quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Mãe Só Há Uma


Nome Original: Mãe Só Há Uma
Ano: 2016
Diretora: Anna Muylaert
País: Brasil
Elenco: Naomi Nero, Daniela Nefussi, Matheus Nachtergaele, Luciana Paes e Marat Descartes.
Prêmio: Teddy Bear no Festival Internacional de Berlim.
Mãe Só Há Uma (2016) on IMDb


Ser adolescente nunca é fácil. É um momento crucial da vida onde escolhas, novidades, decisões podem ser decisivas para a vida toda. Os conflitos internos e dúvidas são verdadeiras guerras mundiais para um menino de 17 anos. Quando tudo parece estar uma loucura, Pierre descobre que foi raptado na maternidade e quem ele ama e chama de mãe é um verdadeiro monstro. Um amor, um monstro que tirou um filho de outra família. E não o fez apenas uma vez já que sua irmã menor também foi raptada. Na verdade, Pierre é Felipe. E na verdade, Felipe não é ninguém. A rebeldia juvenil que surge normalmente agora explode. Quando sai da casa simples e pobre para a casa imponente e abastada dos pais biológicos ele não se reconhece. Quem sou? Felipe ou Pierre? Quem são essas pessoas que me amam e que não me veem há 17 anos? E eu que não os conheço preciso amá-los? Mas...eu me amo? Quem sou eu?

O amor é algo que nasce, cresce e precisa ser adubado. Quando uma situação limite acontece a força interna ganha força e você precisa se impor. Felipe/Pierre se impõe com sua nova família. Porta fechada, roupas extravagantes, escolhas de passeios inusitados para a família tradicional. No afã do amor, a nova família transforma Felipe numa uma espécie de circo e o leão surge e ruge. O irmão (biológico) mais novo é o verdadeiro contraponto, cheio de sí, cheio de confiança e arrogante. Parece um mini adulto. Felipe ainda não. Não temos uma família, não temos diálogo. Não conseguimos ver, incomoda. Uma relação que não fala, apenas sente.


Um filme potente, impactante e diante de um dilema tão complexo não cai na pieguice natural. Nem o fato de ser inspirado em fatos reais o deixa cair nessa armadilha. A escolha de esconder a mãe raptadora logo no início é acertada para que o foco seja mesmo em Felipe/Pierre. Já há muito conflito num único personagem. Anna que tem uma carreira constante, competente e atingiu o "estrelato" com "Que Horas Ela Volta?". “Mãe Só Há Uma” é seu menor (também em duração) e melhor filme. As incompletas sensações, os hiatos, os silêncios são tudo, são imperfeitos perfeitos. Pierre/Felipe é a imperfeição. É tudo que queriam. É nada. É uma linda atuação do estreante Naomi Nero. É um dos melhores filmes nacionais do ano ao lado de "Boi Neon" de Gabriel Mascaro e "Aquarius" de Kleber Mendonça Filho. É um ano fabuloso do cinema nacional. Anna, muito obrigado (de novo)!

Vitor Stefano
Sessões 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Aquarius


Nome Original: Aquarius
Ano: 2016
Diretor: Kleber Mendonça Filho
País: Brasil 
Elenco: Sonia Braga, Humberto Carrão, Maeve Jinkings, Irandhir Santos e Carla Ribas.
Prêmios: Melhor Filme do Festival de Sydney, Melhor Filme pelo Juri no World Cinema Amsterdam, Prêmio Especial do Juri no Festival Latino Americano de Lima, Melhor Atriz (Braga) e Prêmio Especial do Juri no Festival Biarritz Internacional de Cinema Latino Americano.
Aquarius (2016) on IMDb


A vida de Clara. A vida de Aquarius. A vida.

Estamos no Recife, anos 80. Música boa tocando num lindo prédio, uma praia cheia de gente, sexo, drogas e nessa noite agradável conhecemos Clara, jovem mãe de três filhos, de cabelos curtinhos a la Elis Regina e que passou recentemente por um câncer de mama. Nesse prédio mora uma tia de Clara. Catapultados para os dias de hoje na mesma praia, vemos a mesma Clara, já na terceira idade e vivendo no mesmo Edifício Aquarius. O prédio nanico entre os monstros arranha céus da praia de Boa Viagem. Ela agora com cabelos longuíssimos, vive só - sempre acompanhada de sua fiel empregada. Os outros apartamentos do prédio estão vazios. A construtora Bonfim, tradicional na cidade, comprou todas as unidades, exceto da sexagenária. Seria ela uma vovó ranzinza que só sairá de lá morta ou é uma ativista revolucionária em defesa de sua propriedade? O mercado quer engoli-la. Dizem que ela deveria sair por segurança, modernidade e conforto que só os novos apartamentos podem oferecer. Mas e as raízes? E a identidade? Não há quem nos venda, isso só nós podemos cultivar.

Clara é uma mulher inteligente, forte, de caráter e impositiva. A pressão silenciosa que a incorporadora faz para que ela saia do apartamento está alinhada com a força das instituições mais opressivas existentes: imprensa, política, igreja e sociedade – incluindo todos, inclusive seus próprios filhos. Clara está só. Ela tem seus discos, as músicas que marcaram sua vida, suas memórias, suas coisas que dão certo alento. Clara está cheia de vida ao seu redor. Clara resistirá a todo e qualquer assédio. De peito aberto, mesmo que mutilado, com seus cabelos soltos, ela é uma espécie de Sansão moderno. Uma abnegada. Uma mulher de fibra, de peito.



O filme é lindo em sua caracterização dos anos 80, desde a escolha de trilha sonora fabulosa e muito bem encaixada - de Queen a Reginaldo Rossi – passando por uma direção de atores muito boa, mas é claramente impossível não dizer que se trata de um filme de Sônia Braga. Para Sônia Braga. Sua força na tela, sua beleza - física e da personagem- faz com que ela leve o filme nas costas, totalmente feito para ela brilhar. E ela brilha, fazendo talvez o papel de sua vida. Kleber Mendonça Filho faz mais um belíssimo filme com diversas características já conhecidas dos seus curtas e do ótimo "O Som ao Redor", como uso constante do zoom in, a criação de clima psicológico e o uso de flashbacks/visões entre pesadelos que cria uma tensão constante. Também tem Recife e imóveis. Mas, o principal de seus filmes: tem vida, tem gente. KMF é um diretor de capacidade ímpar. A duração é maior do que necessária, mas não tira a força e nos prepara para o que veremos - uma espécie de Davi contra Golias. Os cabelos de Clara é clara referência à prova da resistência, da luta, da vida. Clara é um personagem incrível. Sônia Braga é incrível.

