sexta-feira, 29 de abril de 2011

Abraços Partidos

Nome Original: Abrazos Rotos
Diretor: Pedro Almodóvar
Ano de lançamento: 2009
País: Espanha
Elenco: Lluís Homar, Penélope Cruz, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rubén Ochandiano, Lola Dueñas, Rossy de Palma e Chus Lampreave.
Prêmios: Melhor Longa Internacional no 33º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Prêmio do Público) e Goya de Melhor Trilha Sonora para Alberto Iglesias.
Abraços Partidos (2009) on IMDb

Ode ao cinema! Ode à paixão! Ode à si próprio!


Assim é o novo filme de Almodóvar. Você que já conhece o estilo e as temáticas do diretor, sabe que ele é craque em decifrar as mulheres, mas agora em Abraços Partidos, ele consegue o impensado. Um homem está no centro das ações e ele esmiuça cada pensamento e a visão masculina. Obviamente falarão de Penélope Cruz na pele de Lena, por seu charme, beleza, sua ótima atuação e pelo prestígio que vem conseguindo nos últimos anos (principalmente por suas participações nos filmes do espanhol). Porém é Lluís Homar que tem o maior papel da película, e o faz muitissimo bem. É um filme sobre relações pessoais e, como sempre, de paixão.


"Garotas e Maletas" é o nome da produção que acontece dentro de "Abraços Partidos", claramente inspirado no primeiro sucesso internacional do diretor, "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos". E a arte imita a vida. Em 'Conversas com Almodóvar', o diretor conta que para conseguir dinheiro para a produção do filme "Maus Hábitos", um grande empresário espanhol, em crise no casamento, só o financiaria se a sua esposa fizesse parte do filme. Assim como o possessivo Ernesto (José Luis Gómez) com a bela Lola. Em Abraços Partidos substitui-se Almodóvar por Mateo e Maus Hábitos por Garotas e Maletas. Para quem ama cinema vai amar ver as relações que acontecem por trás das câmeras, as mais belas e as mais pervesas. E perceber que Pedro está na tela, se expondo para o mundo ver. Cada vez mais elementos autobiográficos vão aparecendo na tela. Mateo ou Harry, neles Almodóvar aparece para nós como se estivesse olhando para o espelho.

Um acidente. A cegueira. Não estamos em "Ensaio sobre a Cegueira" porém assim como Meirelles, Almodóvar conseguiu fazer um bom ensaio dessa ausência de sentido. De perspectivas diferentes, de ângulos diversos, mas que angustia só de pensar em não ver. "Abraços Partidos" demora a engrenar (talvez meu olhar fanático me engane dizendo que engrenou de fato), talvez pelo excesso de elementos, uma montagem não clara, uma quantidade de elos com a homenagem que prestou ao cinema, por um certo perturbamento diferente das suas ultimas películas. É um filme de um capricho enorme, com cenas antológicas, mas é aquele belo em busca de uma complexidade que não se concretiza (ou concretiza até demais?). Há um quê de Tarantino em "Abraços Partidos" pela constante busca de referências, numa busca por sí próprio e de um cinema que parece ter morrido dentro dele. Uma certa melancolia ao ver o passado kitsch, ao ver a verdade dos atos já cometidos. A maior sensação de cinefilia e de Penélope está lá e não há maior sensação de cinefilia do que ela a todo momento com trejeitos que relembram Audrey Hepburn.


Desde que vi o filme não consegui revê-lo. Talvez a certeza da falta de força me faz pensar em deixar a boa impressão inicial para sempre em minha mente. Acho que já passou da hora de ver e tirar essa mácula da minha vida. Espero surpreender-me e amar cada vez mais o cinema almodovariano. De tanto ouvir falar que é este é um Almodóvar menor, vou me isolar e ver o melhor filme do Almodóvar: "Abraços Partidos".

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. Abraços Partidos tem diferentes elementos, mas a comédia em língua espanhola sempre me toma! Em minha opinião, os espanhóis fazem hoje o melhor cinema cômico. Claro que este é apenas um viés intruso neste filme de Almodóvar, mas tem seu destaque para quem quiser botar reparo.

    Não é uma grande obra, detalhe para Penelope Cruz que faz mais uma boa atuação, aliás dá pra sentir que ela curtiu o trampo.

    Abraços

    Leandro Antonio
    Sessões

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  2. Sou uma grande fã do cinema de Almodóvar.

    Apesar de achar que Abraços Partidos é um filme bem mais contido do cineasta, gostei de ver a narrativa focada em um personagem masculino.

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