quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Se a sua vida fosse um filme?


Deitados embaixo de seus glamourosos tronos de mármore ao som de harpas e recebendo uvas na boca de mil ninfetas até os milionários sem gravata devem ter um filme predileto. Dentre os maiores marcos da cultura contemporânea esta o cinema e sua maravilhosa capacidade de transformar e criar vidas. Há quem se case ao som de trilhas sonoras de cinema, há quem coloque o nome de atores, atrizes e personagens em seus filhos. Cruzamos aqui o limite de uma linha tênue que separa o que se assiste e o que se vive onde o mais banal dos blockbusters ganha vida no universo imaginário do espectador. Não há como sair ileso de uma sala de cinema ou de uma sessão caseira, seja numa TV de plasma de 72 polegadas, seja num notebook com uma tela menor que um livro de bolso. É como tatuagem. Pode te dar muita coragem, pode te entristecer e pode fazê-lo passar na entrevista de emprego amanhã. E se você passar na entrevista amanhã talvez você pense em casar-se com sua namorada que enrola há 8 anos esperando melhores condições financeiras. Será que o filho de vocês irá se chamar Luke Skywalker?

Mas... E se realmente sua vida fosse um filme? Qual seria? Se nós estivéssemos cada qual em seu "Show de Truman"? A arte imita a vida ou a vida imita a arte? E se a arte for a vida? No ideário formativo do filósofo prussiano Friedrich Nietzsche a finalidade suprema da vida é a arte. Não há formação sem vida, não há vida sem arte. Imagine: se em um ano um sujeito assistir a dois filmes a cada mês terá visto 24 obras. Pelo menos uma dessas 24 películas o fizeram tornar-se uma pessoa diferente. E, será que se cada pessoa no mundo fosse escolher um filme diferente pra representar sua vida teríamos filmes suficientes? Na China com certeza haveria briga pela escolha. No Brasil, poderíamos passear desde as pornochanchadas até os documentários cabeçudos sobre política e música. As crianças poderiam agora viver em 3D. E com certeza haveriam espertalhões vendendo a ilusão de uma vida em 6D...
Se tudo fosse uma grande "Matrix" e cada um estivesse dentro de seu filme... É uma ótima metáfora para a própria projeção de si. Numa sociedade onde viver juntos é uma tarefa que tem sido árdua há milênios talvez pelo fato de cada pessoa viver um filme interior, uma verdade particular que só pode ser encontrada pelo seu portador. O que é autêntico em uma pessoa sugere sua visão de mundo, suas concepções e preferências, suas sensações, seu estar-no-mundo. Quem seria quem nessa história?

Será que as mulheres são mesmo filmes românticos ou isso é um estereótipo bobo que só sobrevive no filme das pessoas preconceituosas? Será que todos os capitalistas querem ser o "Cidadão Kane"? E os comunistas, vão fazer sua "Revolução dos Bixos" ou será como foi em "1984"? Há quem diga que "a verdade está la fora", mas com certeza depois de "Sete Anos no Tibet" qualquer humano reconheceria o valor do recolhimento interior. Algumas pessoas são tão autoritárias a ponto de promover um "Batismo de Sangue", mas como sabemos todo ditador um dia irá enfrentar "A Queda". Outras pessoas são doces como "Amelie Poulain", frenéticas como em "Embalos de Sábado À Noite", amargas como em "Whisky", corajosas como o "Indiana Jones no Templo da Perdição", nostálgicas como em "Meia-Noite em Paris", bucólicas como em "Os Idiotas", absolutas como em "Big Fish".

Dizem que de "Dr. Dolittle" e "Bicho de Sete Cabeças" todo mundo tem um pouco e que a sina da vida humana é escrever "O Livro de Eli", plantar uma "Árvore da Vida" e ter uma "Pequena Miss Sunshine". Mas ninguém sabe ao certo qualquer fórmula pra se viver a vida sem "Melancolia". Nem "O Mágico de Oz"...

Em tempos de "Invasões Bárbaras" calculamos nosso futuro em cifras e passamos tempos e tempos sem saber o que é o autêntico prazer de viver. Nesse "teatro do absurdo" que é a vida em sociedade os papéis por vezes são lamentáveis, como na "Última Parada 174" ou em "11/9". Em missões e missões alguns tentam nos convencer de sua verdade, milhões vivem com pouco, alguns com muito, mas, eu sei, a felicidade do mundo não é proporcional a isso. No balanço das brisas mais bonitas o humano se inventa maravilhosamente. Se estivéssemos há 100 anos atrás a vida ainda não teria cores, nem som. Estaríamos prestes a entrar no primeiro conflito armado que envolveria quase todas nações do mundo. Nada mais seria o mesmo depois disso.

