segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Tudo Pelo Poder

Nome Original: The Ides of March
Diretor: George Clooney
Ano: 2011
País: EUA.
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei, Jeffrey Wright e Max Minghella.
Prêmio: Brian Award no Festival de Veneza.
Tudo pelo Poder (2011) on IMDb


O poder é viciante. A busca por ele é perniciosa. Não há subida ao topo democrática. Não há como jogar toda a sujeira para debaixo do tapete. Não há como. Novos filmes sobre política sempre estão em cartaz. Claro que a etimologia da palavra pode dar mais significados do que as pessoas que devaneiam sobre a busca pela eternidade, mas entendamos que estou falando do processo eleitoral. Sejam em documentários ou ficções, sempre a base do roteiro fica em torno das dúvidas em como o personagem principal consegue ou precisa fazer para atingir a glória da eleição. Seja o pleito para sindico, clube, sindicatos, empresas ou presidência de uma república, a história sempre se repete.



Aqui vemos a disputa para quem será o candidato do partido republicano a pleitear a presidência dos EUA, tudo passando pelo jogo existente entre assessorias de imprensa e a imprensa, a maior atacada, junto ao governo Obama, nessa tacada de Clooney. Entre conchavos e traições, a grande lição que fica é que sem acordos, acertos, “jeitinho” não se vence uma eleição.


Clooney costuma ter em seus projetos pessoais sempre críticas ao american way of life. Nesse caso ele não aprofunda, infelizmente, a crítica que poderia fazer ao partido que tanto apoiou. Certamente ele esperava muito mais de Obama. Uma pena não ir fundo na crítica, porém há dois pontos que ele acertou de mão cheia: a ótima dinâmica do roteiro e a escolha do elenco. Podemos ver nas 2 horas de película alguns dos melhores atores de Hollywood: o novo queridinho Ryan Gosling como protagonista, o excelente Paul Giamatti e o melhor ator hollywoodiano da última década, Philip Seymour Hoffman. Também contam com belas coadjuvantes de respeito como Evan Rachel Wood e Marisa Tomei. Claro que George também aparece, mas sem querer atropelar ninguém. Vale a pena ver para refletir até onde vai a ganância e os acordos para chegar ao poder no país “perfeito” do globo.



Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Flor do Deserto



Nome Original: Desert Flower
Diretora: Sherry Horman
Ano: 2009
País: Reino Unido, Alemanha e Austria.
Elenco: Liya Kebede e Sally Hawkings
Prêmio: Melhor Filme Europeu no Festival Internacional de San Sebastián (Premio da Audiência).
Flor do Deserto (2009) on IMDb



Não sei qual dor sentem, mas posso imaginar. Mas nem toda imaginação do mundo deve retratar o que realmente é perder o prazer. Não perder o prazer de fumar, de beber ou de rir da vida. É perder o prazer do prazer. Ser uma mulher, negra, nômade, vendida para um casamento, solitária e ainda ser “diferente” não é para qualquer uma. A vida não poderia ser tão dura para ninguém, nem para os nossos piores inimigos. Waris Dirie nos prova que apesar dos pesares é possível vencer num mundo onde absurdos como esses ainda são tolerados. Respeito todas as religiões, crenças e costumes, mas onde a intolerância, crueldade e barbárie imperarem eu não terei dó de emitir meu pesar e repúdio.  Mutilação genital é tortura. 



Só pelo enredo podemos entender sobre o que se trata o filme. Uma cinebiografia com todos os elementos possíveis e imaginários para se debruçar no melodrama fácil, mas com um tema tão duro, “Flor do Deserto” é um ótimo retrato do que é a vida da modelo Waris Dirie que teve aos 3 anos mutilação genital por conta de crenças dos chefes das aldeias onde morava. Você que não consegue imaginar a mutilação genital feminina? Ela consiste na retirada do clitóris e dos lábios vaginais e costurar a pele, deixando apenas o orifício para urinar. Para a pequena Waris isso é algo com qual vivia sem problemas, tirando as dores por conta da dificuldade de urinar, porém ao fugir da aldeia por conta do casamento arranjado, caminhou por todo o deserto para chegar em Mogadíscio, capital da Somália, para ser empregada dos cônsules de seu país em Londres. Lá ficou “trancada” por anos. A sua saída para as ruas foi agraciada por uma amizade irreal, o reconhecimento de sua beleza por um fotógrafo renomado e o início de sua carreira como modelo.
E todos viveram felizes para sempre.