Tentar dissociar o filme de toda polêmica que o cercou referente ao Oscar e aos protestos em Cannes é difícil, mas possível. O filme em si é maior do que a pequenice de boicote da direita ou apoio cego da esquerda. O filme é sobre resistência, sobre abnegação, sobre ser vivo, ser humano, ser cidadão e isso é maior do que apoiar A ou B. Não se deixe contaminar com os discursos extremistas (de nenhum dos lados), veja e apoie cinema nacional. Gostar ou não depende do olhar, mas crie o seu e nunca veja pelos olhos de outrem. "Aquarius" é grande. Kleber Mendonça Filho é ótimo. Sonia Braga é uma estrela e é a representação maior do nosso cinema.

Viva "Aquarius"! Viva a liberdade! Viva Sonia Braga! Viva a vida!

Vitor Stefano
Sessões

sábado, 8 de outubro de 2016

Julieta


Nome Original: Julieta
Ano: 2016
Diretor: Pedro Almodóvar
País: Espanha
Elenco: Adriana Ugarte, Emma Suárez, Rossy de Palma, Michelle Jenner, Daniel Grao, Darío Grandinetti, Nathalie Poza e Inma Cuesta.
Sem Prêmios.
Julieta (2016) on IMDb


Grandes segredos escondidos em silêncio, quando revelados, causam surdez histérica e irreversível. A vida é feita de escolhas e decisões que rumam o destino em marcos inesquecíveis. Temos apenas uma certeza: a morte - mas quem a quer? Mas...quem não tem segredos? A vida é um segredo constante, que foge das mãos, escorre pelos braços e faz as pernas andarem rumo ao infinito. Se não tiver riscos, qual foi a graça da vida? Se não tiver atitude, será lembrado apenas pelo peso no caixão. Se não ousar, não será esquecido apenas pela lápide que lembrará quantos dias você ocupou algum espaço nesse planeta. A vida é um mistério. A vida é um segredo.

Julieta viveu, viajou, doou, amou, desconfiou. Julieta é mãe de Antía, viúva de Xoan. Marco que mudou sua vida. Julieta era apenas carne, pois sua alma foi junto com o amado. Antía cuida da mãe, abdica de sua juventude. Mas Julieta é um barril de pólvora. Antía chega aos 18 anos e vai viver sua vida. Aí o corpo de Julieta, quase necrosado se reergue em busca de sua filha. Mãe e filha. Silêncio. Um melodrama trágico. Uma tragédia romântica. Uma busca pela existência. Muitas perguntas onde o silêncio é a única resposta.


 É um retorno triunfal de Almodóvar ao melodrama almodovariano. E por mais que ele mesmo queira se dissociar desse estigma, não há como diante de tal obra - edificante e imponente. Desde "Volver" não atingia tal classe e vibração, com uso do clássico universo feminino, porém dessa vez de abrangência global, de forma seca e dura. Apesar da dor e sofrimento do enredo, o seu grande trunfo são cortes que controlam as emoções e não o deixam cair na pieguice. Tudo para o filme não transbordar, mas impactar e fixar. Personagens complexos apresentados em flashbacks bem encaixados, com as habituais cores - menos estridentes. O figurino e direção de arte são impecáveis. Todo elenco está em grande desempenho, principalmente as Julietas. Almodóvar sempre foi um dos meus diretores prediletos por filmes como "Julieta". Um filme para quem ama ele, pra quem é pai, filho e especialmente para quem é ser humano. É um filme pra se ver (viver, sentir e não esquecer).

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O Clube


Nome Original: El Club
Ano: 2015
Diretor: Pablo Larraín
País: Chile
Elenco: Alfredo Castro, Roberto Farías, Antonia Zegers, Alejandro Sieveking, Marcelo Alonso, Jaime Vadell, Francisco Reyes e José Soza.
Prêmios: Prêmio do Grande Juri no Festival de Berlim e Melhor Filme no Festival de Havana.
O Clube (2015) on IMDb


Quando o absurdo é enorme, o impacto é cataclísmico. Quando representantes do “bem” são vistos de forma enviesada e cautelosa percebemos que não há mais espaço para essa dualidade de bem e mal. O ser humano é uma espécie falível e por mais que a esperança esteja esvaindo precisamos acreditar nas boas intenções, na benevolência e na caridade. Sozinhos não somos nada. Juntos, se houver consciência e discernimento, há chance de termos algo edificante. Mas há pessoas que, nem mesmo enclausuradas e excluídas do convívio da sociedade, são capazes de apagar fantasmas, expurgar pensamentos maledicentes e buscar a paz. Há sempre a culpa. Há sempre um anjo negro rondando. Há sempre o fator humano.

Clube. Já começamos com uma ironia. Não há tobogãs, piscina ou churrasco. Estamos numa cidade litorânea chilena, mas que em nada lembra uma colônia de férias ou divertida. Vemos quatro senhores de idade e uma irmã. Sabemos muito pouco de cada um, apenas que são padres e uma religiosa, que cuida das regras da casa. Casa? Prisão, refúgio ou mesmo isolamento seriam nomes mais apropriados. Logo somos apresentados a um quinto membro recém-chegado e que trás desconforto aos moradores, por conta de uma visita inesperada, que por trás do muro grita frases duras e incomodas. Descrições de como era abusado por padres durante a infância, com detalhamentos dignos de contos eróticos rasos, mas que chocam, incomodam, envergonham e enraivecem. É uma cena inicial memorável e o fato ocorrido logo após este relato gerará uma reviravolta na rotina da casa. Um novo padre, jovem, chega com a missão de vistoriar o que acontece nessa casa. Tudo muda.

Padre Garcia é recebido de forma ressabiada pelos outros moradores. Ele tem a fama de delatar e incriminar outros sacerdotes de outros clubes espalhados pelo Chile. A tela opaca, quase míope, incomoda, nos dá claustrofobia. O acinzentado nos deixa sem noção de época, nos deixa perdidos no tempo, mas coloca nossos pés no chão pela denuncia e asco. Ver os religiosos numa rotina regrada, sendo cercados por todos os lados, se digladiando interiormente e expondo suas fraquezas é uma crítica duríssima à Igreja, à conivência com os criminosos numa busca clara pela manutenção da imagem da santíssima. Em nome de Deus eles usaram seu poder convencedor para ungir crianças de gozo, roubar crianças de famílias menos abastadas, apostar em jogos de azar numa busca de fuga da dura realidade da penitência religiosa e ainda corroborar e colaborar com a ditadura, tortura e mortes. Não há espaço para o prazer, apenas para o poder. E o poder é muito grande. O poder é o maior mal desse mundo.


Pablo Larraín é um nome a sempre ter no radar. O chileno fez grandes filmes na última década, colecionando prêmios de festivais e críticas positivas em todos seus filmes. Sempre com temas duros e polêmicos, ele cutuca o establishment com um soco no estômago, sem delongas. Se em “No” e “Tony Manero” ele expunha os entraves da ditadura chilena, aqui, num ousado movimento, escancara a cúria da Igreja Católica, sem escrúpulos, como os que cometeram crime. A crueza do roteiro com a força de atuações incríveis faz de “O Clube” um marco.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

100 Melhores Filmes do Século - Lista da BBC

Como toda lista a polêmica se instalou. A BBC realizou um levantamento com 177 críticos de cinema de todos continentes (exceto da Antártida) e pediu que cada um fizesse uma lista dos 10 melhores filmes realizados a partir do ano 2000. A lista é apenas um resultado da real pergunta: O cinema está morrendo?