Num século vinte cheio de aberrações e maravilhas a vida passou a ser guiada pela beleza do cinema. As meninas vão ver o novo galã nas matinês do "Cinema Olímpia". Algo que talvez não aconteceria no "Cine Majestik" ou no "Cinema Paradiso". Isso era nos anos 1950? Nos anos 1960? Como é bom ver aquelas imagens de documentários com os rostos limpos da juventude pós-segunda guerra achando que o mundo é o paraíso e que os hippies salvarão o mundo. Se não houvessem as grandes guerras não haveria ONU. Mas será que a história tem mesmo essa relação de causa-efeito, ou será uma senhora cheia de meandros, absoluta, misteriosa e ininteligível como nos filmes de Fellini ou David Linch? Tudo mundo há de concordar que não dá pra viver eternamente num filme de Lars Von Trier. E será que os meninos de óculos de armação dura, camisa xadrex e tênis all star que assistem Akira Kurosawa nunca vão se misturar com os que calçam nike, usam correntes no pescoço e se divertem com "American Pie".

Nossa infância foi agraciada com as pérolas de Macaulay Culkin, com os musicais da Disney, com as bobagens de Lesley Nilsen, com as façanhas de "JCVD". Há um brilho a mais na arte que faz nossa vida. Desde os solteirões até as lideres de torcida, desde os assassinos em série até os personagens dos filmes bíblicos. Nos vespertinos vícios regados à Sessão da Tarde fomos persuadidos a ir "De Volta para O Futuro", mas naquela época ninguém sabia se seria um acadêmico estilo documentário, ou um lutador de boxe estilo Rocky.

Se a minha vida fosse um filme? Gostaria muito de ser um "Poderoso Chefão", mas como meu estilo é mais suave poderia ser um sujeito normal caminhando nas ruas de São Paulo como um personagem dos mil documentários sobre a cidade. Se não me mudasse do litoral poderia ser um sujeito como naqueles filmes de surf em Malibu. Um dia já sonhei em ser um "Sherlock Holmes" ou fazer parte de uma "sociedade do anel", mas o máximo que consegui foi ser uma adaptação de um enredo do Woody Allen. Bem que poderia ser genial como Spielberg ou George Lucas, mas ainda não chegou minha hora. Desespero-me quando penso que minha vida soa à "Lavoura Arcaica", mas lembro que minha vida é urbana e não estou apaixonado por minha irmã. Nas metáforas possíveis sonho com "Dois Perdidos Numa Noite Suja". Quando vou aos bares penso um pouco no Exterminador saindo de moto após dizer "hasta la vista, baby". E tenho um pouco de medo de me transformar num nostalgico sartreano como Rémy em "As Invasões Bárbaras".

Vivo pela beleza crua de "Asas do Desejo" e pela esperança digna dos "Doutores da Alegria". As vezes me sinto num filme de Almodôvar, louco, desvairado. Mas relaxo, é só um filme dentro de um filme dentro de um filme dentro de um filme dentro de um filme dentro de um filme. Será que há continuação depois dos créditos? Se for um curta-metragem que seja muito intenso. Se for um filme japonês que eu tenha muita paciência. Só não quero viver nunca mais uma vida sem cores e uma trilha sonora com muitos acordes menores. Se tiver que enfrentar a solidão serei bravo como nas obras de Shakespeare e doce como nos trechos de Chaplin.

E você? Se a sua vida fosse um filme?


Mateus Moisés
Sessões

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Equilibrista

Nome Original: Man on Wire
Diretor: James Marsh
Ano: 2008
País: Reino Unido e EUA.
Elenco: Philippe Petit
Prêmios: Oscar, Bafta, Sundance e Toronto de Melhor Documentário.

Um ponto no céu, inidentificável, causa pânico, clamor, espanto, curiosidade para descobrir o que acontece lá em cima entre aqueles dois prédios. Seria um pássaro, um avião (isso aconteceria anos depois), um super-herói? Talvez tudo isso. Talvez seja apenas um louco, um desvairado, um mágico. Philippe é o nome dele, mas ele não está só. Rodeado de amigos, conta a história que ficou na história, num ponto em que o que ele fez não poderá nunca mais ser feito. Tudo culpa de um tal avião. Dois.

