terça-feira, 29 de novembro de 2011

A História das Coisas

Nome Original: The Story of Stuff
Diretor: Louis Fox
Ano: 2007
País: EUA
Elenco: Annie Leonard
Sem Prêmios
A História das Coisas (2007) on IMDb




Coisas, coisas, coisas. Entre ter, ganhar, comprar, querer e precisar há um enorme vale. Uns vales no qual já não vêem o rio passar, não se vê o gramado ou mesmo o outro lado da montanha. Só vemos coisas. Uma palavra curta utilizada para tudo, sem determinação de grau, gênero ou espécie. Através de simples atitudes conseguimos identificar essas coisas e absorvê-las como são. Coisas vêm e vão, mas a consciência do que realmente precisamos é que precisa vir e ficar. Mas são coisas da vida capitalista anti-utópica.

Desde os primórdios, passando pela evolução industrial, guerras, nazismo, socialismo, capitalismo, e agora, essa coisa, o poder sempre foi uma das únicas características pétreas. Ter e poder são basicamente sinônimos até os dias de hoje, apesar de ser absolutamente comum e politicamente correto dizer que não - bobagem. Muito se fala em capacidade de liderar naturalmente, mas diga-nos um líder que não quer ter mais que outros? São coisas da natureza humana.



O consumismo inveterado é um dos pilares da sociedade. Quem tem quer mais e quem não tem baba nos que tem e rala a vida toda para acumular coisas. Aliás, é do ser humano isso. Lembre-se em casos das enchentes de janeiro na cidade de São Paulo: os moradores de rua sempre vão às câmeras indignados por terem perdido tudo. Tudo = coisas. Assaltos existem para captar coisas dos outros. Estou diante de uma coisa que em poucos anos virará uma carcaça inútil, assim como eu.

Saber exatamente o que precisamos para viver é uma tarefa absolutamente complexa e chata. Chata porque em grande parte das vezes, o ter é a busca por um prazer – que por vezes dura minutos. Veja quantas crianças entram em lojas de brinquedos e após aquele choro ensurdecedor amolece o pai que compra o que a criança quer. Em poucos dias esse presente não servirá mais. Uma indústria, um governo, uma sociedade, um meio ambiente e um sistema condicionam as pessoas à acumulação de tudo: dinheiro, saúde, história, conhecimento... coisas. Status de bacana.

A aula dada por “A História das Coisas” através de um fluxograma animado, funciona exatamente para vermos que muito além do querer tem o precisar. Mas é preciso olhar em volta, ver quem está ao nosso redor e entender que tudo que temos poderia ser melhor aplicado. Ai vem um pensamento bobo desse tal de socialismo. Sonho meu... Cada coisa no seu lugar, mas invariavelmente esse lugar é o lixo em que vivemos e que nadamos nesse mar de coisas. Joguem tudo fora e vamos viver nus e do que encontrarmos nas ruas do que resta de fauna e flora nesse planeta.



Esse filme também é uma coisa inútil. Esse vídeo também pode ser. Mas acumular conhecimento nunca é demais. Esses versos acumulados no inicio desse texto não valem nada. Esse blog é inútil. Acumular conhecimento demais nos fará pensar em coisas demais? Vocês precisam de mais alguma coisa?! Deixa eu colocar meu Ipod, ver meu celular e admirar minha amada coleção de filmes...

Vitor Stefano
Sessões

Devaneios das caminhadas no Centro de São Paulo e mais coisas.



Centro de Almas

Andando pelas ruas sentimos aquele odor
Mais à frente a resposta para tanto fedor
Não é um animal, são restos
Restos mortais, inanimados, invisíveis
Percebemos apenas vultos e uma multidão
As calçadas estão repletas de mortos-vivos
Seres (des)humanos caminham sem uma resposta
Sem entender, sem saber o que fazer, mas sempre preocupados com suas coisas.
Apenas nos atentamos a desviar desses obstáculos que respiram.
Estão enterrados sob a terra, sentindo a chuva e respirando fumaça dos carros.
Há vida, mas não existem mais almas pelo centro.

Vitor Stefano

sábado, 26 de novembro de 2011

Sessões Promoção ENCERRADA: Se Não Nós, Quem?



Se você está pelas bandas de São Paulo e quer ver um filme alemão de graça. Mais uma promoção. Você terá a chance de ver o filme na segunda-28-de-novembro, na sessão das 17h15 no Reserva Cultural na Av. Paulista. A Imovision e o Sessões darão 5 ingressos para os leitores deste blog.