A lista é bem variada, um bonito panorama do cinema até agora nesse novo século que ainda está no começo. O cinema está mais vivo que nunca. Segue a lista que é encabeçada por "Cidade dos Sonhos" de David Lynch.


1. Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
2. Amor à Flor da Pele (Wong Kar-wai, 2000)
3. Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
4. A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
5. Boyhood - Da Infância à Juventude (Richard Linklater, 2014)
6. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança (Michel Gondry, 2004)
7. A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011)
8. As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000)
9. A Separação (Asghar Farhadi, 2011)
10. Onde os Fracos não tem Vez (Joel and Ethan Coen, 2007)
11. Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (Joel and Ethan Coen, 2013)
12. Zodiaco (David Fincher, 2007)
13. Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006)
14. The Act of Killing (Joshua Oppenheimer, 2012)
15. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
16. Holy Motors (Leos Carax, 2012)
17. O Labirinto de Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
18. A Fita Branca (Michael Haneke, 2009)
19. Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller, 2015)
20. Synecdoche, New York (Charlie Kaufman, 2008)
21. O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2014)
22. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
23. Caché (Michael Haneke, 2005)
24. O Mestre (Paul Thomas Anderson, 2012)
25. Amnésia (Christopher Nolan, 2000)
26. A Última Hora (Spike Lee, 2002)
27. A Rede Social (David Fincher, 2010)
28. Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)


29. WALL-E (Andrew Stanton, 2008)
30. Oldboy (Park Chan-wook, 2003)
31. Margaret (Kenneth Lonergan, 2011)
32. A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)
33. Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)
34. O Filho de Saul (László Nemes, 2015)
35. O Tigre e o Dragão (Ang Lee, 2000)
36. Timbuktu (Abderrahmane Sissako, 2014)
37. Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul, 2010)
38. Cidade de Deus (Fernando Meirelles and Kátia Lund, 2002)


39. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)
40. Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
41. DivertidaMente (Pete Docter, 2015)
42. Amor (Michael Haneke, 2012)
43. Melancolia (Lars von Trier, 2011)
44. 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen, 2013)
45. Azul é a Cor Mais Quente (Abdellatif Kechiche, 2013)
46. Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)
47. Leviathan (Andrey Zvyagintsev, 2014)
48. Brooklyn (John Crowley, 2015)
49. Adeus à Linguagem (Jean-Luc Godard, 2014)
50. A Assassina (Hou Hsiao-hsien, 2015)
51. A Origem (Christopher Nolan, 2010)
52. Mal dos Trópicos (Apichatpong Weerasethakul, 2004)
53. Moulin Rouge! - Amor em Vermelho (Baz Luhrmann, 2001)
54. Era uma Vez em Anatolia (Nuri Bilge Ceylan, 2011)
55. Ida (Pawe Pawlikowski, 2013)
56. A Harmonia Werckmeister (Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2000)
57. A Hora Mais Escura (Kathryn Bigelow, 2012)
58. Moolaadé (Ousmane Sembène, 2004)
59. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
60. Síndromes e um Século (Apichatpong Weerasethakul, 2006)
61. Sob a Pele (Jonathan Glazer, 2013)
62. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
63. O Cavalo de Turim (Béla Tarr and Ágnes Hranitzky, 2011)
64. A Grande Beleza (Paolo Sorrentino, 2013)
65. Fish Tank (Andrea Arnold, 2009)
66. Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Kim Ki-duk, 2003)
67. Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
68. Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)
69. Carol (Todd Haynes, 2015)
70. Histórias que Contamos (Sarah Polley, 2012)
71. Tabu (Miguel Gomes, 2012)
72. Amantes Eternos (Jim Jarmusch, 2013)
73. Antes do Pôr do Sol (Richard Linklater, 2004)
74. Spring Breakers: Garotas Perigosas (Harmony Korine, 2012)
75. Vício Inerente (Paul Thomas Anderson, 2014)
76. Dogville (Lars von Trier, 2003)
77. O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007)


78. O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese, 2013)
79. Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000)
80. The Return (Andrey Zvyagintsev, 2003)
81. Shame (Steve McQueen, 2011)
82. Um Homem Sério (Joel and Ethan Coen, 2009)
83. A.I. Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001)
84. Her (Spike Jonze, 2013)
85. O Profeta (Jacques Audiard, 2009)
86. Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)
87. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet, 2001)
88. Spotlight: Segredos Revelados (Tom McCarthy, 2015)
89. La mujer sin cabeza (Lucrecia Martel, 2008)
90. O Pianista (Roman Polanski, 2002)
91. O Segredo dos Seus Olhos (Juan José Campanella, 2009)
92. O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007)
93. Ratatouille (Brad Bird, 2007)
94. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
95. Moonrise Kingdom (Wes Anderson, 2012)
96. Procurando Nemo (Andrew Stanton, 2003)
97. Minha Terra África (Claire Denis, 2009)
98. Dez (Abbas Kiarostami, 2002)
99. Os Catadores e Eu (Agnès Varda, 2000)
100. Carlos (Olivier Assayas, 2010)
100. Requiem para um Sonho (Darren Aronofsky, 2000)
100. Toni Erdmann (Maren Ade, 2016)

O que está faltando? O que está demais? Listas são sempre listas...

Vitor Stefano
Sessões

sábado, 13 de agosto de 2016

Sessões Dupla: The Square e Eu sou o Povo

Nome original: Al Midan e Je suis le peuple
Diretoras: Jehane Noujaim; Anna Roussillon
País : Egito e França
Elenco: Ahmed Hassan e Farraj 

Ao ver de fora e de longe, as primeiras imagens que vem à cabeça quando se pensa no Egito são pirâmides, faraós, desertos e o maior rio do mundo.  Uma visão mais contemporânea desse importante país africano pode mostrar que os estereótipos ficam bem longe quando o assunto é Egito atual. Você pode atestar isso assistindo  The square (2013) e Eu sou o povo (2015).




The Square, remete aos acontecimentos que incendiaram todo o norte da África conhecido por primavera árabe. Um conjunto de revoltas de rua que exigiam mudanças radicais no sistema político.  A explosiva equação social que explica a explosão popular contra o governo passa por altos índices de desemprego, boa escolaridade dos jovens, regime político fechado, facilidade de obtenção de informações e repressão policial à qualquer oposição ao governo. O estopim da primavera árabe não se deu no Egito, ocorreu na Tunísia, em 2011, quando o jovem Mohammed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo em protesto à ação policial que o impedira de comercializar verduras na vila por falta de licença; ele tinha formação técnica e estava desempregado. A chama que Bouazizi acendeu incendiou todo o norte da África e chegou ao Egito.



