas, o som orquestrado nos faz viajar e os nossos globos oculares preenchidos por duas criaturas das mais simpáticas e cativantes que já vimos nos últimos anos, fazem de Ponyo um filme obrigatório para crianças e indispensável aos adultos. O diretor se inspirou em ‘A Pequena Sereia’ para criar Ponyo. Talvez a tenha superado.

Essa, provavelmente, é uma das produções mais infantis do diretor japonês, pois não há nada de obscuro, misterioso ou denso como é perceptível em outros trabalho e em seu maior sucesso de público e crítica: A Viagem de Chihiro. Mas ele é capaz de tudo. Irreal ou impossível? Para você, pois esse é o mundo de Miyazaki e é pra lá que eu vou.


“Ponyo ama Sosuke”. Nós amamos Miyazake.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Quais os Melhores Filmes de Todos os Tempos?


Nós do blog Sessões em parceria com Armando do ótimo blog Listas de 10 estamos promovendo essa enquete, iniciada no twitter, que sabemos, é eterna. Queremos saber gostos, opiniões e, obviamente, saber o que é o fino da 7ª arte no gosto geral.

Vocês perceberão que esta é uma lista diferente.Primeiro porque foi iniciada por dezenas de amigos do twitter, que votaram numa enquete para escolherem os 5 melhores filmes de todos os tempos.

Segundo, porque é uma lista viva... ou seja, será alterada constantemente, conforme novos votos forem computados. A enquete foi organizada pelos perfis @armando_bm e @sessoes. Então para votar é simples: pelo twitter, basta seguir nossos perfis e fazer a sua lista, colocando a hashtag  #5filmes. Ex: @sessoes @armando_bm Filme 1 / Filme 2 / Filme 3 / Filme 4 / Filme 5 #5Filmes. Tabularemos e vocês saberão os mais votados. Para quem não tem twitter e pode comentar nos blogs ou votar diretamente pela enquete.



Lá no Listas de 10 a diferença das outras listas é que não terá os tradicionais comentários do Armando, que apenas colocará o cartaz dos 10 filmes mais votados - em caso de empate nós decidiremos qual é melhor - e uma breve ficha técnica. Já por aqui, teremos os posters dos mais votados, podendo superar 10 nomes e, pela preguiça, apenas o nome e diretor da película. Aguardamos seus votos e comentários.

Farei as atualizações da lista sempre que for possível.Caso queira acompanhar a votação completa, clique aqui. Até o momento, já temos diversos votos e chegamos aos seguintes filmes - em ordem de votação:


O Poderoso Chefão - Francis Ford Coppola

Laranja Mecânica - Stanley Kubrick

O Clube da Luta - David Fincher

Dogville - Lars von Trier

O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain - Jean-Pierre Jeunet
Tempos Modernos - Charles Chaplin

Cidadão Kane - Orson Welles

Pulp Fiction - Quentin Tarantino

Matrix - Irmãos Wachowski

A Felicidade Não Se Compra - Frank Capra

Blade Runner - O Caçador de Andróides - Ridley Scott

Dançando no Escuro - Lars von Trier

2001 - Uma Odisséia no Espaço - Stanley Kubrick

Batman - O Cavaleiro das Trevas - Christopher Nolan

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças - Michel Gondry

Magnólia - Paul Thomas Anderson


Casablanca - Michael Curtiz

O Império Contra Ataca - Star Wars: Espisódio 5 - Irvin Kershner

Cidade de Deus - Fernando Meirelles 

Fale com Ela - Pedro Almodóvar

Lavoura Arcaica - Luiz Fernando Carvalho

Réquiem para um Sonho - Darren Aronofsky
Um Sonho de Liberdade - Frank Darabont

Cinema Paradiso - Giuseppe Tornatore

Um Corpo que Cai - Alfred Hitchcock

Divirta-se e coloque a cabeça para funcionar. Agradecemos desde já vossa participação.

Especial
Sessões e Listas e 10

terça-feira, 20 de julho de 2010

Meu Melhor Amigo

Nome Original: Mon meilleur ami
Diretor: Patrice Leconte
Ano: 2006
País: França
Elenco: Daniel Auteuil, Dany Boon
Prêmios: Venceu o Golden Trailer Award por melhor trailer de comédia estrangeiro e Concorreu ao David di Donatello de Melhor Filme Europeu.
Mon meilleur ami (2006) on IMDb


Um filme sobre amizade pode ser piegas, démodé ou até bobinho. Mas para quem já viu ‘Meu Melhor Amigo’ sabe que não se encaixa em nenhum dessas características. As comédias francesas vêm aprimorando o gênero e dando um baile nas bobagens hollywoodianas. Quem viu ‘O Closet’ sabe do que estou falando. Além de atores que dão um show.

