segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Fraternidade é Vermelha

Nome Original:Trois Couleurs:Rouge
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1994
País: França, Polônia e Suiça
Elenco: Irène Jacob e Jean-Louis Trintignant.
Prêmios: César de Melhor Música Escrita para um Filme, Bodil de Melhor Filme Não Americano.
A Fraternidade É Vermelha (1994) on IMDb

Fraternidade: sf (lat fraternitate) União ou convivência como de irmãos.

Vemos fios, telefones, comunicação. Quero ouvir, quero falar, quero saber. Não importa como, porque, nem por onde, a obsessão por saber o que outrém diz, pensa, esconde, é maior do que a própria verdade íntima. A curiosidade e a necessidade de falar e ser ouvido é cada vez mais obsessivo e inerente ao ser humano. E uma falha nesse meio, pode ser fatalmente enlouquecedor.
 
Valentine é doce, humana e honesta. Após atropelar Rita, uma cadela, sua coleira a leva a conhecer um senhor, Joseph Kern. Juiz aposentado, que é o seu oposto - desonesto, desumano, grosso. Mas o respeito e carisma ajudam um inesperado início de uma amizade, talvez até algo a mais. Um amor, daqueles apaixonantes, sem toques ou prazeres. Um amor fraternal, como se Valentine tivesse encontrado um guia, uma bússola ou simplesmente Deus. Os opostos, realmente, se atraem.

Há outro personagem que não damos tanta importância: um estudante de direito. Ele está lá mas não conhecemos ele realmente. Mas temos uma certa familiaridade com ele. Sabe-se lá como, se é o destino, o acaso ou o simplesmente Deus de cima que está sempre nos vendo e ouvindo. A vida desse estudante durante todo o tempo se esbarra com Valentine. Moram perto, vão aos mesmos lugares, estão sempre conectados, mesmo sem se conhecer. E tudo que acontece a ele, nós já sabemos. Há alguém que está mudando a história de vida dele. Ele há de encontrar com Valentine.

Temos a fraternidade como um pai que vê o filho crescer através da fechadura da porta ou ouvindo as conversas do telefone. Há um juiz, lá de cima ou na casa ao lado, arrumando as pequenas coisas da vida. Julgue-nos, puna até sair sangue quem for de direito, mas, por favor, absolva quem tiver princípios, principalmente, Liberdade, Igualdade e Fraternidade.


Kieslowski você está absolvido, com louvor. Muito obrigado pela Trilogia das cores, do lema, dos princípios.


Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. "Amar e se comunicar ficou quase impossível para os homens. Só a fraternidade poderá uni-los..."

    - Melhor da trilogia.

    Obra máxima do Kieslowsky

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  2. Amo esse filme, mas acho que a obra é uma metáfora sobre a Europa dos anos 90 e das turbulências ocasionadas no século XX. A antiga Europa, traumatizada pelas guerras, diferenças culturas, resentimentos poderiam ser encontrados na figura do juiz, enquanto a nova Europa, com a força da Comunidade Europeia é representada na figura da modelo (jovem, com grande futuro pela frente).

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