quarta-feira, 6 de julho de 2011

Meia Noite em Paris

Nome Original: Midnight in Paris
Diretor: Woody Allen
Ano: 2011
País: EUA, Espanha
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams, Kurt Fuller, Mimi Kennedy, Marion Cotillard e participações deliciosas.
Prêmios: Oscar de Melhor Roteiro Original e Globo de Ouro de Melhor Roteiro
Meia-Noite em Paris (2011) on IMDb



Tempo: Presente, passado e futuro. Em qual tempo se vive mais? Em um passado que nunca foi seu, mas com o qual você se identifica, estuda, pesquisa, imita? Ou um futuro, um casamento, uma casa em Malibu, alguns móveis de curvas europeias. Quem é que vive no presente? Em que tempos se vive?

Cortando um pouco este papo de tempo e babando um pouco o ovo do Woody Allen - desculpem pelos exageros – já vi muitos filmes que defendem a cultura francesa desenfreadamente, mas esta homenagem ainda faltava. Vou me esforçar para neste curto post não entregar nada versus nada do filme, pois quero muito que quem agora lê tenha as mesmas surpresas e os mesmos encontros que eu tive durante a sessão de Meia Noite em Paris há uns dois ou três dias no ano de 2011. O que vou deixar com certeza é um bando de perguntas que também não serão respondidas com o filme, mas ilustradas com o tempero engraçado, leve e intelectualizado do Woddy-Incansável-Allen.

O que as viagens estão revelando para Woody Allen. "Meia Noite em Paris" é uma viagem para muito longe de Nova Yorque – uma relação espaço-tempo considerável. Woody Allen no cenário europeu que mais motiva e inspira no mundo segundo estatísticas dos Conventions Visitors Bureau mundo afora é para imaginar um monte de coisas, mas mesmo quem conhece os melhores trabalhos do cineasta fica gratamente surpreso.
E o que buscam as pessoas com as viagens? Um lugar que não existe. A paisagem revela a identidade. Vejo o que meus olhos querem ver. Uma terra que não existe mais, mas que eu fui buscar. Um tempo. Uma Era de Ouro.



Quantos vêm ao Rio de Janeiro buscando uma bossa que existiu nos anos 60? Ou vão a Sierra Maestra querendo os vestígios e heróis? Ou vão a Londres para ver os Beatles, o movimento Punk, a corte da Rainha Vitoria? Quantos vão e vêm com o desejo de viajar não só no espaço, mas também no tempo? E quais os poucos que conseguem?
Tanta pergunta e tanto delírio. Laissez faire, laissez paisser, just regarder le film.

Leandro Antonio
Sessões

P.S.: Confesso que depois de Meia Noite em Paris, imagino o dia em que Allen filmará no Rio de Janeiro.

19 comentários:

  1. Midnight in Paris é uma viagem deliciosa.Woody Allen estava inspirado e acertou a mão.Filme divertido ,uma bela homenagem a Paris,e que vale ressaltar ,é uma cidade apaixonante.

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  2. Woody Allen reencontrou na Europa a inspiração de seus melhores filmes, sem fugir de seu universo e seus temas mais queridos.
    A nostalgia que compartilhamos com ele da Paris que não vivemos é uma viagem deliciosa.
    O elenco desta vez está impecável, dos maravilhosos coadjuvantes ao seu alter-ego Owen Wilson, com timing perfeito.
    Agora você também me deixou curioso do que ele faria/fará com o Rio de Janeiro como cenário.
    Parabéns pelo post, Vítor! Está ótimo como sempre.

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  3. Só quero dar o crédito a quem é de direito, Armando. O post foi feito pelo ótimo e sempre impecável Leandro Antônio!

    Ainda não tive a oportunidade de ver o novo do Woody. Não minto que Woody sempre teve (e, provavelmente sempre terá) minha resistência. Talvez a constância nos temas, nas sua interpretação... Mesmo me agradando demais Match Point, O Sonho de Cassandra e Vicky, da nova guarda, ainda tenho o pé atrás. Confesso que os filmes da velha guarda estão bloqueados num filtro de não prioridades. Mas vou quebra-lo qualquer dia... Sem dúvida...

    Vitor Stefano
    Sessões

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  4. fiquei curioso... não estava empolgado com mais um filme do woody allen, agora já tenho um boa indicação.

