terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tempos de Paz

Nome Original: Tempos de Paz
Diretor: Daniel Filho
Ano: 2009
País: Brasil
Elenco: Dan Stulbach, Tony Ramos e Daniel Filho
Prêmios: Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Figurino, Roteiro Adaptado. Melhor Ator (Stullbach) no Prêmio Contigo! de Cinema.
Tempos de Paz (2009) on IMDb

Guerras e ditaduras são temas já clássicos do cinema moderno. Sempre há novos filmes sobre essas desgraças que dominaram, dominam e sempre dominarão esse mundo capitalista-e-aparentemente-livre. A Segunda Guerra Mundial e a Ditadura Brasileira já foram retratadas com muita dureza na tela grande. Mas aqui, com “Tempos de Paz” as memórias e lembranças de dois seres humanos, cada um na sua visão, montam esse lindo retrato de como as pessoas podem ser um pouco melhores apesar do caos que nos cerca..

Se esperamos tortura e escravidão de um mundo tranformado em campo de batalha, temos nas personas de Segismundo e Clausewitz uma redenção. Nunca em perdoar as barbaries e lembranças que o “ditadorzinho” de nome deselegante, mas de reconhecer que não há muito o que fazer quando estamos sob a batuta de uma onda maior. Como um tsunami de perversidades numa terra de ninguem. Já Clausewitz mente. Sim, agricultor, ator, vidente, psicanalista ou advogado tanto faz. Ele só quer a “Terra Esperada”, a cura para suas dores, a vida para a morte anunciada. E qual é a penitencia que pagamos por estarmos vivos? Viver... Viver é um sacrifício. Basta viver... para estar vivo. E que aliviem nossas dores com os prazeres do mundo.

“Tempos de Paz” é mais do que uma história sobre o holocausto e a ditadura nacional. É uma homenagem ao oficio de ator. Tanto pela chegada do ator Clausewitz no Brasil, mas, principalmente, pela atuação estupenda do ator Dan Stulbach. Mais do que escrever milhares de adjetivos, veja esse trecho onde o polonês recém-chegado declama “A Vida é um Sonho” de Calderon de La Barca.


Isso é uma homenagem ao mundo do teatro, à arte de atuar, ao respeitável público que merece o agraciamento por grandiosas realizações. A arte de adaptar teatro ao cinema é complexa e costumeiramente equivocada, mas em “Tempos de Paz”, a capacidade de Daniel Filho é provada e comprovada com a adaptação de “Novas Diretrizes em Tempos de Paz", de Bosco Brasil, mudando a visão de que ele só é capaz de grandes produções e comédias-televisivas transformadas em longa-metragens. Há certa graça em ver uma peça finalmente bem transformada em filme, algo nada comum, principalmente nessas terras. Mas os louros definitivamente ficam com a grandiosidade de Dan Stulbach, que espalha seu brilho à todos e à tudo ao seu redor. A vida não pode ser vivida sem esse amor. A esperança de dias melhores é real e que venha mais “Tempos de Paz”.

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Essa parte do monólogo é linda demais. Palmas para Daniel Filho e palmas para Dan Stulbach

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  2. Dá a impressão de que o monólogo foi gravado em uma tomada só, acho que vem também daí a impressão de que é teatro.

    Leandro Antonio
    Sessões

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