sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mil Anos de Orações

Nome original: A Thousand Years of Good Prayers
Diretor: Wayne Wang
Ano: 2007
País: Estados Unidos
Elenco: Henry O, Feihong Yu, Pasha D. Lychnikoff e Vida Ghahremani.
Prêmios: Melhor Filme e Melhor Ator (Henry O.) do Festival de San Sebástian (2007).
Mil Anos de Orações (2007) on IMDb

Dois mundos confrontados. Apesar de China e EUA estarem no contexto, não é a Guerra Fria, muito menos a atual 'corrida comercial' que divide o G2 do resto do mundo. É o passado e o presente. Após 12 anos de afastamento, o chinês Sr. Chi decide visitar sua filha, Yilan, nos EUA. Logo na chegada o confronto da cultura oriental com a ocidental. Vê-se que nem mesmo a abertura comercial da China consegue abranger tantas mudanças culturais. Não há Whopper que faça o chinês abandonar o seu arroz. Não nem abandonar a família.

O longo afastamento é claro e evidente. Não há mais entrosamento entre os dois, e a presença do pai vai aos poucos incomodando a filha. Parece haver um abismo entre a educação tida na velha China com as atitudes alienadas no Novo Mundo. A viagem foi motivada pela recente separação de Yilan e o pai preocupado, por um histórico sombrio, foi acompanhar a crise de sua cria. E para que as palavras se nem falam mais a mesma lingua (e não estou falando do mandarim e do inglês), o constrangimento é claro em silêncios eternos e olhares perdidos.

A grande mudança se dá quando o Sr. Chi, aos poucos, começa a sair e com seu pobre inglês vai tentando se comunicando com os vizinhos, contando suas histórias mirabolantes e criativas, até conhecer uma senhora de origem iraniana. Ela com sua sensibilidade cativa e consegue fazer com o que o chinês tente (e consiga) se aproximar da sua nova filha. É um recomeço, difícil, doloros mas necessário para que eles conheçam de verdade quem são.

Brigas seguidas de silêncios metricamente cronometrados, prova que ainda existe amor. Não adianta falar, um olhar diz tudo. Os laços não são apenas de sangue. Pai e filha frente a frente, e nenhuma palavra deve ser dita. O filme mostra que o amor não é algo que morre, é eterno de verdade. A atuação de Henry O. como pai é impecável e todo o roteiro é costurado cirurgicamente para que todos os momentos transbordem emoções. Emocionante para quem tem pai, é pai ou até para quem não teve. A busca da felicidade está nos menores detalhes. E não perca a conta, pois ainda é necessário 2000 anos de orações...

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Olá galera do sessões de cinema, tudo bem? Adorei o teu blog de cinema!

    Sou colaborador do site cinedica.com.br e gostaríamos de comentar que no dia 17 de janeiro, as 22 horas, iremos agitar um bate papo em nosso site em função da cerimônia do globo de ouro e gostaríamos muito de contar com a presença de vocês e de seus usuários.
    Nosso site é feito por amantes e para amantes da sétima arte. Somos contra a pirataria e amamos falar sobre cinema.
    Dia 17 é um dia especial pois a cerimônia será mostrada ao vivo via canal TNT e não existe um lugar onde quem curte essa premiação possa debater via mensagens, os acontecimentos, ao vivo, que se seguem.
    Gostaríamos de saber se você pode nos ajudar com a divulgação desta nossa iniciativa.
    Nós rodamos a internet para encontrar sites interessantes e que fazem parte de nossa filosofia.
    Você pode conhecer um pouco desta idéia pelo link: http://www.cinedica.com.br/filmes/cinefest.php
    Desde já agradecemos e aguardamos uma resposta.

    Atenciosamente, equipe CineDica.

    rp@cinedica.com.br
    raphaelcamacho@gmail.com

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  2. Há em "Mil Anos de Orações" um conflito muito forte e claro de gerações, todo o conflito de gerações está alicerçado em questões de cunho moral. E é na ausência de retratações de situações morais autênticas que habitam os senões deste filme. Antagonizar oriente e ocidente, visão comunista e visão capitalista, o velho e o novo são assuntos que já foram bastante vistos e revistos. Portanto, este é um tema que ainda pode ser explorado, desde que novas óticas sejam apresentadas e este não foi o caso.
    Chama a atenção no filme a retratação unilateral da questão, já que houve um esforço maior em mostrar as impressões do lado da questão que era chinês, velho, comunista, estrangeiro e não fluente em inglês. Acredito que a fórmula escolhida fez o filme perder um pouco de seu brilho, o que poderia ser um drama psicológico de maior intensidade, tornou-se apenas uma descrição das antigas e esteriotipadas visões de um mundo dividido somente em duas maneiras de pensar.

    Leandro Antonio
    Sessões

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