segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A Caça



Nome Original: Jagten
Ano: 2012
Diretor: Thomas Vinterberg
País: Dinamarca e Suécia
Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp.
Prêmios: Melhor Filme Independente Internacional no British Independent Film Awards, Melhor Ator (Mads), Premio do Júri Ecumênico, Vulcain Prize for the Technical Artist do Festival de Cannes e Melhor Roteiro no European Film Award.
A Caça (2012) on IMDb

  



Thomas Vinterberg fez um dos melhores filmes do ano até agora.

Não poder confiar em alguém que chama de amigo é um aborto natural. Uma decepção infinita. O auge da infelicidade. Lucas nunca mais terá felicidade em sua vida. Mas antes do inferno instaurado, a vida dele numa pacata cidade dinamarquesa era absolutamente controlada. Trabalhando na creche, automaticamente conhecia todos os pais e crianças com muita propriedade, carinho e respeito. Mas um passo em falso, uma titubeada, uma mentira podem colocar a prova uma confiança criada em anos.  Um bater de asas de um beija-flor, um piscar de olhos, uma gota que cai do céu, um tiro que vem em nossa direção sem saber de onde. Achar culpados é ineficaz. Jogar a culpa em alguém sem averiguar os fatos é mais fácil, cômodo. Quero ver curar uma cicatriz causada pela tristeza.



Uma estrela como Mads Mikkelsen ajuda na construção de um personagem que é complexo em sua natureza e simples em suas atitudes. Uma história atual, viva, pulsante onde vemos que uma pequena mentira, por mais infantil e ingênua que possa parecer, tem poder para tornar anjo em demônio, pai em monstro, amor em cólera. Infelizmente num mundo que a maldade impera, provar que a verdade é verdade é uma obrigação diária. Reitero, Thomas Vinterberg fez um dos melhores filmes que vi em 2013. O cinema dinamarquês é um exemplo para todo o mundo de como contar uma boa história. O tiro veio, mas não sei de onde.



Há cenas que não saem da nossas cabeças. A igreja, o supermercado, o cão... Nossa. Que filme! Escrever sobre ele é bobagem, é necessário vê-lo.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Tatuagem

Nome Original: Tatuagem
Ano: 2013
Diretor: Hilton Lacerda
País: Brasil
Elenco: Irandhir Santos, Jesuita García, Sílvio Restiffe, Sylvia Prado e Ariclenes Barroso.
Prêmios: Melhor ator (Jesuíta Barbosa), ator coadjuvante (Rodrigo García), Prêmio da crítica, Prêmio do público e o Prêmio especial do júri no Festival do Rio. Melhor Ator (Irandhir), Melhor Trilha Musical e Melhor Filme no Festival de Gramado.




Vamos falar sobre cinema nacional. Tivemos altos e baixos durante a nossa história cinematográfica. Aliás, apenas altos, pois a nossa cultura deve sempre ser exaltada. De qualquer forma, vivemos baseados em uma cultura de festas populares, esportes, fome e ditadura. Se perguntarem qual filme pode representar o Brasil, qual você diria? Depende do seu ponto de vista do que é o Brasil, do que somos de onde viemos e para onde vamos. Parece retórico e filosófico demais para um texto de um blog de cinema na web querendo falar de apenas um filme. Mas passagem breve pela história é para me posicionar quanto a “Tatuagem”, um dos filmes mais premiados do ano, aclamado pela crítica e pouco visto, pois há uma mentalidade e cultura inversamente proporcional de qualidade x público no que tange a opinião da crítica especializada. Aos meus olhos, “Tatuagem” é uma miscelânea recheada de diversos assuntos mas o que realmente pula a tela são picas, cús e bundas.


