sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dossiê Iñarritu

O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu tem uma carreira curta porém meteórica. Hoje certamente é um dos melhores diretores da nova geração do país abaixo dos ianques, ao lado de Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro. O trio é dono da produtora mexicana Cha-Cha-Cha.

Iñarritu começou profissionalmente como DJ em uma emissora de rádio, influência para a composição de trilhas sonoras para filmes mexicanos. Estudou cinema e em 1990 já era encarregado de produção da televisão Televisa.

No cinema, teve um grande companheiro. O roteirista Guillermo Arriaga. Juntos criaram 11 curtas metragens para mostrar o lado obscuro da Cidade do México. Dessa parceria surgiria o primeiro longa - Amores Brutos. O sucesso foi enorme, vários prêmios mundo afora (como o Melhor Filme da Semana pela Crítica do Festival de Cannes) e concorrência pelo Oscar de Melhor Filme de Lingua Não Inglesa. A união de 3 histórias independentes, de rinhas de cachorros, a vida de uma modelo e um mendigo, que em um determinado ponto se unem, deixando marcas que jamais curarão. No elenco Gael Garcia Bernal, Vanessa Bauche, Goya Toledo e Emilio Echevarría. Um filme forte, impactante e odioso para quem ama os animais acima dos humanos.

Esse filme o creditou a alçar novos voos. Após o grande sucesso, foi convidado em 2001 para dirigir um curta metragem para um projeto da BMW de 8 curtas com diretores consagrados e estrelado por Clive Owen. Ele dirigiu o 5º episódio, Powder Keg. Veja abaixo:


Acompanhe todos os ótimos curtas do projeto:
1 - Ambush - John Frankenheimer
2 - Chosen - Ang Lee
3 - The Follow - Wong Kar Wai
4 - Star - Guy Ritchie
6 - Hostage - John Woo
7 - Ticker - Joe Carnahan
8 - Beat The Devil - Tony Scott

O segundo longa metragem, ao meu ver o melhor, é 21 Gramas. Um elenco de primeirissima linha com atuações antológicas de dois dos melhores atores em atuação na atualidade, Sean Penn e Benício del Toro e a bela Naomi Watts, de Cidade dos Sonhos. Outra parceria com Arriaga. Segue a mesma linha de Amores Brutos, histórias desconexas que em certo momento se encontram, porém dessa vez a narrativa não tem sequência cronológica, tornando a película ainda mais intrigante e angustiante. O tema mais abordado no filme é sobre drogas, tornando todos os outros assuntos apenas anexos. Esse filme seria o motivo do rompimento entre Iñarritu e Arriaga, que discutiriam pela colaboração na direção do filme, porém só após o fim da trilogia a bomba estouraria.

Babel finaliza a melhor trilogia assequencial desde a Trilogia das Cores de Kieślowski, a Trilogia da Morte. Neste as histórias se passam em 3 cantos do mundo. México, Marrocos e Japão. Outro elenco estelar com Brad Pitt, Cate Blanchet e novamente Gael Garcia Bernal. O filme é o mais complexo dos 3, pois a conexão das histórias se dá de modo surreal. Seguindo o filme anterior, a narrativa é fora de sequência, situando as situações mais absurdas parecerem na casa vizinha. Problemas para atravessar a fronteira entre EU e México, terrorismo inconsciente, vida de uma surdo-muda e mundo das armas são os diferentes núcleos do filme. O filme foi agraciado pela crítica com a premiação do diretor em Cannes, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama e Oscar de Melhor Trilha Sonora. Talvez o menos melhor dos três, porém a força da trilogia agraciou o último a ser premiado em vários dos festivais.

Dramáticos e com narrativa peculiar, os filmes de Alejandro González Iñarritu o credenciam para o sucesso em novos projetos. Agora, sem a companhia de seu parceiro, mas é certo que talento o mexicano tem. Esperemos por 'Biutiful', com Javier Bardem.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sessões Promoção

PROMOÇÃO ENCERRADA


“Nos meus cinemas vem-se filmes de Lars Von Trier, Ingmar Bergman, Gonzáles Iñárritu, Pedro Almodóvar, Akira Kurosawa, Coppola, Tarantino, Tarkovski e Welles.”

Universo Paulistano II.


Durante o mês de Janeiro a Editora Andross elaborou uma antologia de textos sobre São Paulo escrito por paulistanos em início de carreira literária.

O sócio do sessões Fernando Moreira dos Santos teve um texto seu publicado e está sorteando 3 exemplares do livro para as três frases mais criativas relacionando São Paulo ao Cinema.

Capriche e envie sua frase para sessoesdecinema@gmail.com*
A promoção é válida até o dia 28/02/2010 em que ocorrera a avaliação e a postagem no site das frases vencedoras.**
*Serão consideradas para seleção dos vencedores apenas as frases enviadas no e-mail citado acima. Porém. comentários também são muito bem vindo e aguardados pela equipe.
**Os custos de envio serão arcados pela equipe do Sessões.


Equipe Sessões

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sessões Dupla: Música para os Olhos e Meu Tempo é Hoje

Título original: Cartola
Ano: 2006 (Lançamento, Brasil)
Direção: Lírio Ferreira , Hilton Lacerda
Gênero: Documentário
Cartola - Música Para os Olhos (Video 2007) on IMDb

Título original: Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje
Ano: 2003 (Lançamento, Brasil)
Direção: Izabel Jaguaribe
Gênero: Documentário
Paulinho da Viola - Meu Tempo É Hoje (2004) on IMDb

A verdade do samba era uma remota lembrança de infância, interrompida por uma curta e cambaleante adolescência de um universo musical composto só e tão somente de heavy metal e afins.