Símbolo máximo da rebelião foi a praça Tahir onde os manifestantes se reuniram não só para protestar e exigir a queda do governo de Hosni Mubarak, que presidia o país desde 1981, mas também para cuidar uns dos outros uma vez que a repressão estava presente e pronta para atuar. No começo a força política predominante é a corrente laica que pedia uma constituinte com direitos e garantias individuais. Aos poucos vemos o ascenso da corrente religiosa da irmandade muçulmana irrompendo e dividindo o movimento e por fim o exército que depois das eleições de Mohammed Mursi o retira e assume o controle do país. Um das melhores coisas do The Square é a fala de Ahmed Hassan sobre o significado da revolução. Diz ele que a fim da revolução foi introduzir uma cultura de protesto. A direção é de Jehane Noujaim uma entusiasta da união dos povos fundadora do Pangea Day.



Já Eu sou o povo a diretora Anna Roussillon, libanesa, criada no Egito e formada na França, mostra a perspectiva dos egípcios que assistiram aos acontecimentos na praça Tahir pela TV. Abrange também todo as fases da revolução, só que foca nas esperanças e desilusões de um povo pobre, camponês e distante do epicentro das mudanças políticas que ocorriam no Cairo. Aqui Raffaj o camponês pobre que cuida da terra e tenta alimentar sua família de 4 filhos, sendo um recém nascido, se empolga com as mudanças que vão acontecendo, participa através das eleições, vota em Mohammed Mursi mesmo ele sendo apoiado pela Irmandade muçulmana e se decepciona com ele quando adota medidas reacionárias. O momento mais interessante é o do debate entre a diretora e Raffaj que se irrita com o conceito de democracia que ela tenta conceituar e que para ele não existe. A democracia em ultima instância também quer dizer só interesse e pouca justiça. Que tipo de democracia pode apoiar ditaduras em troca de petróleo? É fácil o ocidente querer dar lições de democracia ao Egito quando apoiam regimes tão distantes da liberdade. Em suma, Raffaj está querendo dizer que democracia é uma palavra polissêmica que serve a um discurso político que se quer bom, porém eivado de interesses escusos dentro dele. Em que pese a pobreza que fica clara no documentário, há vários momentos de alegria, as crianças brincando nas ruas, as reflexões sobre política e deus e etc; isso é importante porque quebra um pouco a ideia de que a tristeza reina junto com a pobreza. E as benesses da revolução não chegou, pelo menos por enquanto, a esse povoado.





Achei esses dois documentários tão bonitos e ao mesmo tempo pertubadores que não pude deixar de escrever sobre eles.


Fernando Moreira dos Santos 
Sessões

terça-feira, 5 de julho de 2016

A Batalha de Argel


Nome Original: A batalha de Argel
Diretor: Gilles Pontecorvo
País: Itália e Argélia
Elenco: Brahim Hagiag, Saaid Yacef ; Jean Martin
Prêmios: Festival de Veneza
A Batalha de Argel (1966) on IMDb


Eu sempre tive apreço por filmes políticos um pouco por gostar de história, um pouco por gostar de cinema e um pouco por política mesmo.

A Batalha de Argel mostra a luta de um povo pela sua independência de uma potência externa. 
O contexto histórico é o do fim da II Guerra Mundial - e apogeu da Guerra Fria na década de 1960 - em que as potências europeias enfraquecidas pelo esforço de guerra passam a experimentar sublevações populares em suas colônias na África e na Ásia (independência de Angola, Moçambique, Argélia, Nigéria, África do Sul, bem como da Índia, da Indo china e etc.)

No caso, a Argélia era colonia francesa (lembrar que a conferência de Berlim em 1885 dividiu a África entre diversos estados europeus com exceção da Libéria e da Etiópia) desde o século XIX e tinha muitos franceses migrados para a região como forma de desafogar os problemas demográficos da França. Na Argélia os franceses recebiam o nome de pieds noires, ocupavam importantes cargos na administração da colônia, viviam em vilas "europeias" e tinham melhores condições de vida do que o povo argelino. Isso é história.

Para a produção do filme Gilles Pontecorvo, diretor italiano - por razões óbvias não se encontrou diretores franceses que se interessassem pelo roteiro - contou com atores amadores e profissionais embora essa diferença sequer seja notada aos olhos mais críticos. Todo o roteiro ganha ritmo através da condução sonora de Ennio Morricone que consegue através da música transmitir todas as emoções um processo histórico extremamente relevante. A escolha do preto e branco também merece atenção porque indica a escolha do diretor de enfatizar os contrastes em detrimentos das complementaridades. Isto é cinema.

O que faz desse filme um clássico e que o torna na primeira "assistida", apaixonante, não são os atores, não é a música de Morricone e  nem a história, mas o modo que o diretor escolheu para contar. Pontecorvo, não tomou partido. Ele não se coloca com sua lente ao lado dos franceses, nem dos argelinos; ele traz muito realisticamente a guerra como ela é e como ela foi. Em utopia e barbárie tem uma cena com Eduardo Galeano em que ele faz a melhor definição de história que eu já ouvi até hoje:

"A história é uma senhora lenta, caprichosa, às vezes louca, muito difícil, muito complicada, muito misteriosa. E que não nos dá nenhuma bola, que não nos obedece..."  


A história não tem nada de bonita nem de boazinha. A luta dos povos por autodeterminação e igualdade no mundo também não é uma luta bonita. Em A Batalha de Argel fica claro que todos os meios são usados para alcançar os fins dos dois lados. Tanto a Frente de Libertação Nacional (FLN) se vale de atentados terroristas contra civis desarmados quanto o exército francês se vale da tortura. "Quem quer os fins aceita os meios", dirá o coronel Mathieu chamado para acabar com o foco "terrorista" representado pela FLN. A determinação e o sucesso em se afastar de um esteriótipo fácil de maniqueísmo confere à esse filme a capacidade de ser uma obra atemporal e clássica. 
Isto é Política. 


Fernando Moreira dos Santos
Sessões

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Califórnia


Nome Original: Califórnia
Ano: 2015
Diretor: Marina Person
 País: Brasil
Elenco: Clara Gallo, Caio Blat, Paulo Miklos, Caio Horowicz e Virginia Cavendish.
Prêmios: Melhor Ator Coajudvante (Caio Horowicz) no Festival Internacional do Rio de Janeiro, Melhor Ator (Caio Blat) no Festival SESC e Melhor Filme Brasileiro na Mostra Internacional de São Paulo.
Califórnia (2015) on IMDb


Estela quer a Califórnia da música de Lulu Santos. Acabar o colegial e partir. Morar com seu tio Carlos - seu herói – um quase adulto aos 30 e poucos anos, independente, vive de música e largou tudo para viver esse sonho. Um sonho para qualquer jovem. Ela almeja a liberdade do rígido pai, cabelo ao vento, surfistas, musica boa, praia. Mas um balde d’água gelado faz com que a esperada viagem seja prorrogada por conta da vinda do tio para o Brasil, cercado de dúvidas e perguntas do motivo do retorno. Mas Estela continua vivendo como uma jovem qualquer. Rebeldia moderada com os pais, conchavos e delações com as amigas e as paixões platônicas que surgem a cada dia. O que vou ouvir de novo hoje? Joy Division? David Bowie?  É, a vida parece tão complexa, mas são apenas jovens...

