terça-feira, 30 de novembro de 2010

Melhor Diretor Brasileiro

Esta lista vem para provar que fazer filme é difícil. Tão difícil, que não fosse uma figura mandando na parada o negócio não sairia. E quem manda na parada é o diretor, como Brasil afora há boas referências do que seja bem fazer este trabalho de mandar não foi difícil selecionarmos alguns para colocar neste Top. Votar em um, talvez seja um pouco mais difícil, mas tenho certeza que você vai tentar, certo?

Na opinião de Sessões estes são em ordem alfabética os melhores mandões, quer dizer, melhores diretores do cinema tupiniquim. Louros, carinho e paciência para eles! Continuem como Deus manda. Amém!

Amácio Mazzaropi (São Paulo, 1912-1981).
Principais Filmes: 'Jeca Tatu', 'O Corintiano', 'O Vendedor de Lingüiça' e 'Tristeza do Jeca'.


Anna Muylaerte (São Paulo, 1964).
Filmes: 'Durval Discos' e 'É Proibido Fumar'.

Anselmo Duarte (São Paulo, 1920-2009).
Principais Filmes: 'O Pagador de Promessas', 'Um Certo Capitão Rodrigo' e 'O Descarte'.

Arnaldo Jabor (Rio de Janeiro, 1940).
Principais Filmes: 'Eu Te Amo', 'Eu Sei que Vou te Amar', 'Toda Nudez Será Castigada' e 'Suprema Felicidade'.

Beto Brant (São Paulo, 1964).
Filmes: 'Os Matadores', 'O Invasor', 'Crime Delicado', 'Cão Sem Dono' e 'O Amor Segundo B. Schianberg'.



Bruno Barreto (Rio de Janeiro, 1955).
Principais Filmes: 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', 'Gabriela, Cravo e Canela', 'O Que é Isso Companheiro' e 'Última Parada 174'.

Cacá Diegues (Alagoas, 1940).
 Principais Filmes: 'Ganga Zumba', 'Xica da Silva', Bye Bye Brasil', 'Tieta do Agreste', 'Orfeu' e 'Deus é Brasileiro'.

Cláudio Assis (Pernambuco, 1959). Filmes: 'Amarelo Manga', 'Baixio das Bestas' e 'Febre do Rato'.

Daniela Thomas (Rio de Janeiro, 1959).
Filmes: 'Terra Estrangeira', 'O Primeiro Dia', 'Linha de Passe' e 'Insolação'.

Eduardo Coutinho (São Paulo, 1933).
Filmes: 'Cabra Marcado Para Morrer', 'Babilônia 2000', 'Edifício Master', 'Peões', 'O Fim e o Princípio', 'Jogo de Cena' e 'Moscou'.

Fernando Meirelles (São Paulo, 1955).
Filmes: 'Menino Maluquinho 2', 'Domésticas', 'Cidade de Deus', 'O Jardineiro Fiel' e 'O Ensaio Sobre a Cegueira'.
Glauber Rocha (Bahia, 1939-1981).
Principais Filmes: 'Deus e o Diabo na Terra do Sol', 'Terra em Transe', 'O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro'.

Hector Babenco (Argentina, 1946).
Principais Filmes: 'Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia', 'Pixote - A Lei do Mais Fraco', 'O Beijo da Mulher Aranha', 'Carandiru' e 'O Passado'.

Heitro Dhalia (Pernambuco, 1970).
Filmes: 'Nina', 'O Cheiro do Ralo' e 'À Deriva'.

Humberto Mauro (Minas Gerais, 1897-1983).
Principais Filmes: 'Ganga Bruta', 'Descobrimento do Brasil' e Coleção Brasilianas.

José Mojica Marins (São Paulo, 1936).
Principais Filmes: 'À Noite Levarei a Sua Alma', 'Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver' e 'O Estranho Mundo de Zé do Caixão'.

José Padilha (Rio de Janeiro, 1967).
Filmes: 'Ônibus 174', 'Tropa de Elite', 'Garapa' e 'Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro'.

Luiz Fernando Carvalho (Rio de Janeiro, 1960).
Filme: 'Lavoura Arcaica'.

Marcos Prado (Rio de Janeiro, 1961).
Filme: 'Estamira'.

Nelson Pereira dos Santos (São Paulo, 1928).
Principais Filmes: 'Rio, 40 Graus', 'Vidas Secas', 'Como Era Gostoso o Meu Francês', 'Brasília 18%' e 'Memórias do Cárcere'.

Ruy Guerra (Moçambique, 1931).
Principais Filmes: 'Os Cafajestes', 'Os Fuzis', 'A Queda', 'Ópera de Malandro', e 'Estorvo'.
Sandra Kogut (Rio de Janeiro, 1965).
Filmes: 'Mutum' e 'Um Passaporte Húngaro'.

Tizuka Yamasaki (Rio Grande do Sul, 1949).
Principais Filmes: 'Gajin - Os Caminhos da Liberdade', 'Lua de Cristal', 'O Noviço Rebelde' e 'Gajin - Ama-me Como Sou'.

Walter Salles (Rio de Janeiro, 1956). Filmes:
'Terra Estrangeira', 'Central do Brasil', 'Abril Despedaçado', 'Diários de Motocicleta' e 'Linha de Passe'.

