domingo, 23 de outubro de 2011

Os Girassóis da Rússia

Nome Original: I Girassoli
Diretor: Vittorio de Sica
Ano: 1970
País: Itália, França e União Soviética
Elenco: Sophia Loren e Marcello Mastroianni
Prêmio: David di Donatello de Melhor Atriz.
Os Girassóis da Rússia (1970) on IMDb


"Enquanto a ganância do poder sobrepor a importância do amor, a humanidade não terá paz”. Li essa frase outro dia num muro de uma cidade qualquer. A Guerra é um indústria, uma máquina, um organismo. Mas aonde está a greve, a rebelião ou o câncer para para-lo? Não conseguimos sobrepor nunca essa força pois a maioria não tem força, esperança ou mesmo vergonha na cara para protestar e lutar contra esse mal que faz tanto mal à essa coisa pouco importante que chamamos de sobrevivência. Abandonar tudo por um ideal que não é seu é exatamente o primeiro passo para a morte. A humanidade acabará num campo devastado onde a única lembrança será dos girrasóis que ali estiveram algum dia.

Vemos uma linda mulher em desespero ao não ver o nome do seu marido na listagem oficial do retorno da guerra. Pior do que não ver, é não ver também na lista de mortos. Aonde estaria Antonio? Giovanna sofre a dor da ausência desestruturada, inexistente. A vida na guerra não tem valor, apenas um número - o da identificação e o da quantidade dos soldados. “Ele está vivo” e viver da sua própria verdade é a verdadeira esperança. Guivanna não abandonará seu sonho, sua glória de ver que seu Antonio está vivo em algum lugar da gélida Russía. Parte em busca da sua esperança.


Por imagens lindíssimas, voltamos no tempo onde o lindo casal (Loren e Mastroianni) se conhece, apaixona-se, ama-se e cria o que deve salvar o mundo. O amor entre os dois italianos é exemplar sem ser piegas. É real, vivo, imperfeito. São detalhes que montam a essência da vida a dois, impossível não lembrar do omelete com 24 ovos para o desjejum do dia após as núpcias. Mas por vezes voltamos à realidade da atualidade. O flashback serve para lembrarmos sempre do início. Porque nem sempre o fim é feliz.


Giovanna consegue encontrar Antonio. Sua esperança estava certa, mas a verdade nem sempre é como esperado. Não há espaço para a perfeição no amor, mas também é quase impossível aceitar o erro. “Os Girassóis da Russia” é um marco na história do cinema por contar uma história, por nos ensinar sobre a vida de casal, por nunca esquecermos dos nossos juramentos mas que nos faz pensar em ver que por vezes a esperança cega a ilusão. Eles nunca podem ser quebrados. Eles são eternos laços apertados com nós que nunca conseguirão desatar. Mesmo que você abandone o barco, esse nó sempre estará preso à proa. De Sica faz um filme moderno e clássico e consegue extrair do casal mais belo do cinema italiano ótimas atuações com o impacto que um tema duro deve exalar, com uma trilha que acentua todos os sentimentos causados. Lindo, denso, triste... quem disse que seria fácil.

Vitor Stefano
Sessões

Um comentário:

  1. Como o cinema italiano das décadas de ouro é inspirador. Ouvi do Sr. Máximo Barro que até a década de 1970, o público brasileiro ia ao cinema com finalidade exclusiva de entretenimento e convívio social, aí veio a televisão e o cinema passou a ser "ingresso para a intelectualidade" o cinema italiano, francês, japonês, russo propiciavam ao espectador a oportunidade de passar burro pela porta da sala e sair inteligente em mais ou menos 2h15... hahaha! Vitorio de Sica talvez seja um destes diretores que transformou muitos burros em ilustres sofistas, dialéticos, impressionantes...

    Adoro sentir a História do Cinema passando aqui pelo Sessões. Obrigado, Vitor!

    Leandro Antonio
    Sessões

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