O Processo
Nome Original: O Processo
Ano: 2018
Diretora: Maria Augusta Ramos
País: Brasil
Elenco: Povo Brasileiro
"O Processo" é um documentário dirigido por Maria Augusta Ramos que foca a defesa do processo de impeachment que destituiu a presidente Dilma Rousseff do cargo em 2016.

Trata-se, assim, de um filme histórico sem a necessária distância histórica. Isto daria pano para mangas em qualquer lugar; na polarizada sociedade brasileira de 2018 significou jogar gasolina na fogueira.
O filme foi classificado de petralha, esquerdista, comunista, mortadela daí pra baixo, por um lado, e de genial, brilhante, histórico e perfeito por outro. Eu diria apenas: nem tanto ao mar nem tanto a terra.
O gênero é documentário observativo, isto é, trata-se de uma câmera colocada no centro dos acontecimentos com a finalidade de fazer com que o espectador se sinta dentro da narrativa. De fato, Maria Augusta Ramos alcança esse objetivo com relativa facilidade. Não há entrevistas ao longo de sua obra.
Como se sabe todo ato é constituído de significado e a direção de um documentário é, logicamente, um ato e uma escolha política, assim, a diretora toma o lado da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff e do núcleo responsável pela condução dos processos no Congresso Nacional formado por (José Eduardo Cardozo, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, Jandira Feghali e Vanessa Grazziotin).
O lado oposto é formado pela Advogada de acusação Janaína Paschoal e o senador Antonio Anastasia.
Tudo bem, e daí? Se você quiser deixar de assistir o filme porque ele é parcial problema seu. Sinta-se a vontade para fazê-lo. Eu entendo que a capacidade de respeitar uma posição contrária está em falta ultimamente. Mas àqueles que têm disposição O processo é uma experiência sensorial e intelectual de assistir um processo histórico que, de fato, todos vivemos.
Diferente de tantos outros documentários que assistimos mas não vivenciamos a exemplo do "O Dia que Durou 21 Anos", "Cidadão Boilesen", "Jango" e tantos outros.
E sobram momentos de descontração com a Janaína Paschoal tomando toddynho, dizendo que a CF deveria ter o mesmo status da bíblia e muito mais.
Formalmente, o filme tem uma condução muito competente. Aliás, Maria Augusta Ramos é cineasta experimentada. Recebeu o Prêmio Marek Nowicki, concedido pelo Conselho da Fundação Helsinque para os direitos humanos. Seu documentário "DESI" foi ganhador do Festival de Cinema da Holanda em 2001 e em seu currículo ainda constam "Justiça", "Morro dos Prazeres" e "Futuro Junho Que levou".

O plano de abertura que mostra uma imagem de drone sobre Brasília dividida por um muro é impecável e brutal. Eu achei um pouquinho longo 2:15 e às vezes um pouco sem ritmo. O título do documentário torna impossível não estabelecer correlação com o livro de Franz Kafka em que Joseph K. é processado e sujeito a longo processo de julgamento por um crime não especificado.
Fernando Moreira dos Santos
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