quinta-feira, 23 de maio de 2013

The Announcement


Nome Original: The Announcement
Diretor: Nelson George
Ano: 2012
País: EUA.
Elenco: Magic Johnson, Larry Bird, Karl Malone, Pat Riley, Chris Rock, entre outros.
Sem Prêmio.
The Announcement (TV 2012) on IMDb


Um gênio, um marco, uma lenda. Um anúncio e tudo construído com o talento e suor (quase) foi por água a baixo. Cinebiografias costumam ser melodramáticas, exaltadas às qualidades, sucumbidas os defeitos. Aqui o que vemos é um documentário com opiniões diversas, todos os lados da moeda de um anúncio feito a mais de 20 anos. Todos já pensaram muito, remoeram as atitudes, arrependeram ou confirmaram o que haviam dito à época. Tudo está mais claro, tudo está mais fácil, porém ouvir que o melhor jogador de basquete da época estava com o vírus HIV foi um choque para todo o mundo, um mundo com poucas informações e atemorizado com a possibilidade de uma epidemia do vírus que matava rapidamente. O temor em perdê-lo era grande. O horror de conviver com um “aidético” era enorme. Hoje, ainda bem, isso é absurdo.


Ver como surgiu, como cresceu e como virou lenda fica fácil quando falamos de Earvin “Magic” Johnson. Um gênio do basquete mundial, por vezes dito como o melhor de todos os tempos, retratado através do momento mais dolorido de sua vida. Claro que as imagens das enterradas, passes de costas, dribles desconcertantes e de toda a badalação de Los Angeles estão estampados durante os 90 minutos do documentário, mas um mito não pode ser apenas um grande jogador. Ele tem que ser carismático, atrair o público e pode ter sua dose de polêmica. Estamos acostumados com ídolos jogadores de futebol que vem do nada, passam dificuldades na infância e que se deslumbram com a fama e o dinheiro. Não que nos EUA os jogadores venham de berços de ouro, mas (aparentemente) é diferente a relação com o dinheiro e com a fama. O jogador lá vira famoso e encarna esse espírito, até por estar num país pudico, dar o exemplo é obrigatório para quem brilha diante dos holofotes.
Quando uma “aberração” é vista, o esquartejamento moral é claro. Dizer e assumir a todo o globo que era portador de uma doença nova, desconhecida e perigosa foi de uma grandeza ímpar. Claro que os dias entre saber que portava o HIV e o anúncio foram duros, reflexivos, intensos, difíceis. A magia parecia ter sumido. Os colegas de trabalho o rejeitavam. Mesmo assim continuou treinando para continuar brilhando. O preconceito era claro e intenso, a ponto de colegas de Dream Team, como Karl Malone, dizer que não queria entrar em quadra com ele. Mas as lendas aparecem aí.
Não preciso falar mais nada. Vocês sabem como a história de Magic Johnson continua... E continua.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Sonho de Wadjda


Nome original: Wadjda
Diretora: Haifaa al Mansour
Ano: 2012
País: Arábia Saudita/Alemanha
Elenco: Waad Mohammed (Wadjda), Abdullrahman Al Gohani (Abdullah) e Reem Abdullah (Mãe).
Prêmios: CinemAwenire, Interfilm e C.I.C.A.E. no Festival de Veneza.
O Sonho de Wadjda (2012) on IMDb



Não sejamos hipócritas e admitamos: filmes que envolvem crianças são um golpe baixo na avaliação crítica do cinema. Digo isso considerando que  não importa quão estranho ou distante seja o roteiro da realidade brasileira ou do período histórico se há uma ou duas caras de infância na tela minha criticidade e minha razão entram num breu denso e só conseguem sair de lá quando escorre os créditos finais.


Quantas vezes me vi perdido na hora de escrever sobre filmes com crianças....de súbito me vem a mente filmes como Valentin, Machuca - e a cena absurdamente boa do leite condensado, O ano que meus pais saíram de férias - com a dancinha embalada por Roberto Carlos plena ditadura brasileira, Meu primeiro amor - filme mor da Sessão da Tarde da década de 90, Meu Pé de Laranja Lima entre tantos outros.

O sonho de Wadjda faz parte dessa próspera e difícil seara. De saída, os primeiros momentos do filme já definem quais serão as coordenadas básicas que farão a protagonista (Wadjda) buscar o seu sonho: a  vontade de comprar uma bicicleta!!!