A ambientação é ponto altíssimo no filme. Locações, roupas, maquiagem, objetos foram devidamente escolhidos para nos levar à década perdida. As atuações dos veteranos são bem intensas e poderosas, mas o destaque vai para Caio Blat, fazendo o tio Carlos, numa personificação a la Cazuza onde vai emagrecendo muito para dar a veracidade e impacto. O elenco jovem é muito bom, alguns derrapam em estereótipos rasos, mas os atores principais (Clara Gallo e Caio Horowicz) são bem bons e tem grande potencial. O filme é uma beleza, mas ele só fica completo pelo uso fabuloso de uma trilha sonora escolhida a dedo. Só os melhores da década de 80 - nacional e internacional.

A estreia de Marina Person em ficção (ela dirigiu o excelente documentário “Person”, sobre o cineasta e pai Luís Sergio Person) é quase um espelho de sua juventude. Da sua e de quem viveu essa fase da vida nos anos 80 aqui no Brasil, cheia de incertezas na política, cheio de novas influências vindas do mundo e cheia das dúvidas que apenas os jovens sabem viver.  Fica difícil não compará-lo ao filme da diretora Laís Bodanzky – “As Melhores Coisas do Mundo”, onde retrata os jovens da atualidade de forma certeira. Marina faz de seu “Califórnia” esse retrato, porém de outra década. De forma leve e divertida, aborda todos os problemas da época e da era juvenil, sem deixar de lado assuntos duros e polêmicos como a AIDS, que ainda era tratada com muito preconceito e desconhecimento. Marina dá um tiro certo e com certeza o Luis Sergio estaria orgulhoso desse belo filme que sua cria fez.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 1 de junho de 2016

The Hunting Ground



Nome Original: The Hunting Ground
Ano: 2015
Diretor: Kirby Dick
País: EUA
Elenco: Andrea Pino e Annie Clark.
Sem Prêmios

Uma denuncia seríssima escancarando instituições milenares que em nome de seu nome, de seu status, de sua reputação e das doações milionárias preferem o silêncio e não levar a fundo uma epidemia que ocorre em suas dependências. Estupros e abusos sexuais ocorridos nos campus das universidades mais renomadas dos Estados Unidos e em suas fraternidades são gritos que ouvimos durante todo o documentário, onde duríssimos e tristes depoimentos nos mostram a barbárie dos infratores e nos indignamos com a impunidade e falta de firmeza das faculdades para com o ocorrido.

As universidades norte-americanas vivem basicamente de doações de ex-alunos, da comunidade e de verbas de televisão (quando tem times esportivos de qualidade). Qualquer escândalo pode fazer esse faturamento ir para o ralo e por esse motivo o assunto é abordado com tanta precaução e deixado de lado. Mas mulheres como Annie e Andrea, que sofreram abusos e levaram à frente o ocorrido para os conselhos e administração das universidades, mas sem sucesso, não se limitaram a ouvir o não. Ao ver seus abusadores livres e soltos, com possíveis novas vítimas correndo risco. O álcool é quase sempre a principal arma para facilitar o abuso. Um absurdo. Lamentável.

O documentário é clássico, com depoimentos, levantamento de dados estatísticos e inserções de chamadas de televisão sobre o assunto, mas é um documentário obrigatório pela urgência da sua denúncia e de sua gravidade. Apesar de estar apenas retratando universidades renomadas como MIT, Notre Dame, Harvard, Berkeley é uma epidemia mundial como vimos aqui no Brasil com o caso dos 33 homens e a menina no Rio de Janeiro e vê-lo mostra a necessidade de denunciar e não se calar diante do absurdo.

Lady Gaga compôs e canta a música 'Til it Happens to You e fez uma apresentação memorável e emocionante no ultimo Óscar. Veja, se indigne e saiba que você não está só.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Segunda Chance


Nome Original: En chance til
Ano: 2014
Diretor: Susanne Bier
País: Dinamarca
Elenco: Nicolaj Coster-Waldau, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kaas, Thomas Bo Larsen, May Andersen e Marie Bonnevie.
Prêmios: Melhor Atriz (Maria Bonnevie) no Abu Dhabi Film Festival e SIGNIS Award no Festival de San Sebastián.
Segunda Chance (2014) on IMDb



Estereótipos. O filme enquadra todos seus personagens duma forma quase caricata. Os detetives com problemas extra trabalho e com dúvidas morais sobre como agir. Drogados sem escrúpulos e sem futuro, sujos e irresponsáveis. Os estereótipos estão lá para que possamos nos identificar, entender quem são que estamos vendo na tela. Simon é o detetive bêbado, mas experiente. Sempre com dúvidas. Já seu colega, Andreas, tem um casamento “perfeito“ e um bebê lindo. A dupla, numa abordagem a uma casa, se depara com um casal de drogado já conhecidos de outras abordagens, e eles escondem algo. Não, não eram drogas, era um bebê, sujo, cheio de fezes, com frio e sem comer – numa sequencia de cenas difíceis de digerir, mas sem ser apelativas. E num espiral de acontecimentos, o julgamento moral e ético dos quatro começa a ser testado.

A diretora dinamarquesa Susanne Bier, vencedora do Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa por “Em Um Mundo Melhor" é conhecida por contar histórias duras e impiedosas de forma melodramática e por vezes piegas. É uma marca dela e quando vemos um filme dela precisamos nos preparar para entrar de cabeça no âmago de personagens complexos e confusos, com viradas (muitas vezes) esperadas, mas que ganham dramaticidade por suas poucas falas e com a dor expressa em closes nos rostos marcados dos personagens. Bier é a dama-melodrama, mas que sabe nos envolver e nos arrebatar com sua dureza e habilidade. Todo elenco está excelente, doado aos personagens. Ela é uma mulher para sempre acompanhar. Mesmo quando fez filmes em Hollywood conseguiu manter sua marca (“Coisas que Perdemos pelo Caminho” e “Entre Irmãos”) e “Segunda Chance” também tem esse tom e, mesmo assim, é imperdível.

Vitor Stefano
Sessões

sábado, 14 de maio de 2016

Chung Kuo - China


Nome Original: Chung Kuo, Cina
Ano: 1972
Diretor: Michelangelo Antonioni
País:Itália
Elenco: Giuseppe Rinaldi
Sem Prêmio
Chung Kuo - Cina (1973) on IMDb


Chung Kuo, é um documentário de Michelangelo Antonioni produzido a pedido do grande timoneiro, líder supremo e luz eterna do universo Mao tsé Tung ao cineasta italiano em 1972.