Gostou dos nomes? Então vote em qual é o Melhor Diretor Brasileiro? Para saber como está a votação, clique aqui! Caso concorde (ou não) com nenhum deles, escreva no comentário e deixe sua opinião.E mais do que valer quem ganhar, é conhecer mais do nosso cinema e dar mais valor aos nossos realizadores. O Sessões sempre prestigiou e sempre valorizará o nosso cinema! Faça o mesmo!


Equipe do Sessões

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Divina Previdência

Nome original: Divina Previdência
Diretor: Sérgio Bianchi
Ano: 1983
País: Brasil
Elenco: Felipe Tenreiro, Maria Alice Vergueiro, Paulo Herculano e Eliana Rocha
Prêmios: Melhor Diretor no 12º Festival do Cinema Brasileiro de Gramado em 1984.


Caos na saúde, filas intermináveis, descaso dos políticos, muitos funcionários para pouco trabalho, desrespeito com o ser humano e sucateamento dos serviços públicos. Não estamos falando sobre os dias de hoje. Estamos em 1983 e mesmo após a diretas já, impeachment, eleições livres e milhões de promessas, a nossa saúde continua na idade da pedra.

Sérgio Bianchi nesse curta encontra sua linguagem, seu descontentamento e sua liberdade. Com uma carreira de cinema independente, suas críticas sempre são verdadeiras, nuas e cruas. ‘Divina Previdência’ não é um documentário, mas bem que poderia pois assemelha-se por sua crueldade. A nossa crueldade. O ser humano despreza o que não está nos padrões. Seja negro, gay, macumbeiro, deficiente ou mendigo, o caso do curta. A diversidade está em tudo. Partindo da premissa que somos todos diferentes, que ao menos o tratamento e o respeito do Estado, seja o mais igualitário.

A saúde em primeiro lugar. Só nos sonhos mais belos e recheados de utopias inalcançáveis.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Rebobine, Por Favor

Nome original: Be Kind Rewind
Diretor: Michel Gondry
Ano: 2007
País: EUA
Elenco: Jack Black, Mos Def , Melonie Diaz, Mia Farrow e Danny Glover
Sem Prêmios.
Rebobine, Por Favor (2008) on IMDb


O que você faria se você fosse o dono de uma locadora de filmes e todos os seus filmes sumissem. Não, não foram roubados, as imagens e sons dos VHS foram corrompidos com a força da magnetização no corpo de um amigo seu. Porque não suecar filmes e salvar o prédio onde você cresceu e um famoso jazzista nasceu da demolição. Quem seria o louco de imaginar um roteiro assim? Só poderia ser o realizador de filmes maravilhosos roteirizados por Charlie Kaufman como ‘A Natureza Quase Humana’ e ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’: o francês Michel Gondry. Mas não espere uma comédia para gargalhar sem motivos. Você naturalmente ficará com o sorriso no rosto.

Quem já viu o filme e leu acima que a salvação seria suecar os filmes, certamente está com o um sorriso no rosto agora. Quem não viu, saiba que suecar é o ato de fazer de forma caseira, tosca, com materiais que se tem por perto, grandes sucessos da tela grande. Viajamos no tempo dessa arte que por muitas vezes é maltratada de modo simples e nostálgico. Vemos aqui mais uma ode ao cinema, uma espécie de ‘Cinema Paradiso’ atual, cômico e insano, sem ser nada piegas.

Jack Black como 'Robocop' suecado
Além da maravilhosa direção, grande parte positiva dessa agradável homenagem está nas atuações do ótimo elenco. Jack Black e Mos Def são os pilares, mas não podemos deixar de lado os veteranos e maravilhosos Mia Farrow e Danny Glover, que fazem ‘Conduzindo Miss Daisy’ suecado parecer o original. Outros filmes suecados são ‘Robocop’, ‘Procurando Nemo’, ‘Caça Fantasmas’, ‘2001: Uma Odisséia no Espaço’ e ‘King Kong’. O filme sobre a vida do jazzista Fats Waller criado a fim de salvar o prédio é parte mais emocionante do filme. Waller ficaria orgulhoso de se ver retratado no cinema ‘suecadamente’. Ouçamos ‘While I’m Waiting’ do real Fats.


Inspirador para amantes da 7ª arte e para criadores independentes. A minha vontade, sempre que revejo o filme é de sair por aí suecando os filmes da minha vida. Filmando o simples, o que está à minha volta e fazer as minhas próprias produções. ‘Rebobine, por favor’ deve ser visto por todos amantes de cinema, para rir e se emocionar. É só procurar no Youtube a quantidade de filmes suecados que já estão no ar. Filmes suecados certamente são inspiração ao cinema independente, cinema caseiro e do microcinema.

Este é o futuro do cinema, já vislumbrado anteriormente pelos vídeos caseiros de Sadie Benning. Veja como com pouco material, gasto e muita criatividade é possível fazer dos assuntos mais banais e corriqueiros, uma mini-obra-prima, participando de Bienais e Acervo de Museus. Veja Jollies, de 1990, onde Sadie Benning fala sobre a descoberta de sua sexualidade, filmada com uma câmera de brinquedo, usada como babá eletrônico.


‘Rebobine, Por Favor’ e os vídeos de Sadie Beenning são dádivas aos amantes do cinema e que sirva de inspiração para todos os cineastas que existe dentre de nós.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Abraço Corporativo

Nome Original: O Abraço Corporativo
Diretor: Ricardo Kauffman
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Leonardo Camillo.
Prêmios: Menção Honrosa na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.


