sexta-feira, 25 de março de 2016

The Propaganda Game




Nome Original:  The Propaganda Game
Ano: 2015
Diretor:Alvaro Longoria
País: Espanha
Prêmios: Melhor Documentário no Cinema Writers Circle Awards
The Propaganda Game (2015) on IMDb



A maioria das notícias sobre a Coreia do Norte resumem - se  a  piadas sobre as excentricidades do regime ou o lançamento de mais um míssil intercontinental que pode atingir o Alasca.

Neste aspecto o documentário de Alvaro Longoria (Um quarto em Roma, Zona do Crime e Che: o argentino)  traz algo de positivo.

 A Coréia do Norte chama atenção. A política de demonstração de poderio militar através dos desfiles das forças armadas, a ideia de endeusamento de um único líder, a falta de comunicação com o mundo externo, o fato de ser o único regime autoproclamado comunista do mundo e etc. são detalhes que por si só atraem os curiosos para aquela região do globo.


Longoria, inova ao entrevistar o povo norte coreano em seu dia a dia contando para isso com o auxílio do Delegado Especial da Coreia do Norte para Relações Culturais com Países Estrangeiros, Alejandro Cao, um espanhol que ocupa um posto elevado na hierarquia do regime e que desde a adolescência emigrou para realizar o seu sonho de integrar-se ao exército comunista. Alejandro Cao desempenha papel central no documentário foi com ele que o diretor se articulou para realizar o documentário.

O povo aparece em entrevistas banais sobre como é viver na Coréia do Norte, sobre a existência de outras religiões sob o regime, sobre o ódio mortal aos Estados Unidos e sobre o amor incondicional ao    “Sol Supremo”, o líder máximo da nação, Kim Jong Un.

Um relato particularmente diferente foi o de um jovem que ao ser perguntado sobre qual era o seu sonho, respondeu que era terminar a universidade de “motorista do metro” e servir ao líder como motorista de metro. Além disso, muito comum nas falas do povo norte-coreano a ideia de que a coreia do norte é tão maravilhosa que não tem nem como descrever. É preciso ir lá pra conferir. O problema é que só se pode conhecer o país acompanhado por oficiais do governo.

Não se vê pobreza nem miséria no documentário de Alvaro Longoria, os tempos difíceis ficaram para trás quando o povo norte coreano foi humilhado pelas potências imperialistas (Japão e EUA). Pyongyang é uma capital limpíssima, calma, bonita, mas que transmite certa sensação de tristeza.


Obviamente, o documentário dá espaço à outras vozes como a de jornalistas e militantes dos direitos humanos todos com muitas críticas ao regime.

O ponto positivo do Propaganda Game é que ele mostra o que outros documentários não puderam até hoje mostrar: o povo, e de certa forma contribuí para jogar por terra algumas noticias que chegam até nós totalmente truncadas como a de que todos os jovens deveriam ter o mesmo corte de cabelo de Kim Jong Un; o ponto negativo é que os relatos daqueles entrevistados são sempre acompanhados por oficiais do partido o que põe em xeque toda a sua autenticidade bem como mostra um doutrinamento propagandístico que conforma o indivíduo desde a infância.

Fernando Moreira 
Sessões

terça-feira, 22 de março de 2016

Ponte dos Espiões


Nome Original: Bridge of Spies
Ano: 2015
Diretor: Steven Spielberg
País: EUA
Elenco: Mark Rylance, Tom Hanks, Domenick Lombardozzi, Victor Verhaeghe e Alan Alda.
Prêmios: Oscar e Bafta de Melhor Ator Coadjuvante (Rylance).
Ponte dos Espiões (2015) on IMDb



A Guerra Fria já foi exaustivamente tratada na história do cinema e agora, mais de 30 anos após seu término, Steven Spielberg e seu “Ponte dos Espiões” retoma essa temática. É bem verdade que Spielberg parece ter parado no tempo e não tem sido ousado em suas escolhas nos últimos anos – apesar de tecnicamente seus filmes serem sempre excelentes. Sim, ele fez filmes legais nos últimos anos, como “Super 8”, mas que deixam apenas aquela impressão de mais do mesmo. Ao ver um novo filme seu e novamente com Tom Hanks, nos remete naturalmente aos anos 90/2000. Com todos esses ingredientes, poderíamos apenas esperar mais um filme morno vindo de Spielberg. Sim, é morno, mas não insosso. É um filme que foge da pirotecnia de filmes de guerra e é preciso como filme de drama – e entretenimento.