A primeira coisa que me veio à cabeça durante todo o filme (3h 30 de duração divididas em 3 partes) é que o filme poderia ter sido mais um instrumento de propaganda do regime, mas do ponto de vista político ele é extremamente objetivo. Claro que, a imparcialidade plena só seria possível com a câmera desligada, mas Antonioni consegue mostrar as várias facetas deste grande país sem necessariamente fazer uma apologia infantil do sistema comunista chinês retratando – o como a panaceia para todos os males da humanidade como de vez em quando a gente vê por aí.

Aliás isso fica claro logo de saída quando percebemos que o protagonista principal não será os grandes filósofos de antes de Cristo, nem os imperadores das dinastias do século XIX, nem as grandes personalidades do século XX que lideraram as transformações radicais deste milenar país. A personagem principal deste documentário é o povo chinês.

Dividido em três partes, o documentário faz um apanhado fiel do cotidiano dos chineses em todas suas dimensões. Somos levados às indústrias de tecelagem de Pequim em que os trabalhadores ditam os rumos da produção, sem patrões, o que há são técnicos do partido organizando os processos. Também vemos os parques com idosos em seus movimentos vagarosos de tai chi chuan, as crianças na escola encenando apresentações artísticas cujas canções narram os feitos do grande líder. E sobra espaço até para uma cena surreal de uma chinesa sendo anestesiada com as finas agulhas da acupuntura antes de se iniciar a cesariana, durante a operação ela ri, come frutas, é escalpada e conversa com a equipe italiana.

De igual modo, se contrapondo à China urbana, conhecemos também às populações do extremo rural, a velha china camponesa e pobre em que muitos dos retratados jamais viram ou tiveram contato com o homem ocidental e isso fica claro nas imagens e na hostilidade/medo/timidez do povo às lentes da câmera. Notamos também uma velhinha caminhando com dificuldade pelas ruas de pedra em virtude, de na adolescência, ter sido vítima da tradição do “pé de lótus”. A terrível técnica de amarrar os pés das meninas a partir dos 6 anos de idade de modo a que eles não cresçam normalmente. A finalidade disso era agradar aos homens, na prática fortalecia o papel social de submissão da mulher ao homem.Neste ponto o documentário se aproxima de um experimento antropológico.


A China de 1972, é a China que ainda sente ou se ressente do peso da revolução cultural que instalou o caos na sociedade e a manteve sob o controle de Mao Tsé-Tung. Portanto, não se trata da China que o ocidente gosta de falar a respeito. Esta, é a china de Deng Xiao-Ping, que abraçou a globalização capitalista antes da queda do muro de Berlim em 1989. A China aqui retratada certamente sofreu transformações radicais o que por si só faz com que o documentário mereça figurar entre os melhores filmes sobre a China moderna. Este complexo, dispare, estranho e gigantesco território que serve de lar para 1,3 bilhão de pessoas às quais o resto da população mundial se vê inexoravelmente dia a dia mais interligada.

Fernando Moreira dos Santos
Sessões

terça-feira, 3 de maio de 2016

Permanência


Nome Original: Permanência
Ano: 2014
Diretor: Leonardo Lacca
País: Brasil
Elenco: Irandhir Santos, Rita Carelli, Laila Pas, Genésio de Barros e Sílvio Restiffe.
Prêmios: Melhor filme, melhor direção de arte, melhor ator coadjuvante (Genésio de Barros) e melhor atriz (Rita Carelli) no Cine PE.
Permanência (2014) on IMDb


Dizem que nada acontece. Que há vazios existenciais nos silêncios inquietantes. Que os olhares que se cruzam timidamente já se comeram outrora. Que a delicadeza do toque já foi mais vigoroso e potente. A vontade do querer não acabou. O incômodo gerado pela permanente tensão de querer ser o que não se pode. De ter vontade, mas reprimir. De viver sem gozar a vida. Tensão do tesão reprimido. Permanência é estar, mas não necessariamente querer estar. Em “Permanência” nada acontece, mas não conseguimos deixar de ficar tenso com o próximo ato.

Ivo chega em São Paulo, vindo de Recife para apresentar sua exposição. Um abismo de temperatura faz o fotografo estranhar a chegada. Ao encontrar Rita, dona do apartamento onde ficará na temporada, algo trava. O café acompanha a voz baixa e o olhar desviante nos prova que há resquício de algo que restou do passado. Que veio de Recife. Rita é casada e essa tensão permeará toda a estadia. Entre a organização da exposição, festas e jantares na casa, evidencia-se o passado e ressuscita fantasmas. Ivo vive sua vida, se engraça com a mocinha da exposição, numa clara fuga da Rita. Tórridas e elegantes cenas de sexo permanecem em sua mente. Entre idas e vindas, não importa o que é dito, estamos apenas ouvindo apenas o não dito.


O cinema pernambucano é a meca do cinema nacional. Há alguns anos o frescor e potência dos filmes dos diretores de lá criaram uma nova modalidade. Mesmo se passando em São Paulo, a ternura do olhar, a secura da vida e Irandhir Santos nos faz pensar claramente no Recife. Aliás, Irandhir é nosso melhor ator da atualidade e está dominando a tela. Com atores desconhecidos como coadjuvantes, ele brilha, mas muito por conta do excelente trabalho de Rita Carelli. O silêncio é barulhento demais para não delatar o que está acontecendo. “Permanência” é sobre tudo, nada, rotina e pessoas. É um lindo filme e um inicio promissor de Leonardo Lacca.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O Julgamento de Viviane Amsalem


Nome Original: Gett /המשפט של ויויאן אמסלם
Ano: 2014
Diretor: Shlomi Elkabetz e Ronit Elkabetz
País: Israel, França e Alemanha
Elenco: Ronit Elkabetz, Simon Abkarian, Menashe Noy e Sasson Gabai.
Prêmios: Directors to Watch no Festival de San Sebastián, Melhor Filme e Melhor Ator Coajudvante (Gabai) da Academia Israelense de Cinema e Melhor Roteiro no Festival Internacional de Chicago.
O Julgamento de Viviane Amsalem (2014) on IMDb


A separação é um momento doloroso e traumático para qualquer ser. Ninguém casa pensando no tribunal e na assinatura dos papéis do desquite, mesmo que seja cada vez mais comum e aceito na sociedade. Isso na sociedade ocidental. Em Israel o julgamento é feito por um tribunal religioso, comandado por rabinos. O filme não é exatamente o julgamento de Viviane, mas a busca dela pelo Gett, nome original do filme. Isso é a certidão de divórcio da lei judaica que depende do consentimento do marido para ser efetivado. Viviane não quer mais estar casada com Elisha, mas ele se recusa a aceitar. Não há traição, agressão física ou motivos escusos. Ela apenas não quer dar sequência a um casamento de 30 anos e quatro filhos, sempre bela, recatada e do lar, apesar de ser cabeleireira profissional. Ela quer a liberdade.