Sem as certezas vitalícias da adolescência e toda a incerteza momentânea da vida adulta, deixei com que a remota lembrança tomasse forma em meus gostos. Reabri um baú de tantos compositores que conhecia só de nome, os quais a citação aqui não se faz necessária. Encontrar estes personagens da nossa música foi a experiência de me deparar com tipos e estereótipos dos mais capciosos e procurar entender (com as incertezas do adulto) o que seria uma identidade brasileira e os sentimentos e sentimentalismos que nos fazem brasileiros e humanos.

Dia destes perguntaram se eu tinha algum ídolo e não soube responder, pois bem continuo sem saber responder, mas um dia queria chegar a ser tão simples e belo como Cartola ou Paulinho da Viola. Duas figuras únicas no samba e na vida que me motivam a continuar investigando e cada vez mais gostando desta história de ser humano.

Embora diferentes na vida e em suas merecidas homenagens feitas pelo cinema. Não há que se deixar de notar a simplicidade, informalidade e sutileza em todas as dimensões.

"Preste atenção, querida..."


"Cada um trata de si..."


"O mundo é um moinho... e meu coração se deixou levar..."

Leandro Antonio
Sessões

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Caramelo

Nome Original: Sukkar banat
Diretor: Nadine Labaki
Ano: 2007
País: Líbano e França
Elenco: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Adel Karam.
Prêmios: Vencedor do Prêmio da Audiência, Juri Jovem e Prêmio Sebastian do Festival de San Sebastián.
Caramelo (2007) on IMDb


Nadine Labaki conseguiu em sua atuação e direção, mostrar que a mulher nos países árabes estão conquistando seu lugar ao sol. Obviamente no Líbano há uma maior abertura para a liberdade da mulher, em comparado ao Emirados Árabes ou Iraque, porém, o aflorescer do sexo frágil, mesmo que a passos de tartaruga, parece cada vez mais atual num mundo atrasado. Layale não teve que tirar a burca como Marjane Satrapi em Persépolis, porém ela demonstrou que a beleza e o poder de escolha (mesmo que seja secreto), está em suas mãos.

No salão de cabelereiro Si Belle, há mulheres de todo tipo. Layale vive um romance secreto e sonha em casar, Nisrine está prestes a casar e está apavorada, Rima tem sua predileção por pessoas do mesmo sexo e Jamele que é a mais velha de todas e não suporta o peso da idade. Além de Rose que vive na mesma região do salão e vive com sua irmã. Como em todos os salões de beleza os assuntos são os mais variados, mas os prediletos são: sexo, amor e homens.

Percebe-se que dentro do salão há uma liberdade para pensamentos e conversas que ao sair daquela porta, não poderão ser reproduzidos, medo da opressão. As mulheres são uma no salão e outra em vossas casas. Ainda persistem alguns costumes tradicionalistas nas famílias, que passam de geração pra geração. A realidade das mulheres é: Labaki vive uma relação secreta com um homem casado, e sonha com a separação para contrair matrimônio com o mesmo. Coisa que ela sabe que não acontecerá, mas ela não quer ver. Nisrine, a noiva, não é mais virgem e o apavoramento é por conta disso. Quaisquer medidas serão tomadas para não parecer uma mulher rodada. Jamele que não suporta o peso da idade e ainda vive um conto de fadas, onde espera seu príncipe chegar. Porém, a cena mais tocante é a de Rose, preparando-se para um encontro com um senhor que está apaixonado por ela, e deixa de ir por conta de sua irmã, que precisa de cuidados especiais. É uma lindo e triste a abdicação da vida para cuidar de quem precisa. Tudo pode parecer dramático, porém a direção consegue aliviar as relações dramáticas em um filme feminista e lindo.

'Caramelo' prova que apesar das dificuldades a vida pode ser muito mais suave do que se imagina. Mas também percebe-se que apesar do doce, a dor pode ser grande. Uma linda homenagem às mulheres de todo o mundo.

Vitor Stefano
Sessões

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Onde Vivem os Monstros

Nome Original: Where The Wild Things Are
Diretor: Spike Jonze
Ano: 2009
País: EUA
Elenco: Max Records e Catherine Keener . Vozes de James Gandolfi, Paul Dano, Forest Whitaker e Catherine O'Hara
Sem Prêmios
Onde Vivem os Monstros (2009) on IMDb


Spike Jonze é um dos diretores mais psicodélicos de sua geração. Só por seus primeiros feitos como diretor 'Quero Ser John Malkovich' e 'Adaptação' já temos certa noção do que o rapaz é capaz de fazer. 'Onde vivem os Monstros' certamente é seu filme mais "normal", mas o normal de Jonze é totalmente maluco pros normais. Classificado erroneamente como um filme infantil, os monstros não são para encantar ou para divertir. O diretor age como Deus e cria os monstros mais humanos já existentes.

O pequeno e criativo Max vive uma idade difícil, rebelde, onde é rejeitado pela irmã e tem ciumes da mãe. Só extravasando para acalmar, porém em uma das birras foge de casa e chega a uma ilha, após uma travessia angustiante e linda de se ver. Lá avista seres estranhos, grandes e desengonçados. Monstros a primeira vista. Mas Max também está parecendo tal, vestindo uma fantasia de lobo. Infinitamente menor do que os outros, tornar-se-ia presa fácil, não fosse o petit-comité com os moradores da região. Como um político de muitos anos de carreira e muitas contas nas Ilhas Caiman, oferece mundos e fundos e torna-se Rei. Um rei de habitantes com as as mais diversas características. Há os depressivos, os egocêntricos, os quietos, os falantes, como uma sociedade normal. E nada melhor do que um lider para comandar pessoas tão diferentes.