Simples assim! Basta chegar entre 16h45 e 17h05, ou seja, até 10 minutos antes dessa sessão e dizer para o blogueiro que você viu a promoção aqui. Pronto, convite na mão!

O blogueiro estará na porta do cinema vestindo uma camiseta do blog Sessões. A promoção acaba quando acabarem os ingressos ou o tempo estipulado neste post para distribuição.

Veja o trailler de "Se Não Nós, Quem?" e até segunda-feira, antes da sessão.



Boa semana!

Equipe Sessões

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sessões Promoção: O garoto da bicicleta - ENCERRADA com ÊXITO



A PROMOÇÃO FOI UM SUCESSO! DOS 3 INGRESSOS QUE TÍNHAMOS PARA PRESENTEAR SOMENTE 1 FOI DADO. Parabéns a Odete!


Se você está pelas bandas de São Paulo e quer ver o novo filme dos irmãos Dardenne de graça. Você terá esta chance amanhã-quinta-24-de-novembro, na sessão das 14h do Espaço Unibanco Augusta. A Imovision e o Sessões darão 3 ingressos para os leitores deste blog.

Simples assim! Basta chegar entre 13h30 e 13h50, ou seja, até 10 minutos antes dessa sessão e dizer para o blogueiro que você viu a promoção aqui. Pronto, convite na mão!

O blogueiro estará na porta do cinema vestindo uma camiseta do blog Sessões. A promoção acaba quando acabarem os ingressos.

Veja o trailler de "O garoto da bicicleta" e até quinta-feira.



Continue acessando, que em breve haverá mais promoções por aqui.

Equipe Sessões

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Não Me Abandone Jamais


Nome Original: Never Let Me Go
Diretor: Mark Romanek
Ano: 2010
País: Inglaterra e EUA
Elenco: Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley
Prêmios: Melhor Ator (Garfield) Coadjuvante no Saturn Award, Melhor Atriz (Mulligan) do British Independet Film Award, Melhor Ator (Garfield) no Evening Standard British Film Award, Melhor Trilha Sonora no SDFCS Award.
Não Me Abandone Jamais (2010) on IMDb


Dizem que nossa única certeza é a morte. E se soubéssemos que nossa única certeza é que vivemos como uma caixa de vedada de órgãos vitais que serão utilizados pelas suas matrizes na hora que precisarem. Não há uma data certa só há a certeza que não seremos felizes para sempre. Mas viver como um clone ou como um ser humano normal é a mesma coisa. Morreremos sem saber qual o verdadeiro sentido da vida, sem saber o sabor do elixir da vida ou sem ter a certeza do amor absoluto. Vivemos para descobrir decifrar às perguntas que não tem respostas, de respostas que apenas iludem o nosso viver. Vivemos para crer que somos pessoas abençoadas, com ou sem chip no braço, pois o controle de nossa vida, todos, exceto nós mesmos, tem.


O ano de 1952 é inesquecível. A cura de todas as doenças foi finalmente descoberta através da criação de clones que doarão órgãos aos seres humanos no momento de necessidade. Uma espécie de solução de todos os problemas. Mas para que os clones fiquem controlados e dentro de uma vida saudável, mantendo os órgãos vitais em ótimas condições, há escolas que cuidam dos bebês-clones. A principal delas é Hailsham. Como um reformatório, as crianças acordam, estudam, alimentam-se, brincam e dormem dentro da escola. Não há qualquer tipo de contato com a vida real além dos muros da escola. Lá vivem diversas crianças com olhares angelicais, perfeitas, saudáveis e com rígida educação. Dentre elas acompanharemos a vida de Kathy, Ruth e Tommy. Os rumos mudam quando a professora revela o que realmente eles são. Como robôs, ouvem e aceitam sua situação.