“Tatuagem” de Hilton Lacerda. Não sei qual foi o intuito do roteirista e diretor. Mas consegui sentir apenas uma sensação com respeito ao filme: a intenção é chocar. Chocar por chocar. Talvez não seja exatamente essa a intenção, mas foi exatamente isso que me atingiu. Não havia lido as críticas. Li apenas a sinopse e quando sentei minha bunda na cadeira 18 da fila H da sala 3 do Reserva Cultural esperava um filme libertário, crítico à ditadura e todas as deformidades que gera através de um grupo mambembe de conotação gay. Durante a primeira meia hora do filme já sabia que a ditadura estava no filme apenas pela ambientação nos anos 70. Nem menção a ditadores ou algo que valha. Na primeira hora o cinema já tinha sido impactado com uma das cenas de sexo mais fortes dos últimos anos. Forte porque é homossexual? Talvez, mas a entrega dos atores é algo de prêmio. A hora seguinte ao fim da película foi arrastada no relacionamento, nas intrigas no grupo e por um soldado “infiltrado”, sendo quebrado apenas por leves risos das apresentações do grupo no Chão de Estrelas. O romance está lá, é emocional, é visceral, é libertário. É forte que marca na pele. Mas a tatuagem é apenas mais um elemento para me desanimar, numa clara demonstração de precisar dar um nome ao filme. O amor existe e vemos. E vemos. E vemos.

Se você achou agressivo o texto, não veja o filme. Claro que num mundo onde temos a maioria míope através das telas da tevê e da grande mídia, a sexualidade torna-se um tabu. Ainda há a conversa de carochinha das igrejas, da família como berço da sociedade e até da autopunição em nome de alguma coisa que se crê. O pré-conceito existe e é latente e é um direito, mas ter preconceito não pode mais existir. Então reafirmo nada do que disser aqui no texto tem ou deveria ter o tom preconceituoso contra homossexuais. Cenas de sexo e relações íntimas nos filmes tem aos montes, mas num enredo, contextualizado e apenas como parte de uma história maior é compreensível. Paus,  bundas e cús.... Não é o Porntube ou o ForMan. Beijos, lambidas, orgias... Não é um filme da pornochanchada. O cinema brasileiro é mais do que tudo isso. Até consigo entender as críticas exaltando o filme, mas para ser um filme cult, impactante e forte não é necessário que seja apenas chocante. Chocar por chocar. Qual o motivo?


Irandhir Santos tem meu respeito. Ator com A maiúsculo. Como todos atores. Hilton Lacerda precisava continuar apenas escrevendo roteiros, pois aqui (talvez, pelo novo olhar de diretor) é o ponto mais fraco do filme. Mas não podemos dizer que ousado ele não foi. Foi, mas a queda pode ser bem grande nesses casos. O olhar do cinema-real existe também, mas a realidade não agrada a todos. Deslizes a parte, o cinema pernambucano deve continuar a ser exaltado, principalmente por ser diferente. Acertar ou errar torna-se um detalhe. Subversivo ou não? Opte sempre pelo subversivo. "Tatuagem", no mínimo, gerará bons debates e não passará como apenas mais um filme na filmografia nacional no ano de 2000 e bolinhas...

Tem cu tem cu tem cu.

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 8 de dezembro de 2013

Promoção Relâmpago - Azul é a Cor Mais Quente - PROMOÇÃO ENCERRADA

*** PROMOÇÃO ENCERRADA ***

Quer ver o último vencedor do Festival de Cannes e eleito por muitos o melhor filme do ano?

Quer entender porque "Azul é a Cor Mais Quente" de Abdellatif Kechiche é o filme mais comentado do momento?

Está curiosos para ver a história desse amor homossexual e a famosa cena de sexo?



Então, corra! Apenas o primeiro, o mais rápido a responder a pergunta leva.

Pergunta: Qual é o último filme francês a levar a Palma de Ouro? (Dica: foi a Palma de Ouro de 2008)

Responda aqui nos comentários. O primeiro leva o par de ingressos.


Mais uma promoção com a parceria da Imovision.

** A resposta correta é:
"Entre os Muros da Escola" de Laurent Cantet.

O primeiro a responder corretamente foi ChuckWilsonDB. Favor entre em contato para enviarmos o seu prêmio.