O abraço é uma das maiores representações de carinho e afeto, energiza a mente e o corpo para que com o afago sinta-se completo e disposto. E porque não usar todos esses artifícios diretamente no mundo corporativo, local de grande estresse, desgaste e canalizador de más energias? Ricardo Kaffman pensou em tudo isso, mas foi além. Criou um personagem fictício que seria o consultor de RH, Ary Itnem Withaker, representante da Confraria Britânica do Abraço Corporativo e começou a divulgar os negócios como se fossem reais. Foi feito registro em cartório explicando que tudo aquilo era apenas um documentário sendo feito e que a Confraria e o consultor eram falsos. Mas ninguem apurou. Daí só podemos dizer: Aquele abraço!

A criação de um personagem hilário com toques de surrealidade e pitadas de absurdo é o centro dos acontecimentos desse ótimo documentário. Ótimamente vivido por Leonardo Camillo, inicia toda a divulgação foi por conta de um tipo de marketing que não se faz mais - o corpo a corpo, literalmente. O tal Ary na Av. Paulista com um cartaz escrito: ‘Dá um Abraço?’, que virou um sucesso de acessos no Youtube, dando aquele tipo de reconhecimento de 15 minutos que só a internet pode causar. Veja o vídeo aqui, mas vale a pena entrar no vídeo do youtube e ler os comentários de pessoas achando que foi uma ação real, dizendo emocionar-se e parabenizando a ação.


Todo o sistema é enganado e corrompido, mas um poder em específico não poderia ter falhado: a imprensa. Ary Itnem após o sucesso do vídeo, participou de dezenas de programas de televisão e rádio e, pasmem, até fez palestras, dando explicações sobre a importância dessa técnica do Abraço Corporativo para as empresas rumarem um novo futuro. Jornalistas de renome, jornais de grande circulação, além de toda mídia eletrônica, divulgaram o trabalho do consultor fantasma sem ao menos checar a informação e veracidade de todas as informações dadas.

‘O Abraço Corporativo’ não tem o intuito de ridicularizar os que cairam na ‘peça’, mas sim discutir a impotância e a responsabilidade do jornalista neste mundo globalizado em que as notícias de agora já estão obsoletas em alguns décimos de segundo. Jornalistas de gabarito, como Heródoto Barbeiro, dá seu relato por ter sido “vitima” de Ary Itnem e do papel do jornalista e suas obrigações. O 4º poder está caindo pelas tabelas e perdendo cada vez mais o poder, num mundo onde a informação é feita por todos que vivem os fatos. Este documentário é para rir do absurdo, mas lembre-se: “Tudo não é Verdade”. Ary, eu te dou um abraço! Ricardo Kauffman, parabéns e abraço!

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Meow

Nome Original: Meow
Diretor: Marcos Magalhães
Ano: 1981
País: Brasil
Prêmios: Melhor Filme pelo Júri Popular e Melhor Roteiro no Festival de Brasília e Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cannes.
Meow (1982) on IMDb


Estridente e não é para menos. Ser controlado pelas forças de um sistema que não entendemos, é para ser enfático, chato e genial como é “Meow”. Não me venham dizer que o correto é miau, já que nesse distante condado interestelar colonizado e colônia do tio SAM (Sistema Administrativo Mundial) só se fala inglês. Os amantes dos bichanos que me perdoem, mas esse gatinho vai morrer logo logo com tanta besteira que consumiu.

‘Miow’ é um feito. É uma espécie de pai do ‘Logorama’, mostra de forma sutil como o colonialismo estadunidense junto ao poder do marketing pode influenciar até os influenciáveis. Sim, hoje pode parecer monótono, lento e até em certos momentos arrastado, mas a idéia e a veracidade expressas pela animação são mais atuais do que nunca. Um marco no cinema brasileiro, visto que o gênero animação não tem nenhuma tradição e por ter vencido um prêmio no Festival de Cannes de 82.

Pra que leite se temos Coca-Cola? Pena que lá na ‘Ilha das Flores’ não tinha comida, quanto mais leite e refrigerante. Quem sabe ensinando o dialeto às crianças de lá elas conseguem algo. Repitam comigo: “Meow” [Meou].

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ilha das Flores

ome Original: Ilha das Flores
Diretor: Jorge Furtado
Ano: 1989
País: Brasil
Elenco: Júlia Barth, Paulo José e Ciça Reckziegel.
Prêmios: Urso de Prata no Festival de Berlim, Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand, Melhor Curta, Edição, Roteiro e Prêmio da Crítica no Festival de Gramado e Prêmio do Público na Competição "No Budget" no Festival de Hamburgo.
Ilha das Flores (1990) on IMDb

Ilha das Flores é mais do que um curta-metragem, mais que um documentário. É um tiro no coração dos que ainda pensam que o ser humano tem salvação. Jorge Furtado fez uma obra irretocável e a cada vez que a vemos é mais moderna e real. Um sucesso da cinematografia brasileira, usado em salas de aulas e visto por milhões de pessoas, mas de que adiantou ver o sofrimento de semelhantes enquanto continuamos a dar diamantes aos porcos e sobras aos pobres. O consumo desenfredo vai aniquilar toda a esperança de vivermos até o dia de amanhã. Veja novamente e enoje-se de ser quem é:


O que dizer? Tudo já foi dito:

“Os homens são porcos que se alimentam de ouro.” Até Napoleão Bonaparte sabe que na Ilha das Flores os porcos se alimentam do ouro que os humanos não quiseram. E o resto dos seres humanos, comem o que os porcos deixaram para trás. Porcos são petróleo, humanos são piche. Restos são restos.