Em sua jornada em busca de seu sonho Wadjda nos apresentará uma Arabia Saudita que se destaca pela rotina dos modos antigos da cultura islâmica e nos convida a reflexão através dos questionamentos que nos coloca com relação ao papel das mulheres na sociedade islâmica, do papel social do homem, a poligamia etc.

Wadjda é uma garota ocidentalizada no meio de uma cultura arcaica e opressora. Por isso, se mostra uma menina muito corajosa, determinada e com muita personalidade. Seu cotidiano reprime sua alegria pela vida. Sua educação lhe orienta a uma conduta submissa e totalmente voltada para as tradições. Apesar disso, ela desfila com seu tênis All Star pelos corredores de sua escola conservadora, usa camisa de rock por debaixo das vestes negras que lhe cobrem sua alma multicolor.

Driblando habilmente as proibições e pecados impostos pela sociedade, Wadjda sonha com a sua bicicleta para poder apostar corridas com o seu melhor amigo, um menino. Parece banal, mas na Arábia Saudita espera-se do comportamento de uma mocinha que ela não ande de bicicleta, muito menos que tenha qualquer convivência com o sexo oposto.

“O sonho de Wadjda” é o primeiro filme filmado inteiramente dentro da Arábia Saudita e audaciosamente dirigido por uma mulher, Haifaa al Mansour. Embora questione dogmas e costumes, com simplicidade, o filme também retrata a religião islâmica de maneira comovente, mostrando a poesia e santidade das belas palavras do alcorão.

O filme mostra que a divergência cultural deve ser complementar e não um problema para a humanidade intolerante. Provocou em mim uma aproximação e até uma certa cumplicidade com um modo de vida absolutamente estranho. 

Uma obra bela e sensível, que vale muito a pena ver, se informar,  se divertir, se emocionar.

Fernando Moreira e Carlos Nascimento
Sessões

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sessões Promoção - Elena

PROMOÇÃO ENCERRADA!!!


"Quem é Elena?". Essa é uma pergunta que vem causando dúvidas nos amantes de cinema nos últimos dias. Elena. Mulher. Atriz. Dançarina. Irmã. Famosa. Ou não. Não sabemos ao certo, sabemos apenas que "Elena" entra em cartaz hoje (10/05/2013) para sabermos quem é a mulher que dá nome ao documentário dirigido por Petra Costa.

O Sessões quer te ajudar a desvendar quem é a tal Elena com mais uma promoção para te levar aos cinemas. Com apoio da produtora Busca Vida Filmes, queremos saber QUAL É O SEU DOCUMENTÁRIO PREDILETO? PORQUE? Coisa rápida, simples. Os 4 melhores comentário feitos aqui no blog, no nosso twitter (@sessoes) ou na nossa fan page do Facebook serão levados em consideração até o dia 14/05 (terça-feira) pelos membros do blog para levarem um par de ingressos. O resultado será divulgado no dia 15/05 (quarta-feira).

Participe e desvende esse mistério. "Elena" vai marca você! Veja o trailer para te inspirar:




Participe!

Equipe do Sessões

VENCEDORES:

Os melhores comentários eleitos pelos membros do Sessões foram: Carol, Camila Borca, Neto Kruger e Patrícia Gomes. Entrem em contato pelo Facebook ou pelos comentários para sabermos os endereços para enviar os ingressos.

A todos participantes, obrigado pela participação! Continuem seguindo e prestigiando o Sessões!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Control



Nome Original: Control
Diretor: Anton Corbijn
Ano: 2007
País: Reino Unido, EUA, Austrália e Japão.
Elenco: Sam Riley, Alexandra Maria Lara, Samantha Morton e Joe Anderson.
Prêmios: Gold Camera (Special Mention), Label Europa Cinemas e Prix Regasds Jeune do Festival de Cannes, Melhor filme Britânico, Diretor, Ator Coadjuvante (Toby Kebbelll), Melhor Promessa (Sam Riley) no Festival de Cinema Independente da Grã Bretanha.
Control (2007) on IMDb



Todos amores que tive
Foram menores do que poderiam ter sido.
A vontade de amá-la nunca foi pequena.
Mas mascararam as verdadeiras vontades.

Viver a vida só com amor
Não é viver, é sofrer.
Esse tal de amor vai nos separar
Mais.


