quarta-feira, 24 de agosto de 2016

100 Melhores Filmes do Século - Lista da BBC

Como toda lista a polêmica se instalou. A BBC realizou um levantamento com 177 críticos de cinema de todos continentes (exceto da Antártida) e pediu que cada um fizesse uma lista dos 10 melhores filmes realizados a partir do ano 2000. A lista é apenas um resultado da real pergunta: O cinema está morrendo?

A lista é bem variada, um bonito panorama do cinema até agora nesse novo século que ainda está no começo. O cinema está mais vivo que nunca. Segue a lista que é encabeçada por "Cidade dos Sonhos" de David Lynch.


1. Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
2. Amor à Flor da Pele (Wong Kar-wai, 2000)
3. Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
4. A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
5. Boyhood - Da Infância à Juventude (Richard Linklater, 2014)
6. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança (Michel Gondry, 2004)
7. A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011)
8. As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000)
9. A Separação (Asghar Farhadi, 2011)
10. Onde os Fracos não tem Vez (Joel and Ethan Coen, 2007)
11. Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (Joel and Ethan Coen, 2013)
12. Zodiaco (David Fincher, 2007)
13. Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006)
14. The Act of Killing (Joshua Oppenheimer, 2012)
15. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
16. Holy Motors (Leos Carax, 2012)
17. O Labirinto de Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
18. A Fita Branca (Michael Haneke, 2009)
19. Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller, 2015)
20. Synecdoche, New York (Charlie Kaufman, 2008)
21. O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2014)
22. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
23. Caché (Michael Haneke, 2005)
24. O Mestre (Paul Thomas Anderson, 2012)
25. Amnésia (Christopher Nolan, 2000)
26. A Última Hora (Spike Lee, 2002)
27. A Rede Social (David Fincher, 2010)
28. Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)


29. WALL-E (Andrew Stanton, 2008)
30. Oldboy (Park Chan-wook, 2003)
31. Margaret (Kenneth Lonergan, 2011)
32. A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)
33. Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)
34. O Filho de Saul (László Nemes, 2015)
35. O Tigre e o Dragão (Ang Lee, 2000)
36. Timbuktu (Abderrahmane Sissako, 2014)
37. Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul, 2010)
38. Cidade de Deus (Fernando Meirelles and Kátia Lund, 2002)


39. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)
40. Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
41. DivertidaMente (Pete Docter, 2015)
42. Amor (Michael Haneke, 2012)
43. Melancolia (Lars von Trier, 2011)
44. 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen, 2013)
45. Azul é a Cor Mais Quente (Abdellatif Kechiche, 2013)
46. Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)
47. Leviathan (Andrey Zvyagintsev, 2014)
48. Brooklyn (John Crowley, 2015)
49. Adeus à Linguagem (Jean-Luc Godard, 2014)
50. A Assassina (Hou Hsiao-hsien, 2015)
51. A Origem (Christopher Nolan, 2010)
52. Mal dos Trópicos (Apichatpong Weerasethakul, 2004)
53. Moulin Rouge! - Amor em Vermelho (Baz Luhrmann, 2001)
54. Era uma Vez em Anatolia (Nuri Bilge Ceylan, 2011)
55. Ida (Pawe Pawlikowski, 2013)
56. A Harmonia Werckmeister (Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2000)
57. A Hora Mais Escura (Kathryn Bigelow, 2012)
58. Moolaadé (Ousmane Sembène, 2004)
59. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
60. Síndromes e um Século (Apichatpong Weerasethakul, 2006)
61. Sob a Pele (Jonathan Glazer, 2013)
62. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
63. O Cavalo de Turim (Béla Tarr and Ágnes Hranitzky, 2011)
64. A Grande Beleza (Paolo Sorrentino, 2013)
65. Fish Tank (Andrea Arnold, 2009)
66. Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Kim Ki-duk, 2003)
67. Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
68. Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)
69. Carol (Todd Haynes, 2015)
70. Histórias que Contamos (Sarah Polley, 2012)
71. Tabu (Miguel Gomes, 2012)
72. Amantes Eternos (Jim Jarmusch, 2013)
73. Antes do Pôr do Sol (Richard Linklater, 2004)
74. Spring Breakers: Garotas Perigosas (Harmony Korine, 2012)
75. Vício Inerente (Paul Thomas Anderson, 2014)
76. Dogville (Lars von Trier, 2003)
77. O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007)