Equipe do Sessões

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Árvore da Vida


Nome Original: The Tree of Life
Ano: 2011
Diretor: Terrence Malick
País: EUA
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain e Hunter McCracken
Prêmios: Palma de Ouro do Festival de Cannes.
A Árvore da Vida (2011) on IMDb

 

No Big Bang, na criação Divina, nas explosões cósmicas, criações advindas de Adão e Eva, e os dinossauso e o céu ou o inferno. A recriação da criação, as questões básicas da vida, as dúvidas que nunca serão respondidas fazem parte d”A Árvore da Vida”. Mas não apenas fazem parte, Terrence Mallick nos transporta para esse mundo desconhecido, irreal, fazendo com que acreditemos na evolução. De onde viemos? Para onde vamos? Qual a nossa função? Deus existe? Não existem respostas definitivas. Não há finitude na beleza. Olhar para cima tornou-se um rito. Olhar para o horizonte. Perdoar. Questionar. Sentir.

O vazio da pergunta sem resposta nunca foi tão belo. “A Árvore da Vida” é de uma beleza digna de exposição no Louvre. Terrence deveria trabalhar no Discovery Channel, pois a natureza nunca foi tão linda. Os arranha-céus nos causam vertigem. Os cosmos parecem explodir a nossa frente. A evolução parece verdade incontestável. Poderia ser um documentário, se a história da família fosse excluída. Mas se não houvesse família, não veríamos a maravilha feita. E quando digo que é um vazio lindo, é também porque o filme é absolutamente pretencioso. Responder perguntas que não tem respostas geram filmes sem pé nem cabeça ou filmes com pé e cabeça, mas sem membros e tronco. “A Árvore da Vida” se encaixa na segunda opção, mas nem pensar em falar mal do filme. É uma espécie de milagre cinematográfico.





Terrence nunca foi um diretor fácil, mas este é o mais complexo e talvez o seu melhor. Talvez. Não é um filme para qualquer um. Certamente muitos na primeira hora dormiram como um bebê. A história da família, do filho no futuro, da criação e todas os seus desenrolares, é um filme feito por um megalomaníaco. Brad Pitt e Sean Penn no elenco são meros coadjuvantes. As crianças e a mãe, Jessica Chastain estourou para o mundo nessa película. E com merecimento. Mas todos são meros coadjuvantes no filme perto de Alexandre Desplat e sua trilha sonora maravilhosa. Poderia virar uma peça a ser tocada por qualquer filarmônica do mundo. Mas nada disso seria possível sem Malick, que é o verdadeiro personagem central. Sem Malick, seria uma bobagem. Com ele, é uma obra-prima, mesmo que você não tenha entendido nada. Aqui, o Caos também reina.


Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Frances Ha



Nome Original: Frances Ha
Ano: 2012
Diretor: Noah Baumbach.
País: EUA. Elenco: Greta Gerwig, Mickey Sumner e Adam Driver.
Prêmios: Melhor Filme do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e Melhor Roteiro no European Film Award.



Ela mora aqui, vai pra lá, vai para mais longe, volta, vai para Paris, volta em 2 dias, fica sem amiga, fica com amigos, quer virar bailarina, volta a ter amiga, volta para a faculdade, deixa de ser bailarina, é “inamorável” e, finalmente, ousa e brilha.

Essa é Frances. Talvez não nessa ordem, mas ela é tudo isso em pouco menos de 80 minutos. Parece frenético, mas é poético e encantador. Tudo começa quando sua melhor amiga decide mudar da casa que dividem. Não por briga ou por namorados, mas sim por escolha de vida. Frances se perde. Apesar dos 28 anos, é bailarina substituta numa companhia e o seu futuro não é nada brilhante. Fica sem chão, vive em uma crise que todos já passamos. O que farei amanhã, o que serei no futuro? Para onde minha vida está indo? Meus amigos casando e tendo filhos e eu nem sei qual profissão tenho... É com essas perguntas e com respostas nada fáceis, a verborrágica Frances faz novos amigos, ganha admiradores. Sua beleza contrastada no lindo branco e preto da película faz com que sua personagem seja ainda mais cativante. “Frances Ha” nos faz pensar estar diante de um filme da Nouvelle Vague. Pensei em “Cléo das 5 às 7” com uma trilha mais marcante e com uma personagem mais ativa do que Cléo. Destaque para o momento de dança no meio da rua ao som de “Modern Love” de David Bowie. Um filmaço de baixo custo. Ai a América começa a ficar interessante.