A história de James Donovan é espetacular. Um advogado especializado em seguros é convocado pelos sócios a atender uma solicitação da CIA para defender um suposto espião britânico que trabalharia para os soviéticos que fora capturado. Entre a dúvida e seu respeito à profissão e papel que exerce na sociedade, James passa a defender o espião, de forma isenta, direta e intensa. O mundo e as partes da Guerra viviam momento tenso e Donovan está no meio do tiroteio ao defender um “inimigo”. Se um espião americano fosse capturado pelos soviéticos, o que aconteceria? A justiça deve ser feita e todos tem direito a defesa. Entre o drama e o julgamento, há pitadas de humor, principalmente no envolvimento entre os dois – que dá certa leveza ao filme.


Tom Hanks sempre faz grandes papéis e nem está em jornada tão inspirada, mas é Mark Rylance que dá um show como espião (e por falar em justiça, merecido Oscar de Melhor Ator Coajuvante, desbancando o favorito Sylvester Stallone por “Creed: Nascido para Lutar”). Um trabalho impactante num papel pequeno, e que cresce à medida que a trama desenvolve. O trabalho de arte, ambientação e locações são um prato cheio de qualidade. A direção de Spielberg é precisa e correta, mas como já disse, sem invenções. Um bom e velho cinema de entretenimento, com um pé nos filmes de julgamento e outro nos filmes de guerra. É um filme de grande qualidade e que poderia ser mais, bem mais, pela força de sua história, pelos roteiristas (colaboração dos Irmãos Coen), pelo diretor e por Hanks.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 16 de março de 2016

Creed: Nascido para Lutar


Nome Original: Creed
Ano: 2015
Diretor: Ryan Coogler
País: EUA
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson e Phylicia Rashad.
Prêmios: Globo de Ouro de Melhor Ator Coajuvante (Stallone).
Creed: Nascido para Lutar (2015) on IMDb



Pela sétima vez vemos o mesmo personagem na tela. Sim, pode ser cansativo ter uma franquia que perdure tanto tempo, ainda mais com um personagem perceptivelmente limitado e que se repete sempre. Bom, talvez você já estivesse cansado de ver Rocky Balboa na telona, mas “Creed” nos faz repensar esse pré-conceito ao ver o famoso personagem criado por Sylvester Stallone pela primeira vez não está no nome do filme e está fora dos ringues. E o grande trunfo do filme é se apegar às referências, ter certa nostalgia, mas olha para o futuro. Depois do primeiro – pelo apelo histórico e marco - é o melhor filme da franquia.

Partimos de Adonis, um jovem que aparentemente adora uma confusão e não tem jeito. Sua vida é brigar, lutar. Há um leão preso dentro dele, mas sua mãe adotiva evita deixar que ele siga os passos do pai, o famoso Apolo Creed, morto no ringue. Mas está no sangue. Está na vida. Apolo foi o maior adversário de Rocky, mas eram grandes amigos fora das cordas. E quem Adonis procurará para treiná-lo? Sim, Balboa! Após certa titubeada, Rocky faz mais que o papel de treinador, vira conselheiro, amigo e pai de Adonis. E nessa relação que esta a magia do filme. Claro, as cenas das lutas são muito bem feitas e geram toda ação no filme, mas é apenas pano de fundo para as relações humanas.


Stallone tem um biótipo incomum e limitador. Nunca foi (nem será) grande ator, mas é uma lenda que criou e viveu personagens que estão e estarão sempre na história do cinema, como Rocky e Rambo. Houve uma grande expectativa para que nesse ano ele fosse laureado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por este filme. Ele chegou a ganhar outros prêmios importantes na temporada, mas acabou ficando sem o careca dourado. Caso tivesse ganho, teria sido mesmo por seu carisma e esse apelo emotivo. Mark Rylance, o vencedor por “A Ponte dos Espiões” foi merecidamente o vencedor dessa categoria por uma atuação impressionante, que ofuscou até Tom Hanks. Mas isso não é demérito, pois Sly ele está na sua melhor performance da carreira num filme excelente sobre boxe e relações. O promissor diretor Ryan Coogler (que repete a parceria com Jordam no ótimo “Fruitvalle Station: A Última Parada”), conseguiu extrair o que havia de melhor na franquia, dando o papel principal para o também promissor Michael B. Jordan, e explorando Sylvester Stallone de forma mais introspectiva. A idade chega para todos e um ídolo da adolescência de muitos está envelhecendo – e que ainda dure muito e evoluindo.