78. O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese, 2013)
79. Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000)
80. The Return (Andrey Zvyagintsev, 2003)
81. Shame (Steve McQueen, 2011)
82. Um Homem Sério (Joel and Ethan Coen, 2009)
83. A.I. Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001)
84. Her (Spike Jonze, 2013)
85. O Profeta (Jacques Audiard, 2009)
86. Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)
87. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet, 2001)
88. Spotlight: Segredos Revelados (Tom McCarthy, 2015)
89. La mujer sin cabeza (Lucrecia Martel, 2008)
90. O Pianista (Roman Polanski, 2002)
91. O Segredo dos Seus Olhos (Juan José Campanella, 2009)
92. O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007)
93. Ratatouille (Brad Bird, 2007)
94. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
95. Moonrise Kingdom (Wes Anderson, 2012)
96. Procurando Nemo (Andrew Stanton, 2003)
97. Minha Terra África (Claire Denis, 2009)
98. Dez (Abbas Kiarostami, 2002)
99. Os Catadores e Eu (Agnès Varda, 2000)
100. Carlos (Olivier Assayas, 2010)
100. Requiem para um Sonho (Darren Aronofsky, 2000)
100. Toni Erdmann (Maren Ade, 2016)

O que está faltando? O que está demais? Listas são sempre listas...

Vitor Stefano
Sessões

sábado, 13 de agosto de 2016

Sessões Dupla: The Square e Eu sou o Povo

Nome original: Al Midan e Je suis le peuple
Diretoras: Jehane Noujaim; Anna Roussillon
País : Egito e França
Elenco: Ahmed Hassan e Farraj 

Ao ver de fora e de longe, as primeiras imagens que vem à cabeça quando se pensa no Egito são pirâmides, faraós, desertos e o maior rio do mundo.  Uma visão mais contemporânea desse importante país africano pode mostrar que os estereótipos ficam bem longe quando o assunto é Egito atual. Você pode atestar isso assistindo  The square (2013) e Eu sou o povo (2015).




The Square, remete aos acontecimentos que incendiaram todo o norte da África conhecido por primavera árabe. Um conjunto de revoltas de rua que exigiam mudanças radicais no sistema político.  A explosiva equação social que explica a explosão popular contra o governo passa por altos índices de desemprego, boa escolaridade dos jovens, regime político fechado, facilidade de obtenção de informações e repressão policial à qualquer oposição ao governo. O estopim da primavera árabe não se deu no Egito, ocorreu na Tunísia, em 2011, quando o jovem Mohammed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo em protesto à ação policial que o impedira de comercializar verduras na vila por falta de licença; ele tinha formação técnica e estava desempregado. A chama que Bouazizi acendeu incendiou todo o norte da África e chegou ao Egito.



Símbolo máximo da rebelião foi a praça Tahir onde os manifestantes se reuniram não só para protestar e exigir a queda do governo de Hosni Mubarak, que presidia o país desde 1981, mas também para cuidar uns dos outros uma vez que a repressão estava presente e pronta para atuar. No começo a força política predominante é a corrente laica que pedia uma constituinte com direitos e garantias individuais. Aos poucos vemos o ascenso da corrente religiosa da irmandade muçulmana irrompendo e dividindo o movimento e por fim o exército que depois das eleições de Mohammed Mursi o retira e assume o controle do país. Um das melhores coisas do The Square é a fala de Ahmed Hassan sobre o significado da revolução. Diz ele que a fim da revolução foi introduzir uma cultura de protesto. A direção é de Jehane Noujaim uma entusiasta da união dos povos fundadora do Pangea Day.



Já Eu sou o povo a diretora Anna Roussillon, libanesa, criada no Egito e formada na França, mostra a perspectiva dos egípcios que assistiram aos acontecimentos na praça Tahir pela TV. Abrange também todo as fases da revolução, só que foca nas esperanças e desilusões de um povo pobre, camponês e distante do epicentro das mudanças políticas que ocorriam no Cairo. Aqui Raffaj o camponês pobre que cuida da terra e tenta alimentar sua família de 4 filhos, sendo um recém nascido, se empolga com as mudanças que vão acontecendo, participa através das eleições, vota em Mohammed Mursi mesmo ele sendo apoiado pela Irmandade muçulmana e se decepciona com ele quando adota medidas reacionárias. O momento mais interessante é o do debate entre a diretora e Raffaj que se irrita com o conceito de democracia que ela tenta conceituar e que para ele não existe. A democracia em ultima instância também quer dizer só interesse e pouca justiça. Que tipo de democracia pode apoiar ditaduras em troca de petróleo? É fácil o ocidente querer dar lições de democracia ao Egito quando apoiam regimes tão distantes da liberdade. Em suma, Raffaj está querendo dizer que democracia é uma palavra polissêmica que serve a um discurso político que se quer bom, porém eivado de interesses escusos dentro dele. Em que pese a pobreza que fica clara no documentário, há vários momentos de alegria, as crianças brincando nas ruas, as reflexões sobre política e deus e etc; isso é importante porque quebra um pouco a ideia de que a tristeza reina junto com a pobreza. E as benesses da revolução não chegou, pelo menos por enquanto, a esse povoado.





Achei esses dois documentários tão bonitos e ao mesmo tempo pertubadores que não pude deixar de escrever sobre eles.


Fernando Moreira dos Santos 
Sessões
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