Aí começa o filme e as coincidências com Dogville, de Lars von Trier. Assim como Grace, Max chega e consegue unir o grupo e trabalharem juntos para o bem maior, onde a felicidade geral é o que mais importa. Ele consegue criar empatia do grupo, que passa a confiar nele cada vez mais. Tudo fica organizado. A construção de um forte é sua maior conquista no poder, do político Max. Ele com o tempo vai criando empatia por todos, conhecendo o território que lhe pertence, em cenas belíssimas dentro da floresta ou pelo deserto.

Porém, tal qual o filme do dinamarques, nem tudo são flores. Certas atitudes de Max aborrecem Carol, o mais egocêntrico dos residentes, aí, começa o caos. Não, Max não coloca fogo na floresta para exterminar os moradores, porém, assim como Grace, ele perde o controle do grupo, que o ameaça e abandonam. Não haverá vingança, só arrependimento. Certo de que criou afeto e amor por tudo aquilo sabe o momento de abdicar do trono e do cetro. Max vai embora e deixa saudades para os afetuosos seres. Parecem seres humanos travestidos de monstros. Talvez nós sejamos os verdadeiros monstros e mereçamos ser queimados, como em Dogville. Emocionante a despedida, digno de humanos, ou melhor, indigno. E se você vai ver 'Onde Vivem Os Monstros', não leve seu filho, leve sua alma pois você descobrirá que nós somos os monstros, e vivem aqui no planeta Terra.

Spike Jonze consegue aliar o imaginário com a vida real, mas ao seu modo. Com uma bagagem enorme na direção de videoclipes e de músicos alternativos, como: Beatie Boys, Sonic Youth, Weezer, Fatboy Slim, não se pode esperar normalidade de um ser que dirige a espetacular Björk ('Dançando no Escuro' do já citado Lars von Trier). Veja o clipe da ótima cantora islandesa dirigido pelo cineasta.


Jonze supera as espectativas a cada novo trabalho. Agora é esperar a próxima investida do geninho psicodélico.

Vitor Stefano
Sessões

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sessões entrevista Paulo Halm

Paulo Halm, carioca de 1962, formado pela Universidade Federal Fluminense, é conhecido por seu vasto curriculo em roteiros, principalmente nos filmes 'A Maldição do Sanpaku' (1992), 'Quem matou Pixote?' (1996), 'Pequeno Dicionário Amoroso' (1997) e 'Amores Possíveis' (2000). Com o roteiro de Olhos Azuis (2009) lhe valeu o Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Paulínia. Neste ano estreia na direção de longa metragens com 'Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos', com Caio Blat e Maria Ribeiro. Veja a entrevista, que também encontra-se no site do filme http://historiasdeamorofilme.com.br/ , deste gênio do roteiro e desbravador da arte de dirigir, Paulo Halm.



Sessões - Como foi a transição de roteirista consagrado para diretor iniciante?
Paulo Halm - Dirigir é um projeto anterior à minha formação como roteirista. Sou formado em cinema pela UFF, e desde os primeiros momentos da faculdade eu perseguia a direção, dirigi e co-dirigi alguns filmes. Virar roteirista foi uma forma de me profissionalizar em cinema, pois desde sempre entendi que precisaria ter uma atividade que me sustentasse. Sou oriundo de uma familia de classe media baixa suburbana e desde jovem tive claro a questão de sobrevivência. Como eu sempre escrevi e, segundo diziam, bem, entendi que o roteiro seria o campo ideal para trabalhar. Mas eu exerci várias funções em filmes, antes de me firmar como roteirista: fui assistente de produção, assistente de direção, ralei muito em set. E paralelamente à minha carreira como roteirista nunca abandonei a perspectiva de dirigir, aliás, realizei uns oito curtas metragens, muitos deles premiados no Brasil e no exterior, fiz documentários para televisão, etc. De modo que não foi nem por acaso nem inesperado realizar um longa. Por outro lado, a grande dificuldade foi conseguir escrever um projeto para mim mesmo. O trabalho como roteirista escrevendo para terceiros acabava me concentrando muito tempo e cabeça e eu não tinha projeto. O engraçado ( e dramático ) nessa história é que invariavelmente os roteiros que eu escrevia ganhavam premios, editais, viravam filmes e eu não tinha como concorrer, não tinha o meu projeto, daí ficava com aquela invejinha: poxa, também quero. Mas aí o "também quero" virou o "também posso". Eu sentia que tinha competencia e experiencia para fazer meu proprio longa. Até que fiquei um período desempregado e aproveitei para me dedicar aos meus projetos pessoais. Numa só tacada eu escrevi tres projetos, entre eles o roteiro do Histórias de Amor duram apenas 90 minutos. Graças ao meu trabalho como roteirista eu conheci a Heloisa Rezende, que havia produzido vários roteiros que eu tinha escrito, como Achados e Perdidos e Casa da mãe Joana. A Helô era e é uma das mais requisitadas produtoras executivas do Brasil, mas há tempos ela estava querendo produzir um filme dela, pela sua propria produtora. Ela sabia do meu desejo em dirigir um longa e me propôs uma sociedade. Ela produziria e eu dirigiria. Ela leu o roteiro do Histórias e se encantou, decidiu produzí-lo. Então ela começou a correr atrás dos recursos e finalmente o filme foi realizado. Foi uma experiência ótima porque, apesar de sermos ambos estreantes, éramos dois profissionais veteranos e qualificados, de modo que tudo deu certo e foi feito sem sobressaltos, com calma, de forma bem agradável. Mas o fato de dirigir um longa ( e outros, já estou preparando meu novo longa que espero rodar no proximo semestre ) não significa que abandonei a carreira como roteirista, tanto que, desde que terminei as filmagens do Histórias já escrevi tres roteiros. Minha intenção é manter ambas carreiras.