Não.
 
Não há como viver feliz sabendo que outras milhares de crianças sofrem o mesmo que Waris sofreu e é essa a mensagem que “Flor do Deserto” e a modelo deixam com o relato de sua vida. Pode ser que nem tudo seja absolutamente fidedigno com a realidade, mas o filme conta de forma excelente o drama e a superação através da amizade, da força de vontade e da coragem de uma mulher que é modelo para todos os seres humanos. Com direção competente e uma montagem dinâmica, as idas e vindas do passado de Dirie deixam o filme envolvente e, como grande trunfo, não é apelativo. A história deve ser vista, mas é importante alertar que é uma história muito forte e que pode deixar até a mulher mais durona do mundo com certo pesar e dor.
Uma lição de vida.

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Reflexões de um Liquidificador



Nome Original: Reflexões de um Liquidificador
Diretor: André Klotzel
Ano: 2010
País: Brasil
Elenco: Ana Lucia Torre, Germano Haiut, Fabiula Nascimento, Marcos Cesana, Gorete Milagres e Selton Mello.
Sem Prêmio.

Reflexões de um Liquidificador (2010) on IMDb


O cinema brasileiro se supera a cada ano. Os roteiristas estão numa fase criativa ao máximo, sem se importar com as convenções banais do cinema comercial. Há uma vivacidade, um frescor que dá ânimo a se arriscar a ver tudo o que é produzido por nossas terras. Claro que há aquelas produções clichês, comédias globais e pseudodocumentários ininteligíveis, mas dentro do todo, há muita inteligência e capacidade. O cinema brasileiro merece ser mais visto, mais aprofundado. “Reflexões de um Liquidificador” é um desses filmes que se você ler a sinopse dirá: “Pelo amor de Deus, quem é que pensou numa merda dessas”. Sim, tem tudo para ser um filme tosco, não é e está longe de ser.

Elvira é daquelas típicas senhorinhas donas de casa. Aquela vizinha que é comum em bairros residenciais da cidade de São Paulo. Ela pode até ser sua avó. Adora cozinhar, vive de conversa com as vizinhas, com o carteiro, sabe tudo de todo mundo, mas nem lhe diga que é fofoqueira. Uma vida dedicada ao marido, à casa, ao trabalho e ao comercio que eles tocavam: uma modesta casa de sucos. Quando eles decidem fechar o negócio apenas o liquidificador sobra para a casa. A situação aperta e o marido, Sr. Onofre, vira vigia noturno e Elvira, que tinha um hobby aprendido com o pai na adolescência, volta a fazê-lo para tirar um dinheirinho e para passar as tardes: a taxidermia. Empalhar animais não é das maiores diversões.

Temos um corte no tempo e percebemos que o Sr. Onofre some e apenas vemos a pobre viúva solitária. Solitária uma ova. O liquidificador da antiga frutaria torna-se uma grande companhia. Bom de papo, o eletrodoméstico é o melhor amigo que um homem pode ter. Após o sumiço repentino do marido, tudo o que sabemos é que seus amigos e vizinhos a tem com muito carinho, sempre perguntando se ele voltou. Não voltará. O liquidificador que o diga.