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  5. Valeu pelos comentários. Camila, Armando, Vitor e Anônimo. O texto é meu, mas os créditos são do Sessões.

    Abraços

    Leandro Antonio
    Sessões

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  6. A volta triunfante de woody allen, pra quem entende da cultura francesa e pra quem não entende, uma pintura apaixonante.
    Owen Wilson precisava de um filme assim pro seu currículo.

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  7. Oi, Paulo. Valeu o comentário!!

    Pela sua atuação em Meia Noite... digo que ele fez jus. Woody Allen no currículo não é nada mal, acredito que a indústria passa a enxergar o ator ou atriz de uma maneira diferente. Sem dúvida um up grade para Owen.

    Leandro Antonio
    Sessões

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  8. Esse é o terceiro filme dele que assisti, os outros foram “Vicky, Cristina, Barcelona” e “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”.
    Em “Meia noite em Paris”, mais uma comédia romântica muito criativa, divertida e inteligente, que por meio do tempo também aborda negação e frustação, mas sempre com uma luz brilhando no fim do túnel - Aline Kátia
    http://alinekatiamelo.blogspot.com/

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  9. Oi, Aline!
    "Sempre com uma luz brilhando no fim do túnel". Olha que eu nem dei muita importância a esta luz enquanto eu assistia o filme, mas é um aspecto interessante de citar ainda mais se comparado ao penúltimo trabalho "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos". Um Woddy Allen e uma luz no fim do túnel. Que será que anda acontecendo com o mestre do cotidiano? Hahaha.
    Visitei seu blog e gostei do texto sobre o agente administrativo. Visitem também. Ah! E deixar um comentário é sempre muito significativo.

    Leandro Antonio
    Sessões

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  10. Olá.

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  11. Ai, Leandro e demais, posso falar a verdade? Eu realmente não gostei de "Meia noite em Paris".

    Não, o pior de tudo não é que não gostei. Não gostei NEM desgostei - o que, em termos de arte, é muito pior. A arte pode encantar ou chocar. Ruim é quando a gente sai do cinema com aquela sensação de "Ok, bacaninha, mas era isso?"

    Já tinha visto o "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos", que foi aqueeele balde de água fria, principalmente se comparado a outros trabalhos do Woody Allen (os dos bons tempos... haha). Quando comecei a ler críticas positivas de "Meia Noite em Paris", resolvi dar outra chance. A verdade? Claro que não é tão ruim quanto o anterior, mas saí decepcionada do cinema.

    A questão é que achei medíocre. Um filme ok, que diverte, que seria ótimo par a Sessão da Tarde - eu adoraria assistir no sofá, de polainas, tomando sorvete direto do pote. Mas só. Todos os temas "profundos" são abordados de forma superficial, e, mais uma vez, Woody Allen faz um filme sobre ele mesmo - agora na pele de Owen Wilson.

    Na minha opinião, o que salva o filme são os momentos leves de humor e a atuação radiante de Marion Cotillard. Estou pensando em escrever uma crítica no meu blog em breve, quando o fizer posto aqui o link pra rolar um intercâmbio de ideias! rs

    Bom, ainda que eu discorde da sua opinião sobre o filme (rs), excelente post, muito bem escrito e argumentado... e, o que é mais milagroso, você conseguiu falar sobre ESSE filme sem estragar nenhuma surpresa! (isso é incrível!)

    Abraços!

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  12. Acho que Juliana Piesco sintetiza minhas idéias.

    Embora não tenha achado o filme nada demais foi importante para minhas reflexões psicanalíticas numa agradável noite no Espaço Unibanco Santos.
    Algumas conclusões interessantes, mas um tanto quanto óbvias, talvez. Não sei. Valeu a pena ver de tanto que as pessoas estavam 'hablando' sobre o filme.

    "E o que buscam as pessoas com as viagens? Um lugar que não existe."


    M.M.
    Sessões

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  13. Oi, Juliana!
    Os comentários contrários são muito bem vindos também. Sem diversidade de opiniões não existe assunto, o tal "intercâmbio de ideias". Vamos fazer trocar figuras sim Juliana. Vamos falar de cinema com opiniões ora convergentes ora divergentes. Valeu, belo comentário.

