segunda-feira, 21 de julho de 2014

Instinto Materno



Nome Original: Pozitia Copilului
Ano: 2013
Diretor: Calin Peter Netzer
País: Romênia
Elenco: Luminita Gheorghiu, Bogdan Dumitrache, Natasa Raab e Ilinca Goia.
Prêmios: Urso de Ouro e Prêmio Fipresci do Festival de Berlim.
Instinto Materno (2013) on IMDb




A relação de mãe e filho é especial. Desde a gestação cria-se um vinculo único e indestrutível. Uma sinergia mais forte do que a força de um imã. Uma maravilhosa conexão. Inenarrável. Mas e quando um filho não aguenta mais a proteção materna? E quando o instinto materno sobrepõe a vontade do rebento? Quando um bebê passa a ser apenas um filho? Essa relação é igual no mundo todo. Uma coruja.

A vida de Cornelia é ótima. Boa classe social, bem relacionada, bonita casa, casamento próspero, empregada em casa e um carrão na garagem. Mas Cornélia está perdida. Seu filho Barbu não está presente e a rejeita. A casa fica vazia. Ela não tem como controlar a vida de Barbu. Ela só sabe criticar a nora, mas não percebe que seu garoto não é mais tão garoto assim. Quando o filho se envolve num acidente de carro, atropela e mata uma criança de um povoado próximo a Bucareste, Cornélia abre as asas, espanta os urubus e o cobre de todos os lados para que ninguém ataque seu rebento. A proteção exacerbada só revela ainda mais as feridas no relacionamento dos dois. Barbu só quer respirar, mas Cornelia não tem noção do limite para amar seu filho. Amor doentio.


A cena final é de arrepiar e finaliza com louvor um dos melhores filmes do ano. Atuações fantásticas, principalmente de Luminita Gheorghiu que está absolutamente avassaladora. Um roteiro que tinha tudo para ser piegas pelo assunto delicado, mas com pequenos detalhes e ausência de palavras deixam tudo mais belo e delicado. Um belo retrato de uma relação eterna, numa Romênia em crescimento, mas com disparates enormes, como nosso país. O cinema romeno é absurdo.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vidas ao Vento

Nome Original: 風立ちぬ / Kaze Tachinu
Ano: 2013
Diretor: Hayao Miyazaki
País: Japão.
Vozes: Hideaki Anno, Miori Takimoto, Hidetoshi Nishijima, Steve Alpert.
Prêmios: Melhor Roteiro no Annie Awards, Melhor Animação e Trilha Sonora da Academia Japonesa de Cinema.
Vidas ao Vento (2013) on IMDb


Uma tela a ser exposta no Louvre. Miyazaki fez mais uma vez. Aparentemente a última vez. A capacidade de impressionar com traços impecáveis, desenhos belíssimos e história cativante tudo em 2 horas é de emocionar. Se animação é “coisa de criança”, o mundo deveria estar cheio de menores vendo filmes belos e inteligentes como o que esse senhor faz. Habitué de mundos imaginários, seus traços marcantes agora retratam uma biografia de uma lenda japonesa, claro, sem deixar de lado o lúdico. Uma história de guerra. Uma história de viver a vida. Uma vida de superação.


“Vidas ao Vento” é quase Viscontiano. A trajetória de Jiro Horikoshi desde sua infância até seu amadurecimento na criação do Zero, avião usado na Segunda Guerra Mundial pelo Japão, passa pelos aviõezinhos de papel, pelo sonho de ser um grande projetista de aviões, pelas desventuras de um país assolado por eventos naturais, pelo amor dos pais, pelas amizades que constrói, pelo amor que muda sua vida. Nem vou entrar em detalhes. É necessário ver. Rever toda a obra. Rever tudo que vem de Hayao, o maior gênio da animação de todos os tempos. Que bom que vivo nessa época para poder viver isso.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 15 de julho de 2014

Mostra Imovision - 25 anos



Durante esses quase 6 anos de Sessões vimos inúmeros filmes, comentamos centenas deles e fizemos diversas promoções. E um dos nossos maiores parceiros é a Imovision, uma das distribuidora mais importantes no quesito cinema de arte desse país. Sempre que vir filmes distribuídos pela Imovision devem/merecem ser vistos. E esse é um ano especial para a distribuidora que completa 25 anos de dedicação especial ao cinema, movidos pela paixão e compromisso de trazer para o público brasileiro o fino da Sétima Arte.