Os filmes de Noah Baumbach que já vi não haviam me convencido de sua capacidade, apesar das sempre boas críticas. Agora, com “Frances Ha” vejo que além de crítica, ele foi capaz de contar uma história, que foge do habital, mas não precisa ser absolutamente estranho para impor sua marca registrada. Seus personagens sempre são confusos, pirados, em crise existencial, apesar de quase sempre estar na transição da adolescência para a vida adulta. Falo isso por “Lula e a Baleia” e “Margot e o Casamento”. Não que Frances não esteja nesse período ou tenha uma vida calma e monótona, mas a forma que vemos a sua vida na tela chega a encantar. Numa clara demonstração que seu cinema evoluiu, podemos dizer que Noah conseguiu, finalmente, amadurecer. Greta Gerwig brilha. É tão natural que parece ser um amiga próxima. Tão próxima que parece você.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sessões Promoção - Tatuagem - PROMOÇÃO ENCERRADA

PROMOÇÃO ENCERRADA

Mais uma grande promoção está no ar no Sessões. "Tatuagem" de Hilton Lacerda venceu diversos prêmios nesse ano nos festivais que participou. Sua temática polêmica, variando de cabaré à ditadura, atuações marcantes, com destaque para o maravilhoso Irandhir Santos, e ousadia foram as marcas deixadas em quem viu o filme.

Segue a sinopse: A ditadura militar, ainda atuante, mostra sinais de esgotamento. Em um teatro/cabaré, localizado na periferia entre duas cidades do Nordeste do Brasil, um grupo de artistas provoca o poder e a moral estabelecida com seus espetáculos e interferências públicas. Liderado por Clécio Wanderley, a trupe conhecida como Chão de Estrelas, juntamente com intelectuais e artistas, além de seu tradicional público de homossexuais, ensaiam resistência política a partir do deboche e da anarquia.
A vida de Clécio muda ao conhecer Fininha, apelido do soldado Arlindo Araújo, 18 anos: um garoto do interior que presta serviço militar na capital. É esse encontro que estabelece a transformação de nosso filme para os dois universos. A aproximação cria uma marca que nos lança no futuro, como tatuagem: signo que carregamos junto com nossa história.

Interessado? Então veja o trailer:


Então, gostou ainda mais? Então responda:

Qual o melhor filme sobre repressão política que você já viu? Porque?

Os 3 primeiros comentários respondendo a pergunta acima levam um par de ingressos para ver "Tatuagem" em todo o circuito exibidor, de 2ª a 5ª feira. O ingresso promocional não é válido aos feriados e nos cinemas do Grupo Estação, Cinemark Iguatemi e Circuito Araujo. Não esqueça de se identificar para entrarmos em contato para entregar o prêmio. Participe!!!

Mais uma excelente parceria com a Imovision.O filme estreia no circuito em 15/11.

Site do filme: http://www.tatuagemofilme.com.br/

Equipe do Sessões

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Incêndios

Nome Original: Incendies
Ano: 2010
Diretor: Denis Villeneuve.
País: Canadá e França.
Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette e Rémy Girard.
Prêmios: BSFC Award e Jutra de Melhor Filme de Língua Estrangeira, Audience Award do Festival Internacional de Rotterdam, Melhor Filme Canadense no Festival de Toronto, Melhor Filme e Roteiro no Festival de Valladolid e Grand Prix no Festival Internacional de Varsóvia.
Incêndios (2010) on IMDb
 

A globalização pode ser mais cruel do que política, mas em conjunto é a pior bomba da história. Períodos históricos mesclados com a vida de hoje, caminhando de forma linear rumo ao desfecho. Já vimos isso muitas vezes no cinema, mas as idas e vindas aqui não tem a intenção de confundir ou dar um ar cult ao filme, mas sim de nos contar a história de forma envolvente. A personagem principal morre logo no começo e a preparação de seu enterro já é chocante: nua de bruços, para ficar de costas para o mundo. Apenas uma vida muito sofrida pode gerar tal revolta. E só a política é capaz de gerar tudo isso. E só a religião é capaz de gerar tudo isso. E só tudo junto é capaz de criar esse mundo que vivemos.


