segunda-feira, 24 de março de 2014

Sessões Dupla - Ninfomaníaca




Nome Original: Nymphomaniac: Vol I / Vol II
Ano: 2013
Diretor: Lars von Trier
País: Dinamarca, Alemanha, França, Belgica e Reino Unido.
Elenco: Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgård, Stacy Martin, Shia LaBeouf, Christian Slater, Uma Thurman, Willem Dafoe e Jamie Bell.
Prêmios: Bodil de Melhor Atriz (Charlotte Gainsbourg).
Ninfomaníaca: Volume 1 (2013) on IMDb / Ninfomaníaca: Volume 2 (2013) on IMDb




Viciada em sexo. Não. Não é só isso. “Só isso” é deboche. Isso é o que o filme entoa. Tudo o que se ouviu em torno do novo filme do Lars Von Trier, como: pornô escatológico ou erótico pseudo-filme de arte. Pensei até que seria mais um filme em que as mulheres são sofredoras e abusadas por uma sociedade machista e impositiva como, normalmente, são os filmes de Trier. Após ver os dois volumes chego à conclusão: Lars surpreendeu. Ao menos a mim. Esperava mais uma bomba cinematográfica, pedante e presunçosa como os seus dois últimos filmes: “Anticristo” e “Melancolia”. Pensei até que estava numa derrocada, num momento errático. Ao optar em ser simples e contar uma história de forma retilínea, provou que eu devo colocar o rabo entre as pernas e aplaudir. Invernos modorrentos podem ser superados por Primaveras acaloradas. Uma simples brisa pode gerar um furacão.


Após ser encontrada, machucada e violentada, Joe é acolhida por Seligman. “Homem Abençoado” em alemão. Cai-lhe bem. Um senhor que como um anjo cuida da coitada. Coitada. Chá e bolo para confortar. Abre a possibilidade de contar como chegou àquele estado. Ela está disposta a contar. E ele está de ouvir? Ela o prepara para o pior, para o demoníaco, para o profano. Ele vai ouvir. Sem filtros, sem barreiras, mas sempre com comentários e analogias. Como num livro, Joe divide sua história em capítulos. Evoluímos de forma cronológica por meio de flashbacks com o intuito de sabermos como ela chegou a esse estado, como uma ninfomaníaca. Como uma criança, indefesa e inocente busca no órgão genital prazer? De onde vem o caos? Passo a passo, passa a nomear os capítulos com objetos do quarto que repousa, busca a busca de sentido de sua vida. Quer que seus sentimentos sejam palpáveis. Mensuráveis. A eterna busca pelo auto entendimento. Seja como isca ou com um espelho. Essas analogias são caminho para alcançar a sua meta.


Desde deslizar a vagina na corda até sessões com hora marcada de sadomasoquismo, passando por competição de quem faz mais sexo no trem e apaixonar-se, há em Joe um aspecto único: é uma mulher muito forte, determinada. Uma mulher à frente de seu tempo. Uma mulher única. Se Joe fosse um homem diríamos que é um filme de um homem comum, de um homem ousado, no máximo. Uma sociedade machista e hipócrita, na qual vivemos, qualquer mulher “fora do quadrado” é considerada puta, vaca ou qualquer outro adjetivo de cunho depreciativo. Uma sociedade de merda. Aí é a grande sacada de “Ninfomaníaca”. Aí é que Lars volta a ser Lars. Aí que os preceitos de "Dançando no Escuro", “Dogville” e “Manderlay” estão presentes. Criticar a sociedade com chicotadas de nós na bunda é para poucos. Joe sofre por prazer.


“Ninfomaníaca” claramente foi dividido em dois capítulos por questões comerciais. Não é comum que filmes de 4 horas sejam exibidos em uma só vez. Poucos com 3 horas conseguem chegar às telonas com êxito ou sem serem podados. Eu vi os dois em sequencia e não me foi cansativo. Pelo contrário, ao final do Volume I fiquei instigado, querendo ver mais. Já com o final do Volume II não fiquei animado. Me pareceu óbvio, porém condizente com o desenrolar do filme, mas não estragou em nada tudo que foi construído. Todo elenco está muito bem, se doando ao máximo. Destaques para Shia LaBeouf, Jamie Bell, Stellan Skarsgard e a musa de Trier, Charlotte Gainsbourg, doada ao papel de Joe adulta. Sem pudores . Veja mesmo se for muito católico. Veja o filme sem filtros. Veja o filme sem medo. Veja. Apenas veja. Ele está voltando. Trier está voltando.

