sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Crepúsculo dos Deuses


Nome Original: Sunset Boulevard
Diretor: Billy Wilder
Ano: 1950
País: Estados Unidos
Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson e outros.
Prêmios: Oscar – melhor direção de arte - preto e branco, melhor trilha sonora e melhor roteiro, indicado em outras oito categorias; Globo de Ouro – melhor filme - drama, melhor diretor, melhor atriz - drama (Gloria Swanson) e melhor trilha sonora.
Crepúsculo dos Deuses (1950) on IMDb

Gente! Depois de muito martelar meus neurônios em busca de um texto a altura da obra que é Sunset Boulevard, cheguei ao ponto de aceitar a minha insignificância e de ficar transcrevendo as falas de Joe Gilis no filme para ver se brotava algo menos óbvio do que falar que o filme mostra o lado amargo e sínico de Hollywood, o ostracismo, a ambição, o oportunismo, a loucura, a sordidez, o engraçado que é triste, a mistura de pena e raiva que as personagens inspiram e blá, blá, berebebebê-caixinha-de-fosfóro...

Os diálogos são ótimos e as frases contundentes, a atuação de Glória Swanson é inimitável, única! Os personagens se completam em uma trama muito inteligente. Todos estes elogios já foram feitos, todo o mundo já disse e nem o mais seboso dos cri-cris consegue encontrar uma, uminha falha neste filme, seja do ponto de vista técnico, seja do ponto de vista do entretenimento.

Pois bem, vamos a Joe Gilis e partes de sua narrativa imortal. Neste momento seu cadáver está boiando, o grande momento gigolô de quinta. Flashes, sirenes e trilha sonora feita para dar medo, incrível e lírico – o morto fala de si sem temer mais nada:

‘Estamos na Sunset Boulevard, Los Angeles, Califórrnia. São mais ou menos cinco da manhã. Este é o esquadrão de homicídios. Veio com detetives e jornalistas. Houve um assassinato em uma das mansões na altura do número 10.000. Com certeza lerão a respeito nos jornais, ou ouvirão falar no rádio e na televisão, pois uma das maiores atrizes dos velhos tempos está envolvida.
Mas antes de ouvirem um relato distorcido e exagerado, antes dos colunistas de Hollywood porem a mão nessa história, talvez queiram ouvir os fatos, toda a verdade. Se esse é o caso, vieram falar com a pessoa certa.
O corpo de um jovem foi encontrado na piscina de sua mansão com dois tiros nas costas e um no estômago. Ninguém especial. Só um roteirista com dois filmes de segunda no currículo.
Pobre coitado! Sempre quis ter uma piscina. E acabou conseguindo uma, só que a um preço um tanto alto.
Voltemos a seis meses atrás, ao dia em que tudo começou.’


Agora, fugindo dos funcionários da financeira, Joe chega ao número 10.086 da Sunset Blvd e...

‘Acabei na entrada de uma mansão mal conservada que parecia deserta. Logo à frente, avistei uma maravilha – uma grande garagem vazia. Que desperdício. Não havia lugar melhor para esconder um carro com uma placa visada. Mas havia um outro ocupante naquela garagem – um carro estrangeiro enorme. Devia beber 40 litros por quilômetro. A placa era de 1932. Deve ter sido quando os proprietários se mudaram. Eu não podia voltar para casa, já que estavam me procurando. Minha intenção era ficar com Artie Green (o carro) até pegar o ônibus para Ohio. Uma vez em Dayton, eu mandaria um cartão para meus credores dizendo onde encontrar a lata velha.
Que elefante branco, aquela casa. Era do tipo construído por excêntricos do cinema dos anos 20. Uma casa malcuidada tem aparência infeliz. E infeliz, essa casa era muito. Era como aquela de Grandes Esperanças, A Srta. Havisham em seu véu rasgado descontando a raiva do mundo por ter sido abandonada.’


Gillis, num segundo instante com Norma Desmond começa a ver que poderá tirar algum proveito das esdrúxulas circunstâncias. Pobre coitado!

‘Que delícia de situação. Uma mulher nervosa, Max, o macaco morto lá em cima e o vento tocando órgão de vez em quando. Gostei do jeito que lidei com a situação. Lancei o anzol e ela mordeu a isca. Meu carro estava seguro enquanto eu remendava o roteiro. E isso, sem falar no dinheiro.’

Crepúsculo dos Deuses contém tantas frases e diálogos memoráveis que qualquer pessoa com um pouco mais de sede deixaria este post mega-gigantesco somente fazendo citações, mas não farei isto. Não desta vez!


A narração de Joe Gillis no final também é algo digno de grandiosas academias, mas não vou transcrever aqui para não tirar o prazer de quem ainda não contemplou esta obra-prima de Billy Wilder, diga-se de passagem um dos maiores diretores de todos os tempos. Bem, eu avisei que qualquer frase que eu escrevesse soaria óbvio?

Devo fazer jus a importância e recomendar que vejam todos os extras do DVD. Os comentários são entusiastas, mas muito reais. É! O filme é demais mesmo. E mais uma sugestão é o texto de Claúdio Pucci que pode ser acessado no site da revista Alfa, um dos menos óbvios que encontrei. Só clicar no link.


Filme obrigatório para qualquer um que suspeita gostar de cinema. “As estrelas não têm idade, têm?”

Leandro Antonio
Sessões

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