François (Daniel Auteuil) é um mercador de artes, com grande prestigio na sua área, porém sem vida social, leia-se sem amigos. Em uma das conversas sobre amizades com sua sócia, uma pergunta fica no ar: “Qual é o seu melhor amigo?”. Não há. Mas há de haver, pensa François. Como uma aposta, ele terá poucos dias para apresentar e provar quem é seu melhor amigo.

E como numa corrida ao ouro, ele procura todas as pessoas de seu convívio social e os colegas do passado. E, chato que é, ninguém se considera amigo dele. As opções vão ficando cada vez mais escassas, quando conhece um taxista, o simpático Bruno, um aficionado por jogos de adivinhar (estilo ‘Quem quer ser um Milionário’). Quando se depara com esse taxista, François vê nele uma saída.

E com essa oportunidade, François não perderá tempo. Bruno é (será ou seria) seu melhor amigo. Com essa prova de que amizade não se compra ou não se finge, o relacionamento dos dois vai tomando ares de amizade, porém sem naturalidade, sem amor. Essa é a prova, a amigos não é família, você pode escolher quem é seu amigo. Mas o sentimento deve ser verdadeiro, puro e real, senão não existe. Com certa dramaticidade e com um humor ora negro, ora pastelão, ‘Meu Melhor Amigo’ é uma grande lição sobre esse sentimento tão bonito.



Nesse Dia do Amigo, dedico esse texto aos meus amigos aqui do Sessões e à todos meus amigos.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Igualdade é Branca

Nome Original:Trois Couleurs:Blanc
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1994
País: França, Polônia e Suiça
Elenco: Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy e Janusz Gajos
Prêmios: Urso de Prata de Melhor Diretor
A Igualdade é Branca (1994) on IMDb

Igualdade: sf (lat aequalitate) Identidade de condições entre os membros da mesma sociedade

O Branco é belo.

Certamente todos já ouviram uma frase, muito correta: “Todos somos iguais”. Eu gosto de complementá-la com “...e somos todos diferentes”.


Karol Karol clama: “Onde está a igualdade?”. Eu não vejo, eu não sinto, eu acho que nem sei o que é isso. Ele está cego. Não se importa em ser tratado como um crápula, um boçal, um quase-ninguém. Mas ele tem uma meta: reconquistar o amor da bela Dominique, a que mais lhe humilha. Humilhar é o verbo correto ao que a ex mulher faz ao cabeleireiro.

Andar sem rumo pelas ruas de Paris, soaria até romântico, não a alguém que está perdido. Perdido de amor. Ser pisado nem lhe incomodava mais, pois já não sentia a dor. Na estação de metrô, uma luz no fim do túnel. Não é o trem que está para chegar, é Mikolaj, um dos iguais (polonês) que tem pretenções de retornar à gélida Varsóvia. Engenhosamente eles se entendem e arquitetam a partida à capital polaca.

Lá a vida do sofrido começa a tomar novos rumos. Karol abre os olhos. Pensa, batalha e conquista! Auspiciosamente ele chega lá. “Eu sou um igual”, deve ter pensado. Mas não é, ele agora tornou-se um superior. E todo aquele amor que ele tem, mantêm-se lá, porém adicionado à ele novos sentimentos.


Aí chegamos a um outro ditado: “A vingança é um prato que se come frio”. Sofre Dominique que não conseguiu manter-se no pedestal. Ser igual é saber ser diferente. Karol Karol aprendeu. Eu aprendi. Mas, existe essa tal igualdade?



Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Liberdade é Azul

Nome Original: Trois Couleurs:Bleu
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1993
País: França, Polônia e Suiça
Elenco: Juliette Binoche
Prêmios: Leão de Ouro, Melhor Fotografia e Melhor Atriz no Festival de Veneza; Goya de Melhor Filme Estrangeiro; César de Melhor Atriz, Edição e Som.
A Liberdade É Azul (1993) on IMDb

Liberdade: sf (lat libertate) Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral.

O Azul é lindo.

