segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tempos Modernos

Nome Original: Modern Times
Diretor: Charles Chaplin
Ano: 1936
País: Estados Unidos
Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard
Sem Prêmios.
Tempos Modernos (1936) on IMDb

O personagem Carlitos resiste e nada diz mais uma vez! Todas as seqüências estão carregadas de significados! E o que dizer de um filme que não disse? E esta particularidade de não dizer (visto que recursos da época já permitiam) revela se não um artista fiel aos seus princípios.

Também fico mudo! Se eu produzisse algum som, plagiaria Chaplin e emitiria um idioma meu. Não há como expressar com a tão utilitária palavra o que os silêncios dos gestos deste operário, desempregado, desiludido e esperançoso personagem provocam nos que compartilham de sua arte, anseios e encucações. Carlitos é sentimento humano nos milímetros da grande película.

Vou apenas apertar parafusos, visto minha humana insignificância diante da automação que eu mesmo idealizei. Limito-me ao não-comentário e agradeço pela oportunidade de rever Tempos Modernos.

Permissão Sir Chaplin, pois o Sessões vai comentá-lo!

Leandro Antonio
Sessões

7 comentários:

  1. Gênio!
    Gênio!
    Gênio!

    Um filme que retrata problemas como a fome, escravidão do homem pela máquina, criminalidade, tráfico de drogas, crises nervosas e problemas econômicos, se te falassem que é um filme que acabou de ser lançado no cinema, seria totalmente normal.
    Mas não! É um filme de 1936. Em Preto e Branco. Mudo. Sir Charles Spencer Chaplin Jr., inglês, ator, diretor, roteirista, músico e gênio, que interpreta pela última vez o seu papel mais marcante o de Carlitos, o Vagabundo.
    Em Tempos Modernos, são histórias de duas pessoas que se convergem em um amor fraternal. Do trabalhador de fábrica (Chaplin) e de uma moradora de rua (Goddard) com muita graça, leveza e humor.
    A ausência de premiações por essa obra prima deve-se às atitudes de Chaplin, sempre contestador e controverso, como com o Oscar vencido em 1929 (“O Garoto”) que era deixado como aparador de porta.
    Não há palavras para descrever o que Chaplin fez. Chaplin mudou a cronologia do cinema. AC (antes de Chaplin) e DC (depois de Chaplin). Revolucionou com sua inteligência. Peitou o mundo de modo claro e corajoso. Mesmo quieto.

    Vitor Stefano
    Sessões

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  2. Genialidade na crítica política.

    Neste filme, Charles Chaplin lança mão, mais uma vez, de seus vários talentos para fazer uma bela crítica à sociedade moderna e aos meios de produção capitalista. Ele é o diretor, produtor, roteirista e compositor da trilha sonora desta que é considerada mais uma obra-prima do cinema.

    A narrativa traça um retrato da sociedade americana na época da pós-depressão nos anos trinta e mostra com bom humor as condições de vida dos trabalhadores que, quando não se encontravam desempregados, se viam obrigados a aceitar trabalhos de baixa remuneração e de péssimas condições físicas.

    Chaplin consegue genialmente, com uma coreografia ensaiada à exaustão, ridicularizar o trabalho repetitivo imposto aos operários e a substituição da mão-de-obra humana pelas máquinas.

    Na fita, o operário Carlitos desempenha o árduo e exaustivo trabalho de apertar parafusos numa linha de montagem. Por causa disso, ele tem problemas de stress, é despedido e, logo em seguida, internado em um hospital. Após algum tempo, sai de lá recuperado, mas com a eterna ameaça de estafa que a vida moderna impõe: a correria diária, a poluição sonora, as confusões entre as pessoas, os congestionamentos, as multidões nas ruas, o desemprego, a fome, a miséria...

    Alguma coisa lhe parece atual? Afinal vivemos o prenúncio de mais uma grande depressão econômica mundial. As conseqüências disso já conhecemos bem aqui no Brasil, tais como: a miséria, o desemprego, o caos urbano e seus desdobramentos, como a criminalidade e a violência. Já os americanos, creio eu, terão que buscar inspiração em Carlitos para aprender a lidar com as dificuldades de sobreviver com criatividade em vez do cartão de crédito.