A história de Philippe Petit teria de tudo para não dar nada certo. Mas só os ousados fincam seu nome nos livros e são dignos de que os fatos reais virem contos. Um tipo de ousadia que só os corajosos adidos de um pó de coragem e um toque de divindade. Atravessar um vale através de um cabo de ferro é algo comum para quem vai a circos, mas não para quem habita o asfalto e não se atenta a olhar para o céu, nem mesmo para buscar o sobrenatural. Se o francês não fosse um transgressor por natureza ele jamais sobreviveria nessa terra de coroinhas de uma fé que não acreditam.


Ver suas façanhas, ouvir as versões, ver imagens históricas do homem sem asas que voava por cima de nossas cabeças é uma experiência memorável, inesquecível e desafiadora. Não, eu não vou pegar um bambu e sair andando por uma corda ligada por duas torres, mas vou arriscar, ousar mais. Nessa terra de gigantes, ninguém consegue destruir o sistema se não voar alto, se não tiver colhão. Um ótimo documentário sobre uma pessoa marcante, histórica, esquecível, mas que agora estará na mente de muitos de seus iguais por querer ser igual a ele, mesmo sem pisar num cabo de aço. Se é tudo uma invenção e uma história criada, ah, de que importa. Isso tudo é um marco maior que qualquer (história inventada de) World Trade Center.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mother – A Busca pela Verdade

Nome Original: Madeo
Diretor: Joon-ho Bong
Ano: 2009
País: Coréia do Sul
Elenco: Hye-ja Kim, Bin Won e Ku Jin Prêmios: Melhor Atriz (Hye-ja Kim) no Asian Film Awards e SIGNIS Award no Festival de Mar del Plata.


Ser mãe é um sentimento que não dá para descrever. Saber como é ter uma vida dentro de você, dependendo de você, cuidado por você é ... Não adianta ficar devaneando sobre como é essa sensação, pois não chegaria perto de conseguir descrever nem mesmo assim. Mas se nem todos saberão como é ser mãe, todos sabem como é ser filho, mesmo os órfãos, sabem como é não ter uma mãe. É um amor indescritível, uma querência inquestionável, uma história única... Não dá pra descrever... É uma história incrível, cada uma diferente da outra, mas o sentimento é (quase) sempre igual.

Vemos uma mulher, já judiada pelo tempo, é uma dessas mães que vivem por essa terra. Mãe solteira que cuida de seu único filho Do-Joon (Bin Won), um menino de 27 anos, mentalmente incapacitado, mas que tem muita liberdade, muita vontade própria, amigos, vontades. Rodeada de ervas curandeiras e exercendo a acupuntura de forma irregular, ela só tem uma missão: manter seu filho bem, feliz, cuidando de cada espacinho daquele corpo frágil – idolatrando o seu eterno pequeno. Mas um tenebroso assassinato no vilarejo faz de Do-Joon um suspeito. Um bode expiatório. É mais fácil acusar um ser humano incapacitado do que qualquer outro malandro que rondeia as imediações.

Com cenas memoráveis, Mother se torna um grande conto à medida que a história vai sendo contada, minuto a minuto, com seu enredo de nuances multicolorido, como uma aurora boreal, que vai de suspense a momentos de riso incontroláveis em questão de cenas. A angustia vai ganhando espaço, chegando a causar cegueira, uma demência que apaga a história. A jovem morta de forma sobrenatural e a investigação sobre o caso denotam a força de uma mãe em provar a inocência do rebento. Não pode ser ele. “Ele não machucaria um mosquito”. Mães... mães... A demência é contagiosa.


Bong Joon-Ho, conhecido por “O Hospedeiro”, agora nos trás uma história totalmente diferente, um conto cheio de gêneros onde o sentimento materno é exposto de forma nua, crua e quase que caricata, mas com um tesão que nos passa uma verdade incontestável. A mãe do título, interpretada por Hye-ja Kim, tem a força nos olhos e na interpretação que mostra bem a força que é ter uma vida dependendo de si. O incomodo está em cada instante que pensamos que ser mãe é uma dádiva, mas pode ser um fardo que carregará com a força de um cavalo e jamais esmorecerá. Seu filho nunca será culpado.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Brasília 18%

Nome Original:Brasília 18%
Diretor: Nelson Pereira dos Santos
Ano: 2006
País: Brasil
Elenco: Carlos Alberto Riccelli, Karine Carvalho, Bruna Lombardi, Othon Bastos, Michel Melamed, Malu Mader, Carlos Vereza, Nildo Parente, Otávio Augusto e mais.
Sem Prêmios