S - Pelo que pude observar nos trailers e trechos de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos e percebe-se um que de Almodóvar. Cores fortes e não conseguir definir de qual gênero o filme é, vai de drama a comédia. Está certa essa inspiração ou é por acaso?
P.H. - Se vc vir o filme, talvez até ache outras semelhanças com o Almodovar, que é um cineasta que eu gosto, mas que não é minha referencia. Da mesma forma que muita gente vê coisas do Woody Allen no filme. Aliás, o filme não tem cores fortes, ao contrário, nossa palheta de cores se aproxima mais de tons pastéis, esmaecidos, pálidos. Nossa referencia ( minha como diretor, e em consonância com o diretor de fotografia Nonato Estrela e a diretora de arte, Renata Pinheiro ) foi uma fotografa chamada Nan Goldin, que justamente trabalha com essa tonalidade. Buscamos também criar um visual que remetesse à novelle vague, algo meio cool, blasé mesmo. A questão do filme transitar da comédia pro drama e vice-e-versa é anterior ao Almodovar, penso que ela tem mais a ver com Billy Wilder e com Jean Renoir, cujos filmes jogavam muito com a capacidade de emocionar e divertir (vide se meu apartamento falasse ou Stalag 17, de Wilder ou A regra do Jogo e a grande ilusão, de Renoir). Na verdade, não acho que um filme tenha que ser engessado num unico gênero, acho que, da mesma forma que a vida, um flme deva ter momentos divertidos e momentos densos, nada impede isso, pelo contrário, deve se buscar essa alternância pois ela traduz mais fielmente a vida.

S - Como foi dirigir Caio Blat, um dos melhores ator brasileiros dessa geração e um dos que mais atue no nosso cinema?
P.H. - O Caio é sem duvida o melhor e mais completo ator da geração dele, além de ser uma pessoa inteligente e super camarada, companheiro. Escolhi o Caio pelo seu talento e também por ser o ator com a idade mais proxima do personagem, beirando os 30 anos. Curioso que este foi o primeiro papel adulto que o Caio fez. Pela sua compleixão fisica e pelo aspecto jovial, acaba que o Caio é escalado sempre para fazer papeis de garotos, de quase adolescentes. No Histórias ele faz um homem com dificuldades em amadurecer, que se apega desesperadamente a uma juventude que vai lhe escapando dos dedos, é um personagem em crise existencial. E ele se entrega ao personagem com uma dedicação e carinho extraordinários. Sua performance é arrebatadora. Penso que 50% do trabalho de um diretor seja escolher bem o seu elenco. O personagem é construído no roteiro, mas por melhor que seja o roteiro, é só um arcabouço, um esboço, é uma coisa idealizada. O ator traz suas experiências, suas vivências, preenche as lacunas do personagem, o transforma num ser humano, real. A construção do Zeca pelo Caio é uma aula de interpretação, É toda contida, baseada em pequenos gestos, pequenos toques, e principalmente, pela força do olhar. O jeito como ele olha a cena, os demais atores, a si proprio, é brilhante. É um grande ator e eu tive muita sorte de poder contar com ele no meu filme de estréia.

S - Como você vê a Lei Rouanet e a escolha dos projetos agraciados com incentivos governamentais?
P.H. - Vc está fazendo uma pequena confusão. A Lei Rouanet não contempla o cinema. O audiovisual é mantido por mecanismos de incentivo da chamada Lei do Audiovisual, com suas diferentes formas de renuncia fiscal. Nosso filme foi produzido com recursos oriundos do Programa cultural da Petrobras e com apoio do fundo Ibermedia, que é uma agencia de fomento que contempla projetos de países ibero-americanos. Posteriormente, já na fase de finalização, fomos agraciados com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, da Ancine-Finep. Ou seja, é um filme se não integral mas majoritariamente produzido com recusos publicos. Obviamente eu defendo esse sistema. Entendo o cinema, como as demais artes, parte essencial da formação da identidade nacional e que faz parte da estratégia de nossa afirmação como país e nação. Deve ser entendido como objeto de políticas publicas do Estado, da mesma forma que a educação. Além disso, é uma atividade que gera renda, emprega milhares de pessoas, tanto na produção como nas areas de distribuição e exibição, portanto é uma atividade econômica fundamental que também deve ser alvo de políticas públicas, da mesma forma que a industria, a agricultura e outras areas da nossa economia que recebem e sempre receberam insumos e incentivos governamentais.