De qualquer forma é um novo marco nos filmes de julgamento. A princípio, ao vermos apenas os advogados fazendo argumentação, criamos a expectativa de conhecer a mulher que dá nome ao filme. Mas chegamos à uma mulher bonita, mas visivelmente cansada. E esse cansaço se torna visível a cada novo retorno aos tribunais. A negativa de Elisha, as suas ausências nas audiências, a solicitação dos rabinos a que ela volte à casa e viva sobre o mesmo teto que o marido vão gerando um sentimento ainda pior nela. Durante cinco anos vemos o patriarcalismo judeu sobrepor aos direitos e vontades de Viviane, um ser praticamente invisível. Ele com seu semblante sempre sóbrio mantém-se impávido enquanto ela se desespera ao saber que é o elo mais frágil. É a mulher. É quem deveria estar quieta e aceitar as condições do marido. Ele nunca levantou a mão para ela. Ele sempre proveu do bom e do melhor para a cada. Ele sempre foi à sinagoga e é respeitado por lá. Ele nunca a privou de nada dizem as testemunhas que também corroboram que ela não o quer. Ela tem seus motivos e simplesmente ela não quer. Ela explode, como já explodiu muitas vezes. Já basta. Viviane viveu sua vida toda como um cão preso à uma bola. Viviane nunca foi valorizada. Viviane nunca foi ouvida. Viviane precisa de sua liberdade.


"O Julgamento de Viviane Amsalem" é um grito de socorro que ecoa no âmago e na eternidade. Entre o absurdo e a lei religiosa ver que num país de primeiro mundo ainda há tanta incoerência e desrespeito gera um riso nervoso e uma angústia. Um filme que se passa integralmente entre quatro paredes, onde homens definirão o futuro de Viviane. O roteiro é brilhante que prende e penetra na mente, uma crítica ferrenha ao machismo, às convenções que o judaísmo impõe. O final em aberto é um fantasma que sempre a decisão de homens em nome de Deus será injusta. A religião tem a força de privar os seres humanos de serem quem querem. Mas como a própria personagem diz aos rabinos, num acesso de fúria: isso um dia vai acabar e vocês serão inúteis, não me julgarão e farão apenas conversões de religião. Serão descartáveis. É uma pena que Ronit Elkabetz, co diretora e estrela do filme, não verá isso em sua Israel. Faleceu dia 19/04/2016 deixando um gostinho amargo para nós. Uma grande atriz e diretora de um dos melhores filmes da década ao lado de "A Separação". Iraniano e israelense...que ironia. É um assunto traumático em qualquer lugar desse globo e gerou esses dois filmes incríveis.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Sicário: Terra de Ninguém



Nome Original: Sicario
Ano: 2015
Diretor: Denis Villeneuve
País: EUA
Elenco: Emily Blunt, Benicio del Toro, Josh Brolin, Daniel Kaluuya e Jon Bernthal.
Prêmios: Melhor Edição no Satellite Awards.
Sicario: Terra de Ninguém (2015) on IMDb 

 

Cartéis mexicanos com guerra às drogas é um assunto que está no cinema há décadas. A inabilidade dos governos em querer o fim do tráfico, a corrupção nas polícias, a facilidade com que se transporta e armazena drogas no território americano, a caçada aos mulas ou mesmo o envolvimento de políticos com os “inimigos” já rechearam uma porção de bons filmes – tanto americanos como mexicanos.

Mas não, “Sicário” não é só mais um filme sobre esse assunto – apesar de ter muito do dito acima. O filme é sensível e duro. São muitas nuances dentro do modus operandi da(s) polícia(s), intercalando com o jogo de cena dos traficantes e as ligações obscuras entre eles. “Sicário” é um filme com planos abertos belíssimos, que nos deixam ver a ação de forma ampla numa luz linda, num cenário tão lindo quanto que potencializam um roteiro ótimo e cheio de ótimas atuações. Kate é frágil, mas corajosa. Ela quer a justiça, doa a quem doer. Ela está, mas não sabe onde. Ela está nas mãos de Alejandro e Matt que ela não conhece. Eles são mal encarados, obscuros, mas duríssimos. Blunt, Brolin e, principalmente, Del Toro estão brilhantes na tela, dando força e empatia aos personagens, por mais dúbios que eles sejam.  Há tensão, há ação, há negociação.




Denis Villeneuve é um dos diretores mais intrigantes que surgiram nos últimos anos. A partir de “Incêndios” ele criou uma tara dos cinéfilos por seus filmes que foram buscar sua filmografia datada de antes de 2010 e ficaram em polvorosa aguardando o que viria depois. Mas não apenas aos cinéfilos o canadense chamou atenção. A indústria viu nele um diretor ousado e diferente. “Os Suspeitos” veio e manteve o nível, com sua boa mão para suspense - agora com atores famosos e bom orçamento. A adaptação de Saramago - “O Homem Duplicado” - foi aclamado pela crítica, mas é um filme difícil, confuso, mas que tem muitas qualidades, já “Sicário: Terra de Ninguém” é um dos melhores do ano passado e continua a prova que Villeneuve é sempre ótimo cinema para ver.

E a vingança será sempre, sempre, pessoal.

Vitor Stefano
Sessões

sexta-feira, 25 de março de 2016

The Propaganda Game




Nome Original:  The Propaganda Game
Ano: 2015
Diretor:Alvaro Longoria
País: Espanha
Prêmios: Melhor Documentário no Cinema Writers Circle Awards
The Propaganda Game (2015) on IMDb



A maioria das notícias sobre a Coreia do Norte resumem - se  a  piadas sobre as excentricidades do regime ou o lançamento de mais um míssil intercontinental que pode atingir o Alasca.

Neste aspecto o documentário de Alvaro Longoria (Um quarto em Roma, Zona do Crime e Che: o argentino)  traz algo de positivo.

 A Coréia do Norte chama atenção. A política de demonstração de poderio militar através dos desfiles das forças armadas, a ideia de endeusamento de um único líder, a falta de comunicação com o mundo externo, o fato de ser o único regime autoproclamado comunista do mundo e etc. são detalhes que por si só atraem os curiosos para aquela região do globo.


Longoria, inova ao entrevistar o povo norte coreano em seu dia a dia contando para isso com o auxílio do Delegado Especial da Coreia do Norte para Relações Culturais com Países Estrangeiros, Alejandro Cao, um espanhol que ocupa um posto elevado na hierarquia do regime e que desde a adolescência emigrou para realizar o seu sonho de integrar-se ao exército comunista. Alejandro Cao desempenha papel central no documentário foi com ele que o diretor se articulou para realizar o documentário.

O povo aparece em entrevistas banais sobre como é viver na Coréia do Norte, sobre a existência de outras religiões sob o regime, sobre o ódio mortal aos Estados Unidos e sobre o amor incondicional ao    “Sol Supremo”, o líder máximo da nação, Kim Jong Un.

Um relato particularmente diferente foi o de um jovem que ao ser perguntado sobre qual era o seu sonho, respondeu que era terminar a universidade de “motorista do metro” e servir ao líder como motorista de metro. Além disso, muito comum nas falas do povo norte-coreano a ideia de que a coreia do norte é tão maravilhosa que não tem nem como descrever. É preciso ir lá pra conferir. O problema é que só se pode conhecer o país acompanhado por oficiais do governo.