    Mateus?
    Não entendi a citação.

    Abraços

    Leandro Antonio
    Sessões

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  14. Achei interessante aquela parte do seu texto. O filme é bacana, me provocou reflexões, mas não me surpreendeu tanto. Enfim...


    M.M.
    Sessões

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  15. Aquela vida modorrenta e sem graça que qualquer mortal vive pode ser realmente melancólico a partir do momento que não há perspectivas de melhora ou de futuro pujante. Toca o sino, o badalo badala e um (novo) velho mundo se abre onde seus maiores ídolos e ideologias aparecem como num sonho bom ou numa viagem de LSD. Tudo se torna perfeito e você passa a ser parte desse submundo de gênios e pensadores que gostam de uma boa orgia e de uma boa noite. O mundo real torna-se apenas uma lembrança de obrigações e convenções que a sociedade impõe. Paris torna-se mais do que a Cidade Luz e passa a ser a Cidade do outro mundo. Os casais que se cuidem, pois a capital francesa que costuma servir de lua de mel anda pregando peças nos pombinhos (pseudo) apaixonados.

    Um elenco estrelar, uma cidade belíssima, personas imortais. Que maravilha de filme. Que beleza de história. Que saco.

    Woody Allen faz uma verdadeira missão de conquista na Europa pelos seus últimos filmes, após décadas dedicadas à caótica-apaixonante NY. Já passou por Londres (Match Point, Scoop e O Sonho de Cassandra), Barcelona (Vicky Cristina Barcelona) agora embarca na cidade mais charmosa do mundo para contar mais uma história sobre o descontínuo cotidiano alleniano através da desestruturação de um casamento que está prestes a acontecer. Banhando um pré-matrimônio improvável, Paris trás uma aura transparente onde a chatice de uma mulher sem amor e a falta de criatividade de um escritor podem fazer com que novos interesses apresentem-se e façam com que um novo mundo seja realizável.

    Com estilo demarcado, esperamos sempre aquele mais do mesmo quando vemos um filme de Woody – que chega a cansar em certos momentos. Genial? Não sei. Chato? Não também. Apenas já não vejo tanta beleza naquilo que já vi tantas vezes de formas pouco diferentes. Paris está ótima, os atores estão bem, a direção é boa, o roteiro é bem tramado. Mas e aí. Para onde vamos? Relacionamentos em montanhas russas já não me captam mais tanto quanto outrora. Allen, para onde vai? Sua montanha russa de qualidade também pode leva-lo ao mais alto topo dos gênios dessa arte por fórceps. Melhor do que o normal, mas não sei até onde vai. Além de Allen há uma esperança de que o cinema se renove e busque outros rumos.