Eu amo o amor dos amados amantes desse antro de autoridades acéfalas. Misturar romance e política é quase o mesmo que tirar nota 10 no salto ornamental em um mangue e isso só ficaria bom se fosse com Nelson Pereira dos Santos. Nosso maior cineasta vivo consegue interagir com temas tão abrangentes com a proximidade de gêmeos siameses. Precursor do Cinema Novo inova com a vitalidade dos jovens intrépidos e com a categoria dos maiorais. Imortal, criou uma miscelânea de seus colegas de ABL e jogou tudo para dentro do Congresso numa cidade que só existe no mapa. Brasília não é nossa capital. Brasília é a capital de um país chamado Distrito Federal. O Brasil não merece Brasília, e, Niemeyer, a culpa não é sua, apesar de você ser capaz de acinzentar o mais verde dos pomares.


Ao vermos Olavo Bilac, legista pop-star que acaba de ficar viúvo, voltar dos Estados Unidos para encerrar um suspeito caso da morte de Eugênia, bela e mal falada assessora política que sumiu, vemos uma estrela maior que vê as mulheres que aparecem à sua volta como anjas. Anjas nuas, a falecida esposa, a assessora sumida ou mesmo uma deputada que apenas quer se entregar. Ele tem o dom da conquista pulsando em suas veias. Mas ninguém quer saber disso. O corpo achado na estiagem é mesmo de Eugênia? Complôs, almoços, festas, estereótipos manjados aparecem em nomes renomados de nossa literatura. Faz com que odiemos nossa história pelos cacoetes, pela miscelânea de personas que habitam as casas maiores desse país. Olavo é o último dos moicanos. Sim, o último a morrer. Uma morte que já está escrita nas páginas policiais. Não, nenhum trem passará por cima de seu carro ou será vitima de uma emboscada encomendada por Silvio Romero ou por Carlos Drummond. Ele morre assim que sabe que a ética não existe e nunca existiu.

De mulheres nuas, submundo do crime organizado por chefões de colarinho branco, bacanais, um cineasta drogado e acusado de matar sua namorada, político que já comeram muitas vezes a agora falecida, desvio de verbas ou mesmo limpeza de arquivo. “O calor emburrece as pessoas”. Chamar Olavo para analisar o cadáver foi uma tentativa de ter um nome acima de quaisquer suspeitas à frente do caso. “Burros”. “Quem chamou esse aí?”. Conchavos e esquemas sempre acontecerão desde que os macacos deixaram de ser só animais e tornaram-se esse ser que hoje somos. Que Eugênia apareça para cada um, pois o amor é importante, mas perto de tanta sujeira só podemos ter asco de tudo que está por perto. Eugênia é apenas um escape, uma fuga, uma mentira. Mentiras é o que mais existem naquela cidade. Nelson viveu anos para os documentários e voltou à ficção em “Brasília 18%” que tem mais verdades incontestáveis e imutáveis que em muitos jornais por aí. São perguntas sem respostas e busca-las é o ideal de cada um dos que nasceram nessa terra de ninguém. Cadê a esquerda? Cadê a verdade? Eugênia está viva? Ninguém saberá. Apenas um homem apaixonado saberá o que verdadeiramente sente. Mas não sabe se é o mundo real. E se vivemos do passado de Drummond, Augusto, Cacilda ou Ruy que a baixa humidade do ar da capital mate todos que lá politicam e que só no próximo verão é que encontremos seus corpos pútridos e irreconhecíveis nos campos secos ao lado das obras de concreto armado e sem vida.

“De que serve construir arranha-céus, se não há almas humanas para morar neles?” (Érico Veríssimo)

Apenas de obras de artes vivemos e que elas não estejam em Brasília.


“Eu sou artista. Posso ter defeitos, vícios, mas eu não sou ladrão, não sou assassino. Diferentemente desses que estão sendo acusados aqui, com base nos documentos que a Eugênia me entregou e a polícia tomou. Então é isso: nome aos bois, aos tubarões, à crocodilagem. É a selva brasileira, minha gente! Porque esses deputados, esses senadores, essa quadrilha é assim. É dinheiro para o ceguinho e quem é que não quer ver? É dinheiro para órfão, e quem é que foi abandonado? Aqui, tudo, rigorosamente Tudo, se resume a dinheiro. Minha terra tem dinheiro onde canta o dinheiro... Vou-me embora pra dinheiro, lá sou amigo do dinheiro. Mundo, vasto dinheiro. Eu sou artista brasileiro. Eu não sou assassino.” (Michel Melamed)

P.S. - O novo filme de Nelson Pereira dos Santos, “A Música Seguro Tom Jobim” entou em cartaz sexta-feira (20/01/2012). Mais uma obra de arte a caminho. Aliás, uma obra de arte de uma obra de arte.