Como superar a morte? Morrendo. Julie não é capaz de acabar com sua própria vida - é fraca. Perder a pequena filha e o marido, um famoso compositor, é demais para ela. Ter novamente a liberdade, de modo trágico, a fez acreditar que estar livre é estar preso àquelas pessoas. Ser livre é difícil, muito difícil. Como ela mantêm-se viva - fisicamente - ela se desfaz de tudo que a remeta à lembrança de sua família. Fecha-se no seu mundo. Nada mais importa, apenas ela - e acompanhamos tudo de bem perto, close atrás de close. Será que não ter lembranças, esquecer as recordações, os bens, os amigos são mesmo armadilhas? Para Julie, sim.


Liberta à força, ela quer mesmo é se jogar num precipício azul. Mas no mundo real isso não é totalmente possivel, e no fundo, ela sabe disso. Toda a dor que vive a personagem é sublimada. O silêncio sepulcral que temos em diversos momentos serve para percebermos que a realidade da moça é também a nossa. E nos momentos de maior tensão a que Julie é exposta, somos acachapados com agudos sinfônicos e imponentes. Talvez seja um indício de que é necessário voltar à realidade e encarar a liberdade, que só quem é vivo pode ter.


A piscina é um refugio à liberdade que lhe foi dada, sem ser pedida. Lá, na imensidão celeste do quadrilátero ela volta a ter paz, chorar em paz. Enchê-la de lágrimas, pois ter paz é uma utopia, banhada de azul-turquesa. E a liberdade então. Aliás, o que será essa tal liberdade?

Tenho a liberdade de dizer: Juliette Binoche é sensacional, como um céu azul anis.

Vitor Stefano
Sessões

P.S.: Promoção - DVD A Liberdade é Azul. ***ENCERRADA

Se você se gostou do filme ou se interessou por ele, comente essa postagem e o melhor comentário, eleito por juri interno feito de 30/07/2010 a 05/08/2010, levará o dvd para casa.

Então não perca tempo e participe. Não se acanhe se você não viu o filme, eleja os motivos pelo qual você merece o dvd e qual a sua ótica sobre o que esse filme transmite. Se você já viu, comente sobre o que achou dele e quais sensações ele te causa.

Não se esqueça de identificar-se para que entremos em contato com o vencedor.Caso você já tenha comentado, faça-o novamente, pois só valerão os comentários feitos durante a duração da promoção.

O Sessões agradece a participação.

Inspirem-se e boa sorte!

P.S. 2:  O vencedor da promoção foi  theallan. Parabéns pelo DVD. Faça boas sessões com esse espetacular filme! Caso você não tenha levado, continue visitando o Sessões e teremos mais promoções e postagens que você irá gostar.

Equipe do Sessões

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Filho do Rambow

Nome Original: Son of Rambow
Diretor: Garth Jennings
Ano: 2007
País: França, Reino Unido e Alemanha
Elenco: Neil Dudgeon, Bill Milner, Jessica Hynes, Anna Wing e Will Poulter
Prêmios: Melhor Comédia no Empire Awards e Melhor Filme pelo Público no Festival Internacional de Locarno.
O Filho de Rambow (2007) on IMDb



O que podemos esperar de um filme com esse nome? Um lixo, uma balburdia, um roteiro horroroso, atuações dignas de Sylvester Stallone ou até a continuação daquela trilogia que marcou os anos 80, onde os estadounidenses são os herois matadores bonzinhos e os vietnamitas são os carinhas do mal. Traduzindo: Espera-se uma m... de filme. Comecei vendo o filme com essa armadura, mas ela foi caindo e despedaçando-se no chão até me deixar totalmente preso e entretido. Enganei-me completamente e certamente muitos não o viram por preconceito com o nome, um tanto quanto horroroso. Não se acanhem e vejam pois é uma fábula linda e uma lição de ingenuidade. E depois do filme, não há como pensar em outro nome.

A história baseia-se na amizade entre Will e Lee, crianças de 11 anos, vivendo os anos 80. Eles tem temperamentos e educações totalmente diferentes. Lee é o esquentadinho, abandonado pela família e vive com o irmão mais velho. Já Will é a criança ingênua, educada em família rígida e religiosa. Eles viram amigos quando são expulsos da sala de aula. Lee precisava de um duble para o seu filme e Will topa. O nome do filme dentro do filme é “Son of Rambow”. Então Will abandona as orações diárias para se dedicar ao amigo e à diversão que o filme lhe causa, feito com uma câmera caseira do irmão de Lee - seu exemplo, seu herói.