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 13 de março de 2016

Glória Feita de Sangue


Nome: Paths of Glory
Ano:1957
Diretor:Stanley Kubrick
País: EUA
Elenco: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou e George Macready.
Prêmios: Indicado ao BAFTA em 1958.
Glória Feita de Sangue (1957) on IMDb


O estrategista militar Carl Von Clausewitz  define guerra como a  continuação da política por outros meios.  Mais tarde, Michel Foucalt irá inverter os termos e definirá a política como a continuação da guerra por outros meios. Quer adotemos a visão do filosofo alemão, quer adotemos a visão do filosófo francês em "Glória Feita de Sangue" qualquer uma das duas serve.

Roteiro direto e simples: um general ordena um regimento a uma missão suicida durante a I Guerra Mundial. O fracasso da missão enseja o julgamento de três oficiais por covardia para servir de exemplo para o resto da tropa. O coronel Dax (Kirk Douglas), tenta defende-los em vão.

Não precisamos lembrar que estamos diante de uma obra de Stanley Kubrick diretor que transitou por todos os gêneros do cinema com desenvoltura e genialidade. É simples de notar pela preocupação com a luz em um filme preto e branco, as falas adaptadas do livro de Humprey Cobb são uma de política e maquiavelismo e o caráter dramático que encarna o filme dando lhe um ar de antibélico, apesar da temática da guerra.

Em paths of glory salta aos olhos a irrelevância das vidas que se perderam para que um único general enfeite o peito com mais medalha. Vários elementos surgem durante o filme que demostram o caráter nefasto que a disciplina pode ter. Um deles é  essa ideia de que um oficial  não pode contestar uma ordem superior. Vários momentos no filme a gente se vê preso à esse pretenso “sentido de dever”. Outro elemento que incomoda é a distância hierárquica que separa um cabo de um general em uma guerra. Para aquele as trincheiras; para este  um palácio com direito a conhaque e várias outras regalias que só um comandante pode ter em um período de guerra.



Kirk Douglas encarna o lado da esperança e, de certo modo, do idealismo ingênuo, de tentar mudar por dentro uma instituição cuja maior preocupação é a manutenção do status quo.

Além de ser um bom filme, que mistura ética, história, drama e relações de poder, Paths of Glory traz vários insights sobre a natureza humana. Há quem aprecie; há quem não.

Não faz muito tempo eu estava buscando alguma coisa pra ouvir e me deparei, sem querer, com essa música de Carl Barat and the Jackals  Glory Days que é uma homenagem aos 306 oficiais que foram fuzilados na I Guerra Mundial por “covardia” ou “deserção”.

 Vale a pena ver; vale a pena ouvir!


Fernando Moreira 
Sessões

sábado, 5 de março de 2016

Divertida Mente


Nome Original: Inside Out
Ano: 2015
Diretor: Pete Docter e Ronnie Del Carmen
País: EUA
Elenco: Amy Poehler, Phyllis Smith, Richard Kind, Bill Hader, Lewis Black, Mindy Kaling, Kaitlyn Dias, Diane Lane e Kyle MacLachlan.
Prêmios: Oscar, Globo de Ouro e Bafta de Melhor Animação
Divertida Mente (2015) on IMDb


Estamos dentro de um cérebro. Não estamos vendo aquelas gosmas e caminhos esbranquiçados com aparência de couve-flor. O que vemos é uma mesa de controle e sentimentos controlando memória e ações. A cabeça é de uma criança, a pequena Riley, e os sentimentos que estão fazendo tudo funcionar são: Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo. Quem comanda a parada é a Alegria, onipresente e onisciente, sempre à frente dos outros, sempre ativa e cativante. Sem dúvida, trata-se apenas de uma criança. Mas a vida não é feita apenas de felicidade, não é mesmo?

A partir da mudança da família da fria Minnesota para a calorosa San Francisco, a já pré-adolescente começa a ter suas dúvidas e frustrações, o que acaba bagunçando um pouco o reinado da Alegria. Numa guerra de egos e de curiosidade, Alegria e Tristeza se exaltam, se estranham e acabam deixando Riley a mercê do Medo, Raiva e Nojinho. A partir daí vemos uma busca clara pelo controle e auto conhecimento, onde um sentimento não é mais importante que o outro - eles se complementam e trabalham juntos para não deixar que um tilt aconteça na cabeça de ninguém.


Um roteiro lindo e uma aula de neurofisiologia que se desenvolve em cima dos sentimentos antagônicos, com gráfico atrativo e bom ritmo. Ótimo para crianças e os pais embarcam juntos. O filme acaba apelando por vezes ao conhecido melodrama dos últimos filmes da Pixar, mas que nesse caso só da mais força pra todo drama interno desenvolvido. Interessante demonstrar que a Alegria é sempre o “mais legal”, mas há sempre espaço e vez para a “Tristeza”.

Vitor Stefano
Sessões
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...