Uma mãe próximo ao fim de sua vida revela um segredo: ela teve um filho que lhe foi roubado assim do seu nascimento. Vemos seu passado. Vemos sua vida no Oriente Médio desde a sua adolescência. Vemos seu amor morrer. Vemos seus filhos a caminho do Iraque. Vemos o que não devíamos ver. Vemos o que nenhum ser humano está preparado para ver. Vemos o que nenhum filho precisa ver (ou saber). A crueldade das relações políticas causam náuseas. Qualquer relação religiosa afrente do humanismo é nojento. A vida nesse planeta está cada vez pior. Não precisamos ver isso, apenas se acima de tudo vier o amor.

O filme é bárbaro em todos os aspectos, do roteiro às atuações, mas a montagem é o grande trunfo da película. Fica próximo do que ocorre com “Estômago”, onde passado e vida atual correm juntos para o derradeiro final, misturado com a amplitude de acontecimentos de “Babel” do Iñarritu. Mas é melhor que os dois. O roteiro é maravilhoso, com reviravoltas que revoltam. A cena do incêndio é impactante demais, dói até agora. “Incêndios” é devastador com seus personagens que nos deixa de queixo caído quando nos damos conta do que realmente aconteceu. Precisamos mesmo de um ar para repensar a vida e relembrar que é apenas um filme, e que mesmo que muitas daqueles acontecimentos foram reais, estamos diante de uma obra cinematográfica. Se fosse tudo real, o mundo já teria acabado. “Incêndios” apresentou Villeneuve para o mundo. Ganhamos um grande diretor, que pudemos ver no recente “Os Suspeitos”.


“Incêndios” está nos melhores filmes dos últimos anos.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Garoto da Bicicleta

Nome Original: Le gamin au vélo
Ano: 2011
Diretor: Jean-Pierre e Luc Dardenne.
País: Bélgica, França e Itália.
Elenco: Thomas Doret, Cécile De France e Jérémie Renier.
Prêmios: Melhor Filme do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e Melhor Roteiro no European Film Award.
O Garoto de Bicicleta (2011) on IMDb



Ver filmes dos irmãos Dardenne me conforta. Sempre foi assim. Consigo identificar uma Europa real em seus filmes. Claro que as belezas arquitetônicas estão lá, a beleza mostrada no cinema, há uma porção de qualidades em se viver no Velho Continente, mas quando temos na tela um filme dos belgas vemos que nem tudo são flores pelas bandas de lá. Há vida normal na Europa. Há fome também por lá.


Um pequeno menino de 12 anos tem a meta de encontrar seu pai, que o deixou em um orfanato sem motivo e despedidas.  Entre uma fuga e outra, consegue chegar ao local de residência de seu pai. A decepção é não encontra-lo e nem sua inseparável bicicleta. Em nova fuga dos responsáveis pelo seu “novo lar”, Cyril se agarra a uma moça, Samantha, a qual fica sensível à situação do pequeno e quer ajuda-lo. O jovem e Samantha começam um relacionamento como mãe e filho apenas aos finais de semana. Um carinho começa a ser criado apesar da dificuldade da relação. Cyril quer descobrir o que aconteceu com seu pai. Essa busca é dolorida e traiçoeira que deixa um amargor na vida do menino que é expresso com as más companhias do bairro onde mora sua “nova mãe”. Educar um filho na rebeldia juvenil é quase impossível. Quem diria para uma criança que teve muitas dificuldades na vida. Entre brigas e afagos, Cyril e Samantha criam um elo misterioso e cheio de força. Nem que a força seja bruta.


Em “O Garoto da Bicicleta”, apesar da “nebulosidade” do assunto, é um filme poético-humanista por natureza. Com a esperança entremeando toda a história, desde o encontro entre o menino Cyril e Samantha, a batalha para buscar o pai, o envolvimento com os novos amigos e o final apoteótico, nos deixa com uma ponta de um sorriso na busca de um mundo melhor. Cyril caiu, mas levantou por nunca deixar de sonhar e querer melhorar. Samantha é um anjo em sua vida. Os irmãos Dardenne são os mestres em contar o cotidiano, mas diferente de “A Criança”, onde são secos e diretos, aqui vemos a humanização da situação. Mesmo que estejamos num beco sem saída ou acuado no alto de uma árvore podemos crer numa luz para a vida de Cyril ou de todos nós.

Vitor Stefano
Sessões
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