terça-feira, 8 de março de 2011

Inverno da Alma

Nome Original: Winter’s Bone
Diretora: Debra Granik
Ano: 2010
País: EUA
Elenco: Jennifer Lawrence
Prêmios: C.I.C.A.E. Award e Reader Jury of the "Tagesspiegel" no Festival de Berlim, Melhor Filme e Roteiro do Festival de Sundance.
Inverno da Alma (2010) on IMDb

Se era pra sofrer, que tivessem um pouco misericórdia de nossos sentimentos. Se queriam que ficassemos imóveis, tentando entender e buscar enigmas por trás daquele rosto jovem e já sofrido, conseguiram. Chega a ser asfixiante de tão duro é “O Inverno da Alma”. Aquela certeza que nada dará certo, rumando como um rio, com obstáculos duros, mas que nada mudará sua tragetória. Se fosse o Inferno da Alma poderiamos já premeditar tal sofrimento compartilhado nossos sentimentos com Ree.

Uma menina de 17 anos é o pai da casa. Sua mãe é depressiva mórbida, seus irmãos menores, são muito pequenos para qualquer atividade. Seu pai, procurado pela polícia por produção de drogas, oferece a casa que sua antiga família vive como fiança. E aí a vida começa a tomar contornos ainda mais dramáticos para não perder a única coisa que lhe resta. A busca por esse pai ausente, maléfico e insignificante é o que torna toda essa busca horrorosa, pesada e dramática, sem ser dramalhão ou piegas. Onde a vida não tem tanto valor assim, Ree é um passarinho voando solitaria numa região cheia de abutres antigos, cheio de valores contestáveis e atitudes deploráveis. O interior dos EUA já foi retratado milhares de vezes, desde os Westerns até os filmes dos Coen, mas a sinceridade imposta na câmera de Debra Granik chega a ser preocupante. A vida não pode ser tão sofrida para alguem, muito menos para alguem com apenas 17 anos. Não pode. Mas assim é a lei daquela selva. Assim que ela deve viver para sobreviver. Se pensarmos que essa realidade é um filme, precisamos dedicar momentos de adoração à Jennifer Lawrence.

Cru. Impiedoso. Uma estranha forma de criar um mundo tão próximo do real. Tantas caminhadas ao encontro da solidão e para perceber que está só, desamparada e sem esperança num mundo a parte, com realismo de causar náuseas. Nem a jovialidade do querer, do buscar, do conhecer dá ânimo à vida. Buscar soluções para tudo é muita pretenção pra quem ainda nem chegou à fase adulta. Pra quem sofrerá para chegar lá. Como um ritual, viver é mais dificil que morrer. E se dizem que quem é apressado come cru, aqui não há opções. Ou come-se cru, ou morre de fome, como um animal, em seu instinto mais interno. O inverno chegou, a lenha queima mas de nada adianta, a alma já está congelada de tanto doer. Se tiver problemas de coração ou de emoção, evite, pois a sua também ficará gélida depois de ver "Inverno da Alma".

Vitor Stefano
Sessões

2 comentários:

  1. O melhor filme dos últimos meses. Abordagem interessante, falta isto no cinema que tenho visto ultimamente.

    Leandro Antonio
    Sessões

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  2. Olá!!

    Gostei muito do espaço que criou...

    Posso te add em meus links na lateral de meu blog?

    Já estou seguindo!

    Um abraço,

    Kleber
    oteatrodavida.blogspot.com

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