quinta-feira, 26 de junho de 2014

O Lobo Atrás da Porta



Nome Original: O Lobo Atrás da Porta
Ano: 2014
Diretor: Fernando Coimbra
País: Brasil.
Elenco: Leandra Leal, Milhem Cortaz, Juliano Cazarré e Fabiula Nascimento.
Prêmios: Melhor Filme e Melhor Atriz (Leandra Leal) no Festival do Rio, Prêmio Coral de Primeiro Filme no Festival de Havana, Prêmio de Melhor Filme – Horizontes Latinos no Festival de San Sebastián e Melhor Filme e Diretor no Miami Film Festival.




Contado de forma atemporal, a partir de depoimentos dados ao delegado, o filme retrata a busca dos pais por sua filha desaparecida, aparentemente sequestrada. O partir da confissão do pai, Bernardo, chegam à Rosa, a sua bela e jovem amante. A partir disso, com a trama bem delimitada, a tensão apenas cresce a cada passo palavra. O ritmo aliado a uma fotografia com poucas cores e pálida faz com que o filme envolva o público. A respiração dos atores é como um pulsar do coração, angustiante. A cada ponto de vista relatado, os personagens são mostrados com dualidade e gera um mistério ainda maior. Todos podem ter duas caras. Todos podem ser manipuladores. Mas a verdade será revelada, doa a quem doer.

Um pouco da vingança de Park. Uma pitada da investigação de Villeneuve. Um quê da secura de Trier. Com a sensualidade de Polanski. Fernando Coimbra fez um filme de Fernando Coimbra. Brasileiro e global. “O Lobo Atrás da Porta” estará entre os melhores filmes do ano. Se um dos diretores citados o tivesse feito, estaria bombando nas redes sociais, nos comentários dos críticos cults, nos tapetes vermelhos das premiações internacionais. Leandra Leal seria ovacionada, Milhem Cortaz e Fabiúla Nascimento seriam estrelares e protagonistas dos próximos filmes de Woody Allen. É um thriller. É um noir. É um filme de gênero realizado com primazia. Surpreendente, vivo, visceral, intenso, perverso. Prepare-se, pois a chapeuzinho será comida.


São esses filmes que vem para quebrar o preconceito sobre o cinema nacional. Na bilheteria pude perceber isso: o balconista do cinema disse sem titubear nem parecer ser um filme nacional. Jogou todos louros no filme e finalizou com “é fantástico”. Quando entro na sala, não mais que 10 pessoas num cinema que cabem 150. Uma verdadeira pena. Vamos ficar de olho em Fernando Coimbra. É o melhor filme brasileiro do ano. Talvez o melhor da década, por ser tão palatável aos olhos do grande público.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 17 de junho de 2014

Imagine

Nome Original: Imagine
Ano: 2012
Diretor: Andrzej Jakimowski
País: Polônia
Elenco: Edward Hogg, Alexandra Maria Lara, Melchior Derouet


Não é só um filme mágico e belo tratando da leveza e dos desafios da cegueira. Não só conta uma bela história de um professor que não enxerga ensinando estudantes em semelhante condições como nos coloca importantes questões para pensarmos o saber humano e a educação.

A maneira como Ian lida com sua limitação visual é transgressora e genial. Sem uma bengala e nem outros recursos conseguir cruzar ruas, reconhecer pessoas, objetos, sentimentos. Sua tentativa é frustrada pelo conservadorismo do diretor da escola que tema pela integridade dos alunos.

Quando o professor adverte o aprendiz para antes abstrair antes de ouvir e andar está se referindo a uma maneira muito peculiar de aproximação dos sentidos do sujeito ao mundo e, portanto, um modo preciso de observar a constituição do conhecimento e do saber por meio da experiência.

Essa proposta nos leva a um espaço de discussão no qual temos a abstração e os sentidos mobilizados para a constituição do sujeito na vivência imediata do mundo. Remetendo para uma abordagem formativa poderíamos pensar num modo ousado e artesanal de conhecer o mundo e se auto constituir. Cegos ou não cegos numa experiência de entrega ao mundo e convicção na sua energia possível pra viver.

Belíssimo filme trazendo ainda um romance aconchegante entre o professor e a estudante Eva. Fino e encantador.

Mateus Moisés
Sessões

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Febre do Rato



Nome Original: Febre do Rato
Ano: 2011
Diretor: Claudio Assis.
País: Brasil.
Elenco: Irandhir Santos, Juliano Cazarré, Matheus Nachtergaele, Ângela Leal e Nanda Costa.
Prêmios: Melhor Filme, Melhor Atriz (Ângela) e Melhor Roteiro no Grande Prêmio Brasil de Cinema, Gran Coral (Terceiro Prêmio) de Melhor Filme no Festival de Havana e Melhor Filme da Associação de Críticos de Arte de São Paulo.
A Febre do Rato (2011) on IMDb


Veja essa porra inteira aí:




Bucetas e Caralhos. Velhos e Jovens. Tetas e Pintos. Loucos e Sãos. O mundo é um puteiro cheio de cafetões e prostitutas do pior nível, frequentado pela burguesia filha da puta que cospe quando come, regurgita quando fala, goza quando ve e caga quando fala. O mundo pode ser resumido ao Brasil. Essa espelunca governada pela calhorda, onde vivem aristocratas cuzões e onde o povo é sugado pela ganancia de ser de uma classe medíocre. E não apenas de ser, de ter o que os medíocres tem: porra nenhuma. Mas podemos resumir ainda mais. O Brasil é Recife. Fede pra caralho. É feia pra caralho. Tem gente pobre pra caralho. É do caralho. O caralho a quatro.  E esse jornal Febre do Rato. Quem é esse Zizo? Esse cabra arretado da porra. Um poeta, dizem. Um marqueteiro, também. Um revolucionário, maconheiro da porra, binguço da preula, fodão. O cara é bom demais. Come as velinhas, quer as novinhas, quer revolucionar, quer a desordem. Quer viver sem medir a quem, saber o que, ter nada. Zizo é homem do bem. Homem que sabe. Não é zé povinho que vai pra rua protestar por merda. Ele só quer a liberdade, nos libertem das gaiolas, quebrem os muros, tirem as roupas. Depois de Zizo nada foi igual. Mas cadê o Zizo? Cadê o Amarildo? O zé povinho sucumbiu. A mediocridade sumiu com ele. A intolerância fode. Eu quero mais que se foda. Eu quero mais Cinema Brasileiro desse. Eu quero mais de Claudio Assis. Bom pra caralho!

Vitor Stefano
Sessões
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