sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os 8 Odiados


Nome Original: The Hateful Eight
Ano: 2015
Diretor: Quentin Tarantino
País: EUA
Elenco: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Demián Bichir, Tim Roth, Bruce Dern, Walton Goggins e Channing Tatum.
Prêmio: Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora (Ennio Morricone)
Os Oito Odiados (2015) on IMDb


Se você está esperando aquela jorrar de sangue da tela, pedaços de miolos caindo no seu colo, diálogos hipnotizantes, tensão racial e a execução de planos mirabolantes por personagens canastrões e caricatos então veja essa nova pérola de Quentin Tarantino. Mas, se você não gostou dos 7 filmes anteriores esse é o oitavo para você odiar. O diretor/roteirista criou marcas registradas em sua filmografia baseado na voracidade dos diálogos adido a imagens que não economizam sangue. São sempre filmes longos onde na primeira parte somos apresentados aos personagens e à tensão para que na segunda parte a ação exploda na tela. Há quem diga que Tarantino é diretor de um estilo único de filme – concordo, pois, Tarantino sempre faz filmes tarantinescos. Ele virou um adjetivo. Não há igual, mesmo que seja sempre igual. Já vimos tudo, mas sempre é divertido e envolvente. Tarantino é genial.

Num gélido inverno em Wyoming, dois caçadores de recompensas estão a caminho de Red Rocks. Marquis tenta levar corpos mortos, já John Ruth carrega acorrentado ao seu braço Daisy Domergue, uma foragida perigosa e que vale 10 mil. A nevasca forte forçará que fiquem numa estalagem até ela passar. Ao adentrar percebem que já há outros homens já instalados e os habituais trabalhadores do recinto não estavam por lá. Tudo muito suspeito. Há cheiro de armação e a partir daí a estalagem será o ambiente de desconfiança, debates e enfrentamento, cheio de ódio.


Dos tantos pontos positivos que o filme nos apresenta, o maior é a trilha sonora sob a batuta de Ennio Morricone. Sim, o gênio dos faroestes, dá a tensão e dinâmica de dimensões absurdas que o filme merece. O elenco está afiadíssimo, com caras batidas dos filmes do Tarantino , como Samuel L. Jackson e Tim Roth, junto a Kurt Russel, Demian Bichir e a maior estrela - Jennifer Jason Leigh, a responsável pelo humor e ponto chave do filme. Ela está excelente no papel de Daisy. Há quem reclame de um excesso didatismo, no qual insere um narrador em off, divisão em capítulos ou mesmo quando explica passo a passo o que aconteceu. Tarantino está dando aula de cinema, crianças. Realmente pode incomodar, mas isso não tira o brilho do que vemos. O brilho do sangue escorre, rimos, relaxamos e curtimos bons momentos com Tarantino. “Os Oito Odiados” é excelente!

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 27 de dezembro de 2015

Beasts of No Nation



Nome Original: Beasts of No Nation
Ano: 2015
Diretor: Cary Joji Fukunaga
País: EUA
Elenco: Abraham Attah, Emmanuel Affadzi e Idris Elba.
Prêmio: CICT-UNESCO Enrico Fulchignoni Award no Festival de Veneza.
Beasts of No Nation (2015) on IMDb


A barbárie está mais próximo do que imaginamos. Quando achamos que o mundo evoluiu, que vivemos em um planeta mais honesto e menos discrepante, onde pensamos que os direitos humanos, o respeito à vida e a democracia já impera no globo, vem uma pedrada e nos atinge na cabeça causando sérios danos. E pensar que aqui perto gente, talvez na mesma longitude esteja acontecendo nesse momento um massacre, mortes em série, abusos coordenados, tiranos matadores e ditadores travestidos de bons moços. O mundo é um caleidoscópio onde as imagens que nos embriagam suavizam o inferno que realmente ele é. Enquanto alguém estiver morrendo por ser submisso a outro ser humano, estaremos num planeta fétido.

Em algum lugar da África, através dos olhos do pequeno Agu, acompanhamos a inocência sendo mutilada pelo medo e barbárie. Logo na cena inicial somos jogados para dentro da tela (literalmente) e somos enfeitiçados pelo pequeno e logo nos rendemos ao seu olhar sobre o que virá logo depois. Uma guerra civil toma a vila onde mora com a tradicional família. Com o instinto de proteção ao lar, os homens ficam e as crianças e mulheres são levadas por aproveitadores para fugirem para o mais longe possível. A guerra é brutal, com armas de calibre pesado e homens sanguinários querendo o território a qualquer custo. A guerra é sempre brutal. Entre tiroteios, esconderijos e indecisão, Agu foge e acaba caindo nas mãos de um grupo rebelde liderados pelo ‘Comandante’, um ser frio, estrategista e que conquista o respeito pelo discurso e pela força. A partir daí este começa a criar pequenos guerrilheiros, sanguinários que estão dispostos a qualquer esforço para ser reconhecidos, crescerem na facção, ganhando respeito e afago da nova família. A inocência dá espaço para o extremo. O que vemos a partir daqui é mais do que absurdo, mas uma simbiose de sentimentos que nos levam mata adentro e fazemos parte dessa loucura. A loucura existe.