E para comemorar essa data tão importante, a Imovision fará de 24 a 30 de julho, a MOSTRA IMOVISION 25 ANOS. A Mostra terá 14 filmes, sendo 7 grandes sucessos da distribuidora e 7 premières. Sim, 7 filmes inéditos, um por dia no Reserva Cultura.
 
Quem quiser mais detalhes sobre a programação deve entrar nesse link. Quem está em São Paulo, não pode perder! 


 Os filmes inéditos apresentados na Mostra Imovision 25 Anos são:

posters mostra
  • "O Samba" de Georges Cachot
  • "As Férias do Pequeno Nicolau" de Laurent Tirard
  • "A Pedra de Paciência" de Atiq Rahimi
  • "Bem-Vindo a Nova York" de Abel Ferrara
  • "O Casamento de May" de Cherien Dabis
  • "Paraíso" de Mariana Chenillo
  • "Geronimo" de Tony Gatlif.
Todos eles contarão com a presença de algum participante da equipe ou do elenco, além de um coquetel (sempre excelente) ao final das exibições.

Já os filmes da retrospectiva serão os maravilhosos:

posters retro

  • "Amor à Flor da Pele" de Won Kar-Wai
  • "Cinema, Aspirinas e Urubus" de Marcelo Gomes
  • "Vincere" de Marco Bellocchio
  • "Amor" de Michael Haneke
  • "A Fita Branca" de Michael Haneke
  • "Dançando no Escuro" de Lars von Trier
  • "A Separação" de Asghar Farhadi

Nós do Sessões já comentamos diversos filmes trazidos pela Imovision, como:  "A Criança" e "O Garoto da Bicicleta" dos Irmãos Dardenne, "Nossa Música" do Godard, o chileno "Tony Manero", o libanês "Caramelo", os franceses "Bastardos" e "Tudo o Que Desejamos", o israelense "A Missão do Gerente de Recursos Humanos", a animação "O Gato do Rabino", "O Porto" de Kaurismaki, um dos melhores lançamentos de 2013 o espanhol "Branca de Neve", o fofo argentino "Medianeras", o vencedor de Cannes "Entre os Muros da Escola", os brasileiríssimos "Febre do Rato" do controverso Claudio Assis, "Entre Vales" do Barcinski e a maravilhosa produção "Xingu" de Cao Hamburger. Isso é só um pouco das maravilhas que a maravilhosa Imovision nos traz!

Só filmaço! Não perca a chance de ver e rever esses filmes maravilhosos trazidos por essa distribuidora única e vital para que o cinema seja muito mais do que só diversão. Imovision, parabéns e mais 25 anos para vocês!

Entre no site e siga a Imovision no Facebook.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O Médico Alemão

Nome Original: Wakolda
Ano: 2013
Diretor: Lucía Puenzo
País: Argentina, Espanha, França e Noruega.
Elenco: Àlex Brendemühl, Diego Peretti, Florencia Bado, Elena Roger e Natalia Oreiro.
Prêmios: Prêmio da Audiência no Festival Internacional de San Petersburg, Atriz Revelação, Atriz, Diretor e Filme no Festival Internacional da Unasur.




O nazismo é um marco absolutamente negativo na história da humanidade, mas há histórias fantásticas advindas desse período e o cinema, ao longo do tempo, desde os documentários de Leni Riefenstahl, registram a barbárie e a história para nunca esquecermos os ocorridos. “O Médico Alemão” é o mais recente extrato dessa polpa, mas sem guerra, sem Hitler, sem bombas. O que pode ser pior do que isso? Só um médico.