Uma idéia simples, porém louca. André Klotzel usa e abusa de um humor que estamos pouco acostumados a ver na tela. Tem um “quê” de “É Proibido Fumar”, mas alcança um resultado ainda melhor do que o filme de Anna Muylaert. Maria Lucia Torre é um “monstro” na tela e é muito pouco usada no nosso cinema. Merece as glorias pelo filme e mais papéis de impacto na telona. Todo elenco de apoio está em sintonia fina e faz com que nos aproximemos cada minuto mais das personagens e da trama. Selton Mello nem aparece e dá show como habitual. “Reflexões de um Liquidificador” vem para mostrar que o cinema nacional não precisa de rótulos. 

Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

007 - Operação Skyfall


Título Original: Skyfall
Diretor: Sam Mendes
Ano: 2012
País: Reino Unido e EUA
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Javier Bardem, Naomi Harris, Bérénice Marlohe, Ralph Fiennes e Ben Whishaw.
Sem Prêmio.

007 - Operação Skyfall (2012) on IMDb

O melhor dos 23. O melhor dos primeiros 50 anos.



Xingamentos dos saudosistas e urros de “exagerado” dos odiosos da franquia devem estar esquentando minhas orelhas, mas em minha opinião “Operação Skyfall” é o mais completo dos filmes de James Bond. Tem elementos para todos os gostos explosões de casarões, incontáveis mortes, perseguições inenarráveis belas mulheres, carrões invocados, mas por trás de todos os clichês bondianos há um drama profundo e humano. Desde que Daniel Craig assumiu o papel principal os filmes ganharam em realismo e sensibilidade, algo que criou um novo público do já outrora ultrapassado agente. Há um momento no filme que Bond descreve o seu hobby e este é o verdadeiro motivo para o atual sucesso: Ressurreição.

A vulnerabilidade do MI6 é questionada desde o começo da película, onde um chip com informações confidenciais são roubadas, Bond é considerado morto e um atentado ao prédio da inteligência inglesa é atacado, causando a morte de vários oficiais. M e a instituição são postas a cheque pelo Governo. Só alguém que já esteve muito próximo poderia saber tanto e tão bem os caminhos internos da instituição e de sua comandante. Alguém que já esteve muito perto: Raoul Silva, ex-queridinho de M. Os seus pecados do passado são sempre relembrados para que Emma remoa suas decisões para tentar encontrar o responsável. Bond renasce para salvar sua superior, a instituição, seu país. 


A perseguição inicial é ótima, mas não supera a de “Cassino Royale”. A música de Adele é maravilhosa. As imagens de luta com vidros e luminosos em Xangai são uma ejaculação de beleza visual. Um elenco de apoio espetacular com méritos para Judi Dench e Ralph Fiennes, que assume papel importante nos próximos filmes. Nem preciso falar sobre Craig. Ah, preciso falar de Bardem? Não, é chover no molhado. O único ponto que poderia ter melhor aproveitamento é a Bond Girl: papel (se é que é possível imaginar isso) descartável. Bela, mas sem sal. Mas esse é o único mas. Skyfall é de um ritmo empolgante.

Sam Mendes é conhecido e reverenciado por ser um cineasta autoral e grande relator de dramas de relacionamentos como “Beleza Americana” e “Foi Apenas um Sonho”. Como um autor dessa profundidade faria algo para Bond? Apenas relatando o que ele sabe fazer de melhor. Entrar de cabeça no relacionamento de M, o Governo, seu escolhido e seu passado nos aproxima da realidade ao percebermos que todos – de M ao agente 00 - são falíveis. As relações entre mãe e filho transcendem. Javier Bardem é definitivamente um camaleão, mas a carapuça de vilão/psicopata lhe cabe muito bem. Não está melhor do que “Onde os Fracos não tem Vez”, mas está sublime. Skyfall definitivamente colocará os filmes do agente num nível além da diversão pura. Skyfall tem tudo para voltar a ser lembrado pela Academia. Skyfall determina que Daniel Craig é o melhor Bond de todos os tempos. Skyfall é o melhor filme dos 23. Bond ressuscitou.


Stefano, Vitor Stefano
Sessões
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