S - Como se forma um grande roteirista?
P.H. - Falando sobre minha formação, disse que eu desde sempre escrevia, e de acordo com as criticas, escrevia bem, daí buscar nas areas que formam a atividade cinematográfica aquela que eu pudesse atuar com maior facilidade. Mas é preciso que se entenda que o roteirista não é um escritor. O seu trabalho, ainda que se utilize de recursos literários, não é produzir uma obra literaria, e sim, através desses recursos, construir um produto audiovisual, onde o texto não possui tanta relevancia. Daí eu falar sempre que o roterista não é um escritor, e sim um cineasta - só que a sua participação se dá num momento em que o filme existe apenas no papel. Mas o roteiro não é uma produto em si, é parte de um processo que só termina e existe quando vira filme. Portanto, para se tornar um roteirista, é preciso conhecer e muito a linguagem cinematográfica. Entender de enquadramentos e de montagem, e tambem de produção. Não que um roteiro tenha que indicar tal ou qual lente, pelo contrário, nem deve. Mas o roteirista precisa recriar com palavras as imagens que posteriormente serão produzidas nas filmagens. Portanto, deve fazer parte da bagagem do roteirista um conhecimento muito grande de cinema, ver muitos filmes, estudá-los do ponto de vista de suas narrativas e da sua construção dramatúrgica. Ao mesmo tempo, tem que dominar a narrativa e portanto, ter um amplo conhecimento das formas narrativas anteriores ao cinema, no caso, a literatura e o teatro. E claro, escrevendo muito, e de preferencia bem ( por mais que isso possa soar contraditório com o que disse anteriormente ). Para escrever bem é preciso ler e muito. Recomendo sempre as pessoas que querem se aventurar na área do roteiro que vejam muitos filmes, de preferência nacionais, e leiam os clássicos. Mas também quadrinhos e poesia. E musica e pintura. E fotografia...

Agradecemos a entrevista com um dos maiores roteirista do nosso cinema, Paulo Halm. Vejam agora o trailer de sua primeira produção como diretor que estéia nos cinemas dia 26 de fevereiro, 'Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos'.
Equipe do Sessões

Guerra ao Terror

Nome Original: The Hurt Locker
Direção:Kathrin Bigelow
Ano: 2008
País: EUA
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearse.
Prêmios: Oscar de Melhor Filme, Diretor, Edição, Edição de Som, Mixagem de Som e Roteiro Original e Bafta de Melhor Filme, Diretor, Edição, Roteiro Original, Fotografia e Som.
Guerra ao Terror (2008) on IMDb


"A guerra vicia” este é o lema do filme da diretora Kathryn Bigelow que está concorrendo a noves estatuetas da premiação mundial do cinema. O filme centra-se na missão de soldados americanos no Iraque cuja função é desativar bombas e homens-bombas que contestam a presença e a intervenção yankee no oriente médio.

Após a morte do sargento em uma explosão. O substituto especialista em bomba inicia seu trabalho com o grupo. O Sargento James possui métodos pouco ortodoxos de desativar uma bomba. Com efeito, ele não demonstra nenhum medo pela morte mas além disso James chega a desenvolver um certo apetite pelo perigo.A adrenalina,as situações limites misturam-se com uma certa alienação sobre o motivo da guerra e seu sentido.

Temos um filme em que se privilegia o tratamento psicológico da realidade da guerra. Com efeito, não há menção à High Politics, nem à conluios internacionais entre países,nem preocupações com as razões que levaram os americanos a invadir o Iraque. Há, sim, e isso é proposital, um ambiente cuja aridez sufoca,o calor, irrita; e a vida parece adquirir um caráter de niilismo medonho. Não há arquitetura, não há casas, não há construções,somente destruição, pobreza e ingovernabilidade. Na saga sem sentido dos três soldados vivemos momentos dramáticos como quando são pegos em uma emboscada ou quando o Soldado Sanborn escapa com vida de uma encurralada.


Uma questão relevante é estabelecer até que ponto a escolha do (The Hurt Locker) pode ser entendida como uma homenagem à crítica da diretora à política para o oriente médio dos EUA ou, de outra lado, a escolha não significa nada mais do que um conflito entre ex-marido e mulher. Não se pode dizer com precisão o que motivou a escolha do filme para as categorias do Oscar. Fato é que o filme, por si só, pouco impacto causou na opinião pública norte americana. Talvez porque como sempre mostra preponderantemente a idéia americana de mundo.

Fernando Moreira dos Santos
Sessões de cinema

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Preciosa

Nome Original: Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
Diretor: Lee Daniels
Ano: 2009
País: EUA
Elenco: Gabourey Sibide, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Sherri Shepherd, Lenny Kravitz.
Prêmios: Oscar e Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Mo'Nique) . Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
Preciosa - Uma História de Esperança (2009) on IMDb

1987. Harlem. A vida de Claireece Precious não é nada preciosa. Gorda, negra, grávida do segundo filho e o seu pai é o pai de seus filhos. Sua primeira filha tem Síndrome de Down e sua mãe, Mary, só se interessa por seus netos por conta do auxílio recebido da prefeitura. Do mais, Claireece é um fardo, um peso, uma inútil. Abusada pelo pai e rejeitada pela mãe, Precious só quer saber de encontrar seu rumo de vida, para deixar de sofrer e finalmente ser parida para a vida. Mas como? A tentativa é, contra gosto de sua mãe, em um instituto de ensino para pessoas especiais. Lá encontram-se ex-viciadas, imigrantes ilegais, pessoas rejeitadas. Talvez seja o lugar perfeito para ela. Lá encontra-se além das 'problemáticas', Ms. Rain, a professora é a pessoa mais preciosa que já apareceu na vida da mocinha de 16 anos.



O filme vai do maior drama para sonhos da jovem Precious. Sonhos que certamente jamais serão realizados, não no mundo real. Há elementos que parecem os devaneios do personagem principal do seriado Everybody hates Chris, de Chris Rock, porém sem o humor característico. Para Clareece não há nenhum motivo para sorrir, mas ela jamais deixou de sonhar uma vida digna e com as pessoas mais preciosas de sua vida, seus filhos.