    O filme apresenta momentos deliciosos, com verdadeiras cenas antológicas como, por exemplo, a cena em que Carlitos anda de patins numa loja de departamentos; ou na qual ele é confundido com um grevista; ou, ainda, a cena em que ele canta e dança num cabaré.

    Apesar das limitações técnicas inerentes à época, a fita apresenta uma bela fotografia. É a última produção de Chaplin no cinema mudo, apesar deste filme já apresentar alguns efeitos sonoros.

    Nesta fita, seu eterno personagem, Carlitos, também aparece pela última vez.

    As interpretações são marcantes, com destaques para Chaplin e para a bela Paulette Goddard, na época sua esposa na vida real. Gloria DeHaven, que faz o papel da irmã de Paulette, tinha apenas 11 anos de idade quando da realização do filme.

    Genial, clássico, atualíssimo. Nota: 9,75.

    Carlos Nascimento
    Sessões

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  3. Não tive o prazer de assistir esse filme ainda,mais depois deste post me vejo obrigada assistir esse filme.

    Afinal Charles Chaplin era ótimo em tudo que fazia.

    Estou lendo um livro sobre a história do cinema que comenta sobre a vida de Charles Chaplin e sobre seus filmes,que apenas com imagens já diziam tudo.


    beijo.

    Thálita

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  4. Há alguma relação entre Sir Charles Chaplin,Lulu Santos e Bob Dylan?
    Ora claro.
    O primeiro fez um clássico,o segundo uma música com o nome do clássico e o terceiro um cd com o nome do clássico.
    O clássico de que se fala é nada mais nada menos do que Tempos Modernos.
    A forma jocosa de se remeter a um presente dolorido com vistas a um futuro risonho que entretanto não chega.
    A mensagem do filme é exatamente essa.A palavra "moderno" ganhou uma acepção que traz à luz a idéia de que o desenvolvimento humano é possível e a evolução cultural da civilização viria quase que por inércia,se mantidas as formas de produção e o sistema econômico capitalista.Não sem razão o "moderno" do título do filme é usado com um sentido pra lá de irônico beirando o cinismo porque o que se nos mostra é que a forma de produção aliena o sistema capitalista escraviza.
    Chaplin,no filme,é preso por sair apertando com a chave grifo como se todos fossem parafusos.O que não deixa de ser uma verdade dependendo da forma que se aprecia um fato.
    Não seríamos um dente de toda essa engrenagem econômica?Produzir para comprar o que se produziu para poder produzir mais e voltar a adquir como se fosse um moto-contínuo perpétuo.Mas nem tudo são desgraças,alías,o filme passa um energia boa de algo nefasto.Sempre há mérito na obra de arte.Mas creio que se exponencia o brilhantismo de um ser que consegue extrair alegria de uma situação de sofrimento e reclusão.Seria,guardada as devidas proporções,como arrancar vida da morte,sentido da insensatez,alimento de estrume.
    Chaplin,consegue isso.
    Lulu Santos,por outro lado,também crê nessa "certa esperança no que vem por aí" quando canta Tempos Modernos.
    Exemplos sobejam:
    "Eu vejo a vida melhor no futuro", "Eu vejo a vida mais clara e farta,repleta de toda satisfação",
    "Eu vejo um novo
    Começo de era
    De gente fina
    Elegante e sincera" e etc.
    Um coisa engraçada essa utilização irônica da palavra "moderno".Será que o fim do moderno é sempre ser motivo de ceticidade?
    Se depender de Bob Dylan,sim!
    Modern Times ganhou prêmio do ano de 2006 foi um disco escrito com tinta de sangue,tristeza e decepção.
    Só de passar os olhos nas letras do álbum já da pra ter noção de que "Modern Times"nos fala Bob Dylan.