Com o tempo obstáculos vão crescendo e a amizade tem altos e baixos, como todas amizades e a vida, principalmente com a chegada de um francês na escola, que começa a chamar muita atenção. Mas mesmo assim, a lição da ingenuidade das crianças e do valor da amizade, fazem de "O Filho do Ramow" uma fábula de companheirismo, irmandade e de como é bom ser criança - que enche nossos corações de esperança. Para melhorar o ótimo roteiro, que não perde o ritmo, a trilha sonora é recheada de grandes artistas daquela década como Duran Duran, Siouxie and the Banshees e The Cure.

Eu queria ser o filho do Rambow.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 6 de julho de 2010

Amarelo Manga


Nome Original: Amarelo Manga
Diretor: Claudio Assis
Ano: 2002
País: Brasil
Elenco: Matheus Nachtergaele, Jonas Bloch, Dira Paes, Chico Diaz e Leona Cavalli.
Prêmios: Ganhou o Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Fotografia.
Ganhou o Prêmio C.I.C.A.E. no Fórum do Novo Cinema, no Festival de Berlim.
Ganhou os Candangos de Melhor Filme, Melhor Ator (Chico Diaz), Melhor Fotografia e Melhor Edição, no Festival de Brasília. Ganhou também os Prêmios de Melhor Filme - Público, Melhor Filme - Crítica e o Prêmio Especial do Júri, para a atriz Dira Paes. Ganhou o prêmio de Melhor Fotografia, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.
Amarelo Manga (2002) on IMDb

Um hotel-espelunca-fedido, um boteco pé sujo numa quebrada qualquer de Recife. Personagens marginalizados e absolutamente perturbados são o pano de fundo de Amarelo Manga (2003), filme dirigido por Claudio Assis, o mesmo de Baixio das Bestas (2007).

Este é um filme que repugna e choca. Se você odiá-lo, então ele será bom, porque é exatamente esta a sua função – provocar. Importante recomendar ao espectador que se prepare para ver um mundo cão, sentir o cheiro ruim, o nojo, o ódio, a pobreza, a doença, a loucura, a morte.

Lígia (Leona Cavali) é a dona do boteco que reclama do seu cotidiano insuportável. É atraente e quer um amor de verdade mas está rodeada por bebuns e velhos safados. Kanibal (Chico Diaz) é um açougueiro ignorante e trai sua esposa, a crente Kika (Dira Paes). Isaac (Jonas Block) é um vagabundo violento que sente prazer em atirar em cadávers. Dunga (Matheus Nachtergaele) é uma bichinha louca, trabalha no decadente Hotel Texas como cozinheiro e quer conquistar a todo custo o coração de Kanibal.

Todos esses personagens apresentam caráter mais que duvidoso e não se relacionam, esbarram suas almas tristes umas nas outras. O ambiente está transbordando de violência, sexo, loucura e solidão. O amarelo a que o título se refere é a cor da vagina descolorida de Lígia, que está estampada no cartaz e da capa do DVD (repare bem). Logo acima aparece a frase “O ser humano é estomago e sexo”.

Em citação ao poeta pernambucano Renato Carneiro Campos numa passagem do filme, o amarelo também é: “A cor das mesas, dos bancos, dos cabos, dos carros de boi, da charque, das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, é a cor das feridas porolentas, dos escarros, verminoses, hepatites, diarréias, dos dentes apodrecidos, do velho desbotado, doente”

Claudio Assis se mostra um cineasta autêntico e polêmico. Não se importa nem um pouco com sua sinceridade constrangedora. Provoca por ser verdadeiro e contundente. Escancara um Brasil marginal e despido de moral.
Que se danem os padrões, os pudores e as ideologias. É preciso estômago para seguir em frente.


Carlos Nascimento
Sessões

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Filmes para o Inverno

Com a aproximação da estação fria, a equipe do blog Sessões fez uma seleção diversa e muito interessante para acompanhar sozinhos, a dois ou com toda a família, mas sempre debaixo das cobertas. Confiram:

A Marcha dos Pingüins

'A Marcha dos Pingüins' é um brilhante exemplo de luta pela sobrevivência na natureza e, por analogia, na vida humana. Na região mais fria do planeta na qual o inverno dura nove meses e a temperatura pode chegar a – 40 º C os pingüins Imperadores caminham milhares de quilômetros em direção ao lugar da cópula, isto é, o lugar reservado para o amor e o acasalamento, em uma palavra, para a renovação da vida e preservação da espécie. O filme-documentário é assinado pelo premiado diretor Luc Jacquet e a trilha sonora é da Èmilie Simon. Um filme para a toda família assistir neste inverno debaixo do cobertor.