“O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele.”
Nietzsche, macacos são reis na Ilha das Flores. Essa evolução é inversa ao que pensamos ser na verdade.

“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?” Pois é Guimarães, cadê a Rosa de seu nome na Ilha? As flores já não brotam pois os homens não sorriem e a ternura é um sentimento inexistente, morto, aniquilado.

“Não preciso me drogar para ser um gênio; Não preciso ser um gênio para ser humano; Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.” Chaplin, sorrisos não podem existir num mundo tão desumano. Felicidade é algo que realmente não habita a Ilha.

“E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano”. Na Ilha das Flores, o ser humano só quer ser um ser com encéfalo desenvolvido, polegares opositores e ser mais que um animal, Clarice Lispector.

“O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem. Uma corda por cima do abismo.” No abismo é que vivemos. E o fim do abismo chama-se, Ilha das Flores. Salve-se quem puder. Havemos de comer as sobras que os porcos amassaram. Deus, tende piedade de nós. Mas, segundo Jorge, Deus não existe. Então, resta-nos morrer pois há uma imensidão de Ilhas das Flores por todo o mundo.


Panis et Circenses. Não temos na Ilha das Flores, nem pão nem circo... Mas as pessoas na sala de jantar...

Vitor Stefano
Sessões

Atração Perigosa

Nome Original: The Town
Diretor: Ben Affleck
Ano: 2010
País: EUA
Elenco: Ben Affleck, Jeremy Renner, Rebecca Hall, Jon Hamm e Pete Postlethwaite
Sem Prêmios
Atração Perigosa (2010) on IMDb


Charlestown é um órgão vivo, mas com hemorragias e sinais comprometidos. Esse bairro de Boston é conhecido pela grande quantidade de assaltos à bancos e carros fortes. Então os descendentes de irlandeses que habitam esse bairro são policiais, bombeiros ou assaltantes de bancos. Herdam a genética e a habilidade dos projenitores. Mas o coração que ainda pulsa não é de orgulho pelas contravenções, mas sim pela gana e esperança de curar esse tumor.

Ben Affleck é Doug, o cabeça do quarteto contraventor. Cada um de seus parceiros são experts em um ramo dos roubos. Um é hacker e outro um grande motorista de fuga. Já James Coughlin é seu braço direito, irmão de criação. E o ‘pai’ deles é uma espécie de Poderoso Chefão da quadrilha mascarada, vivido por Pete Postlethwaite. Logo no início vemos uma grande ação em um banco onde por precaução levam a gerente como garantia, mas o grupo nunca pretende machucar ninguém. Só querem o dinheiro e sair ilesos, sem que o FBI consiga provar quem provocou mais esse assalto.

Reunião da quadrilha de 'Atração Perigosa'

Vigiar a bela Claire era só uma garantia de que nenhuma pista teria ficado pelo caminho, mas Doug aproxima-se demais. A atração ficou perigosa e aos poucos toma forma de amor. Mas como conseguir olhar nos olhos de alguém que está fragilizada por um ato seu? Até onde o amor pode ir e curar essa feridas? Doug não sabe até onde pode ir, mas James faz questão de lembrá-lo que ele faz parte de Charlestown, e não deve viver o sonho americano. Entre novos assaltos, romance e o jogo de gato e rato entre o FBI e a quadrilha, o filme trás à tona problemas familiares que vão além de questões superficiais. A moral, ou a falta dela, é colocada em julgamento.

‘Atração Perigosa’ é um filme de ação muito bom para os que gostam do gênero, mas pode agradar até os que não tem apreço por bombas e tiroteios, mostrando que o crime organizado pode ser um vício pior que o crack. Não há nada de surpreendente no filme, mas é o roteiro tem ótimos diálogos, cenas empolgantes que deixa às vezes sem fôlego, cortes dinâmicos. Uma ação que está no nível das grandes produções do gênero feitas nos últimos tempos.

O diretor Ben Affleck
Destaque para a direção de Ben Affleck que mostra evolução como diretor de filmes com muita ação e cativa seu lugar do lado de lá das câmeras. Para infelicidade das mulheres, prefiro ele produzindo e dirigindo do que atuando. Lembre-se do roteiro original de ‘Gênio Indomável’. Nas telas, o destaque vai para Jeremy Renner que surgiu para o mundo com ‘Guerra ao Terror’ e está em outra ótima atuação, com tiques característicos e força absurda em sua presença na tela. Um coadjuvante que rouba a cena do ator Ben Affleck. Mas o belo ator tem visão e vai longe em sua carreira.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Brasil em Busca do Oscar

O Cinema Brasileiro tem muitas glórias para contar. São retomadas, revoluções e inovações, porém o Oscar, Prêmio da Academia Norte-Americana, ainda é uma busca frustrada. Não que vencer seja mesmo importante, porém a premiação traria investimento, visibilidade e credibilidade que o público dá aos vencedores deste prêmio. Os parâmetros dos vovôs que fazem parte do Conselho da Academia são totalmente contestáveis, porém, quem quer chegar lá e levar o careca dourado para casa, deve ter uma influencia política muito grande. Engana-se quem chama o prêmio que mais temos chances de Melhor Filme Estrangeiro', porém os filmes de países que não os EUA que falam inglês, não concorrem a esse prêmio. Portanto a busca é pelo Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa.

