quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quando o Tempo Cair

Nome original: Quando o Tempo Cair
Diretor: Selton Mello
Ano: 2006
País: Brasil
Elenco: Jorge Loredo, Alvaro Diniz e João Gabriel.
Prêmio: Marlin Azul para Jorge Loredo, por sua volta ao cinema após 28 anos, no 13º Vitória Cine Vídeo.



O tempo é cruel. Suas marcas irreparáveis, incalculáveis, imutáveis. Chega silencioso e antes que percebamos já sentimos seu peso, sua força estampada no corpo, nas marcas de expressão do rosto, nos pensamentos. Tudo é transformado a partir de uma chance, uma mudança. Ivan tem a esperança de sentir-se útil afasta os fantasmas da depressão, mas essa doença maldita afeta pessoas de todas as idades e dificilmente vai embora.

Ivan vê-se desafiado com a necessidade de sair de casa para sustentar filho e neto. A vida naquele pequeno apartamento é tão calma, quase mórbida. Ter um filho ‘amarrado’ à cama por conta de um trauma, uma tristeza imensa, uma doença, é revoltado a um pai que tudo quis dar à sua prole. Voltar ao mercado de trabalho após os 60 anos é uma tarefa quase impossível, resquícios da Revolução Industrial que busca quantidade e não qualidade. Os velhos são descartáveis, humilhados, peso aos olhos da sociedade e do Governo.

Muito do drama e da melancolia parece fazer parte do Selton Mello diretor. Aliás, muitos dizem que ele como ator tem muitos movimentos mecânicos, tiques e é perceptível que como diretor, a câmera trêmula, os closes longos, locais escuros além da dramaticidade, já fazem parte de seu arsenal. ‘Feliz Natal’ só veio reafirmar essas características, que parecem inerentes ao ator/diretor. Tocante, poético e reflexivo. É assim Selton Mello por trás das câmeras.

Ponto alto e destaque para a atuação de Jorge Loredo, que estamos acostumados a ver como ‘Zé Bonitinho’ e que o diretor fez questão de incluí-lo no mundo cinematográfico novamente. Ivan de Jorge carrega em seu rosto cansaço, rugas e tristeza que acalenta e abrilhanta o curta. Dá vida mesmo quase morto. Um palhaço na vida real, a tristeza corrói a alma, mas nunca deixa a esperança morrer.


“Palhaço
Posso eu palhaço que sou...
Chorar?” (Myrian Benatti)

Chore.

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Tocante, dramático e triste. Selton Melo mais uma vez mostra seu talento como diretor neste curta que despedaça corações. Jorge Loredo ótimo como ator dramático, nem parece o aloprado Zé Bonitinho. O homem velho e suas limitações. O homem jovem e suas correntes. Parabéns Sessões!!

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  2. Fiquei muito feliz deste meu pensamento estar ao lado de Selton Mello, obrigada Myrian Benatti

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