Lutei e relutei para ver este filme, não por não querer. Todos os comentários que li sobre “Control” dizem sobre a paixão e adoração pela banda Joy Division liderada por Ian Curtis que teve sua atribulada e intensa vida interrompida pelo suicídio aos 23 anos de idade. Eu conheço pouco da banda e conhecia pouco da vida do líder, mas a verdade é que o filme me causou uma depressão por não conhecer mais. Agora é hora de ir atrás e não cometer um suicídio musical por não conhecer as melodias melancólicas compostas por Ian. A beleza das imagens num branco e preto marcante faz tudo ficar ainda mais gélido, apesar da intensidade da banda nas apresentações. Tudo ainda mais obscuro. Tudo ainda mais belo. Tudo ainda mais menos.

A personificação do genial Ian ficou a cargo de Sam Riley. Riley virou Curtis. Absurda a aparência incrivelmente parecida com a do personagem central. Não apenas fisicamente, mas a alma do ator parecia viver a década de 70, presente nos rolês com as bandas da época, aspirando as loucuras das paixões incontroláveis. Sam esteve inserido dentro do cérebro do jovem durante as suas convulsões para exalar tanta angustia e incerteza pelas telas. Podemos questionar as motivações do suicídio, mas nunca julgar o sofrimento. Apenas quem sabe a verdade é quem a vive, mesmo que viva um mentira. Uma história tristemente linda de um líder inesquecível, que marcou uma geração e que agora vai entrar (e nunca mais sair) da minha playlist. Um filme que entrou na lista dos meus prediletos e não sairá.


Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Senhora e A Morte


Nome Original: La Dama y La Muerte
Espanha, 2009
Direção: Javier Recio Gracia
“Elenco”: Eva Molina e Miguel Angel Perez.
Duração: 8 min.
The Lady and the Reaper (La dama y la muerte) (2009) on IMDb

O curta possui uma história simples, porém, eficiente. É quase um remake dos antigos desenhos de perseguição.
Resumindo, trata-se de uma velhinha, daquelas que lembram algumas avós, que vive sozinha no campo e está, curiosamente, ansiosa pela vinda da morte, para que possa rever seu falecido marido. Quando o ceifador vem buscá-la, é salva por um médico todo afetado e cheio de si. A partir daí, inicia-se uma disputa frenética pela vida da velhinha.
Tecnicamente falando, tem roteiro bem humorado, cenários bem construídos, fotografia primorosa, trilha sonora competente e finalizações refinadas, que resultam num curta muito bem produzido. Inicia-se esboçando algo muito melancólico, mas logo se torna mais leve e garante a diversão.
Apesar da leveza, é uma crítica interessante à condição humana, que não sabe aceitar a temporalidade da vida e trava uma batalha contra a morte, seja ela consciente ou não. Na vida habitual, o Homem age como se pudesse controlar ou se conformar ao tempo e aos seus desejos (na animação, representado pelo médico). Camus aponta esta postura como uma atitude pretensiosa do domínio dos nossos atos de fazer planos:

“Antes de encontrar o absurdo, o homem quotidiano vive com finalidades, com uma preocupação de futuro ou justificação. Ele avalia as suas possibilidades, conta com o mais tarde, com a sua reforma ou com o trabalho dos filhos. Ainda julga que qualquer coisa na sua vida se pode dirigir”.

Entretanto, para o autor, essa relação ingênua com a temporalidade é um índice da falta de experiência dos estranhamentos vindos da absurdidade da existência humana.
Outro aspecto abordado no curta, numa linha de pensamento muito semelhante à temporalidade, é o Direito de Morrer. O tema é interessante porque traz à cena a questão
da humanização da morte. Porém, essa discussão ainda é entendida como um sacrilégio. A maioria dos médicos continua tentando até o final prolongar a vida do paciente, mesmo que isso signifique mais sofrimento. A questão complica quando se começa a discutir quem é que decide como e quando a morte deve acontecer: o indivíduo optando pelo seu destino, a sociedade cheia de ranços e amarras cristãs ou o médico que necessita inflar seu ego.
O que ocorre é que há no Homem, um “desejo alucinado de durar”2 em constante contraste com a incerteza da vida humana, que se desfaz no tempo e cujo ápice é seu próprio fim; que é a estrutura inevitável da existência humana.

Por Mateus Marques Tozelli
De Brasília
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