Começamos a participação como uma co-participação. Muitos nem lembram, mas ‘Orfeu Negro’ de Marcel Camus foi o vencedo do Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa de 1960, porém creditada somente à França, mesmo sendo uma produção franco-italo-brasileira. Mesmo ambientada no Brasil, a história do Orfeu na favela carioca foi agraciado mundialmente, mas não nos rendeu nem uma menção na premiação, mas devemos nos sentir felizes por 'Orfeu Negro' fazer parte de uma filmografia nacional. Infelizmente a versão nacional dirigida por Cacá Diegues, 'Orfeu', interpretado por Tony Garrido, não está ao nível do original, mesmo tendo seus (poucos) méritos.

'O Pagador de Promessas
A história brasileira na premiação é muito pequena. Em 1963 tivemos nosso primeiro indicado genuinamente brasileiro ao prêmio. ‘O Pagador de Promessas’ de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, concorreu ao Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa. A história de Zé do Burro e sua peregrinação até Salvador com sua cruz foi vencida pelo francês ‘Sempre aos Domingos’ de Serge Bourguignon. A primeira participação brasileira na festa de Hollywood é um marco na nossa história.

'O Beijo da Mulher Aranha'
Já a segunda participação brasileira no Oscar não foi muito legítima, até por isso muitos nem a consideram. Mas isso é um erro. ‘O Beijo da Mulher Aranha’ foi totalmente rodado no Brasil e financiado com capital nacional, porém o fato de ser falado em inglês e com dois atores de grande nível como Raul Julia e William Hurt no elenco, o fazem ter um peso estrangeiro. Sônia Braga teve grande participação e sua carreira a partir daí decolou. Em 1985 ‘O Beijo...’ recebeu 4 indicações ao Oscar, inclusive a primeira indicação a um diretor brasileiro - Hector Babenco. Sim, ele nasceu na Argentina, porém se considera brasileiro. Hurt levou o prêmio de Melhor Ator. Concorreu ainda a Melhor Filme e Roteiro.

O fotografo Germano Schüür, Glória Pires, Patrícia Pillar e o escritor José Clemente Pozenato de 'O Quatrilho' em festa do Oscar.

O retorno ao tapete vermelho para um filme genuinamente nacional demorou mais de 3 décadas. No começo da Retomada, ‘O Quatrilho’ de Fabio Barreto em 1996 teve chances de ser o melhor filme de língua não inglesa, mas o fabuloso filme ‘A Excêntrica Família de Antonia’ levou a estatueta para a Holanda, com méritos. Os holandeses mantiveram-se complicando a nossa vida na terceira participação brasileira no Oscar. Em 1998 ‘O Que é Isso, Companheiro' de Bruno Barreto, também não teve sorte. Perdeu de ‘Caráter’ de Mike van Diem. E a família Barreto acumula força e experiência na participação do Oscar. Lembra-se desse sucesso? Veja o trailer desse potente filme:


O melodrama de Walter Salles cativou todos em 98 e o apresentou para todo o mundo. ‘Central do Brasil’ foi arrebatador de público no Brasil e no mundo. A grande atuação de Fernanda Montenegro também foi reconhecida e concorreu a Melhor Atriz, nomeação inédita para o cinema brasileiro e latino-americano. A primeira mulher da America Latina a ser nomeada ao Oscar de Melhor Atriz. No Brasil continua sendo a única, entre as latinas, hoje são 3 as nomeadas, Salma Hayek por 'Frida' e Catalina Sandino Moreno por 'Maria Cheia de Graça', porém nenhuma levou até hoje. A gélida Gwyneth Paltrow levou em 1999 por ‘Shakespeare Apaixonado’ e Roberto Benigni foi o premiado de Melhor Filme de Língua Não Inglesa pelo belo drama ‘A Vida é Bela’. Foi nossa maior chance de ter levado a estatueta, mas o carisma e experiência do italiano pesaram a seu favor.

'Central do Brasil'

Após certa estiagem nas indicações os curtas-metragens é que fizeram bonito representando o Brasil. Em 2000 ‘Uma História de Futebol’ de Paulo Machline concorreu a Melhor Curta Metragem. A história do menino Edson que viraria Pelé aos olhos do amigo Zuza num documentário rendeu muitos prêmios por aqui e chamou a atenção em festivais internacionais. Florian Gallenberger foi agraciado pelo curta mexicano 'Quiero Ser', deixando o Brasil mais uma vez a ver navios. Já em 2003 Carlos Saldanha com John C. Donkin concorreu ao Oscar de Melhor Curta de Animação em 2003 com ‘A Aventura Perdida de Scrat’, curta originário da participação do diretor brasileiro na produção da animação ‘A Era do Gelo’. Seria apenas uma vitória de Carlos, visto que o curta foi totalmente executado e produzido nos EUA, mas seria um diretor brasileiro a ser coroado. Seria, já que o oscar foi para a animação da Austrália ‘Harvie Krumpet’ de Adam Elliot. Mas Saldanha é uma esperança viva já que está em um grande estúdio e sempre envolvido com grandes projetos.

