segunda-feira, 29 de março de 2010

A Fita Branca

Nome Original:Das weisse Band - Eine deutche Kindergeschichte
Diretor: Michael Haneke
Ano: 2009
País: Alemanha/Áustria/França/Itália
Elenco: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi e Burghart Klaußner.
Prêmio: Palma de Ouro, FIPRESCI e Cinema Prize of the French National Education System em Cannes, Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Roteiro, Diretor e Film do European Film Awards.
A Fita Branca (2009) on IMDb

Estou diante do melhor filme de 2009. Falo sem medo de errar, pois certamente vi um dos melhores filmes da década. Uma obra que beira a perfeição por sua qualidade em todos os aspectos. Tem atuações precisas, um roteiro ótimamente tramado e denso, além de o branco e preto dar uma grandiosidade para a fotografia. A beleza fílmica nos remete à 'A Lista de Schindler', porém ouso dizer que 'A Fita Branca' é ainda melhor. Há uma simbologia incrível e se eu fosse você, não perderia a chance de ver esse espetáculo cinematográfico.

Quem conhece outros filmes de Haneke sabe que nada é esclarecido ou escancarado como a verdade absoluta. Ele nos dá margem para pensar como quisermos, só nos dá as cartas e nós jogamos conforme nossa mente permite. Com o seu último filme também é assim e podemos captar mais uma nuance que já é uma marca registrada do diretor: as crianças não são puras como o mundo gosta de pensar. Em Caché e Violência Gratuita, seus filmes mais conhecidos por aqui, nos mostram claramente que jovens e crianças são capazes de atrocidades maiores até que adultos. Mas sempre há um porquê, e nem sempre explicado.

Em 'A Fita Branca' as crianças voltam a ser o centro das atenções. Sim, vivemos em um momento de pré-guerra em um vilarejo no interior da Alemanha. Uma série de casos extraordinários (mortes, acidentes e atrocidades com crianças e deficientes) acontecem sem ter um motivo claro, mas há um indício, sempre há crianças ao redor. Os fatos são contados pelo professor da escola já velho, relembrando a sua presença naquela vila quando tinha por volta dos 30 anos. Tudo que ele faz é nos detalhar as consequências de atos que ficaram sem explicação. Mas não é necessário explicar, a História está nos livros e já conhecemos.

Pais ignorantes, filhas abusadas, mães desmoralizadas, famílias enormes e destruidas, uma sociedade baseada em homens que não prezam pelo amor e sim pela disciplina, o mundo só poderia ter conhecido os regimes direitistas. O nazismo não nasceu apenas na imaginação de Hitler, nasceu em cada criança que não teve infância e vivia por conta de um regime rígido em sua própria casa, na escola e até na Igreja. A punição era a forma de endireitar, literalmente direitar. É melhor abrirmos os olhos e não perdermos a noção de liberdade e de caráter, senão acabaremos em um novo regime ditatorial, mais forte e indestrutível. De nada adianta colocar uma fita branca no braço de seu filho para ele se lembrar da pureza, se não há pureza na sociedade. Pais, professores, padres, políticos e famosos midiáticos só sabem o que é pureza quando crianças, pois o mal já está instalado na mente da maioria dos humanos. 'A Fita Branca' nos mostra elementos históricos porém, o mal é uma erva daninha que dificilmente conseguimos dizimá-la e não é uma fita que a matará. O mal está em nossas mentes. O filme é uma obra-prima de Haneke e do cinema mundial.

Vitor Stefano
Sessões

3 comentários:

  1. Demorou de eu ver este filme. Será que vejo hoje?

    Para os interessados aviso já que ele só está ainda em dois cinemas de São Paulo:

    Reserva Cultural às 15h e HSBC Belas Artes às 21h.

    Beijo

    Leandro Antonio

    Sessões

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  2. Nossa, depois desse post, deu uma vontade desesperadora de assistir à esse filme.
    Vou procurar o mais rapido possivel o/

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  3. Incrível, além de ter um progressivo suspense que vai aos poucos revelando a natureza do vilarejo tem uma fotografia lindíssima e é genial como o filme apenas sugerindo uma violência dá uma forma terrível a ela.O cinema em geral precisa de diretores mais autorais como o Haneke.

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