sexta-feira, 19 de março de 2010

Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

Nome Original: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
Diretor: Paulo Halm (para reler a entrevista com o diretor, clique aqui)
Ano: 2010
País: Brasil/Argentina
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota e Daniel Dantas
Prêmio: Melhor Filme, pelo Juri Popular do Festival de Santa Maria da Feira (Portugal), Melhor Ator (Caio Blat) e Melhor Edição de Som no Festival de Goiania)
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos (2009) on IMDb


Alguns sabem que passo por uma crise produtiva. Não consigo escrever mais meus textos como gostava. Não pinta inspiração, falta criatividade. Não, eu não me chamo Zeca. Não, eu não tenho quase 30 anos. E não, não estou na quinquagésima página de um livro e nem é a minha pretenção. Hoje não, mas talvez não seja má idéia para o futuro. Quem sabe quando eu tiver quase 30. E quem sabe esse texto não seja um divisor de águas de minha crise. Pois não há pintor sem quadros, não há cineasta sem filme e não há escritor sem texto.
O longo nome do filme nos dá uma sensação de estar pisando em campo amigo, de saber o que está para acontecer e conseguir enxergar que situações da ficção são totalmente táteis e reais. Não há como definir só um gênero para o 'Histórias...'. É uma comédia, com fundo dramático, pitadas de erotismo, embebido em uma curta animação e um aroma de história real com intrigas familiares e dilemas do dia a dia. Paulo Halm, famoso por ótimos roteiros, consegue atingir um feito que poucos conseguiram. Um debut em grande estilo na direção com um filme agradável, inteligente, sufocante e verdadeiro. Um filme de grande diversisade e que agradará a todos.

Caio Blat na pele de Zeca é o narrador. Zeca é um adulto com espirito de jovem irresponsável, que como diz seu pai, só pensa em buceta. Mas acho que poderia melhorar essa frase, colocando o cigarro dentre as coisas que ele só pensa. O cigarro tem um papel importante no filme, ele nos leva para dentro da película e nos remete a um estado de claustrofobia, o qual Zeca está vivendo. Dúvidas sobre a vida, sobre trabalho, sobre o pai e sobre quem foi um dia. Talvez o que mais Zeca queira, além de fingir que tenta se matar, é saber quem ele será amanhã.

Não bastasse os seus problemas, há outro problema. Mulher. Seu pai logo lhe alerta: "Mulher e problema é praticamente um pleonasmo". Todas as confusões que Julia, sua esposa e Carol, a melhor amiga lhe causam não aliviam em nada a crise de Zeca. Um suposto triangulo amoroso, que só exist na mente fértil do homem da(s) relação(ões). Zeca em momentos encarna Woody Allen, um homem torturado em crises amorosas que parecem interminaveis. Há DRs que parecem brigas que você já teve um dia com namorada, ficante, amante ou mulher. São tantas reviravoltas, loucuras e até bizarrices, que Zeca talvez tenha finalmente crescido, tentado levar a vida a sério, superando a sua crise dos 30 e ouvido seu pai dizer: "Senta a bunda na frente do computador e termina essa porra desse livro".

Halm conseguiu tirar de Blat uma atuação complexa e muito competente, digna de um protagonista. Foi muito bem acessorado por sua mulher (da vida real) Maria Ribeiro e pela bela atriz argentina Luz Cipriota. Daniel Dantas dá um show de performance como o pai frustrado. O filme é ótimo, desde a trilha sonora, locações, fotografia, iluminação, portanto, não percam. A única tristeza, não foi causada pelo filme, mas sim por um cinema de 125 lugares e apenas 13 ocupados. Uma obra de ótima qualidade, não pode não ser visto. Não deixem de prestigiar o cinema nacional, pois somos capazes de ótimas produções, como essa de Paulo Halm! Obrigado e parabéns diretor. Só como lembrete, reverenciar a ótima trilha desse ótimo filme, principalmente pela maravilhosa "Nature Boy" na voz de Caetano Veloso.
Acho que minha crise ainda não foi superada. Mais um texto sem grande impacto, sem graça e insonso. Mas o filme merece ser comentado e divulgado! Embebede-se com o curta animado que conta a história de 50 páginas de Zeca. E que o romance que ele escrever dure mais que 50 páginas, pois as histórias de amor, duram apenas 90 minutos.


Vitor Stefano
Sessões

P.S.: Essa postagem também pode ser visto no site oficial do filme. Para conferir, clique aqui.

4 comentários:

  1. Filme bom, mas poderia ser melhor, pois acredito que o explicito hoje não tem mais graça, pois hoje o erotismo ja ficou banal, gosto mais do deixar entre linhas, que minha imaginação cresça.
    A historia é bem legal e bem real!

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  2. Tb gostei muito e me identifiquei, tb escrevo (no momento não tanto) e estou chegando aos 30...
    Muito bom esse filme!!

    Estamos ae para qualquer parceria e divulgação em ambos os blogs.
    Um abraço!!!

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  3. Vítor,
    Finalmente assisti este filme que você entusiasmadamente indicou... e gostei muito.
    P melhor do filme é de longe o Daniel Dantas que tem as melhores frases do roteiro, como citando Levi-Strauss (o filósofo, não o jeans) em "o homem atual passa da infância à velhice sem nunca ser adulto".
    O cinema nacional se reinventa e é plural, de pequenos bons filmes como este a grandes produções como "Xingu", que vem por aí.
    Continue defendendo nosso cinema!
    Obrigado pela dica!
    Abs!!!

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  4. Salve. Não sou chegado a palavrões. Tanto que evito falar. Prefiro termos sugestivos. Mas neste filme, não sei dizer se é por questões pessoais e também referencial a alguns meios que frequento, a frase (“Você só consegue pensar em buceta”, diz seu pai para tentar fazer o filho acordar para a realidade") caiu como uma luva. Muitos homens só pensam em e muitas mulheres se acostumaram a ser vistas a partir da. O algo mais que todo ser humano possui parece nada ou pouco importar. E se alguém se atreve a quebrar este paradigma é tachado de boiola... Ou então fica, a exemplo daquele samba-rock do Silvio César "num beco sem saída". Oubí, Cidade Tiradentes para o mundo...

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