Vitor Stefano
Sessões

sábado, 22 de março de 2014

Feios, Sujos e Selvagens

Nome Original: Brutti,Sporchi e Cattivi
Ano: 1976
Diretor: Ettore Scola
 País: Itália
 Elenco: Nino Manfretti e Maria Bosco
Prêmio: Melhor Prêmio de Direção Festival de Cannes 1976.



A vasta maioria do cinema mundial se caracteriza por levar às telas personagens bonitos, limpos e civilizados. Felizmente não é só de elegância e beleza que vive a sétima arte. Em feios, sujos e malvados nos vemos exatamente isso. Filme de Ettore Scola lançado em 1976 narra a história de uma família que mora em uma favela de Roma. O Patriarca da casa chama-se Giacinto Mazzatelli ( interpretado magistralmente por Nino Manfreti), ex operário, Giacinto ficou cego de um olho e recebeu um seguro em espécie que protege de todos os seus parentes – mais de 10 -com avareza, desconfiança e uma espingarda.

O elemento que serve de guia para dinamizar o enredo é a relação conflituosa dessa família extremamente pobre. Nesse aspecto, outros aspectos são tratados como a questão da violência doméstica, o machismo, a banalização da vida e a idéia do individualismo. Embora fosse uma família o único momento em que há uma “confraternização” digna desse nome é o almoço com Giacinto em que todos se reúnem para uma macarronada em que pese a do velho estivesse temperada com veneno de rato. Cenas que traduzem em cinema a  brutalização do homem pelo homem, e a violência indistinta entre os membros da família.

O filme convida também a uma reflexão por analogia. Ele ensina que seja na Itália da década de 70, seja nas favelas do Brasil do século XXI, essa realidade persiste intocada. E a resposta da sociedade também se mantém a mesma, isto é, repressão, estigmatização social e descaso político.


Existem, a meu ver, duas personagens que se destacam: Giacinto e Nona( a vó da família) – Giacinto se destaca pela interpretação de Nino Manfretti que enche de vida essa personagem deplorável e a Nona pelo fato de ser uma velha interpretada por um homem cujo maior amor é a televisão. Há também uma cena hilária que é quando os membros da família a levam de cadeira de roda para receber a aposentadoria.Uma confusão se forma em torna da senhora enquanto  o dinheiro é dividido entre os parentes...

Ainda há a cena em que Giacinto depois do almoço sabendo estar envenenado saí com sua bicicleta dirigindo todo moribundo. Para na beira de um rio e começa a vomitar a macarronada e com a bomba do pneu da bike lança água pra dentro da boca pra expelir o veneno mortal que começa a jorrar amarelo e pastoso é uma cena memorável...



Enfim, para não me alongar muito porque o clássico é clássico. Feios, Sujos e Malvados vale muito a pena. A sensação final é de querer vomitar uma macarronada envenenada!!!

 Fernando Moreira dos Santos
Sessões

sábado, 15 de março de 2014

Sessões Promoção - Instinto Materno - Promoção Encerrado

Até onde uma mãe iria para salvar um filho? Qual é o limite para o bom senso e a insanidade, nessa situação? A relação entre pais e filhos já foi tema de diversos filmes, mas "Instinto Materno" de Calin Peter Netzer aparece como definitivo.



"Instinto Materno" é um filme emocional, mas bem-humorado, que mostra a relação entre uma mãe dominante e seu filho adulto. É um filme comovente sobre como cuidamos dos nossos filhos, enquanto os sufocamos com amor e as marcas que os pais deixam nas personalidades de seus filhos. Em outra camada, é também um retrato da alta classe contemporânea da Romênia, e mostra o alto nível da corrupção e o tráfico de influência no meio das instituições sociais fundamentais.


Veja o Trailer:



E para ver o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2013 por conta do Sessões é fácil. Os 3 primeiros a responder a pergunta abaixo nos comentários desse post levarão um par de ingressos:

Qual filme com enredo de relação de pais e filhos que mais te marcou e porque?

Não esqueça de se identificar para localizarmos os vencedores! Corra! Convite válido de 2ª a 5ª feiras (exceto feriados) em todas as salas onde o filme estiver em exibição (exceto Grupo Estação, Cinemark Iguatemi e Circuito Araújo). É a chance de ver mais um filme do cinema romeno, um dos melhores do mundo!

"Instinto Materno" entra em cartaz no dia 20/03.