Não se vê pobreza nem miséria no documentário de Alvaro Longoria, os tempos difíceis ficaram para trás quando o povo norte coreano foi humilhado pelas potências imperialistas (Japão e EUA). Pyongyang é uma capital limpíssima, calma, bonita, mas que transmite certa sensação de tristeza.


Obviamente, o documentário dá espaço à outras vozes como a de jornalistas e militantes dos direitos humanos todos com muitas críticas ao regime.

O ponto positivo do Propaganda Game é que ele mostra o que outros documentários não puderam até hoje mostrar: o povo, e de certa forma contribuí para jogar por terra algumas noticias que chegam até nós totalmente truncadas como a de que todos os jovens deveriam ter o mesmo corte de cabelo de Kim Jong Un; o ponto negativo é que os relatos daqueles entrevistados são sempre acompanhados por oficiais do partido o que põe em xeque toda a sua autenticidade bem como mostra um doutrinamento propagandístico que conforma o indivíduo desde a infância.

Fernando Moreira 
Sessões

terça-feira, 22 de março de 2016

Ponte dos Espiões


Nome Original: Bridge of Spies
Ano: 2015
Diretor: Steven Spielberg
País: EUA
Elenco: Mark Rylance, Tom Hanks, Domenick Lombardozzi, Victor Verhaeghe e Alan Alda.
Prêmios: Oscar e Bafta de Melhor Ator Coadjuvante (Rylance).
Ponte dos Espiões (2015) on IMDb



A Guerra Fria já foi exaustivamente tratada na história do cinema e agora, mais de 30 anos após seu término, Steven Spielberg e seu “Ponte dos Espiões” retoma essa temática. É bem verdade que Spielberg parece ter parado no tempo e não tem sido ousado em suas escolhas nos últimos anos – apesar de tecnicamente seus filmes serem sempre excelentes. Sim, ele fez filmes legais nos últimos anos, como “Super 8”, mas que deixam apenas aquela impressão de mais do mesmo. Ao ver um novo filme seu e novamente com Tom Hanks, nos remete naturalmente aos anos 90/2000. Com todos esses ingredientes, poderíamos apenas esperar mais um filme morno vindo de Spielberg. Sim, é morno, mas não insosso. É um filme que foge da pirotecnia de filmes de guerra e é preciso como filme de drama – e entretenimento.

A história de James Donovan é espetacular. Um advogado especializado em seguros é convocado pelos sócios a atender uma solicitação da CIA para defender um suposto espião britânico que trabalharia para os soviéticos que fora capturado. Entre a dúvida e seu respeito à profissão e papel que exerce na sociedade, James passa a defender o espião, de forma isenta, direta e intensa. O mundo e as partes da Guerra viviam momento tenso e Donovan está no meio do tiroteio ao defender um “inimigo”. Se um espião americano fosse capturado pelos soviéticos, o que aconteceria? A justiça deve ser feita e todos tem direito a defesa. Entre o drama e o julgamento, há pitadas de humor, principalmente no envolvimento entre os dois – que dá certa leveza ao filme.


Tom Hanks sempre faz grandes papéis e nem está em jornada tão inspirada, mas é Mark Rylance que dá um show como espião (e por falar em justiça, merecido Oscar de Melhor Ator Coajuvante, desbancando o favorito Sylvester Stallone por “Creed: Nascido para Lutar”). Um trabalho impactante num papel pequeno, e que cresce à medida que a trama desenvolve. O trabalho de arte, ambientação e locações são um prato cheio de qualidade. A direção de Spielberg é precisa e correta, mas como já disse, sem invenções. Um bom e velho cinema de entretenimento, com um pé nos filmes de julgamento e outro nos filmes de guerra. É um filme de grande qualidade e que poderia ser mais, bem mais, pela força de sua história, pelos roteiristas (colaboração dos Irmãos Coen), pelo diretor e por Hanks.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 16 de março de 2016

Creed: Nascido para Lutar


Nome Original: Creed
Ano: 2015
Diretor: Ryan Coogler
País: EUA
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson e Phylicia Rashad.
Prêmios: Globo de Ouro de Melhor Ator Coajuvante (Stallone).
Creed: Nascido para Lutar (2015) on IMDb



Pela sétima vez vemos o mesmo personagem na tela. Sim, pode ser cansativo ter uma franquia que perdure tanto tempo, ainda mais com um personagem perceptivelmente limitado e que se repete sempre. Bom, talvez você já estivesse cansado de ver Rocky Balboa na telona, mas “Creed” nos faz repensar esse pré-conceito ao ver o famoso personagem criado por Sylvester Stallone pela primeira vez não está no nome do filme e está fora dos ringues. E o grande trunfo do filme é se apegar às referências, ter certa nostalgia, mas olha para o futuro. Depois do primeiro – pelo apelo histórico e marco - é o melhor filme da franquia.

Partimos de Adonis, um jovem que aparentemente adora uma confusão e não tem jeito. Sua vida é brigar, lutar. Há um leão preso dentro dele, mas sua mãe adotiva evita deixar que ele siga os passos do pai, o famoso Apolo Creed, morto no ringue. Mas está no sangue. Está na vida. Apolo foi o maior adversário de Rocky, mas eram grandes amigos fora das cordas. E quem Adonis procurará para treiná-lo? Sim, Balboa! Após certa titubeada, Rocky faz mais que o papel de treinador, vira conselheiro, amigo e pai de Adonis. E nessa relação que esta a magia do filme. Claro, as cenas das lutas são muito bem feitas e geram toda ação no filme, mas é apenas pano de fundo para as relações humanas.


Stallone tem um biótipo incomum e limitador. Nunca foi (nem será) grande ator, mas é uma lenda que criou e viveu personagens que estão e estarão sempre na história do cinema, como Rocky e Rambo. Houve uma grande expectativa para que nesse ano ele fosse laureado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por este filme. Ele chegou a ganhar outros prêmios importantes na temporada, mas acabou ficando sem o careca dourado. Caso tivesse ganho, teria sido mesmo por seu carisma e esse apelo emotivo. Mark Rylance, o vencedor por “A Ponte dos Espiões” foi merecidamente o vencedor dessa categoria por uma atuação impressionante, que ofuscou até Tom Hanks. Mas isso não é demérito, pois Sly ele está na sua melhor performance da carreira num filme excelente sobre boxe e relações. O promissor diretor Ryan Coogler (que repete a parceria com Jordam no ótimo “Fruitvalle Station: A Última Parada”), conseguiu extrair o que havia de melhor na franquia, dando o papel principal para o também promissor Michael B. Jordan, e explorando Sylvester Stallone de forma mais introspectiva. A idade chega para todos e um ídolo da adolescência de muitos está envelhecendo – e que ainda dure muito e evoluindo.

Vitor Stefano
Sessões
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