Fargo

O branco é lindo. Com o vermelho de sangue, é 'Fargo'. Essa pequena cidade do interior dos Estados Unidos onde se passa o filme, o inverno é rigoroso e a tranqüilidade impera. Mas nessa pequena obra-prima dos irmãos Coen, a tranqüilidade deixa de existir. Um marido, em busca de dinheiro, vê no seqüestro da própria mulher uma saída para conseguir o resgate, do próprio sogro. A partir dessa premissa, já absurda, o absurdo vira cotidiano na pequena cidade. Até que a detetive da cidade, grávida e com um sotaque estridente, numa atuação maravilhosa de Francis McDormand (vencedora do Oscar) começa a investigar os acontecimentos. Bizarrices aliadas ao frio gélido da neve fazem de 'Fargo' uma divertida comédia de erros para aquecer esse inverno.

O Iluminado

‘O Iluminado’ não é exatamente um filme de terror, embora apresente elementos desse gênero. Mas não desanime mocinha, pois o diretor reservou algumas cenas realmente assustadoras para você. Portanto, prepare-se para emitir seus estridentes e deliciosos gritinhos de medo. Na história, Jack pretende escrever um livro e para tanto, ele deseja passar uma temporada em um lugar tranqüilo, longe de tudo e de todos. Logo surge uma ótima oportunidade: uma vaga de zelador em um imenso hotel localizado nas montanhas, estabelecimento que durante o rigoroso inverno fica completamente isolado da civilização. Ele aceita o convite e parte com sua esposa e filho pequeno para um período de tranqüilidade espiritual e muito trabalho literário. Entretanto, a sensação de claustrofobia, causada pela neve e o convívio social limitado tornam a vida de Jack numa desgraça, despertando seus demônios e levando-o à loucura, além de vários fatos “estranhos” que ocorrem. ‘O Iluminado’ merece ser visto porque é o resultado do talento de três grandes artistas: o escritor Stephen King, o diretor Stanley Kubrick e, sobretudo, o ator Jack Nicholson, que nesse filme nos oferece uma de suas melhores atuações.

Sempre ao seu Lado



Hachiko: A Dog's Story é baseado em uma história verdadeira de um cão japonês chamado Hachiko. O filme é um remake do original japonês, de 1987, "Hachiko monogatari". É dirigido por Lasse Hallström, escrito por Stephen P. Lindsey e estrelado por Richard Gere, Joan Allen e Sarah Roemer. É uma emocionante história em que um professor universitário forma uma amizade muito forte com seu cachorro. Todos os dias o fiel companheiro acompanha o seu dono até à estação de trem, que o leva até à universidade, e volta na hora exata em que o professor retorna do trabalho. No entanto, um trágico incidente muda esta rotina. Mesmo assim, o cachorro continua indo à estação de trem todos os dias à procura de seu dono e toca o coração de todos que passam por perto com a sua paixão, fidelidade e amizade.

Esta matéria foi veiculada na Revista City Penha, edição 39, de julho de 2010 e pode também ser lida clicando aqui.

Equipe do Sessões

O Passado Não Perdoa

Nome Original: The Unforgiven
Diretores: John Huston
Ano: 1960
País: EUA
Elenco: Burt Lancaster, Audrey Hepburn, Audie Murphy, John Saxon
Sem prêmios
O Passado Não Perdoa (1960) on IMDb


Estamos vendo um western, e não tem nada a ver com a lendária música do Metallica. Então não há muito mais do que o embate entre índios e estadounidenses, onde os primeiros sempre se dão muito mal. Nunca gostei dos filmes de bang-bang pois nunca concordei como foi feita a “conquista” do Oeste norte-americano, assim como entendo que a história brasileira/portuguesa também foi feita de modo horrendo e desnecessário.

