quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Última Ceia

Nome Original: Monster’s Ball
Diretor: Marc Foster
Ano: 2001
País: EUA
Elenco: Billy Bob Thorton, Halle Berry, Heath Ledger e Sean Combs.
Prêmios: Oscar e Urso de Prata de Melhor Atriz para Halle Berry.
A Última Ceia (2001) on IMDb


O pior do ser humano está dentro dele mesmo. Esquecer esse pior, só depende de si próprio. Mas quando a instituição da família não suporta e sobrepõe o mal existente, a vida fica ainda mais dificil. As atitudes não condizem mais ao que aprendeu e ao catequismo moral que somos atribuidos por toda a vida. As reações de ações descontroladas e de inconformidades que o mundo causa são incompreendidas aos que vêem com os olhos cheios de pudores e preconceitos, porém normal e aliviador a quem a angustia domina e mata aos poucos.

Hank é um ser amargo, inescrupuloso. Sua função como guarda penitenciário em uma prisão do sul americano é a sua maior glória. Destruir sonhos dos outros era uma obrigação, dos negros, um prazer. A veia separatista dos brancos à maioria negra do Sul é histórico e com Hank, é genealogicamente incorporada pela pessoa de seu pai, Buck, que é cuidado pelo policial. Sonny segue os passos do pai, não na ideologia, mas sim, na carreira. Sonny é o maior contraponto de Hank. Nem parecem pai e filho, parecem os maiores inimigos dos antigos westerns, em duelo marcado por ódio, nojo e sangue. A vida em família parece mais a vida de um bunker em guerra. Só a tragédia para fazer pensar.


Já a vida de Letícia é digna de uma via crucis. Lawrence, seu (ex)marido, pai de seu filho, será executado na cadeira elétrica. Suas visitas, diz ela, são exclusivamente por conta de seu filho, que tem um grande problema de obesidade infantil, e a própria mãe é na ânsia de controlá-lo, só cria um fantasma para o pequeno. Tudo poderia mudar? Só fatos grandiosamente incontroláveis e dolorosos para alterar o rumo de uma vida sem sucesso e sem perspectiva de futuro. O futuro de Letícia não parece pertencer à Deus, parece que o Diabo controla cada passo. A desgraça é tão corriqueira que não há como pensar em paz em tempos de caos. Uma atendente afro-americana de lanchonete, com a cruel morte do marido e com o filho problemático. Só a tragédia para fazer mudar.


As tragédias das vidas de Hank e Letícia são mais parecidas do que seria imaginável. A mudança no momento crítico encontra-se no apoio de mutilados, onde apenas apoiando-se um no outro seriam capaz de seguir em frente. A raiva, o sexo, a culpa e o tesão é apenas um toque de fuga no sentimento da desgraça humana. A vida seguirá, com um vazio, mas com novas perspectivas de paz. O futuro é uma incógnita, mas indubitavelmente será melhor do que o passado, que nunca será esquecido. A saudade sempre estará lá.

“A Última Ceia” vai além do drama dos personagens. É uma complexa análise de temas crueis e incômodos. O preconceito, a morte, a pena de morte, o separatismo e o sexo no cinema. Muito falou-se do filme por conta da tórrida cena de sexo entre Hank e Letícia, vividos por B.B. Thorton e Halle Barry. O vigor com qual foi filmado e vivido, dentro do momento do filme, é uma cena de libertação, de impulso e de fuga do mundo real. Apesar dos movimentos pelvicos e nus, a sexualidade fica implícita após tanta carga dramática que causou tal atividade. Exagerado, talvez. Mas a força trágica deixa o sexo selvagem com ares de uma caminhada numa estrada de terra numa tarde chuvosa e sem vida no horizonte.


A doação dos atores em seus papéis é definitivo para que o trabalho de Marc Foster fosse reconhecido. Ele que depois faria “Em Busca da Terra do Nunca”, já mostrava aqui que trabalhar com um elenco de ponta é fácil para ele. Halle Barry em seu maior papel, consagrado e marcante por ser a primeira mulher negra a ganhar um Oscar, B.B. Thorton sempre impecável, Heath Ledger em um pequeno papel, porém impactante e Sean Combs fazendo sua primeira atuação de grande reconhecimento. Sean é conhecido também como Puffy Daddy, atualmente, P. Diddy, grande rapper e produtor musical. “A Última Ceia” é impactante, dolorido mas deixa uma ponta de esperança quando tudo parece perdido.

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Lembro mais da Halle Berry subindo e agradecendo ao Oscar do que do filme em si. Mal sinal, mal sinal. Hahahaha!

    Leandro Antonio
    Sessões

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  2. nao consigo assistir esse nem fudeno

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