segunda-feira, 25 de março de 2013

A Parte dos Anjos

Nome Original: The Angels’ Share
Diretor: Ken Loach
Ano: 2012
País:Reino Unido, França, Bélgica e Itália.
Elenco: Paul Brannigan, John Henshaw, Gary Maitland, Jasmin Riggins, William Ruano, Roger Allam e Siobhan Reilly.
Prêmios: Prêmio do Juri no Festival de Cannes.
A Parte dos Anjos (2012) on IMDb


O nome do filme é uma lenda para os 4% de whisky que evapora do barril durante a sua maturação.

Quem, ao ver o nome de Ken Loach, espera um filme político, forte e crítico, pode tirar o cavalinho da chuva. Não que o filme fuja totalmente dessa veia que marca a cinematografia do diretor inglês, mas em “A Parte dos Anjos” vemos muito mais comédia do que qualquer outro tipo de cinema. Muitos atores dizem que fazer comédia é mais difícil do que um drama. Fazer rir é mais difícil que fazer chorar. Bom, partindo dessa premissa, Loach fez um filme ótimo, mesclando um certa crítica social a uma comédia que em alguns momentos chega ao nível pastelão. Em nenhum momento somos ignorados ou diminuídos, mas sim somos forçados a entrar numa deliciosa trip fantasiosa.



Entramos na história primeiramente vendo o julgamento de pequenos delitos e seus feitores são obrigados a pagar a pena com serviço à sociedade. Entre as sentenças está a limpeza de túmulos e pintura de prédios públicos. Robbie é o centro da trama, com sua namorada prestes a dar a luz e um ímpeto maloqueiro incontrolável. A sua transformação é o grande mote. De delinquente a paladar apurado para conhecer a composição de uísque vai uma longa e divertida jornada. Henry, o tutor dos prestadores de serviços comunitários, é a grande chave nessa mudança. Ele é um fã declarado da arte do whisky e por ser um coração mole, torna-se uma espécie de mentor para Robbie. Mas um delinquente é sempre um delinquente. Com ajuda de mais 3 amigos, Robbie vê num leilão de um raro barril encontrado uma oportunidade de lucrar um pouco para começar a sua vida.



Entre um gole e outro, somos embebidos numa comédia inteligente, vivaz e atual. É melhor eu parar e ir tomar um whisky. Mas será que este é envelhecido em barril de carvalho europeu? Tem aroma de turfa molhada ou podemos sentir uma salinidade marítima? Não importa, eu vou beber mesmo, antes que os tais anjos roubem a minha parte.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 19 de março de 2013

A Busca





Nome Original: A Busca
Diretor: Luciano Moura
Ano: 2013
País: Brasil.
Elenco: Wagner Moura, Mariana Lima, Brás Antunes e Lima Duarte.
Prêmios: Melhor Filme de Ficção pelo voto popular no Festival de Cinema do Rio.
A Busca (2012) on IMDb


Estou atrás de alguém. Desde que você saiu pela porta minha vida não foi mais a mesma. Vou e só voltarei com você comigo. Sua mãe está desesperada porque não tem notícias suas, não sabe aonde você se meteu. Acredito que a sua rebeldia adolescente é comum, te entendo. Acho que sou o motivo maior pelo qual você fugiu. As brigas com sua mãe tornaram-se mais comuns desde que nos separamos. Mas eu brigo com ela porque eu a amo, filho. Desculpe mesmo. Estou descontrolado sem vocês ao meu lado e ainda pior agora, que você sumiu. Para onde fostes? Ó, para onde? Vou achá-lo, abraçá-lo, voltar para casa, voltarmos a ser uma família. Vou até o fim do mundo, mas vou encontrá-lo. Mas aonde você está? Acho que a pergunta que preciso fazer é: Quem sou eu?

O filme “A Busca”, longa de estreia de Luciano Moura parte da briga entre os pais Theo e Branca, em fase de separação, faz com que Pedro, filho de 15 anos, suma no final de semana sem saber para onde foi. A busca do nome do filme está claramente ligada à saída do pai em busca do filho. Mas para onde poderia ter ido? Quando descobrir onde Pedro está, a sua busca será mais dolorida. Durante a peregrinação atrás de Pedro, Theo incorpora uma espécie de Forrest Gump ou como o próprio Wagner Moura disse: o filme é estilo “Procurando Nemo” mas com pessoas mais maduras. Uma série de elementos inacreditáveis acontece até que ele descubra o destino do rebento. Um pouco fantasioso, mas se ele não tivesse vivido e seu filho de 15 anos lhe tivesse contado, ele iria desacreditar. Uma provação. Na dúvida, desista.