Mas ‘O Passado Não Perdoa’ tem como grande atrativo Audrey Hepburn, vivendo Rachel Zachary. Rachel vive em uma casa com 3 irmãos e a mãe. O pai foi morto em um ataque dos kiowa, e por isso o ódio mortal pelos pele-vermelha. Mas há um agravante! Um boato surge onde dizem que Rachel foi raptada quando criança e ela é uma índia. Após esse indício, um dos irmãos sai de casa pois não suporta ter uma inimiga dentro de casa.

E esse torna-se o motivo dos ataques da tribo àquela casa. Eles a querem de volta. E a família Zachery está sozinha, pois os brancos vizinhos não aceitam a presença de uma não ariana nos arredeores. E com reviravoltas morais e sentimentais, Rachel vive o dilema de ser uma índia matando índios ou querer voltar à sua tribo. Além disso, ao saber que sua irmã talvez não fosse irmã, Ben (Burt Lancaster), começa a jogar seu charme infalível para cima daquela que não tem mais seu sangue. Coisas de filme...

Audrey Hepburn como índia, está linda, como sempre, em um filme que não me agrada por motivos pessoais. Mas é inegável seu talento e sua beleza. Burt Lancaster também não fica atrás. É um ótimo galã e bom ator. Aos que gostam de ver sangue vermelho jorrar, é uma pedida e tanto. Aos que não gostam, vale a pena pela qualidade dos atores, e de uma fotografia de bom nível.

Porém fica meu desabafo: Não é um filme sobre o nazismo, mas os brancos mataram muitos vemelhos para lembrarmos apenas do Holocausto como um grande massacre contra um povo. Que lembremos todos os índios de todas as tribos. Não desconsideremos o que aconteceu durante a segunda guerra, mas com certeza muito mais sangrento foi a conquista do oeste.

Como trilha, não temos a doce voz de Audrey, como na música Moon River, mas indico Metallica - The Unforgiven, para o filme The Unforgiven.



Curiosidade: durante as filmagens, Audrey, grávida, ficou seriamente ferida ao cair de um cavalo. Após 6 semana ela retornou ao set com um protetor cervical. Após alguns meses ela sofreu um aborto. Mas Audrey superaria.


Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Audrey's smile, Beautiful in my eyes

Desta vez sem dizer nada...



Audrey... Audrey... Audrey...




Leandro Antonio
Sessões

Audrey Básica

Quem estiver na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 6 e 11 de julho deve arrumar um tempinho para assistir a pelo menos um dos filmes da mostra “Audrey Básica” que rola no CCBB Rio. Somente 4 filmes serão exibidos, mas por eles já é possível ter uma ideia do estilo que a bela dama imprimiu. Uma colher de chá!



7/07, 19h30 – “Sabrina“, de 1954, direção de Billy Wilder
8/07, 19h30 – “Cinderela em Paris“, de 1957, direção de Stanley Donen
9/07, 19h30 – “Bonequinha de Luxo“, de 1961, direção de Blake Edwards
11/07, 18h30 – “Quando Paris Alucina“, de 1964, direção de Richard Quine

Quem tiver milhas sobrando pode me chamar para ir ao Rio também, que eu gosto! E não deixa de comentar o que viu aqui no Sessões.

Vamos ao serviço:
Audrey Básica
Data: 6 a 11 de julho
Local: Cinema II Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
Bilheteria/Informações: Terça a domingo, das 10h às 21h Telefone: (21) 3808-2007

Leandro Antonio
Sessões

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Moon River

É meio óbvio começar a homenagem deste mês citando algo de Breakfast at Tiffany's. (Sem pedantismo, mas acho o título em português um atropelo, Bonequinha de Luxo?!) Então querendo ser óbvio, é deste filme que estou falando e mais especificamente de Moon River, uma das músicas mais famosas do cinema. Foi composta para o filme e acredito que encomendada para Audrey Hepburn, uma canção para uma voz suave e pequena.

Em 1961, o Oscar premiou Moon River pela melhor canção. De lá para cá, gravações e regravações. Aliás, vou dar uma sapeada, mas deve de haver alguns assassinatos e versões diversas no Youtube.

A parte isto, é difícil discordar da ideia de que a história de Holly Golightly teria no mínimo outro ritmo, não fosse o embalo desta música.



Breakfast at Tiffany's assina um dos números musicais mais lembrados e vistos do cinema com a simplicidade de um cantinho, um violão, Hepburn e Moon River.

Leandro Antonio
Sessões

P.S.: Moon River foi composta por Johnny Mercer e Henry Mancini.
(Fonte: letras.terra.com.br)
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