É uma linda história de superação onde o nome Preciosa lhe cabe pela força de vontade que vem, não se sabe de onde, para alcançar seus objetivos. A mãe tem papel fundamental em sua vida - ela é a responsável por tanta força, após tanto mal trato. Gabourey Sibide assusta por seu tamanho e pelo tamanho do sofrimento de sua personagem. Bela atuação. A personagem de Mo'Nique me parece uma das piores personagens do cinema atual. Ela consegue causar paúra e nojo no espectador. O filme no geral, parece-me um pouco inconsistente, cheio de caricaturas, mas tendo na personagem Mary seu grande ápice. É um filme de uma grande história, mas parece-me uma obra de uma grande atuação, como foi para Charlize Theron em 'Monster'. Certamente Mo'Nique merece todo reconhecimento por sua precisa e preciosa atuação, mas o filme não teria tal dimensão, não fosse a força de Oprah Winfrey.

Uma trilha sonora preciosa, que poderia dar um toque a mais para o filme - Precious do Depeche Mode.


Precious and fragile things
Need special handling
My God, what have we done to you?

We always tried to share
The tenderest of care
Now look what we have put you through.

Things get damaged,
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle
There was so little left to give...

Angels with silver wings
Shouldn't know suffering
I wish I could take the pain for you.

If God has a masterplan
That only he understands
I hope it's your eyes he's seeing through.

Things get damaged,
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle
There was so little left to give...

I pray you learn to trust
Have faith in both of us
And keep room in your heart for two.

Things get damaged,
Things get broken
I thought we'd manage
But words left unspoken
Left us so brittle
There was so little left to give...

Vitor Stefano
Sessões

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Não Se Preocupe, Estou Bem!

Nome Original: Je vais bien, ne t'en fais pas
Diretor: Philippe Lioret
Ano: 2006
País: França
Elenco: Mélanie Laurent, Kad Merad, Julien Boisselier e Isabelle Renauld
Prêmios: César para Melhor Ator Coadjuvante (Kad Merad) e Atriz Mais Promissora (Mélanie Laurent).
Je vais bien, ne t'en fais pas (2006) on IMDb

Talvez o maior mal do ser humano é o medo do sofrimento. Ou de causá-lo.


"Lili
Dê outro rumo ao seu mundo imaginário
Por favor, deixe as drogas pra lá
Você vai ver que pode respirar sem recaídas
Você tem muito que aprender
Em qualquer rua, a qualquer momento
Em algum lugar que nunca esteve
Serei seu guia
Lili, você sabe que há um lugar
Para pessoas como nós
O mesmo sangue corre em nosssas veias
Saiba que não são as asas que fazem um anjo
Tire essa loucura da sua cabeça
Em qualquer rua, a qualquer momento
Em algum lugar que nunca esteve
Serei seu guia"
(AaRON - U-Turn(Lili))

O filme é simples, seco e duro, que tem em seu fim um corte que parece uma faca entrando pelas costas. Letal porém sem dor. Lili retorna de Barcelona, após um mês, e depara-se com o desaparecimento de seu irmão gêmeo. Ao menos, é o que ela sabe. Após uma briga com o pai, ele decidiu abandonar a casa. Os pais parecem calmos e conformados, pois ao que parece, ele sempre foi o filho rebelde. Lili, que é muito apegada ao irmão, sofre com a ausência. Seu melhor amigo, seu confidente, seu porto seguro havia abandonado, sem deixar pistas. Esperando o pior, Lili parece que foi atingida por uma bomba que lhe tirou os braços, as pernas, a vida. Não há mais nenhum ânimo para seguir em frente. Lili pára de se alimentar e é internada em uma clínica de reabilitação mental.

Só após o recebimento de um cartão postal de seu irmão, acontece a ressureição. Alimentada pela certeza que seu irmão está bem, ela consegue seguir sua vida. Mas sua vida nunca mais seria a mesma, não sem ter seu Loïc por perto. A cada nova carta uma nova cidade, as mesmas críticas ao pai, o beijo à mãe e o amor à irmã. Problemas familiares estão cada vez mais comuns no cinema, especialmente no francês. Cada vez mais vê-se problemas entre relacionamentos entre pais e filhos e abismo entre as gerações. Tudo parece estar bem, ao menos é o que parece.

Será que esconder a verdade é o melhor modo de não magoar quem ama? Será que temos o direito de abster a verdade do outro, subentendendo o que será melhor ao outro? Não acredito. O ser humano é capaz de superar o sofrimento e as perdas, por mais doloroso que seja. Lili, você superaria, mas não se preocupe, Loïc está bem, esteja aonde estiver.



A vida é um mar de rosas, onde os espinhos estão fincados na areia, que os pés alcançam.