P.S. 2 – Desculpe aos brasilianos que se sentem ofendidos, porém os desalmados que governam essa espelunca fazem com que amaldiçoemos essa cidade sem esquinas para os lados e de obras megalomanias. Um deserto habitável, vivo e cheio de boas coisas. Vamos implodir as obras de um tal Niemeyer sem aviso prévio. Eu não acredito em ninguém.


Não bata! Mesmo!

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

2001 - Uma Odisseia no Espaço (Parte 1)

Nome Original: 2001 - Space Odyssey
Diretor: Stanley Kubrick
Ano: 1968
País: Estados Unidos
Elenco: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Douglas Rain, Donald Richter e outros.
Prêmios: Oscar de Melhores Efeitos Especiais, Prêmios BAFTA de Melhor Fotografia, Trilha Sonora e Direção de Arte

Ao saber que fui incumbido por meus amigos de blog de comentá-lo, pensei na dificuldade da tarefa. Me empenhei, vi o filme mais diversas vezes, li o livro, vi documentários sobre o filme, li as considerações que encontrava sobre. Percebi ao longo deste tempo que quanto mais eu assistia ao filme, ou me conectava a ele de alguma forma, mais difícil ficava a tarefa de escrever. Os meses em que o cartaz esteve aí ao lado foi um tempo de paradoxo, por que quanto mais eu conhecia e gostava de 2001, mais árduo ficava rascunhar algumas linhas sobre. E por que tudo isso? Claro que as respostas não são simples e muito menos lógicas. Mas, o que mais me convence e conforta é pensar que '2001 - Uma Odisseia no Espaço' é um filme infinito e inesgotável.



Inesgotável e infinito como metáfora. Inesgotável e infinito como moral e filosofia. Inesgotável e infinito como beleza. Inesgotável e infinito como experiência. Inesgotável e infinito como o futuro. Inesgotável e infinito como o que vem depois. Inesgotável e infinito como o universo ainda o é. Inesgotável e infinito como as questões que deixa. Inesgotável e infinito como desejo humano.

O desejo humano de ser infinito pode ter começado quando um bando de macacos pode sobressair-se sobre seus pares. A humanidade começa quando macaco vira presa difícil. A humanidade começa quando macaco mata. Macaco mata boi, mata elefante, mata leão e mata macaco. A humanidade começa quando macaco descobre que há possibilidade de moldar a natureza a sua necessidade. O macaco virou gente e apropriou-se de um planeta. De lá para cá, um abreviado intervalo e já não se consegue mais chamar este bicho de macaco. Os modos de macaco são um passado? Que foi feito deles?



De lá para cá - a estação espacial. Além da atmosfera, diante da vastidão do interminável está o homem. O que é este ser diante do infinito? O mesmo que aprendeu, descobriu, navegou, conquistou é desconforto, pausas, espaçamentos, hibernação, letargia. Uma fragilidade protegida apenas por trajes, aparelhagem, adaptações, aparatos, parafernália. Máquinas, altas tecnologias, processadores, inteligências artificiais. Evolução? Até que ponto?

A missão é Júpiter. Quase todos hibernam. O sucesso da missão está confiado a mais recente invenção da inteligência artificial – HAL 9000. Um computador capaz de processar a maioria das atividades do cérebro humano, porém com muito mais rapidez e fiabilidade. Em entrevista HAL declarou a um programa de televisão do ano de 2001:

“O que eu acho é tudo que um ser consciente pode querer.”



A automação do cérebro humano é o que faz o homem ir além. As máquinas adquirem um papel tão cabal em um universo impróprio para manter-se vivo, que são eleitas, são as que podem reagir a este ambiente sem necessidades fisiológicas e emocionais e por isto, estão no comando. HAL é confiável, infalível, incapaz de errar e fará da missão um êxito. Tripulação para quê? Evidente que alguém precisa fazer a manutenção das máquinas. Sem as ferramentas, o que sobra do homem? Onde estão Deus e os alienígenas?





Continua...


Leandro Antonio
Sessões
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