“A Busca” é competentíssimo no seu objetivo. Entreter, aprofundar, imaginar. Claro que a presença de Wagner Moura é quem dá status ao filme, mas a presença de Mariana Lima e do estreante Brás Antunes dão a profundidade ideal e necessária à trama. Nem dá pra falar de Lima Duarte. O grande mérito do filme é o ritmo. Os momentos de reflexão e da ação são bem intercalados e intrigantes. Essa evolução nos faz entrar na história, que mesmo por vezes fantasiosa, é deliciosa. Vale a pena cada minuto. Não é o filme do ano, mas é um dos filmes a serem vistos no ano. Bela esteia de Luciano Moura. Que venham mais. Isso é cinema nacional. 

Vitor Stefano
Sessões Brasil

sexta-feira, 15 de março de 2013

Lemon tree ou como os palestinos e isralenses não sabem fazer limonada



Nome Original: עץ לימון
Diretor: Eran Riklis
Ano: 2008
País: Israel, França e Alemanha.
Elenco: Hiam Abbass e Rona Lipaz-Michael
Prêmios: Panorama Audience Award no Festival de Berlim e Melhor Atriz (Hiam Abbass) pela Academia Israelense de Cinema, 
Etz Limon (2008) on IMDb

             Quando Yasser Arafat, em seu famoso discurso na ONU, em 1974, disse: “trago em uma das mãos o fuzil de um combatente e na outra o ramo de oliveira, não deixem o ramo de oliveira cair de minhas mãos” e repetiu três vezes para que não deixem o símbolo da paz, o ramo de oliveira, cair de suas mãos. O então presidente da OLP, proclamada pela ONU como única e legítima representante do povo palestino, foi ovacionado de pé pelos países membros daquela Assembléia Geral.O que isso tem a ver com filme Lemon Tree? Nada, apenas estou parodiando um recurso linguístico non - sense do Mateus !!!!

             Se disse que em nada as coisas se relacionam fui leviano,na verdade, Lemon tree é uma parabola sobre o conflito secular envolvendo palestinos e israelenses na conturbada região de Jerusalem.

             O roteiro coloca de um lado uma viúva palestina Salma Zidane (Hiam Abass) que vive do comércio de seus limões e de outro a esposa do Ministro da Defesa de Israel  Mira Navon (Rona Lipaz Michel) que acompanhando o seu marido se muda para a região e exige que se corte os limoeiros abaixo seguindo recomendação da serviço de inteligência que teme  a plantação seja usada por terroristas pondo em risco a vida do ministro.

          Salma Zidane (Palestina), ao ver sua plantação ser completamente confiscada e cercada pelos seguranças do ministro busca ajuda no advogado da Autoridade nacional Palestina que aceita o caso e abre o processo.

          Como sói acontecer nesses casos jurídicos o processo vai subindo os degraus da burocracia e a  situação se complica quando a esposa do Ministro de Israel (Mira Navon) dá um entrevista para um tabloide de Tel-Aviv informando do desejo do Ministro em destruir a plantação e abrindo sua relação conturbada com o ministro por quem aliás é traída.

           Do outro lado da cerca o advogado começa a se relacionar com a viúva e a relação ganha o domínio público que passa a enxergar Salma como uma esposa que não honra a memória de seu marido pois o costume (sempre ele) é quem dita o que é certo e o que é errado e em jerusalém ele diz que a viúva deve zelar pela memória do falecido esposo inquestionavelmente.

          O desenlace da história acontece na Suprema Corte de Justiça de Israel que decide pela construção de um muro entre as duas propriedades e pelo corte de parte dos limoeiros. Parece que a até a justiça daquela região vê a solução de todos os males no levantar-se muros para apartar um povo do outro.

       Apesar de ser ambientado na região conflituosa que é a região de israel o filme não mostra em suas cenas imagens do conflito diário que subjulga os povos dessa região.Por outro lado um conflito que envolva de um lado Israel e de outro palestinos sempre é um tema pra mídia e os oportunistas de plantão que tendem a sensacionalizar a questão transformando-a em uma suposta luta entre Davi e Golias.

       Uma citação interessante é a do ministro de israel quando fala que "Israel só vai conseguir dormir em paz quando os palestinos tiverem pelo menos esperança".É pena que na vida real ninguém se tocou disso ainda.