Com o tempo, crescem como crianças normais e vão desenvolvendo. Sem muitas explicações, deixam Hailsham, vão à outra instituição onde vivem com jovens comuns e começam a ser instigados, conhecer novas experiências, questionados sobre os boatos que rondam a vida no reformatório. O sexo aflora, o carinho é esfacelado por atitudes, o sentimento deixa de ser pureza da resposta das crianças. O amorico de infância de Kathy por Tommy começa a ser destruído pelo romance que ele inicia com Ruth. Ciúmes, inveja, ódio começam a invadir seus sentimentos. Ela, como a mais estruturada e centrada dos três, opta por outro tipo de vida – de assistente. Ela acompanha os clones, como uma enfermeira, durante a preparação e recuperação das doações. Só quando encontra com Ruth na recuperação da segunda doação é que tudo vai ser colocado em pratos limpos, buscando o paradeiro de Tommy e correndo atrás do amor verdadeiro que poderia dar uma sobrevida aos apaixonados. Com boatos de vida real, amores de passados e esperança no futuro.
 

“Não me Abandone Jamais” é um filme lindo, triste sobre uma verdade inconveniente que sem muitas explicações sobre os porquês toca em assuntos muito pertinentes à existência humana. A nossa verdadeira missão na terra é viver para morrer, deixando um legado. Carey Mulligan e Keira Knightley estão ótimas como Kathy e Ruth. Elas deveriam ser o centro das atenções. Mas quem toma todo nosso pesar e dor é Andrew Garfield – conhecido por sua atuação em “A Rede Social”. Esse menino tem um talento enorme, tomara que o Homem Aranha não acabe com sua reputação. Aquele grito fora do carro, onde sentimos sua dor, talvez seja uma das cenas mais lindas do cinema dos últimos anos. O filme foi baseado no livro de Kasuo Ishiguro – que eu nem tenho idéia de quem seja e nem li nenhum livro dele. Esse livro foi eleito o melhor da década pela revista Time. Infelizmente o filme não chega nem perto dessa marca e não supera o outro filme baseado no livro de Ishiguro – “Vestígios do Dia”. Não, não é um filme ruim, apenas inconstante com imagens retiradas de obras de arte. Não nos envolve desde o começo e ganha certa força, mas ficamos com aquele gosto de faltou algo. Mas, pensando bem, a vida é assim. Mais do que uma ficção cientifica, uma ficção sobre o cerne da essência do ser humano – essa pequena e louca coisa que chamam amor.
 
Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dicas de Filmes Latinos


O cinema destrói fronteiras. Cada vez mais nossos hermanos colocam, junto ao nosso cinema, o cinema latino no mapa dos melhores do mundo. Vejamos algumas opções de filmes contemporâneos do México à Argentina para exaltar a força da América Latina. Veja também a nossa seleção dos melhores filmes latinos (ao menos até a época que fizemos a lista).

O Banheiro do Papa


Com esse nome muitos podem imaginar a história do mordomo do Vaticano e de sua relação com o trono papal. Mas não, a história pode ser ainda mais dura e resultar nesse filme uruguaio maravilhoso. Baseado na visita do Papa João Paulo II à pequena cidade de Melo na fronteira entre Brasil e Uruguai. Vemos a história de Beto, um trabalhador que vive de carregar contrabandos na divisa. A notícia da vinda do Papa chega à cidade como mudança da vida daquele povoado, uma mudança de vida. Mas nem tudo ocorre como se espera. Lindo filme sobre a superação do ser humano e com imagens inesquecíveis. O cinema uruguaio é pequeno, mas sempre certeiro.



O melhor filme de 2010. A parceria entre o diretor Juan José Campanella e o excelente Ricardo Darín já repetida em alguns filmes (como "O Filho da Noiva") chega nesse no auge. O oficial de justiça aposentado Benjamin agora se dedica a escrever um livro das experiências da época em que estava na ativa. Para recordar detalhes e casos remete à sua colega Irene. Mas relembrar os casos pode ser reavivá-los. Viver novamente o caso de assassinato de 30 anos atrás e relembrar a paixão secreta, pode ser perigoso, mas muito recompensador.

Amores Brutos


O crescimento do atual momento do cinema mexicano passa obrigatoriamente pelos diretores Cuarón, Del Toro e Iñarritu. Este último é o responsável pela melhor trilogia dos últimos tempos, iniciada com este filme ("21 Gramas" e "Babel" são as continuações). Com uma narrativa não linear, um acidente de carro une a vida de 3 pessoas numa sucessão de acontecimentos dramáticos. Um mendigo, um dono de cão de rinha e uma modelo têm as vidas alteradas completamente por conta de um simples acidente. Um filme forte, duro, visceral como é a vida.