    "Can't explain
    The sources of this hidden pain"

    "I got troubles so hard, I can't stand the strain"
    "Some people on the road carryin' everything that they own
    Some people on the road carryin' everything they own
    Some people got barely enough skin to cover their bones"

    "Put on your cat clothes, mama, put on your evening dress
    Put on your cat clothes, mama, put on your evening dress
    Few more years of hard work, then there'll be a 1,000 years of happiness"

    Mas, e aí? A que conclusão se chega depois dessa (ir)reflexão toda?
    Moderno é a produção em grande escala,arranha-céus que jorram do chão ao firmamento e depois ficam lá,parados estendidos tal qual dedos de deus;Moderno é o trânsito,a fumaça cinzenta que se traga para ir trabalhar;moderno é a forma de vida na selva de pedra com serpentes de aço que cortam os países de ponta a ponta e vomitam pessoas nas estaçoes de trem;moderno é a violência,a fome,a falta e frio;moderno é o caos,a desgraça,o sorriso hipócrita.Por fim, moderno é o non-sense cantado e aplaudido e que convence de que não precisa ser cantor pra cantar.

    "Si bela ti satore
    Je notre so Cafore
    Je notre si cavore
    Je la tu la ti la Tua"

    Ps:Só a guisa de complementação segue abaixo a letra completa de Tempos Modernos de cuja arranguei algumas frases para escrever esse artigo para o Sessões.

    Tempos Modernos
    Lulu Santos
    Composição: Lulu Santos

    Eu vejo a vida
    Melhor no futuro
    Eu vejo isso
    Por cima de um muro
    De hipocrisia
    Que insiste
    Em nos rodear...

    Eu vejo a vida
    Mais clara e farta
    Repleta de toda
    Satisfação
    Que se tem direito
    Do firmamento ao chão...

    Eu quero crer
    No amor numa boa
    Que isso valha
    Pra qualquer pessoa
    Que realizar, a força
    Que tem uma paixão...

    Eu vejo um novo
    Começo de era
    De gente fina
    Elegante e sincera
    Com habilidade
    Pra dizer mais sim
    Do que não, não, não...

    Hoje o tempo voa amor
    Escorre pelas mãos
    Mesmo sem se sentir
    Não há tempo
    Que volte amor
    Vamos viver tudo
    Que há pra viver
    Vamos nos permitir...

    Eu quero crer
    No amor numa boa
    Que isso valha
    Pra qualquer pessoa
    Que realizar, a força
    Que tem uma paixão...

    Eu vejo um novo
    Começo de era
    De gente fina
    Elegante e sincera
    Com habilidade
    Pra dizer mais sim
    Do que não...

    Hoje o tempo voa amor
    Escorre pelas mãos
    Mesmo sem se sentir
    E não há tempo
    Que volte amor
    Vamos viver tudo
    Que há prá viver
    Vamos nos permitir...

    E não há tempo
    Que volte amor
    Vamos viver tudo
    Que há pra viver
    Vamos nos permitir...


    Fernando Moreira dos Santos
    SESSÕES

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  5. Comentário do comentário

    Gostaria de utilizar este espaço para fazer o comentário do comentário. Daí me permito a me afastar um pouco do objetivo central do blog, que é a análise cinematográfica. Quero dizer que eu estou impressionado com a capacidade de análise do colega Fernando Moreira. A comparação filme, Lulu, Dylan rendeu. Parabéns, meu irmãozinho!!!

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  6. Polêmico e ao mesmo tempo gracioso. Cenas bem escolhidas, musicalidade precisa, dinamismo cênico. O incrível artista, Charles Chaplin, é o protagonista-diretor-escritor-sonoplasta-etc deste comovente filme de 1936. Roteiro, direção, trilha sonora, fotografia e atuações são impecáveis. Chamo a atenção do leitor para dois fatores que fazem com que o filme tenha uma importância grandiosa para o cinema universal: a movimentação cênica fantástica e a mensagem ousada e crítica.

    Nesta que é a última aparição do personagem Carlitos nos filmes de Chaplin, os movimentos dizem tudo. Em meio a engrenagens e uma linha de produção ininterrupta o gracioso personagem desempenha uma atuação corporal originalíssima e deveras significativa. Ele esbarra, emburra, cai, levanta, sorri, luta, bate, corre em harmonia com os elementos do cenário, com os outros personagens e com a maravilhosa trilha sonora. Destaque para as majestosas cenas da greve, da fuga da prisão e do garçom servindo.