Vitor Stefano
Sessões

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Dossiê Tim Burton


Uma figura, no mínimo, exótica. Tim Burton exala escuridão e imaginação. Hoje esses elementos peculiares o credenciam como um dos mais renomados diretores do cinema. Teve grande inspiração nos sombrios livros de Edgar Alan Poe e na cinematografia de Vincent Price. Com uma bolsa de estudo foi aprender animação no maior estúdio desse gênero, a Disney, por onde foi contratado e iniciou sua brilhante carreira. Iniciou em 1982 com o curta-metragem em stop-motion 'Vincent', inspirado em seu ídolo. Veja o curta abaixo:


Os aspectos obscuros e sombrios, caracteristicos de sua carreira, já eram percebidos desde iniciante. E provava já ter talento. A partir desse curta realizado para a Disney, Burton deu continuação em sua carreira. O seu primeiro longa é um clássico da minha infância e de muitos da minha idade 'As Grandes Aventuras de Pee-Wee' estrelado por Paul Reubens onde encarna seu já famoso personagem Pee-Wee Herman, uma criança dentro de um adulto que passa por várias aventuras para encontrar a sua amada bicicleta. Bizarro e surreal. Só poderia ser Tim Burton. Já o segundo filme foi exatamente o que deu uma grande alavanca à sua carreira. 'Os Fantasmas se Divertem' consegue chegar ainda mais ao que se entende por mundo burtoninano, unindo comédia e terror a um estrelado elenco - Michael Keaton, Alec Baldwin, Geena Davis e Winona Ryder. O grande sucesso do filme credenciou o diretor a conquistar novos rumos na sua carreira.
O sucesso o credenciou à super produção de uma grande franquia: 'Batman' de 1989 e 'Batman -O Retorno' de 1992. Trouxe novamente à parceria com Michael Keaton, agora como Batman e Jack Nicholson como um fantástico Coringa. Após a nova franquia dirigida por Cristopher Nolan o Batman de Burton ficou defasado e a figura de Nicholson como Coringa, que parecia insuperavel, foi alcançada com uma performance letal de Heath Ledger em 'O Cavaleiro das Trevas'. Mesmo sofrendo muita ingerência do estúdio, conseguiu colocar um pouco de sua influência na franquia.

Entre os dois filmes da franquia, fez sua primeira obra-prima - 'Edward Mãos de Tesoura'. A primeira parceiria entre Burton e, o iniciante, Johnny Depp. Assim como Almodóvar com Penélope Cruz, Burton encontrou em Depp um parceiro perfeito para suas obras. 'Edward' é um filme totalmente surreal onde consegue mostrar o quanto o ser humano pode ser repulsivo e um homem com a deformação de tesouras no lugar das mãos pode ser mais humano que um humano. Filme estupidamente lindo sobre amor e o terror sobre o diferente. Um mundo de fantasias.

Após toda sua iniciação em animação, ele retorna como produtor de um dos seus clássicos pop - 'O Mundo Estranho de Jack'. A animação-musical foi dirigida por Henry Selick. Porém até hoje é reconhecidamente uma de suas maiores obras e um dos maiores sucessos entre o público, certamente pelo carismático Jack e sua amada Sally.

Retorna à direção em uma das obras mais sérias de sua carreira. É a cinebiografia de Edward Davis Wood Jr., 'Ed Wood', considerado o pior diretor de todos os tempos, a segunda parceria com Johnny Depp. Como o próprio biografado, o filme tem o seu ar trash. É um filme lindo, filmado em branco e preto e uma das mais premiadas obras de Burton. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes e os Oscars de Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau e de Melhor Maquiagem. No elenco também participam Bill Murray, Patricia Arquete e Sarah Jessica Parker.

Aí vem um momento de baixa na carreira do diretor. Escolhas erradas na direção das comédia-ficção 'Marte Ataca!' e a refilmagem de 'O Planeta dos Macacos'. Perdoem os que gostam desses filmes, mas prefiro pular esse lado obscuro (literalmente) da cinematografia de Burton. O renascimento vem com o ótimo 'Lenda do Cavaleiro sem Cabeça', de maravilhosa fotografia, uma história fantasiosa e com o seu parceiro inseparável, que rendeu o merecido Oscar de Melhor Direção de Arte.

Em 'Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas', Burton chega à sua segunda, e em minha opinião a maior, obra-prima. Com um elenco de primeira grandesa, como Ewan McGregor, Albert Finney, Helena Bohan Carter, Marion Cotillard e Steve Buscemi, entre outros. A história de Ed Bloom, o contador de histórias mescladas de lembranças do passado e fantasias criadas encantam a todos, menos seu filho. A mãe intercede e tenta aproximá-los onde o filho tentará desmembrar as verdades das histórias inventadas pelo pai. Um filme lindo, apaixonante, tocante. O menos obscuro dos filmes de Burton. Obra-Prima!

Nos últimos tempos fez uma encantadora animação em stop-motion, 'A Noiva Cadáver', que é outro sucesso de público. Nesse filme o contraste é fenomenal entre o mundo dos mortos (colorido) e o mundo dos vivos (em branco e preto). Também foi o responsável pela refilmagem de 'A Fantástica Fábrica de Chocolates' contando a história dos chocolates do Sr. Wonka. Depp fez o papel que foi no original feito genialmente por Gene Wilder. O filme ficou muito mais obscuro e não conseguiu chegar no mesmo nível do primeiro. Mas é uma experiência válida. O último filme lançado com direção de Tim Burton foi 'Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet', um músical - gênero não predileto de Burton - que foi ótimamente recebido pela crítica, no qual pela Academia foi pela segunda vez agraciado com o Oscar de Direção de Arte. É um banho de sangue e uma linda homenagem ao teatro. Também colaborou com a produção de '9 - A Salvação', animação que conta a história da Terra pós Apocalípse, onde os humanos foram dizimados.

Burton é obscuro, mas é essa característica que o credencia à um público fiel e apaixonado. Quanto mais obscuro, mais burtoniano. O que esperar de 'Alice no País das Maravilhas' aos olhos do diretor? Só vendo para saber. Sua carreira é acompanhada histéricamente por uma audiência enorme, que parecem até os companheiros Johnny Depp e sua esposa, Helena Bohan Carter, nunca o largarão. Cannes esse ano lhe credenciou como presidente do Juri e terá sua 'Alice...' na abertura do Festival mais classudo do cinema mundial. Uma homenagem mais do que merecida a esse diretor que é sinônimo de diversão inteligente salpicada de escuridão.