Um dos melhores filmes do ano - e um marco cinematográfico por ser o primeiro filme de ficção concebido pelo Netflix. É impossível não falar de “Beasts of no Nation” sem citar as brilhantes atuações do badalado Idris Elba e do jovem Abraham Attah. ‘Comandante’ e Agu são personagens complexos, intensos e que foram muito valorizados por esses atores brilhantes. Mas a grande estrela do filme é Cary Fukunaga. O diretor e roteirista conseguiu transferir um mundo real em uma realidade visível aos nossos olhos. Se há a barbárie, há também o humano. Se há o absurdo, há também a sobrevivência. Se há a violência, há também a violência. Fukunaga conseguiu criar um filme com liberdade e ousadia. É um belíssimo filme.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Mia Madre


Nome Original: Mia Madre
Ano: 2015
Diretor: Nanni Moretti
País: Itália e França
Elenco: Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti e Beatrice Mancini.
Prêmio: Prêmio do Juri Ecumenico no Festival de Cannes e Melhor Atriz (Margherita) e Melhor Atriz Coadjuvante (Giulia) no David di Donatello.
Mia madre (2015) on IMDb


Quando pensamos que tudo está ruim, o destino, Deus, uma força superior (ou o que você crer) faz ficar ainda pior. É uma provação. As coisas só acontecem com quem aguenta o tranco. Margherita está numa espécie de caos interno já que sua mãe está muito enferma e ela precisa se desdobrar, com ajuda do irmão, para dormir no hospital, sua filha está dando trabalho costumeiro de adolescentes e que tiram todos os pais do sério e ela acabou de começar a dirigir seu filme e vem tendo diversos problemas com a produção. Entre noites mal dormidas, discussões com a filha e reflexões com o irmão, o ator principal de seu filme chega dos Estados Unidos, sem falar italiano fluentemente e com postura de estrela, tudo piora. Ela está à beira de um ataque de nervos e não é por menos.

Nanni Moretti é um cineasta contemporâneo. Dos melhores em atividade, com filmes que tem o homem no centro das atenções. O ser humano é sempre dissecado pela dor extrema e pelo humor refinado. “Mia Madre” é singelo no sentimento, sensível na abordagem, divertido para dar sal à vida. Em pensar que Margherita é o alter ego de Moretti durante as filmagens de “Habemus Papam”, onde viveu situação semelhante à personagem. Ele consegue fazer do próprio inferno uma obra de arte através de atuações memoráveis de Margherita Buy e Giulia Lazzarini. John Turturro, que interpreta Barry, o ator americano, faz a quebra humorística do filme. O Nanni, que interpreta o irmão da Margherita, trabalha como a consciência, o ponderado para que ela aguente toda a pressão do mundo que está em suas costas. É um filme singelo, sem ser simples. É duro, mas terno. É Nanni Moretti - o genio de "Caro Diário", "Caos Calmo" e "O Quarto do Filho" - então é coisa boa!

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Mommy


Nome Original: Mommy
Ano: 2014
Diretor: Xavier Dolan
País: Canadá
Elenco: Anne Dorval, Suzanne Clément e Antoine-Olivier Pilon.
Prêmio: Prêmio do Juri no Festival de Cannes e César de Melhor Filme Estrangeiro.
Mommy (2014) on IMDb


Não me abandone. Eu te amo, mãe. Eu nunca mais vou fazer nada para te preocupar, pra te deixar na mão, pra te magoar. Eu mudei completamente minha percepção de vida, eu não vou mais fugir, eu quero ficar com você, eu preciso de você, eu não sei viver sem você. Mamãe. Mamãe. Não me abandone, por favor! Eu preciso de você. Eu te odeio, mas eu preciso estará com você. Não namore um babaca como esse, ele só quer te foder, te comer e sair fora. Ele não tá nem ai para quem você é. Ele não merece você. Você e eu somos um só. Juntos somos invencíveis, inesquecíveis e odiosamente felizes. Quero te amar, mas odeio você. Você é repugnante. Abre um vinho para nós, chama a vizinha pra ficar com a gente. Eu a quero pra mim. Quero amá-la. Quero te amar. Liberte-me dessa vida. Eu não quero mais nada de você, mas não me abandonem. Eu não viveria sem você. Liberte-me. Liberte-me. Me solta! Me solta!

Diane é uma mãe viúva que está sobrecarregada com a vida e foi surpreendida pela expulsão do filho do internato ao qual estava confinado. Steve sofre de déficit de atenção, mas a olhos nus parece bipolaridade. Uma mulher cabisbaixa, depressiva e que consegue com os bons momentos com o filho recuperar a autoestima. Brigas constantes entre os dois deixam o panorama mais complexo do que um sobe e desce de uma montanha russa. A relação dúbia entre prova que o amor nem sempre é suficiente para amar. O amor é confuso, complexo, difícil. O destino trouxe a vizinha Kyla para dentro da casa. Ela é doce, gentil e prefere deixar marido e filha em casa para cuidar de Steve, para conviver com Diane. Mas como mudar tudo de uma vez?