    Tempos Modernos mostra a angústia do ser humano frente à industrialização, questiona ousada e sabiamente a possibilidade de felicidade do ser humano em tempos como aquele. Logo após a Crise Norte-Americana de 1929 veio a grande depressão que afetou o mundo inteiro, deixando famílias e vidas arruinadas. Neste tempo, em que o país estava se reerguendo, manter-se em um emprego era algo aliciador para o chefe de família independente das condições de trabalho, que de fato não eram nada favoráveis aos trabalhadores. Tudo em nome da produção, em nome de interesses que não eram deles. Em meio a greves, suicídios, fome e degradação moral o indivíduo de mãos atadas, bocas e ouvidos tapados, vive opressão, repressão e humilhação contínuas, mantendo-se estático, apático, vencido.

    É possível traçar um maravilhoso paralelo entre o filme e a canção “Dona Divergência” de Felisberto Martins e Lupicínio Rodrigues, onde o eu-lírico se apresenta triste e derrotado frente à busca da felicidade mediante as circunstâncias e divergências. Esta divergência que destrói os casais, como dito na canção, destrói também a possibilidade de cooperação, o que pode gerar atritos, guerras, destruição. O ‘país’ da canção não se organiza mais:

    “Oh Deus, que tens poderes sobre a Terra
    Deves dar fim a esta guerra
    E aos desgostos que ela traz.
    Deves encher de flores os caminhos,
    Mais canto entre os passarinhos,
    Na vida maior prazer.
    E assim, a humanidade seria mais forte,
    Ainda teria outra sorte,
    Outra vontade de viver.

    Não vás, bom Deus,
    Julgar que a guerra de que estou falando
    É onde estão se encontrando
    Tanques, fuzis e canhões.
    Refiro-me à grande luta em que a humanidade
    Em busca da felicidade, combate pior que leões.
    Onde a Dona Divergência com o seu archote
    Espalha os raios da morte,
    A destruir os casais.
    E eu, combatente atingido
    Sou qual um país vencido
    Que não se organiza mais.”

    Diferente do eu-lírico desta canção, o nosso personagem, no filme, se organiza protesta e gera polêmica ao não se adequar ao sistema social vigente e às condições e imposições trabalhistas. Deturpando conceitos éticos, infringindo leis, ignorando a propriedade privada, nadando contra a corrente, desconcertando costumes e crenças.
    Esta postura rebelde e subversiva destaca fortemente a verdadeira opinião das classes desfavorecidas nas circunstâncias históricas do filme e consegue levar uma mensagem importante para o grande público desde então até os dias de hoje.

    “Todo coração é uma célula revolucionária”, este espírito de subversão não poderá desaparecer nos indivíduos fazendo com que passem a exercer uma posição de vegetação social, como destacado neste trecho de “Senhora” de José de Alencar:

    “Filho de um empregado público e órfão aos dezoito
    anos, Seixas foi obrigado a abandonar seus estudos na
    Faculdade de São Paulo pela impossibilidade em que se
    achou sua mãe de continuar-lhe a mesada.
    Já estava no terceiro ano, e se a natureza que o ornara
    de excelentes qualidades lhe desse alguma energia e força
    de vontade, conseguiria ele vencendo pequenas
    dificuldades, concluir o curso; tanto mais quanto um colega e
    amigo, o Torquato Ribeiro, lhe oferecia hospitalidade até que
    a viúva pudesse liquidar o espólio.
    Mas Seixas era desses espíritos que preferem a trilha
    batida, e só impelidos por alguma forte paixão rompem com
    a rotina. Ora, a carta de bacharel não tinha grande sedução
    para sua bela inteligência mais propensa à literatura e ao
    jornalismo.
    Cedeu pois à instância dos amigos de seu pai que
    obtiveram encartá-lo em uma secretaria como praticante.
    Assim começou ele essa vegetação social, em que tantos
    homens de talento consomem o melhor da existência numa
    tarefa inglória, ralados por contínuas decepções.”

    Tempos Modernos é, sem dúvida, uma sugestão elegante e mágica de comunicação crítica, de postura subversiva, de atitude artística. O cinema universal agradece a Charles Chaplin, o Carlitos.


    Mateus Moisés
    Sessões

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  7. adorei o filme, engraçado e divertido fala sobre conceitos marxista e pela luta de classes.

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