Vencedores:
- Milena Soares
- Gustavo Magno de Oliveira
- Juliana Publio Donato de Oliveira

Mais uma parceria com a excelente Imovision!

Equipe Sessões

terça-feira, 11 de março de 2014

Robocop

Nome Original: RoboCop
Ano: 2014
Diretor: José Padilha
País: EUA
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish e Samuel L. Jackson.
Sem Prêmios.
RoboCop (2014) on IMDb


Não é refilmagem. Não é continuação. Está lá apenas o personagem que dá nome aos filmes. Tudo o que está em volta não é nem de perto o que rodeava o homem-robô do filme de 1987. Não é nem de perto o show de ação, matança e destruição que o primeiro filme apresentava. Não deveria nem chamar “Robocop” esse “Robocop” do Padilha. Que tal “Tropa de Elite 3”? Falta criatividade na minha opção, mas não na cabeça do diretor brasileiro.

Começamos vendo o programa de Pat Novak, um sensacionalista como conhecemos bem. O assunto abordado é o uso de drones, tecnologia americana, espalhados por todo o mundo como segurança pública em substituição às polícias humanas. Um sucesso no mundo todo, exceto nos EUA. Porque não? Não há humanidade na polícia. E o livre arbítrio. E a sensibilidade humana. O imperialismo na tela. Alex, um policial investigativo, incorruptível, pai e marido exemplar. Após uma sabotagem seu carro explode e 80% de seu corpo é danificado. Como mudar o panorama da aceitação aos Drones? Inserir um humano numa máquina. Alex é a cobaia perfeita. Ver seu corpo, ou o que sobrou dele, é incrível. Mais incrível é sua armadura. Linda. Mas fizeram isso para salvar Alex ou para lucrar milhões? A realidade dos drones é assustador. O Policial Robô vai às ruas. O Robocop quer voltar a ser humano.



Um ponto é fundamental a este filme é a filosofia ao qual está enquadrado. Não vemos apenas um ser humano transformado em máquina e tudo bem. Não, há um conflito ético e moral aos que estão diretamente relacionados ao ser humano que será transformado numa máquina para sobreviver. Há uma crítica ácida e direta ao capitalismo e ao american way of life e à sua indústria bélica. Há em “Robocop” uma questão mundial no que se refere à segurança pública. Há em “Robocop” muito de “Tropa de Elite”. Há em “Robocop” a cara de José Padilha. Um filme inteligente, bom entretenimento e que faz pensar. Um filme de super-herói humano. José Padilha está de parabéns por sua estreia em Hollywood por não ser apenas o diretor, mas sim senhor das ações. Vida longa ao diretor aqui e por lá também. “Robocop” tem alma brasileira.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 4 de março de 2014

Blue Jasmine



Nome Original: Blue Jasmine
Ano: 2013
Diretor: Woody Allen
País: EUA
Elenco: Cate Blanchett, Alec Baldwin e Sally Hawkins.
Prêmios: Melhor Atriz – Oscar, Globo de Ouro, Bafta e Screen Actors Guild Awards.
Blue Jasmine (2013) on IMDb


Decadência. É assim que Jasmine se encontra. Sem rumo, sem prumo, sem lenço ou documento. Precisará se renovar, se reinventar. O marido milionário a deixou. A vida em Nova Iorque ficou cara, sem ninguém para dividir um canto, sem ter com quem dividir os gastos. Sua vida pomposa tornou-se tortuosa. Vendeu tudo. Quase... A saída: Ginger, irmã que vive em San Francisco. Outra aura, outros ares, outra vida. Para Jasmine, um choque de realidade. Ao chegar com suas Louis Vuitton no pacato apartamento da irmã já sabe que sua vida será o oposto do que era. Essa caminhada será o calvário de Jasmine. Novas paixões a buscar, novas barreiras para quebrar. Veremos uma mulher à beira de um ataque de nervos.  


É o melhor Woody Allen em muito tempo. Claro, até por fazer muito filmes, ele erra muito, mais do que se espera de caras do seu nível. Quando acerta é um filmaço. E “Blue Jasmine” é um desses. Um roteiro construído nos opostos e os seus conflitos. Claro que muito da qualidade desse filme deve-se à Cate Blanchett que está estupenda. Baldwin e Sally Hawkings são excelentes coadjuvantes para que ela brilhe sozinha e seja laureada, como será no Oscar. Allen voltou aos Estados Unidos após uma grande temporada na Europa. Mesmo não sendo NY é bom ver o diretor de volta aos bons tempos.

Vitor Stefano
Sessões
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