domingo, 10 de julho de 2011

Taare Zameen Par- Every Child is Special. Cinema indiano?

Nome Original: Taare Zameen Par
Diretor: Aamir Khan
Ano: 2007
País: Índia
Elenco: Darsheel Safary, Aamir Khan, Tisca Chopra, Vipin Sharma, Sachet Engineer, Tanay Chheda, M.K. Raina.
Prêmios: Melhor Ator (Darsheel Safary), Roteiro, Diretor e Filme no Filmfare Awards, Melhor Artista Infantil (Darsheel Safary), Diálogo, Diretor, Letra de Música, Roteiro, Ator Coadjuvante e Diretor Promissor.
Taare Zameen Par (2007) on IMDb

O típico filme de Bollywood é, aos olhos do Ocidente, uma criatura exótica. (...) O enredo é quase sempre uma variação em torno de três personagens – um mocinho valente, um vilão de bigodes retorcidos e uma mocinha virginal (e virgem). A Índia que deu origem ao Kama Sutra definitivamente não é a mesma que abriga Bollywood: a moral sexual indiana é uma das mais inflexíveis do mundo. Casais não se beijam em público nem na tela. Quando a temperatura começa a esquentar entre o mocinho e a mocinha (e é praxe haver uma cena do "sári molhado", em que os dois se atiçam mutuamente sob as águas de uma cachoeira ou de uma fonte), dá-lhe dança. Segundo os especialistas, esse tipo de filme sempre terá lugar de honra na produção de Bollywood. Primeiro, porque ele é de grande apelo junto ao imenso contingente rural e tradicional do país. Depois, porque esse exotismo é indivisível de seu charme.
Para tudo! Aqui começa a discussão, aliás quero ver se os comentários dos leitores vão pontuar alguma coisa a respeito. O texto acima foi extraído da matéria de Isabela Boscov para a Edição 1949 da Revista Veja, disponível em http://veja.abril.com.br/290306/p_124.html.



Para tudo, por quê? Penso que tende-se a querer enquadrar as culturas em modelos pseudodidáticos, como se tudo coubesse num quadrado. Pois bem, soa absurdo pensar que a maior produção de cinema do mundo, o país que comporta um sexto da população do mundo, com tantas línguas oficiais, dialetos extraoficiais e milênios acumulados de transmissão cultural possa caber em um quadrado. Não precisa ser especialista em cultura indiana para saber que não. Podem existir informações verídicas e até boas intenções nestes esforços de síntese. Mas não se sabe até que ponto este reducionismo, mas desinforma que informa.

Por uma questão de condução, de educação e de ignorância mesmo é difícil os entitulados ocidentais, de tradição e orientação ocidental ter alguma compreensão sobre o que se passa além do lado de lá do também intitulado meridiano zero e daí a aceitação dos modelos. Mas em sendo alguém do lado de cá, como acessar referências desta cultura que fujam do estereótipo, do exótico ou do anormal?

Deve-se dar mérito a alguns que buscam isto, Irani Cippiciani no Núcleo Prema e o já entrevistado pelo Sessões Ibirá Machado. Claro que deve haver muitos outros no Brasil que fazem trabalhos dignos de alto valor e devem ser citados, aliás, comentários estão a serviço disto também.

Tudo isto para chegar ao exemplo de “Taare Zameen Par”. Um filme tocante, de linguagens e anseios universais que faz chorar aos mais atentos e alerta para algumas questões que a escola não consegue suplantar nem aqui nem na Índia. Surpreende por uma caprichada fotografia e por "capturar" o espectador na primeira cena. Muitos filmes indianos são longos. Taare... tem duas horas e meia, mas não tem dancinhas o tempo todo não e não cansa. Há musicais sim, mas estes são parte da transição e do enredo. Aliás músicas ora bonitinhas, ora tocantes, mas sem dúvida muito bem compostas e pontuais dentro da trama.



O já citado Ibirá Machado quer ver este filme nas telas do Brasil e para isto criou um abaixo-assinado com esta finalidade. Aliás, até hoje não há brasileiro que tenha visto e não gostado deste filme. É preciso dizer que os comentários também poderão identificar os insatisfeitos com a trajetória do menino Ishaan. São todos bem vindos!
O filme está na internet e hoje são encontradas cópias dubladas deste filme na Praça Benedito Calixto em São Paulo, manufaturadas pelo democrático mercado da cópia. É só passar lá no sábado.

Como a intenção não é fazer um post longo, os motivos para tentar ver este e outros filmes do cinema indiano foram parcialmente colocados. Pode ter ficado com cara de “sermão da montanha” ou “dizer o que penso desta vida, preciso demais desabafar....”, É o que tem para hoje. Boa semana!

Leandro Antonio
Sessões

Clique para acessar Núcleo Prema e Cinema Indiano

10 comentários:

  1. Não só quero TZP distribuído no Brasil como isso irá acontecer!

    Valeu, Leandro, pela postagem! Esse filme precisa ser mais e mais disseminado por aqui :)

    Abraço!

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  2. Em breve TZP nas salas do Brasil. Vai ser bom saber que pelo menos em um post o Sessões fez parte deste caminho.

    Obrigado pelo comentário, Ibirá.

    Leandro Antonio
    Sessões

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  3. Post sensacional, Lê... O cinema indiano é o mais produtivo e o menos assistido por essas bandas. Incrível que o cinema nigeriano (atualmente o segundo em quantidade de produção) é outro que nem sabemos de sua existência por aqui.

    O cinema é universal e conhecer cada nuance é praticamente impossível, mas enlatá-lo num balaio único como fez a Sra. Boscov é burrice demais.

    Parabéns peloa iniciativa, Ibirá, e vamos trazer TZP ao Brasil. Não vi e só o verei nos cinemas...

    Vitor Stefano
    Sessões

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Aí está a prova de como o cinema indiana é rico.Taare Zameen Par é um filme ultra pedagógico, por tratar uma questão pertinente e de grande discussão entre professores e profissionais da Educação, mas também é um grande filme ao falar sobre o tema de maneira tão sensível, retratando o sofrimento, a indiferença, os conflitos familiares que podem ser afetados por uma questão que precisa antes de mais nada de atenção, compreensão e aceitação.
    Boas atuações, trilha sonora adequada e um roteiro correto, Taare Zameen Par é um filme para ser visto com reflexão, carinho e um olhar atento às boas coisas que surgem nas produções indianas. Aamir Khan foi resposável por algumas das horas mais belas da minha vida :)

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  6. Pois é, Camila! Amir Khan, obrigado. E outra coisa, no meio de tantos meninos indianos como ele conseguiu descobrir Darsheel Safary, o menino é o pequeno ator mais "magnético" que já vi.

    Leandro Antonio
    Sessões

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  7. Eu quero este filme dublado

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  8. Este filme relata uma realidade vivida por muitas crianças com este problema. Este filme TZP já deveria estar passando nos cinemas e nas locadoras. Ele me ajudou muito a detectar este problema que se passa com minha filha, pois ela é muitíssimo parecida com este menino na maneira de ver as coisas, ela tem dislexia.

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  9. Gostaria muito de ver e ter este filme dublado em portugues.

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