A ditadura de Augusto Pinochet no Chile gerou ótimos filmes pro cinema daquele país. Mas você associará o nome de Tony Manero ao personagem de John Travolta em “Os Embalos de Sábado à Noite”. Raul é um serial killer, mas com uma característica muito peculiar: ele acredita ser o melhor cover de Tony, ele vive como Tony, ele é Tony Manero. Seja nas vestimentas, na busca pela vida que o personagem de Travolta tinha, pela dança. E tudo isso dentro do contexto da ditadura. Um filme complexo, por vezes louco, mas uma grande oportunidade de ver até onde a mente humana é capaz de chegar por conta de uma paranóia.

Parte desta matéria foi veiculada na Revista City Penha, na página 85 da edição 54 de novembro de 2011.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Discurso do Rei


Nome Original: The King’s Speech
Diretor: Tom Hooper
Ano: 2010
País: Reino Unido
Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Geoffrey Rush e Timothy Spall.
Prêmios: Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Colin Firth) e Roteiro Original, Bafta de Melhor Ator, Trilha Sonora (Alexandre Desplat), Roteiro, Ator Coadjuvante (Rush) e Atriz Coadjuvante (H.B. Carter), Globo de Ouro de Melhor Ator, Goya de Melhor Filme Europeu
O Discurso do Rei (2010) on IMDb

De realezas inquebráveis foram feitas as Histórias dos povos mais antigos. Chamem do que quiser, império, ditadura, feudalismo ou de catequese, a figura do chefe de Estado sempre foi de um mártir, um líder natural ou instituído por uma força “sobrenatural”. A família real mais conhecida em todo o mundo é a britânica que, atualmente, vive de casamentos com plebeus, escândalos mortais e de uma longevidade incomum de uma rainha que nada manda a não ser na aparente calma que uma realeza deve transmitir ao seu povo, ao menos em teoria e se o Primeiro Ministro permitir. Que os reis e rainhas sejam, na verdade, um resquício do passado no presente e que suas megalomanias sejam apenas lembranças de uma era de trevas na Terra. Que a democracia em sua plenitude seja a verdadeira marca dos tempos de hoje, tempos de paz.

Contar o período histórico em que o Rei George VI assumiu o trono, teríamos apenas mais um filme de guerra, das invasões, do crescimento de Hitler e a poderosa força de Churchill. A Segunda Grande Guerra estourou na mão de um improvável sucessor do sucessor. Como a fábula do patinho feio, Bertie precisará de muita força de vontade para superar toda a confusão causada pela abdicação do seu irmão Rei Eduardo VIII, das agruras da guerra e de seu pior inimigo desde que se lembra, sua gagueira.


Após diversas tentativas nos melhores médicos da Inglaterra de melhora do problema da fala, sua esposa Elizabeth o convence a visitar um terapeuta da fala, como ultimo recurso. Lionel Logue, um senhor, ator, que ama Shakespeare e que utiliza métodos pouco ortodoxos na sua terapia, ganha de quem vê a simpatia desde sua busca pela informalidade de tratamento, pelas suas tiradas com a pitada do característico humor inglês e por conseguir quebrar a realidade da realeza. Com idas e vindas, erros e acertos, Lionel e Bertie tornam-se mais do que criador e criatura, criam um vínculo de amizade graças aos caminhos que Sr. Logue tomou durante as sessões.



E assim como o Patinho feio, vemos desde o começo o conto do rei gago aparentemente entregue às traças, que ganha força confiança, força e triunfa para encher seu país de esperança numa luta que nunca esqueceremos – para a morte. A guerra foi a força que George VI conseguisse superar a sombra do seu pior inimigo. Hitler depois da gagueira foi barbada. Graças a um anjo da guarda chamado Lionel Logue, que conseguiu fazer de um intocável irreal, em um transeunte real.
Com cenas lindas, como um quadro pintado, “O Discurso do Rei” vai além das lindas locações que os ingleses costumam nos arrebatar em filmes de época, com um trio em performances memoráveis. A feia Bonham Carter conseguiu nos passar um humanismo e simplicidade para a sua Elisabeth Mãe, algo que não conhecíamos. Rush e Firth (que já merecia o Oscar por "Direito de Amar") estão impecáveis onde não importa se é baseado em uma história real ou se é um filme de ficção, ver o triunfo de um homem aparentemente abatido através da amizade é sempre um clássico que ficará na memória. Mais do que prêmios ou oscares, o que realmente fica é que uma amizade pode ser a salvação do mundo, através de uma voz.


Vitor Stefano
Sessões
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