sexta-feira, 18 de março de 2011

O Que Você Faria?

Nome Original: El Método
Diretor: Marcelo Piñeyro
Ano: 2005
País: Argentina, Espanha e Itália
Elenco: Eduardo Noriega, Najwa Nimri, Eduard Fernández , Ernesto Alterio, Carmelo Gómez e Natalia Verbeke
Prêmios: Butaca de Melhor Ator Catalão (Eduard Fernández), CEC Award e Goya de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coajuvante (Carmelo), Canvas Audience Award, Prêmio da União Espanhola de Atores Adriana Ozores e Eduard Fernández
O Que Você Faria? (2005) on IMDb


O que voce faz num processo seletivo? É quem você é, finge ser alguém melhor ou não consegue fazer absolutamente nada pois sua grande vontade de adentrar a um novo emprego é apequenado pelo medo da mudança e da nova vida que poderia vir? Toda mudaça exige atitudes, mas diminuir-se numa seleção, não é exatamente o tipo de ação que pode ser tomada. E aí, o que você fará? Essa pergunta se repete diversas vezes antes de pensarmos em pensar em uma resposta à um simples pedido,corriqueiro em todas dinâmicas de grupo: Apresente-se. As pernas tremem, mas só percebe-se isso até abrir a boca e ver que a voz treme muito mais. Porque tanto medo, porque tanta insegurança se é apenas para falar de si, sem mentiras. Ali na frente, todos estão em condições iguais, mas só entra quem for diferente, positivamente diferente. Seja você mesmo, sempre. Nas dinâmicas, nas entrevistas, na vida. Essa é minha dica e você, o que faria?


“O Que Você Faria?” tem um enredo atípico, único e absolutamente incrível sobre dinâmicas de grupos. Um projeto primeiramente expressado nos palcos dos teatros e muito bem transportada ao cinema por Marcelo Piñeyro. A idéia é uma seleção de emprego com um método inovador, chamado Método Grönhom. Sim, teria tudo para ser o mais entediante dos filmes, com executivos cheios de pompas, querendo sobresair-se diante dos outros e querendo impressionar o mediador. Aí está o grande mote, não há um mediador. Toda a seleção e dinâmica são propostas por computadores diante dos candidatos, que interagem e durante as etapas vão se degladiando, buscando câmeras e microfones para atuar diante da platéia invisível. Apenas a secretária, com abruptas interrupções dá algumas dicas sobre o método. Dicas ou pegadinha? Como vamos saber, se o mundo das dinâmicas são estágios inexistentes num mundo real.

Tudo fica ainda mais tenso com os protestos contra o FMI que avassalam as ruas de Madri. Todas variáveis são importantes dentro da seleção, seja sobre aspectos da vida amorosa, política ou propriamente profissional. E quando percebemos que há todo tipo de estereótipos naquela sala, desde a ousada até o machista, do calculista ao militante, podemos prever tudo, menos qual será o resultado. Na sala misteriosa, não há como saber o que realmente está acontecendo, mas a medida das “provas”, percebemos que qualquer passo em falso é fatal e mostram mais do que devem. A eliminação é sumária e impiedosa, sem chances de retratação, afinal discutir com um computador seria motivo bastante para ser eliminado com a chancela de insanidade. Com a permanência dos mais fortes, novas fases vão chegam, e psicologicamente a dificuldade aumenta. Pra nós, que apenas estamos vendo, nos divertimos com a capacidade humana em degladiar. Esse método pode ser revolucionário mesmo.



Entre dúvidas e certezas, “O Que Você Faria?” é um ótimo retrato sobre seleção profissional, além de um filme leve e interessantíssimo sobre o aspecto humano. Toda surpresa desmascara o ser humano e o Método Grönhom, aqui, é o carrasco. O elenco está em sintonia, com ótimas atuações e totalmente convincentes como executivos em busca de novas oportunidades e ao longo das etapas do processo vão tirando o auto-controle. Sabemos que achar um novo emprego não é fácil, mas não precisava ser tão difícil. Mas na vida, tudo é difícil mas nossa missão é facilitá-la! E ser você mesmo ajuda muito, principalmente, numa seleção profissional.

Vitor Stefano
Sessões

3 comentários:

  1. Já vi o filme faz uns 3~4 anos, excelente.
    Parabéns pelo post, muito bom também.

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  2. Assisti na minha aula de sociologia ano passado e, realmente, um filme muito bom.

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