    Vitor Stefano
    Sessões

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  16. Depois de passar por Barcelona e, demasiadamente, insistir com Londres, o cineasta aporta na Cidade Luz para contar mais uma de suas belas histórias. O diretor adere ao realismo mágico para discutir uma imagem de Paris que os americanos engoliram no desenrolar do século 20: capital cultural do Mundo Ocidental, é a cidade que prestigia mestres, um local de prosperidade e liberdade, onde artistas sem crédito podem se refugiar para ter seu valor reconhecido. Uma cidade-museu. Porém, Allen demonstra-se ousado e não deixa de ser irônico: o cineasta que não conseguia financiamento para rodar em New York e partiu para uma bem-sucedida turnê de filmes europeus, ao chegar a Paris, debate essa própria acolhida. A questão é que Allen não acredita na arte como museologia. Daí a provocação de Gil contra o erudito amigo de Inez, Paul Bates (Michael Sheen), que leva todo mundo para conhecer as estátuas de Rodin, os jardins de Versalhes, e derrama seus conhecimentos. “É um pseudointelectual”, diz Gil.
    Sheen representa irritantemente bem este lado “pseudointelectual” de Paul, é amigo de faculdade de Inez e aparentemente capaz de ser expert em todo e qualquer assunto que exista no mundo. Na realidade, Sheen pode ser considerado a mola central dessa artimanha de Allen para criar ainda mais simpatia pelo protagonista, já que todos à sua volta, aos poucos, se tornam insuportáveis, vazios e céticos, se mostram presos a amarras e ranços, incapazes de viver essas experiências e de se deixarem vivê-las. O diretor faz disso um instrumento contra todos que ainda dão mais valor a uma enciclopédia do que a vontade de viver essas novas experiências. Mais ainda, reafirmando esse “tour mundial” que veio fazendo, saindo de seu habitat em Manhattan, para que seu cinema experimente novos ares.
    Em muitos de seus filmes, é presente essa valorização do “consumível” (ou cultura pop) versus o intelectualismo de pedestal. Em Manhattan, assim como em Meia-Noite em Paris, o filme inicia-se com imagens da cidade em movimento, o cartão-postal em transformação. É o anti-museu. Em todo caso, o cineasta defende aqui que a arte não deve ser ostentada, mas experimentada. Apesar disso, nunca deixamos de ter a impressão de que Paris e Allen aguardavam a possibilidade desse encontro há tempos e dele nasce uma química natural, descontraída e, acima de tudo, fantástica. Acredite: a Paris deste filme de Woody Allen é diferente.
    Como é de costume em seus filmes, os protagonistas vivem um momento de dilemas e crise. O filme é instigante pelas pequenas ironias sobre a forma diferente com que as pessoas encaram as próprias vidas e as situações pelas quais vão percorrendo enquanto esta mesma vida passa. No texto ligeiro, cheio de referências e de humor inteligente, com um ar nonsense, sofisticação, charme e sem amarras ao realismo, esta película desenrola um diferenciado comentário sobre a relação com o passado e o deslocamento com o presente, passando por uma descarada homenagem a figuras altamente representativas da literatura, cinema, música e artes plásticas no século passado e um olhar muito particular sobre a capital francesa, que já vimos inúmeras vezes em centenas de outros filmes.
    No entanto, o drama nasce das reflexões nas quais o protagonista mergulha a cada vez que recorre a seus mestres literários. Surge então uma questão filosófica mais profunda: por que nunca estamos satisfeitos com o que temos?

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    1. A todo o momento, Gil se mostra frustrado com sua situação, é um homem deslocado; apesar de ter sucesso como roteirista em Hollywood e ser muito bem remunera-do, ele têm seus desentendimentos com Inez por ela e a família, clássica norte-americana, não aceitarem as belezas de Paris e, também, por tentar escrever um livro sobre o dono de uma loja que vende memorabilia, a fim de fugir da mesmice em que vive. Na verdade, o livro é sobre ele mesmo, que é nostálgico de uma época que nunca viveu. Tudo isso soa insólito. A solução, porém, é encontrar sua turma. E ele o faz, gesto que dá ao filme uma aura mágica, inspiradora. Nada se torna ultrarromântico, existe uma linha tênue entre a idealização e a maturidade com o passado, fazendo uma interessante colocação: aos olhos de hoje, o ontem sempre vai parecer mais interessante.
      Por fim, percebe-se que a verdade acaba se perdendo de modo surrealista entre significados, existências e rinocerontes. Como se mesmo tentando mostrar o que fazer, sempre alguém acabe “lendo demais” algo que é só feito para ser sentido.
      É então que se percebe que “Meia Noite em Paris” não quer ser simbólico, metafórico, surrealista ou cheio de leituras, mas sim só contar essa história, juntar esses personagens nessa e, no final das contas, ter a certeza de que o presente sempre parece insuficiente para quem não tem limites para sonhar, pensa acordado e dormindo, para quem ama com atropelo, ou cultiva fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, que corre atrás da felicidade possível e, às vezes, perceber que a única coisa necessária é esse momento de chuva sobre Paris que [realmente] acaba deixando-a muito mais bonita.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. P.S.: Atualmente, muitas discussões, principalmente as culturais, terminam com a ofensa “pseudointelectual” muito mal utilizada, como uma Lei de Godwin dos ignorantes orgulhosos. Mas, usada por Woody Allen em “Meia Noite em Paris”, isto é feito com propriedade.

      A Lei de Godwin, conhecida também como A Regra das Analogias Nazistas de Godwin (ou ainda em inglês Godwin's Law ou Godwin's Rule of Nazi Analogies), tem por base uma afirmação feita em 1990 por Mike Godwin, um advogado americano, que diz: “À medida que cresce uma discussão online, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou nazismo aproxima-se de 100%”.

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