Xavier Dolan faz um filme terno. Dificil não se cativar, se interessar pelos personagens em seus extremos. Ele consegue extrair seiva densa da vida dos três personagens. Ele espreme numa tela 1:1 que nos incomoda. Essa é realmente a intenção. Mas com trilha sonora moderninha, bem encaixada, num roteiro duro, mas dinâmico, “Mommy” se torna um belo filme sobre amor. De amor. Belíssimas atuações de Anne Dorval e Suzanne Clément. Antoine Pilon, que vive Steve, por vezes ultrapassa o limite da atuação, mas consegue expor a sua dificuldade de seu personagem conviver em sociedade por conta do déficit de atenção. Bonito filme.

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 29 de novembro de 2015

007 Contra Spectre



Nome Original: Spectre
Ano: 2015
Diretor: Sam Mendes
País: EUA
Elenco: Daniel Craig, Léa Seydoux, Christoph Waltz, Monica Bellucci, Naomie Harris, Ralph Fiennes, Rory Kinnear, Andrew Scott e Ben Whishaw.
Sem Prêmio.
007 Contra Spectre (2015) on IMDb


Cheiro de morte no ar. Detetive elegante na tela. Música clássica nos ouvidos. Explosões e perseguições de tirar o fôlego. Belas mulheres conquistadas. O personagem é o mesmo, mas desde a chegada de Daniel Craig ao posto de 007 ("Cassino Royale") vemos um agente, digamos, mais humano – que se machuca, fica bêbado, se envolve sentimentalmente com as Bond Girls, tem dúvidas morais, passado e fantasmas que o perseguem. E entendo que essa mudança é o grande mote para a retomada do sucesso da franquia, que vinha definhando nos filmes antes do loiro. Depois do sucesso absoluto de público e crítica de “Skyfall”, Sam Mendes foi mantido na direção para dar seguimento à sua linha de autor. Ela continua de maneira forte, mas há em “007 Contra Spectre” algo que nos remete ao clássico James Bond.

Enquanto Bond segue pistas de uma organização secreta, M luta politicamente para a manutenção do programa 00, numa reorganização da segurança da Inglaterra, após os fatídicos atentados ocorridos no filme “Skyfall”. SPECTRE é uma organização secreta global. Ela está infiltrada nos governos mais poderosos do mundo que busca criar uma aliança mundial de segurança, onde teria acesso a todas as informações do globo. A cada nova pista uma teia é descoberta onde os inimigos de outros tempos, como Le Chifre, Mr. White e Silva eram apenas parte de teia comandada pelo cabeça da organização: Franz Oberhauser. A caçada de Bond será implacável para vingar todo o sofrimento causado. Ele precisa fazer de tudo para salvar sua vida, a vida da filha de Mr. White e a carreira de todos os colegas dentro do polícia.




Temos cenas memoráveis, mas o destaque vai para o início espetacular. O longo plano sequencia numa belíssima festa do Dia dos Mortos na Cidade do México nos envolve e prepara para o que está por vir. Durante a fita são diversas explosões magníficas e há também uma perseguição de carros de tirar o fôlego. Tudo com uma mixagem de som muito boa, efeitos visuais, locações incríveis. O roteiro de John Logan  é o grande barato do filme, costurando os filmes estrelados por Craig, vinculando os grandes vilões como participantes do SPECTRE, relembrando Vesper, a “mãe” M e os ataques terroristas ocorridos. Sam Mendes fez tudo muito bem alinhado. Ele é realmente um diretor de mão cheia. Craig é, para mim, o melhor Bond da história, então nem preciso comentar muito. Dos coadjuvantes “fixos” – Q e Moneypenny estão excelentes e cada vez mais presentes na tela, mas ainda não me apeguei a Ralph Fiennes como M. Ainda falta algo, mas é compreensível, pois substituir Judi Dench é realmente uma tarefa dura. Apesar de achar Monica Bellucci uma das mulheres mais belas do cinema, ela como Bond Girl não convenceu num papel pequeno e até de certa forma descartável. Já Léa Seydoux está excelente. Ela e suas olheiras avermelhadas criam um casal com química e ela está realmente muito bem no papel de Madeleine. Finalmente uma Bond Girl para fazer James esquecer Vesper. Esquecer nunca, mas a vida precisa seguir. Será uma pena não ver mais Daniel Craig no papel do agente com licença para matar, mas é compreensível o ator querer dar novo rumo a sua carreira. Ele revolucionou a franquia e será sempre lembrado. Que os próximos venham com a mesma vibe, com a mesma força!

Vida longa a Sam Mendes.

Vida longa a Daniel Craig.

Vida longa a James Bond!

Vitor Stefano
Sessões
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