quinta-feira, 25 de março de 2010

A Carta

Nome Original: The Letter
Diretor: William Wyler
Ano: 1940
País: EUA
Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Stephenson.
Prêmio: Indicado para 7 Oscars.
A Carta (1940) on IMDb



- Vó, vamos ver um filme? É com a Bette Davis, conhece?
- É uma que é sempre má nos filmes?
- Ah, pelo pouco que conheço, acho que a sra. sabe quem é.
- Eu gosto muito dela!
- Então vamos ver 'A Carta'.

E logo se consuma. Em menos de 2 minutos de filme uma mulher imponente, com um revólver em punho, atira em um homem que cai pela escada, até o tambor descarregar completamente. Talvez uma das melhores primeira cenas da história do cinema. E pois é, ela é má mesmo, mas não, ela matou um homem que a molestou. Justo, uma mulher de coragem, forte e com atitude apenas se defendeu. Seu marido e seus empregados acreditam piamente em vossa explanação, e não tinha como não crer. Sua explicação foi tão detalhista, com fibra, olhando nos olhos, uma força tirada do âmago. Davis consegue impor à personagem, esposa de um fazendeiro de borracha no interior da Ásia uma leveza e ao mesmo tempo uma potência nuclear.

Porém no decorrer da película ela vai de indefesa a adultera e assassina. A vida não aguentou tanto sofrimento e a vingança foi retumbante. Essa era ela, capaz de tudo por um amor. Até matá-lo por não suportar o ciumes que já a matava por dentro. O desenrolar da história é bem regrado, e como sempre, o branco e preto dá um ar de nostalgia e de qualidade de fotografia insuperável. A direção de Wyler, parceiro de Davis em outros projetos, fazem com que todos os coadjuvantes sejam também atores principais, com papéis decisivos e de grande apoio para que a grande estrela brilhasse.

Não conheço muito sobre Davis e não sou um grande conhecedor de cinema de suspense, muito menos de clássicos. Mas 'A Carta' é uma aula de suspense, com um quê de noir e uma aula de interpretação de uma dama que consegue com um olhar desarmar todos os homens. Bette Davis era polêmica fora das telas e isso reflete bem sua personalidade na tela. Você pela atuação consegue ver que há um ar de loucura naquele ser. Uma diva que nunca será esquecida!

"With all my heart I still love the man I killed". Ela seria capaz de tudo isso, e muito mais!

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. O sucesso de Bette Davis, tida para muitos como a melhor atriz de todos os tempos é justamente este: Ela marca o território com um trabalho facial e corporal. Ela é um exagero teatral muito bem mensurado na telona. Alguns tentaram imitar e não conseguiram ir além da boa cópia ou da caricatura desproposital. Adoro Bette Davis e fico muito feliz por ela também marcar presença aqui no Sessões. E que o seu jeito de atuar inspire muitas e muitas gerações.

    Leandro Antonio

    Sessões

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  2. Julio Cesar Amirati29 de março de 2010 10:25

    Bom, sou muito suspeito para falar da Grande Bette Davis, pois sou fã
    incondicional dela, e esse filme é um dos grandes Clássicos de Davis que considero um marco do cinema noir hollywoodiano The Letter – A carta, um bello filme, Bette Davis à frente, está maravilhosa, a música parece hoje meio datada, mas dá um belo clima, a fotografia é esplendorosa. E a história
    é muito, muito boa. Há belíssimos diálogos. “É impressionante como um homem pode viver dez anos com uma mulher e não saber nada sobre ela”, diz o advogado para a heroína assassina.

    A abertura é um brilho total – a lua cheia entre palmeiras, uma seringueira pingando látex, uma casa rica numa ilha asiática, um tiro, um homem cambaleando, a mulher que sai da casa atrás dele e descarrega a arma no corpo já no chão. Tudo leva a crer que teríamos um flashback – com um lead
    destes, oito de cada 10 filmes da época teriam um flashback -, mas, não, ele não vem. Bette Davis achava que A Carta tinha a melhor cena de abertura dentre todos os seus filmes.

    O filme teve sete indicações para o Oscar e não levou nenhum – filme, atriz para Bette Davis, ator coadjuvante para James Stephenson (ele está soberbo
    como o advogado cheio de dúvidas morais), diretor para William Wyler, fotografia em preto-e-branco para Gaetano Gaudio, montagem para Warren Low e
    trilha sonora original para Max Steiner. O filme perdeu para Rebecca, bom filme, porém pesado e escuro, talvez por ser ainda da fase britânica, de Hitchcock, e Wyler perdeu para John Ford por Vinhas da Ira. Bette Davis perdeu estranhamente para Ginger Rogers em um filme do qual nunca ouvi
    falar, Kitty Foyle. Odeio Ginger Rogers ela só era boa bailarina e
    sapateadora, ao lado do Mestre Fred Astaire, atriz frívolaaaa!

    “O eterno cigarro levado a boca, um copo de dry Martini, e um olhar gélido capaz de acabar qualquer mortal que atravessasse seu caminho.”

    Ela foi um monstro sagrado da era de ouro de Hollywood, personificando mulheres fortes, decididas, ardilosas e muitas vezes sem escrúpulos. Devido
    a isso, sua persona ficara associada a tudo que inspira maldade dentro do cinema; Mas era dessas atrizes que seu nome ou sua simples presença era maior que a própria tela. Várias são as características que a tornaram um
    mito, dentro e fora do cinema. Seu olhar ficara tão imortalizado que Kim Carnes homenageou a grande estrela com uma musica que alcançou o topo das paradas Mundiais: BETTE DAVIES EYES, isso mesmo! Os olhos de Bette Davis.
    Nunca uma atriz falara tanto com um simples olhar.

    Vitor, parabéns pela excelente forma que abordou e descreveu esse Clássico, de maneira real e clara. Você tem muito talento para escrever!

    Bette Davis, te adorooooo!

    Julio César Amirati

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