'Cidade de Deus'
O fenômeno ‘Cidade de Deus’ de Fernando Meireles foi aguardado por todo o público brasileiro como grande concorrente ao Oscar de 2003. Mas não foi nem selecionado entre os 5 concorrentes finais. Dos últimos anos, teve a seleção mais fraca, sendo ‘Lugar Nenhum na África’ da Alemanha levado o prêmio. Mas percebendo a força do filme, a Miramax, distribuidora do filme, relançou o filme em circuito americano junto à forte estratégia de marketing. Em 2004 os resultados da ação foram recebidos com 4 indicações do filme ao Oscar, igualando a quantidade de nomeações de ‘O Beijo da Mulher Aranha’. As categorias em que ‘Cidade...’ concorreu foram: Direção, Fotografia (César Charlone), Roteiro Adaptado (Braulio Mantovani) e Montagem (Daniel Rezende). Porém o fenômeno da favela do Rio não foi maior do que o fim da trilogia dos elfos e a busca incessante pelo ano de ‘O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei’ de Peter Jackson que levou 11 categorias. A única categoria que ‘Cidade de Deus’ tinha chances, já que não concorria contra ‘O Retorno...’ era de Melhor Fotografia, porém quem levou foi o modorrento ‘Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo’ estrelado por Russel Crowe. Nessa o Brasil passou muito perto, mas como sempre, não deu.

A busca pelo Oscar é um fetiche no mundo cinematográfico. A América Latina que tem um cinema próspero e crescente só tem 2 Oscars e ambos pela Argentina, com ‘A História Oficial’ (1986) e ‘O Segredo dos Seus Olhos’ (2010). Os critérias usados pela comissão nacional e pelos senhores feudais da Academia são totalmente obscuros, onde a arte nem sempre é levada em consideração. Mas a busca continua e a torcida também. Agora cabe à ‘Lula - O Filho do Brasil’, mais um filme da família Barreto, tentar no ano que vem a tão esperada estatueta.

“And the Oscar goes to... Brazil”. Ainda ouviremos, mesmo que de nada valha.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Aventura Perdida de Scrat

Nome Original: Gone Nutty
Diretor: Carlos Saldanha e John C. Donkin
Ano: 2002
País: EUA
Elenco: Voz de Chris Wedge
Prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação em 2002.
Aventura Perdida de Scrat (Video 2002) on IMDb


A animação ‘A Era do Gelo’ é um fenômeno de público e agrada muito os críticos. Leve, cômico e encantador. E ‘A Aventura Perdida de Scrat’ não fica atrás. Todos lembram do esquilo trapalhão do longa e aqui ele é o único protagonista, ao lado de suas nozes que nunca ficam muito tempo em seu poder. Ainda vemos uma alusão à separação dos continentes. Tudo culpa do Scrat.

Mas o interessante nesse curta é a direção de Carlos Saldanha, brasileiro radicado nos EUA e que cativou seu espaço aos poucos no mundo animado e é o diretor brasileiro com maiores chances de levar um Oscar nos próximos anos. Um diretor bem qualificado e com um talento enorme em seus traços é uma esperança nessa premiação que ainda estamos de mãos vazias.



Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Diretores do Novo Cinema Brasileiro

O Brasil tem um cinema multifacetado. Há os diretores que vão numa linguagem mais televisiva, outros buscam referências ao cinema de arte e outros à estética Hollywoodiana, e outros tentam misturar tudo e ver no que dá. O atual cinema nacional vive uma expectativa positiva muito grande, com recordes de bilheteria, aumento significativo de filmes nacionais em cartaz e grande quantidade de super produções, cinema indepentende, documentários e curtas-metragens. É um Novo Cinema que vem para marcar época, como o Cinema Novo.

Os diretores que fizeram parte do Cinema Novo são considerados até hoje os mais importantes de nosso Cinema, sendo Glauber Rocha o seu principal nome. A estética anti grandes produções, com temática política e foco na classe média da época, fizeram com que o cinema nacional da década de 60 fosse considerado a época com as melhores produções do nosso cinema. Hoje, sem grande polêmicas políticas e com a globalização atingimos o ápice da perfeição técnica. Grandes diretores atuais já são convidados para produzirem fora do país e são reconhecidamente importantes no hall de diretores dessa geração.

Walter Salles e Fernando Meirelles são os que mais se destacaram nas últimas duas décadas com filmes de grande efeito, merecidamente premiados e tecnicamente impecáveis. ‘Central do Brasil’ e ‘Cidade de Deus’ são sucesso de crítica e público em todo o mundo, mas ‘Terra Estrangeira’, ‘Linha de Passe’, ‘O Jardineiro Fiel’, ‘Diários de Motocicleta’, ‘Domésticas’ e ‘Abril Despedaçado’ são sempre lembrados como filmes marcantes no atual cinema mundial. Eles são indubitavelmente diretores consagrados e com nome na lista de nossos grandes diretores.

Mas não viemos falar dos brasileiros consagrados e renomados. Vamos falar de diretores que estão em fase de crescimento e rumam para deixar marcado seus nomes na história do cinema brasileiro e mundial. Aqui no Sessões já falamos de dois: das loucuras pernambucanas de Claudio Assis e da sutileza aliada à naturalidade de Laís Bodanzky.