Vitor Stefano
Sessões

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Oscar 2010 - Candidatos


Os candidatos ao maior prêmio do cinema norte americano foram anunciados hoje, 02 de fevereiro. A festa será no dia 07 de março, direto do Kodak Theatre e terá transmissão ao vivo da TV brasileira. A festa será apresentada pelos atores Steve Martin e Alec Baldwin. Vejam a relação de candidatos de cada categoria, dê sua opinião sobre as escolhas da Academia e quais são as suas predileções (em negrito os vencedores):



Melhor Filme:

- Avatar
- Distrito 9
- Bastardos Inglórios
- Up - Altas Aventuras
- Preciosa
- Um Sonho Possível
- Educação
- Um Homem Sério


Melhor Diretor:

- James Cameron - Avatar
- Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
- Jason Reitman - Amor Sem Escalas
- Lee Daniels - Preciosa
- Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios


Melhor Ator:

- Jeff Bridges -Coração Louco
- George Clooney - Amor Sem Escalas
- Colin Firth - Direito de Amar
- Jeremy Renner -Guerra ao Terror
- Morgan Freeman - Invictus


Melhor Atriz:

- Gabourey Sibide - Preciosa
- Helen Mirren - The Last Station
- Sandra Bullock - Um Sonho Possível
- Carey Mulligan -Educação
- Meryl Streep - Julie & Julia


Melhor Ator Coadjuvante:

- Christoph Waltz -Bastardos Inglórios
- Woody Harrelson -O Mensageiro
- Matt Damon - Invictus
- Stanley Tucci -Um Olhar do Paraíso
- Christopher Plummer - The Last Station


Melhor Atriz Coadjuvante:

- Mo'Nique - Preciosa
- Maggie Gyllenhaal - Coração Louco
- Vera Farmiga -Amor Sem Escalas
- Anna Kendrick -Amor Sem Escalas
- Penélope Cruz - Nine

Melhor Roteiro Original:

- Up - Altas Aventuras
- Guerra ao Terror
- Bastardos Inglórios
- Um Homem Sério
- O Mensageiro

Melhor Roteiro Adaptado:

- Amor Sem Escalas
- Preciosa
- Distrito 9
- Educação
- In The Loop


Melhor Fotografia:

- Avatar
- Guerra ao Terror
- Bastardos Inglórios
- A Fita Branca
- Harry Potter e o Enigma do Príncipe


Melhor Edição:

- Avatar
- Distrito 9
- Preciosa
- Bastardos Inglórios
- Guerra ao Terror

Melhor Canção Original:

- 'Almost There' - A Princesa e o Sapo
- 'Down in New Orleans' - A Princesa e o Sapo
- 'Loin de Paname' - Paris 36
- 'Take it All' - Nine
- 'The Weary Kind' - Crazy Heart


Melhor Trilha Sonora Original:

- Avatar
- Guerra ao Terror
- Sherlock Holmes
- Up - Altas Aventuras
- O Fantástico Sr. Raposo

Melhor Filme de Língua Não Inglesa:


- A Fita Branca - Alemanha - Michael Haneke
- Ajami - Israel - Scandar Copt e Yaron Shani
- O Leite da Amargura - Peru - Claudia Llosa
- O Profeta - França - Jacques Audiard
- O Segredo do Seus Olhos - Argentina - Juan José Campanella

Melhor Filme de Animação:

- Up - Altas Aventuras
- Coraline e o Mundo Secreto
- O Fantástico Sr. Raposo
- Brendan et le secret de Kells
- A Princesa e o Sapo

Melhor Direção de Arte:

- Avatar
- Nine
- Sherlock Holmes
- The Young Victoria
- O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Melhor Figurino:

- Nine
- The Young Victoria
- Brilho de Uma Paixão
- Coco Antes de Chanel
- O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Melhor Maquiagem:

- Il Divo
- Star Trek
- The Young Victoria

Melhor Edição de Som:

- Avatar
- Guerra ao Terror
- Bastardos Inglórios
- Star Trek
- Up - Altas Aventuras


Melhor Mixagem de Som:

- Avatar
- Guerra ao Terror
- Bastardos Inglórios
- Star Trek
- Transformers 2: A Vingança dos Derrotados


Melhores Efeitos Especiais:

- Distrito 9
- Avatar
- Star Trek

Melhor Curta Metragem:


- The Door
- Instead of Abracadabra
- Kavi
- Miracle Fish
- The New Tenants


Melhor Curta Metragem de Animação:

- French Roast




- Granny O'Grimm's Sleeping Beauty




- La Dama y la Muerte



- Logorama



- A Matter of Loaf and Death


Melhor Documentário:

- Vjs de Bruma
- The Cove



- Food, Inc.
- The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
- Which Way Home


Melhor Documentário em Curta Metragem:

- China's Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Provice



- The Last Campaing of Governor Booth Gardner
- The Last Truck: Closing of a GM Plant
- Music by Prudence
- Rabbit à la Berlin

Agora vejamos o que os velinhos da Academia vão premiar. Nos últimos anos a maioria dos contemplados foram filmes de arte em contrapartida dos blockbusters, que eram unanimidade antigamente. Só dia 07 de março. Até lá, fiquem a vontade para comentar no Sessões.

Equipe do Sessões
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