       Filme bom, leve apesar de tudo ,com boas atuações que joga uma luz em um conflito milenar que tende a se manter do modo como está. É um filme fora do eixo de Hollywood feito por europeus e israelenses que demonstra um pouco da difícil condição humana de conviver em paz com o vizinho.Dessa arvore de limão ninguém fez uma limonada.

Fernando Moreira dos Santos
Sessões de cinema

terça-feira, 12 de março de 2013

Les quatre cents posts





Parece que foi ontem, mas já chegamos à marca de 400 posts. Estamos vivenciando o ano 5. O Sessões já teve diversas fases, mas os membros continuam os mesmos. Os mesmos mas mudamos muito. Momentos inesquecíveis e o elo de 6 amigos que ultrapassa um singelo blog que mantêm a amizade acima de tudo. Vejam os depoimentos e conheça cada um dos membros Sessônicos mais afundo na nova aba - "Quem?". Seguem os depoimentos de auto-lambeção dos membros sessônicos!

Depoimento de Carlos Nascimento

"Falar do Sessões, pra mim, é falar de amizade, de coisas boas, de ideias, de arte e cultura geral e cinema mais especificamente, não exatamente nesta ordem. Porque não somos profissionais da área, mas usamos o cinema como uma corda que mantém cinco pessoas enlaçadas para uma vida mais interessante.
Só tenho a agradecer aos caras que são os parceiros desta empreitada. Porque tive o privilégio de participar do nascimento de uma ideia maravilhosa, ver a sua realização e ajudar na criação dessa criança que já tem quase cinco anos e 400 post. Por causa desta experiência, minha vida é bem melhor, passei a ter um conhecimento um pouco mais elaborado sobre cinema e cultura em geral. Mas o principal é que ganhei amigos para a vida. Pessoas singulares, sensíveis, inteligentes, com visões e histórias de vida bastante distintas e particulares, personalidades variadas e absolutamente complementares.

Como o parceiro Paulão anda meio sumido, sou o membro mais velho. Sou pai da Fernanda, que de certa forma virou a mascote do grupo (coincidentemente ela também tem cinco aninhos). Ainda que eu tenha experiências mais variadas e mais tempo na janela da vida, aprendi muito com a convivência com essas figuras incríveis. Como não me inspirar na juventude, vitalidade, inteligência e desapego ao supérfulo do menimo Mateus.  Porque não me espelharia na elegância, sensatez, e amor ao cinema do Vítor. Seria um tolo de não adimirar a veia artística e sensibilidade do Leandro. Poderiam me internar se não amasse o Fernando, ainda que ele não tenha nada a oferecer (obviamente uma piadinha pra num ficar piegas demais)  
Enfim, que venham os anos e a gente consiga manter o projeto e a graça de continuar a dividir os acontecimentos da vida."

Principais posts:


Depoimento de Fernando Moreira dos Santos

"Eu ainda me lembro do dia em que criamos o Sessões...

Estávamos eu, Vitor, Leandro e Carlão, a memória agora me escapa mas acho que o Mateus estava atendendo um farmacêutico e tecendo considerações sobre a antroposofia e o falecido Paulão - que Deus lhe tenha - estava conversando com a chefe ou algo assim, de modo que se inteiraram do assunto posteriormente.

Como dizia , estávamos evitando o trabalho e conversando sobre filmes quando alguém como que em um estalo lançou a ideia de escrever sobre cinema.O silêncio se fez na sala e a ideia ficou sobre a apreciação profunda de todos aqueles cinéfilos.Foi epifânico.Depois disso, menos de uma semana mais tarde, o Blog já era um garbo rapaz, cheio de textos e considerações sobre cinema em que expúnhamos nossas diferentes opiniões sobre a sétima arte.

O tempo passou e aqui nós encontramos novamente, cada um perseguindo os seus objetivos, se por um lado fica a infelicidade de não trabalharmos mais juntos, por outro eu sinto que lá no fundo,isso não importa tanto assim porque nós temos uma coisa em comum que transcende a distância e o tempo que é o Blog. Dificilmente estaríamos nos vendo caso o blog tivesse degringolado e caído no esquecimento. O que não ocorreu muito por insistência do Vitor que é,na minha visão, o mais articulado elemento quando o assunto é críticas sobre cinema.Vejo que o blog atravessa a sua fase "Vitoriana" em que a máquina de resenhas fílmicas (Vitor) nos brinda com quantidade e qualidade.