Patagônia, anos 60. Uma família está abrindo uma pousada na região e sorrateiramente aparece Helmut, um médico, alemão, aparência sóbria, bom coração. Um médico por perto é sempre importante, ainda mais quando sua filha Lilith (ou Wakolda) tem um aparente distúrbio hormonal que não lhe permite crescer como uma criança normal. Essa relação é um elo importante para que o doutor consiga fazer experimentos inovadores com a menina, sempre sob olhar desconfiado do pai. Com a chegada do inverno, vêm as descobertas e boatos que amedrontam a casa. Quem realmente é este médico? Porque ele observa tanto? Estuda tanto?


Lucía Puenzo fez uma opção excelente em não entrar em detalhes de quem é o médico durante toda fita. Para os mais desavidos é um thriller muito bem feito e que prende do começo ao fim. Ao final a revelação que Helmut é Josef Mengele, cientista do nazismo que testava novas experiências com fetos, crianças e animais que viveu por um grande período na Argentina e outro no Brasil. Um trecho biográfico muito interessante e sua forma cativa. As atuações estão impecáveis e a ambientação fabulosa. Um filme que merece ser visto. Mais uma grande produção dos nossos hermanos e, dessa vez, sem Ricardo Darín.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O Lobo Atrás da Porta



Nome Original: O Lobo Atrás da Porta
Ano: 2014
Diretor: Fernando Coimbra
País: Brasil.
Elenco: Leandra Leal, Milhem Cortaz, Juliano Cazarré e Fabiula Nascimento.
Prêmios: Melhor Filme e Melhor Atriz (Leandra Leal) no Festival do Rio, Prêmio Coral de Primeiro Filme no Festival de Havana, Prêmio de Melhor Filme – Horizontes Latinos no Festival de San Sebastián e Melhor Filme e Diretor no Miami Film Festival.




Contado de forma atemporal, a partir de depoimentos dados ao delegado, o filme retrata a busca dos pais por sua filha desaparecida, aparentemente sequestrada. O partir da confissão do pai, Bernardo, chegam à Rosa, a sua bela e jovem amante. A partir disso, com a trama bem delimitada, a tensão apenas cresce a cada passo palavra. O ritmo aliado a uma fotografia com poucas cores e pálida faz com que o filme envolva o público. A respiração dos atores é como um pulsar do coração, angustiante. A cada ponto de vista relatado, os personagens são mostrados com dualidade e gera um mistério ainda maior. Todos podem ter duas caras. Todos podem ser manipuladores. Mas a verdade será revelada, doa a quem doer.

Um pouco da vingança de Park. Uma pitada da investigação de Villeneuve. Um quê da secura de Trier. Com a sensualidade de Polanski. Fernando Coimbra fez um filme de Fernando Coimbra. Brasileiro e global. “O Lobo Atrás da Porta” estará entre os melhores filmes do ano. Se um dos diretores citados o tivesse feito, estaria bombando nas redes sociais, nos comentários dos críticos cults, nos tapetes vermelhos das premiações internacionais. Leandra Leal seria ovacionada, Milhem Cortaz e Fabiúla Nascimento seriam estrelares e protagonistas dos próximos filmes de Woody Allen. É um thriller. É um noir. É um filme de gênero realizado com primazia. Surpreendente, vivo, visceral, intenso, perverso. Prepare-se, pois a chapeuzinho será comida.


São esses filmes que vem para quebrar o preconceito sobre o cinema nacional. Na bilheteria pude perceber isso: o balconista do cinema disse sem titubear nem parecer ser um filme nacional. Jogou todos louros no filme e finalizou com “é fantástico”. Quando entro na sala, não mais que 10 pessoas num cinema que cabem 150. Uma verdadeira pena. Vamos ficar de olho em Fernando Coimbra. É o melhor filme brasileiro do ano. Talvez o melhor da década, por ser tão palatável aos olhos do grande público.

Vitor Stefano
Sessões
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