José Padilha
Começarei falando sobre um quebrador de recordes. Sua iniciação no cinema através de documentários, criou uma estética aos filmes de ficção muito aliados à realidade e essa mistura caiu no gosto do público. Estamos falando de José Padilha. Seu primeiro filme como diretor foi o documentário ‘Ônibus 174’, que deu inspirou o filme ‘Última Parada 174’. O tema polêmico, história densa do menino Sandro e o show de horrores transmitido ao vivo pela televisão resultaram nesse premiadissimo documentário. A fraqueza da polícia no episódio do ônibus foi substituida pela força do BOPE na primeira ficção dirigida por Padilha. ‘Tropa de Elite’ pode ter sido o filme nacional mais visto de todos os tempos, devido à polêmica da pirataria que envolveu o filme antes de seu lançamento. Capitão Nascimento virou herói, criou jargões e já ganhou uma sequência, que é a maior bilheteria nacional desde a Retomada: 'Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro'. Entre as duas super produções, Padilha lançou ‘Garapa’, documentário que enfoca outro tipo de violência: a fome. A veia documentarista dá aos filmes de Padilha uma realidade que choca e conversa diretamente com o público, através de seu talento e sua verdade. Devemos também dar uma menção honrosa e ficar de olho em um grande colaborador e parceiro de produtura de Padilha: Marcos Prado, diretor do documentário ‘Estamira’. Olho neles.

Karim Aïnouz e Marcelo Gomes
Por falar em parceiros, os nordestinos Karin Aïnouz e Marcelo Gomes já trabalharam algumas vezes juntos e coroaram com a direção do belo documentário-ficção-experimental ‘Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo. Como a grande maioria dos diretores nacionais, Karin e Marcelo iniciaram suas carreiras dirigindo curtas-metragens. Karin foi co-roteirista de ‘Abril Despedaçado’ antes de lançar seu primeiro longa: ‘Madame Satã’. Uma maravilhosa interpretação de Lázaro Ramos em um filme denso e potente. Temas complicados seguiram na carreira de Aïnouz. ‘O Céu de Suely’ versa sobre dificuldades e prostituição no interior do Brasil. Já Marcelo Gomes teve em seu debut em longas um dos maiores feitos do cinema atual. O longa ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’ foi merecidamente premiado e aclamado. O cinema nordestino amplia seus horizontes com tanta inspiração.

Heitor Dhalia
 O Nordeste é um grande celeiro dos cineastas brasileiros da atualidade. Heitor Dhalia é pernambucano, mas diferente dos colegas citados acima, não mostrou sua ‘casa’. Ele voa mais alto. Uma carreira curta e três longas lançados, todos com grande repercursão, temas e estéticas totalmente diferentes entre eles. O primeiro longa metragem adaptar livremente Fiodor Dostoievski é só para quem tem um parafuso a mais. Entendo ‘Nina’ é um projeto paranóico. Há uma miscelânia dos maiores atores do atual cinema brasileiro em cena numa São Paulo mais louca ainda. Um grande projeto. Já em ‘O Cheiro do Ralo’ o que vemos é um personagem histérico, com um parafuso a menos. Selton Mello faz um dos melhores papéis de sua carreira, onde o ser humano é dissecado através de uma leitura cômico-trágica. A última dádiva de Dhalia é uma beleza de filme: ‘À Deriva’ tem uma beleza que ultrapassa a beleza da arte. Dhalia tem futuro longo em qualquer dos trilhos que sua carreira o levar e estaremos de olho pois cinema bom deve ser visto e divulgado. Grandes potencial para ser convidado a fazer filmes fora do país.

 Até agora estamos falando de novos cineastas que já são uma realidade no cenário nacional. O paulista Esmir Filho está quase lá. É um dos mais promissores diretores brasileiros. Seus curtas fizeram grande sucesso, principalmente ‘Saliva’ que cativou seu nome para a produção de seu único curta, lançado em 2009, ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, sobre jovens que vivem em seus mundos cibernéticos em tempos de Youtube, Flicker e blogs. Um jovem fazendo cinema para jovens com maturidade de gigante do cinema. Apostar em Esmir é acertar no centro do alvo.
Esmir Filho
Documentaristas como João Moreira Salles e Eduardo Coutinho são exemplos a serem seguidos. Mas um filho do cinema vem crescendo e ganhando espaço onde seu pai reinou. Eryk Rocha deixa a cada novo documentário uma marca, procurando aparecer por conta de suas ideologias, sem usar o trampolim de ser o filho de Glauber. A primeira produção foi uma homenagem ao pai. ‘Rocha Que Voa’ faz uma homenagem à figura de seu pai em entrevistas feitas em Havana. A América Latina é a odisséia de Eryk. Em 'Intervalo Clandestino' vemos a política brasileira em cheque em um ensaio poético. Já ‘Pachamama’ retrata o coração da divisa entre Brasil, o Peru e a Bolívia. Muitas culturas, raças e identidades misturadas num lugar esquecido. Seus documentários são fortes com ar de poesia livre. Um desbravador de culturas onde a realidade é mais verdade do que em outros lugares. Seu primeiro longa de ficção é ‘Transeunte’, que ainda não estreou. Eryk segue um caminho belo, mantendo o nome da família Rocha no alto escalão do Cinema Brasileiro.
Eryk Rocha
O Brasil tem maravilhosos realizadores em sua história e essa lista acima só confirma a qualidade e a força que o nosso Cinema tem. Com diferentes histórias e realidades, cada um a sua forma, mostram o Brasil com realidade, contam histórias maravilhosas e enobrecem a nossa arte. Estamos cada vez mais em evidência, seja na política externa, nos esportes e cada vez mais no Cinema também! Ave o Cinema Brasileiro! Quais outros podem ser lembrados como grandes promessas ou realidades atuais do cinema nacional?

