segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sessões entrevista Eduardo Escorel

Eduardo Escorel de Morais, conhecido como Eduardo Escorel, é professor, montador, diretor de cinema e há pouco tempo crítico de cinema com Questões Cinematográficas da Revista piauí que sairá do ar em junho de 2010, portanto aproveitem um pouco da acidez de um dos maiores nomes de nosso cinema.

Escorel começou sua carreira no meio muito cedo e com 20 anos foi assistente de direção em 'O Padre e a Moça' (1965) de Joaquim Pedro de Andrade. Para esse diretor montou 'Macunaíma' (1969), 'Os inconfidentes' (1971) e 'Guerra conjugal' (1974). Para o gênio Glauber Rocha, o gênio Escorel montou 'Terra em transe' (1966), 'O dragão da maldade contra o santo guerreiro' (1969), 'Der Leone Have Sept Cabeças' (1970) e 'Cabeças cortadas' (1970). Além de muitos outros.

Como diretor fez o documentário curta-metragem 'Visão de Juazeiro' de 1969 e seu primeiro longa foi 'Lição de Amor' (1976), além de 'Ato de Violência' (1980), 'O Cavalinho Azul' (1984) e um dos maiores feitos de documentários nacionais: a trilogia - '1930-Tempo de revolução' (1990), '32-A Guerra Civil' (1993) e '35-O Assalto ao Poder' (2002). 'Vocação do Poder' (2005) foi seu último trabalho como diretor.

Seu último trabalho foi como montador de 'Santiago' de 2007 de seu colega de piauí, João Moreira Salles. Outros trabalhos muito conhecidos de Escorel são 'Eles Não Usam Black-Tie' de 1981 e 'Cabra Marcado para Morrer' (1985).

Eduardo Escorel tem uma lista vasta de filmes em seu curriculum além de vários prêmios, como não poderia deixar de ser. Venceu no Festival de Brasília por melhor Montagem com 'Guerra Conjugal' (1975) e 'O Chamado de Deus' (2000) além de melhor Roteiro e Diretor em 1980 por 'Ato de Violência' . No festival de Gramado venceu em 1976 como melhor Diretor por 'Lição de Amor' e em 2002 como melhor Montagem por 'Dois Perdidos Numa Noite Suja'. Já por seu último trabalho venceu o como Melhor Montagem no Grande Prêmio Cinema Brasil de 2008 pelo ótimo Santiago.

Ainda em 2005 lançou o ótimo livro 'Adivinhadores de água', com crônicas e ensaios seus sobre o cinema.

Vejam a entrevista com o ácido crítico e nome célebre do cinema nacional, Eduardo Escorel.

Sessões: O que o surpreende no cinema dos último tempos?
Eduardo Escorel : 'O quarto da Vanda' (2000), de Pedro Costa, que redefine o conceito de realismo e faz da realização do filme uma experiência existencial.

S: Dá às vezes no saco ser crítico de cinema?
EE: É cedo para que eu possa responder essa pergunta. Só comecei a colaborar com a Revista piauí, em agosto de 2009. Sou, portanto neófito na função.

S: O fim da década de 1990 e o começo dos anos 2000 foi tido como a retomada do cinema nacional. Em poucas palavras o que significa esta retomada? Avançamos muito ou pouco se pensarmos nos incentivos?
EE: Houve, é inegável, uma mudança em relação ao início da década de 1990. Aumentou muito o volume de recursos investido no setor. Regredimos no que diz respeito à hipertrofia burocrática e ao sistema criado que beneficia, antes de tudo, os chamados produtores e empresas. Você vivencia o cinema brasileiro há muito tempo.

S: Qual foi (ou é) a melhor fase do nosso cinema?
EE: Entre 1962 e 1968, houve uma fase boa. São os anos de 'Vidas Secas', 'Deus e o Diabo' e 'Terra em transe', entre outros filmes. Uma parte do período da Embrafilme, de 1975 a 1986, também foi interessante. Basta lembrar de 'Cabra marcado para morrer' e 'Iracema', esse último produzido com recursos da televisão alemã. Já a partir de 1990, o cinema brasileiro perdeu interesse, o que não quer dizer que não tenham sido feitos, aqui e ali, alguns bons filmes.

S: Qual é o melhor filme nacional? Porque? E o melhor diretor?>
EE: Não saberia eleger um filme, nem um diretor. E se soubesse, não gostaria de fazê-lo. A pergunta me parece despropositada.

S: Vivemos uma fase onde há muita produção de documentários nacionais, como 'Simonal', 'Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos' e 'Caro Francis'. Ao que se deve isso?
EE: Em certa medida, por que há muitos recursos sendo investidos na produção, sendo boa parte desperdiçados. Além disso, um documentário exige muito menos recursos do que um filme de ficção, o que o torna bem mais acessível.

S: Qual é a função social de um crítico, isto é, qual a sua utilidade?
EE: A função do crítico é dizer o que pensa. Sendo lido, pode servir de estímulo para refletir. Não acredito que se deva pensar em termos de “utilidade”.

O Sessões agrade a participação e queremos com essa pequena entrevista homenagear um dos nomes mais geniais do cinema nacional. Já trabalhou com muitos gênios da nossa cinematografia, agora é a vez de reconhecermos este, Eduardo Escorel.

Equipe do Sessões

2 comentários:

  1. Parabens ao sessoes (Vitor Stefano)pela entrevista. O blog segue sua proposta de colocar a disposição informações absolutamente relevantes sobre o cinema e cada vez mais inserido no mercado ao se aporximar de críticos, produtores e pessoas importantes do cinema nacional e internacional.

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  2. A arte existe sem crítica? Pergunta que me fiz agora ao ler a entrevista. Mas com certeza para os padrões de divulgação e de sociedade é uma discussão que pode dar pano para manga.

    Que Sessões continue fazendo pontes.

    Leandro Antonio
    Sessões

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