Resta claro,pra mim que eu gosto de fazer parte desse blog.Apesar de estarmos longe de sermos críticos de cinema,o fato é que nossa ideia não era desde o início criticarmos do alto de nossas catedras acadêmicas o que os diretores buscam fazer, mas antes dar uma opinião, levar pro lado pessoal as nossas insatisfações, descontar em nossos amigos nossas frustrações em forma de comentário e tomar umas geladas de vez em quando porque é disso que são feitas as amizades.

Amo todos esses muleques do blog,cada um de uma forma,cada um com sua idiossincrasia, cada um com a sua jeba e basta !!!"

Principais posts:


Depoimento de Leandro Antônio

"Não fosse Sessões jamais teria sabido das possibilidades, sensibilidades, habilidades de Carlos, Mateus, Vitor, Fernando e Paulo. Que seria deles sem Sessões e o que seria eu sem eles? Poderiam ter se tornados personagens de filmes que se viu, gostou, mas que vem a memória só com algum esforço. Mas não são (os cinco) filmes terminados e de personagens acabados na história da gente. Tudo transcorre em todas as suas continuidades, ângulos e dinâmicas. Palavra de ordem: Pau no gato."

Principais posts:


Depoimento de Mateus Moisés

"Confesso: estou farto de clichês. Nada como estar matriculado num curso de Pedagogia pra conviver cotidianamente com chavões: a Educação é o reino da mediocridade. O que isso tem haver com o Sessões? Sei lá, acho que nada.

Aos 19 anos eu já estava iniciado no cinema alternativo. Filmes europeus e latinos eram meus preferidos. Já tinha encarnado aquele asco pelo "cinema Blockbuster". Ingenuidade? Síndrome "cult"? Sei lá... Passou. Não que eu ame os hollywoodianos, mas hoje eu vejo em qualquer filme sempre uma possível crítica, sempre uma possível análise formativa. Seja ele qual for. O Cinema pra mim é uma arte capaz de transformar, uma importante plataforma de delírios estéticos.

Mas eu tenho sido um merda e quase não escrevo para o Blog que criei com mais cinco manos. As vezes surge algum texto, alguma coisa. Muita miséria, muita fatura. Pretendo mudar isso desde que começamos o blog, o que prova que eu sou ruim, de fato, na produtividade. Eu preciso melhorar, eu preciso melhorar. Eu preciso melhorar?

A gente precisa é se encontrar sempre pra tomar aquelas geladas, pra jogar conversa fora.

Claro, é muito legal ter um blog que aparece em segundo na busca do Google.
Tenho muita vontade de transformar o Sessões em ação social e em projeto de pesquisa.
Pelo menos agora já faltam, no máximo, dois anos pra acabar a graduação. Quem sabe até lá...
É um prazer muuuitooo imenso encontrar meus amigos. Agora precisamos nos vermos todo mês, manter contato, seguir adiante. Não sou cinéfilo, mas amo, amo cinema.
Alias, estou usando a camisa do Blog agora por coincidência.
Que delícia, que delícia, que delícia. SESSÕES!!!
Maravilha. Vamos que vamos."

Principais posts:


Depoimento de Vitor Stefano

"Como se fosse ontem me lembro da votação para escolher um nome para um blog de cinema de seis amigos que trabalhavam juntos há pouco tempo, mas que tinham essa paixão em comum. Como ontem me lembro da unanimidade por Sessões, mas primeiro buscamos no Google se era com 2 esses ou com cê-cedilha. Lembro como ontem que penamos para começar a descobrir as diversas ferramentas do blog, que nenhum de nós nunca tinha sequer tentado. Lembro-me das telas minimizadas para não termos problemas com nossa chefe. Lembro como ontem, porque o Sessões faz parte de mim, porque hoje eu amo o cinema, porque tenho amigos que amo.

No principio era apenas um blog, virou um hobby, tornou-se um vício, tentei que fosse meu emprego, agora é meu conector com Paulo, Fernando, Leandro, Paulo e Mateus. Obvio que amo escrever sobre cinema, que melhorei muito minha redação, que passei a ver muito além do cinema hollywoodiano. Comecei a ter uma visão mais crítica do mundo. Comecei a pensar num mundo além do meu. Sessões hoje pra mim vai além de mais um blog dos milhões na rede mundial de computadores. O Sessões é parte integrante e indispensável da minha vida. Mesmo que dia desses um bug venha a apagar os suados, belos e absurdos textos, nada mudará. O Sessões sempre estará vivo."

Principais posts:

Obrigado por acompanhar, seguir, compartilhar, divulgar, curtir, ler, viver o Sessões.

#Sessoes400
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