quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Como Era Verde Meu Vale

Título Original: How Green Was My Valley
Diretor: John Ford
Ano: 1941
País: EUA
Elenco: Walter Pidgeon , Maureen O'Hara, Anna Lee, Donald Crisp, Roddy McDowall
Prêmios: Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Diretor de Arte, Melhor Fotografia
Como Era Verde Meu Vale (1941) on IMDb

Esclarecimento:
Este filme merece figurar em qualquer pauta sobre o Oscar, foi o grande vencedor de 1941 e colecionou 5 estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Diretor de Arte e Melhor Fotografia. Nossa! Para que esclarecer isto? Vamos adiante!



“Como Era Verde Meu Vale”, o título já é um suspiro de nostalgia. Nostalgia que resulta no que eu chamo de cinema perfeito, resultado da equação: Entretenimento+Emoção+ X. Tudo bem que esta é uma equação simples, em se tratando de filmes, as equações podem chegar ao cúmulo e tornar-se até inequações, mas que importância tem isto? Vamos adiante!

Tem gente que tem saudade até do que não viveu, acredita? Pois é, isto aí sou eu! “Como Era Verde Meu Vale” é um filme que define uma parte de mim que aprendi a reconhecer. Meus 27 anos carregados de passados fizeram-me voltar a 1941 e rever o grande vencedor do Oscar:

Um senhor, ao qual John Ford não quis revelar o rosto, enrola seus pertences no velho xale de sua mãe. É a última vez que verá seu vale como é hoje, pois é muito mais nítido e próximo um vale que o tempo talvez tente, mas não consegue distanciar. De começo, o homem já diz algo que faz muito sentido aos saudosos congênitos:

“Estranho que a mente esqueça tanto do que se passou há apenas uns instantes, e retenha, de forma clara e viva a memória do que se passou anos atrás, de homens e mulheres mortos há tanto tempo. Porém, quem dirá o que é real e o que não é? Posso crer que todos os meus amigos se foram, quando suas vozes continuam exultantes em meus ouvidos? Não. E continuarei a dizer não e não outra vez, pois eles continuam vivos em minha mente. Não há cerca, nem barreira em torno do tempo passado. Você pode voltar e viver o que quiser dele, se puder lembrar. Portanto, ao fechar os olhos, meu vale como é hoje, pode desaparecer e o vejo como ele era quando eu era garoto. “

Algum filósofo já deve ter dito isto, mas se não, me atrevo dizer eu: A felicidade não pode ser condição do tempo presente, ela existe de fato no paraíso glorioso do passado e é a ambição e busca para um tempo futuro. O que resta no presente é fechar os olhos para ver os verdes vales do ontem e vislumbrar vales ainda mais verdes (diferentes) do amanhã. Os verdes de outrora fazem pensar que valeu a pena e os louros do futuro motivam na fuga da melancolia. O agora é importante porque é o tempo da percepção. A vida é um jogo de três tempos.

“Como Era Verde o Meu Vale” traz a sensação da viagem. Convida o espectador a passear pelo seu próprio tempo e sua própria história tendo o cinema como condução.




Leandro Antonio
Sessões

Um comentário:

  1. Esses grandes clássicos deveriam ter uma redoma e serem constantemente mostrados. Aí estão a verdadeira alma do cinema. Aí estão os alicerces para a força que essa arte tem hoje em dia.

    Falo isso pois a cada novo filme antigo que vejo me encanta cada vez mais o cuidado e as minúcias por trás dos detalhes que vemos na tela. Não vi ainda "Como era Verde..." mas seu lindo texto me inspira a vê-lo e admirá-lo. Esse branco e preto é instigante demais...

    Abraços amigo!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...