Vitor Stefano
Sessões

RED - Aposentados e Perigosos

Nome Original: Red
Diretor: Robert Schwentke
Ano: 2010
País: EUA
Elenco: Bruce Willis, John Malkovich, Ellen Mirren, Morgan Freeman, Mary-Louise Parker e Karl Urban.
Sem Prêmios
Red - Aposentados e Perigosos (2010) on IMDb


Tiros, metralhadoras, CIA, agentes secretos, russos, matar o vice-presidente dos EUA. Tudo isso daria mais um filme péssimo sobre o serviço secreto estado unidense, assim como foi Salt. Mas, surpreendentemente, RED faz do gênero uma comédia envolvente e que causa risos fáceis com as loucuras insanas e bélicas dos agentes aposentados, velinhos e cheios de munição. RED não tem nada a ver com comunismo, é apenas a sigla Retired and Extremely Dangerous.

Não conheço a tônica dos quadrinhos de Warren Ellis e Cully Hamner em que o filme é inspirado, mas não espere uma fotografia à la ‘300’ ou uma trama inteligente como ‘Cavaleiro das Trevas’. Ele é feito para quem gosta de explosões, mortes à rodo e dar risada. É um típico filme de Tela Quente. Vemos grandes dinossauros do cinema em papéis cômicos. Bruce Willis é Frank Moses, recém aposentado da CIA, vivendo uma vida pacata e tediosa, onde sua maior distração é a espera pelo cheque da aposentadoria e falar com sua paixão platônica, Sarah - a atendente do INSS de lá - e, por saber demais, vira alvo da própria CIA, numa queima de arquivo vivo.



A partir daí as confusões só aumentam. Para essa missão Moses precisará do apoio de seus antigos colegas de Agencia Secreta. Aí entram em cena Freeman, Malkovich e Mirren, que também passam a ser perseguidos. Entre bombas, metralhadoras, capsulas e tiradas de efeito, o quinteto faz miséria com os agentes secretos, que se fossem assim, não teriam emprego nem na PF Brasileira.

A graça de tudo está no entrosamento dos atores, pela atmosfera de comédia irresponsável e trama simples. Willis é Willis, sempre naquele papel de fortão e conquistador, mas que lhe cai bem. Freeman está hilário mas pouco utilizado. Mirren, elegante como sempre, faz um papel que não espramos, mas vindo dela, só pode ser bem feito. Sem dúvidas o maior destaque é de John Malkovich, na pele do lesado e anti-tecnologia Marvin Boggs, que faz com que todas as cenas tenham um ar cômico, dando liga à história. Se for para rir, pode assistir sem medo.

Vitor Stefano
Sessões

3º Sessão Cine Social

Dia 11 de novembro foi dia da 3ª Sessão do Cine Social no Abrigo Bezerra de Menezes. E agora para animar os moradores desse grande lar, um musical. E não um musical qualquer: 'O Mágico de Oz'. Com sua felicidade e mensagem de esperança, deixou os expectadores com boas lembranças e um sorriso de seus rostos. E tivemos sessão lotada.

O que está atrás do arco iris?

 

Cada vez mais é mais gratificante ver o cinema voltando à vida de pessoas que não tinham mais esse costume e essa vivência. Os musicais tem um aspecto mágico, como diz Leandro Antônio: "Nos musicais, tudo funciona". E a platéia entra nas músicas, nas histórias e vive um mundo de faz de contas. Linda experiência.

Veja todas as fotos da 3ª Sessão do Cine Social abaixo:



Apenas lembrando, o Abrigo Bezerra de Menezes precisa de muita ajuda. Entre no site e confira as necessidades para fazer da vida desses idosos ainda mais feliz e saudável. Site: Abrigo Bezerra de Menezes.

Equipe do Sessões

2ª Sessão do Cine Social

Com certo atrasado, vamos dividir o que aconteceu no dia 1º de outubro. Em comemoração ao Dia do Idoso, aconteceu a segunda sessão de cinema para os moradores do Abrigo Bezerra de Menezes, e como na 1ª sessão, tivemos muitos risos e lembranças com as aventuras e poesia de Charles Chaplin.

O filme exibido foi o maravilhoso ‘Luzes da Cidade que iniciou logo após o café da tarde dos expectadores. Filme mudo, porém cantado, o que encantou os moradores do Abrigo. Não poderia faltar a pipoca para entrar no clima de cinema.
Os expectadores na companhia de Vitor Stefano
Após a diversão, conversamos com os moradores, ouvindo opiniões e lembranças. Chaplin ainda é sinônimo de cinema para muitos deles. E concordamos, sempre será! 
 Até a próxima sessão!
Veja todas as fotos da segunda sessão do Cine Social abaixo:


Equipe do Sessões
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